O “Merc With a Mouth” finalmente tem um game (surtado) para chamar de seu

É muito comum vermos personagens dos quadrinhos ganharem versões para outras mídias. Filmes, séries de TV e games de super-heróis são uma parte importante do mundo do entretenimento, mas, ao mesmo tempo, estamos acostumados a sempre darmos de frente com as mesmas caras.

Sempre encontramos jogos do Batman e Homem-Aranha, mas dificilmente encontramos games de heróis não tão conhecidos, mas não menos adorados pelos seus fãs. Um desses personagens é Deadpool, criado por Rob Liefeld e Fabian Nicieza, em 1991, e que vem recebendo cada vez mais atenção da Marvel Comics. Um filme do anti-herói pode ser produzido nos próximos anos e, após aparecer em outros títulos, como Marvel vs Capcom 3, chegou a hora de ele brilhar sozinho no seu próprio game.

Deadpool: The Game chega aos consoles e PCs com a missão não só de trazer o “Merc with a Mouth” de maneira competente ao mundo dos games, mas também fazer com que o público que não é fã do personagem consiga se divertir. Será que a Activision e o High Moon Studios tiveram sucesso na empreitada?

Você acompanha o “Merc With a Mouth” nos quadrinhos, sempre ri de suas participações especiais em jogos dos X-Men e Homem-Aranha e torce para que o seu filme finalmente saia do papel? Pois, então, Deadpool: The Game o deixará extremamente feliz, rindo de todas as piadinhas e situações absurdas que surgirem na tela.

Caso você não faça ideia de quem seja esse cara que parece, de relance, um “Homem-Aranha com espadas e armas”, ou prefere seus jogos com super-heróis como o Batman ou Wolverine, (que faz uma participação especial por aqui), talvez o título pareça estranho e caótico demais.

Img_normalEsse sabe curtir os bons momentos da vida

Deadpool: The Game não é um jogo para todo mundo, devido ao seu senso de humor bizarro e à possível falta de familiaridade com o personagem. Ele traz comandos que você já viu em diversos games do estilo hack ‘n slash e gráficos competentes, ainda que não sejam nada impressionantes.

Mesmo assim, os fãs vão se deliciar com a aventura, com a violência e com as inúmeras piadinhas infames que são contadas ao logo do game. Quem sabe, numa próxima tentativa, o mercenário tenha mais sorte em se popularizar com o grande público.

Um senso de humor único

Ao contrário de todos os grandes heróis da DC ou Marvel, Deadpool é um dos personagens mais únicos dos quadrinhos pelo simples fato de ele saber que é uma criação de alguém e que vive dentro de um universo de mentira. Isso significa que ele reconhece o jogador/leitor como alguém que está controlando ou assistindo a tudo o que acontece.

Isso consegue gerar situações em que a quarta parede não só é ignorada, como vai ao chão de maneira estrondosa. O anti-herói conversa com o jogador a todo o momento, fazendo comentários politicamente incorretos e piadinhas infames como se a sua vida dependesse disso.

A ideia de ter um personagem principal que sabe que está estrelando um jogo de video game é muito interessante, já que, em mais de um momento, ele fará comentários sobre o que você está fazendo (ou deixando de fazer). Ele atua quase como um amigo que está ao seu lado enquanto você joga.

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A participação de Nolan North, dublador do Deadpool, interpretando a si mesmo, ou as conversas por telefone entre o herói e executivos do High Moon Studios são hilárias, pelo simples fator absurdo que trazem consigo. Se você curte um tipo de senso de humor mais nonsense, aliado a um personagem principal que parece ser a versão “super-herói” de todos os comportamentos fanfarrões da internet, você certamente se divertirá com a aventura.

O mercenário realmente não para de falar

Deadpool é conhecido como Merc With a Mouth, ou Mercenário Tagarela, devido ao fato de ele nunca parar de falar. Seja fazendo piadinhas ou conversando com as vozes que moram na sua mente, o herói tem sempre algo na ponta da língua.

Caso o roteiro e a dublagem tivessem sido feitos de qualquer maneira, não seria difícil ter vontade de desligar o console após apenas 10 minutos de jogatina. Ainda bem que a High Moon Studios procurou Daniel Way, que já havia escrito histórias do Deadpool para a Marvel, para ajudar no roteiro e diálogos, que são hilariantes.

Outro profissional que merece (e muito) os parabéns é Nolan North, que conseguiu apresentar as falas de maneira despojada e natural, realmente dando voz ao personagem que muitos acompanham há anos nos quadrinhos.

O Deadpool dos games é igual ao dos quadrinhos: ele não para de falar por um minuto, mandando comentários e tiradinhas quando encontra aliados ou adversários, quando vê decotes ou está estraçalhando inimigos com suas espadas e armas de fogo.

Se você imaginar como seria se um adolescente viciado em internet e com os hormônios à flor da pele estivesse no controle da mente de um mercenário treinado para matar todos das mais diferentes maneiras, você verá o resultado nesse jogo.

Corte, picote e atire. Só mais um dia na vida de um mercenário

Os comandos de Deadpool: The Game não são o que podemos chamar de complicados, variando golpes de espada e utilizando armas de fogos e granadas. O fato de ele beber muito da fonte de outros games de hack ‘n slash, como Devil May Cry, faz com que o título seja simples de ser domado.

Além da velha técnica “combos e mais combos” para vencer a horda de inimigos, você também pode realizar upgrades nas suas armas, além de comprar escopetas e submetralhadoras para auxiliar na sua missão.

Img_normalQuem nunca metralhou alguém enquanto plantava bananeira?

Outro elemento bastante presente no jogo é a violência. Deadpool: The Game, assim como acontece nos quadrinhos, traz uma dose considerável de sangue, corpos sendo esquartejados, cabeças explodindo e tudo o que você espera de um hack ‘n slash violento.

A maneira como toda essa violência é apresentada pode incomodar algumas pessoas, principalmente por ela ser mostrada e caçoada pelo personagem principal, mas era algo esperado devido ao conteúdo do material original.

Para que tentar fazer algo inovador, não é mesmo?

A primeira coisa que você percebe após ter jogado alguns minutos de ação de Deadpool: The Game é que ele é exatamente igual a todos os jogos do seu gênero. Diversos inimigos sem rosto e personalidade tentam atacar o herói, que os corta como se eles fossem manteiga enquanto faz piadinhas sobre isso.

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O jeito de ele se mover, as armas, praticamente tudo o que você vê, já foi usado em outro game. Em vez de você ter um botão para uma esquiva normal, em Deadpool: The Game você tem um teletransporte.

Tudo isso faz sentido e pode agradar a algumas pessoas, já que a High Moon apostou no certo em vez de se arriscar, mas a falta de coragem em tentar inovar pode incomodar outro grupo de jogadores que esperava por algo mais no título.

Um jogo para fãs e, provavelmente, somente para eles

Conforme falamos lá no começo, Deadpool não é um dos heróis mais conhecidos dos quadrinhos, mas, ele conta com um bom número de fãs ao redor do mundo. Eles dão risada do estilo caótico do personagem, da violência que ele traz consigo e tudo o que circula um anti-herói como ele. Só que, para uma grande parcela do público, isso não tem muita graça.

Personagens das HQs, como Batman, Superman e Homem-Aranha, têm em anos de exposição ao grande público — através de filmes, animações etc — uma vantagem na hora de chegar aos games. Os títulos sempre trazem algo que agrade a todos, enquanto outros heróis ainda não encontraram esse equilíbrio. Deadpool: The Game parece nem ter tentado fazer isso.

Img_normalRisos

A impressão que fica após um tempo de jogo é que a Activision e o High Moon Studios levaram Deadpool aos games para seus fãs e somente para eles. Não existe um momento em que você sinta que está ali para trazer quem não conhece o personagem para mais próximo.

Você não gosta de Deadpool ou não o conhece direito? Não será Deadpool: The Game que mudará isso, já que ele leva em consideração que você sabe quem ele é e se diverte com as suas aventuras.

Câmera caótica como o jogo

Desde os primeiros momentos de Deadpool: The Game, o personagem principal brinca com o fato de existir uma câmera registrando todos os seus movimentos, até fingindo dormir e chamando o espectador de “estranho” por àssistir aquilo. Só que, da mesma forma como o título  é como um todo, em vários momentos ela abraça o caos e fica fora de controle.

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Em porções do jogo em que existe um grande número de inimigos juntos, é impossível entender de onde os ataques estão vindo, já que a câmera não consegue ficar parada em um lugar. Isso também acontece em alguns trechos onde você precisa realizar alguns pulos mais precisos e a visão fica tapada por uma parede ou pedaço de cenário.

Existe a chance de você controlar a câmera, mas em momentos mais tensos, os comandos se mostram sensíveis demais, prejudicando o avanço no título.

70 pc
Bom

Outras Plataformas

70 ps3
70 xbox-360