O entregador de justiça chegou. Hora de vestir a sunga roxa

Img_originalUma sunga roxa com um símbolo na forma de uma espada é o logo do jogo. Eu gostaria de parar esta análise por aqui, já que apenas a frase anterior já deveria ser o suficiente para fazer com que qualquer pessoa fique curiosa para dar uma olhada em DeathSpank. Mas certas obrigações me fazem escrever mais detalhadamente sobre este game completamente louco.

Para quem nunca ouviu falar do título, ele é a mais recente criação de Ron Gilbert — desenvolvedor responsável por vários games de aventura da LucasArts, inclusive The Secret of Monkey Island. Como a descrição aqui em nosso site já diz claramente: a experiência é composta por uma mistura de Diablo e Monkey Island. Isso porque possui a ação de um hack ‘n’ slash e o desenvolvimento de trama típico de jogos de aventura.

Como, então, encarar um jogo como esse? Afinal de contas, Diablo ganhou muitos pontos por sua ambientação sinistra, que arremessa o jogador em um mundo à beira do caos. Já DeathSpank é muito, mas muito mais descontraído. Logo, a resposta para a primeira pergunta deste parágrafo é simples: de forma casual, aproveitando o humor do título.

É impossível não pensar no game como uma forma de paródia, embora ele não vá longe o suficiente para genuinamente “tirar sarro” de outros títulos. Várias referências existem — notadamente uma em que o protagonista menciona claramente que ele agora conhece o segredo de Monkey Island — durante a trama, mas elas são razoavelmente esparsas.

É claro que muito do humor do game é construído em cima de bases norte-americanas, e algumas piadas podem não ser entendidas por certas pessoas — é preciso ter um bom conhecimento de games para pescar todas as insinuações. Mesmo assim, uma boa parte é óbvia (e hilária), como uma mulher que vende tacos em uma vila medieval.

Ron Gilbert deixou a desenvolvedora Hothead Games logo após o término da produção, então os rumos de eventuais sequências — ou adaptações para outras plataformas — são incertos. O que é certo, no entanto, é a qualidade de Deathspank como um jogo casual de ação e aventura, que pode ser jogado tranquilamente e de maneira descontraída.

DeathSpank realmente vale a pena, para quem gosta de jogos de ação e aventura e procura um pouco de descontração. A atividade certamente me lembrou de uma análise que escrevi há bastante tempo, também de um jogo distribuído digitalmente: Castle Crashers. Isso porque ambos são irreverentes e podem ser jogados em várias sessões, de forma tranquila e despretensiosa — perfeitos para aproveitar casualmente.

É óbvio que o título não é substituto ou concorrente de games mais completos do gênero (nem mesmo daqueles em que se inspira diretamente, como Diablo e Monkey Island), mas é certamente uma experiência única. Agora é torcer para que as promessas de uma eventual terceira plataforma em que roda (os PCs, muitos especulam) se tornem realidade, para que ainda mais pessoas possam aproveitar a ideia de Ron Gilbert.

Proposta

Há tempos que não se via um jogo com o estilo específico que DeathSpank possui. Muita ação, complementada por diálogos irreverentes e que servem mais para o jogador dar risada do que afetar o destino do personagem. A linearidade faz parte da fórmula, mas como o título constrói uma narrativa específica isso realmente não é um problema.

Img_original

A construção do personagem foi essencial para o desenvolvimento do jogo como um todo. O que é bastante interessante, já que poucos games são criados dessa forma. O conceito do protagonista já existia antes mesmo de Gilbert construir o resto da narrativa — e serviu de ponto de partida para todo o processo.

Estilo de arte

DeathSpank não é um jogo que busca proporcionar experiências visuais de ponta aos jogador — fato suficientemente pronunciado pela disponibilização do título através de redes de distribuição digital, exclusivamente. Mas o que foi buscado, sem dúvida alguma, é uma identidade própria que remeta a imaginação do usuário a outros games de estilo parecido.

Os gráficos mesclam 2D e 3D, com animações exageradas, expressões fortes por parte dos personagens e muitas cores. O tom dos ambientes é dado pelo conjunto todo dos elementos visuais (e sonoros), e não exclusivamente pelos efeitos de iluminação e sombras. Ou seja, caso você esteja entrando em um cemitério, as cores mudarão para tons de cinza, roxo e preto — e de forma nada sutil, o que é o diferencial.

Escrachado

É sempre divertido ver um jogo que consegue entregar uma experiência envolvente, mas que, ao mesmo tempo, não leva nem mesmo a si próprio a sério. A percepção que temos é a de que uma das regras do desenvolvimento do game dizia que não existe nenhuma “vaca sagrada”: é válido fazer piada com tudo e todos, inclusive com conceitos já estabelecidos da indústria de games e até mesmo com a própria ficção que o título cria.

Img_original

Explicando: DeathSpank faz referências frequentes a elementos que nada têm a ver com um jogo de fantasia. Um exemplo é a barraquinha de venda de tacos previamente mencionada, outro é a afirmação constante de que o protagonista está agindo da forma que está apenas porque seu painel de missões o diz para fazê-lo... E por aí vai.

Até mesmo na hora de se autodescrever o protagonista avacalha: se diz o “entregador da justiça”, “esmagador do mal” e vários outros adjetivos igualmente... Descritivos. Afinal de contas, não é qualquer um que tem a coragem de salvar o mundo usando uma sunga roxa e um capuz — é preciso, realmente, ter muita disposição.

Sistema de combate fluido

O cerne da jogabilidade do título consiste em matar todos os adversários que aparecem pela frente das mais variadas maneiras. Para isso, o protagonista pode equipar até quatro armas e quatro itens acessórios (que vão desde poções e bombas até armas que disparam galinhas nos adversários), escolhidas entre várias encontradas pelo mundo.

Com os armamentos mapeados (um para cada botão colorido), os acessórios no direcional, o bloqueio no gatilho direito e o travamento da mira no gatilho esquerdo, o jogador parte para a pancadaria. Tudo bem simples — a parte mais complicada é engatar sequências de golpes variados para encher um “medidor de justiça”.

Esse medidor é o responsável pelos ataques mais espetaculares do game. Conforme o personagem arrebenta os oponentes ele vai enchendo, e quando está completo algumas armas podem desencadear efeitos devastadores — é possível até mesmo combinar mais de uma arma através de um sistema de runas mágicas que liberam novos poderes.

Existem meios alternativos de encher o medidor, e nos modos de dificuldade mais avançados eles são os mais importantes caso o jogador queira progredir continuamente, sem ter que voltar e comprar poções a cada minuto: bloquear no momento exato em que o golpe atinge o protagonista; e encaixar uma sequência de sete golpes diferentes. Ambos preenchem o medidor de justiça completa e instantaneamente.

Img_original

Aqui no Baixaki Jogos, testamos o game apenas no modo mais difícil — e ele não é problema para veteranos de games de ação e aventura, o que nos leva a crer que é possível para todo tipo de usuário se divertir com as trapalhadas de DeathSpank (ah sim, caso tenhamos nos esquecido de mencionar, esse também é o nome do protagonista).

Diversão inconsequente

Geralmente ficamos chateados quando um jogo não nos deixa personalizar nosso querido protagonista a nosso bel prazer. Mas, como mencionamos acima, isso não é problema em DeathSpank.

Primeiramente pelo fato de o título estar contando uma história que possui início, meio e fim determinados. Em segundo lugar, isso permite que digamos o que quisermos a qualquer momento sem consequências da história. Em qualquer outro título, isso seria um ponto negativo, mas desta vez é algo extremamente positivo.

Quem é que nunca quis escolher a opção de diálogo mais absurda na hora de uma conversa com um NPC, como mandá-lo enfiar aquele item que tanto deseja goela abaixo (para ser bonzinho)? Em DeathSpank, você pode. Sem limites, é possível até mesmo tirar sarro de órfãos porque eles não têm pais e se tornarão criminosos quando crescerem — embora alguns achem este tipo de humor um pouco forçado demais.

O melhor de tudo é que nada disso penaliza o andamento geral do jogo. Você ainda seguirá suas aventuras, enfrentará quem deve enfrentar, será humilhado por certas pessoas... Tudo no bom humor, em prol da diversão.

Qualidade sonora

Voz de narrador de trailer de blockbuster: “Olá, cidadão aleatório com cara de mané, o que posso fazer por você hoje?”. Você ouvirá esse tipo de comentário com frequência ao jogar este game. A qualidade das dublagens em DeathSpank é muito alta, se encaixando perfeitamente na proposta e dando um diferencial importante ao título.

Img_original

Se em Diablo (sem desmerecer o game, ele foi lançado há mais de 13 anos) você ouvia apenas uma frase de recepção ao falar com um NPC, neste título todos os personagens possuem fala. Cada um com sotaque e estilo próprios e humor peculiar — o que faz com que o jogador queira prestar atenção só para ver as diferenças.

A trilha sonora também é muito boa. Não é incomum balançar a cabeça, acompanhando a música, enquanto dizima hordas de inimigos. Grande responsável por dar o tom do ambiente na maioria dos jogos, aqui a coisa não é diferente — junto com o estilo de arte radical, é impossível não perceber quando o cenário muda.

Falta de multiplayer online

Img_originalHoje em dia é difícil justificar a ausência de um modo para mais de um jogador através da internet — especialmente quando conexão online é algo tão corriqueiro. Não mencionamos o modo cooperativo de DeathSpank nos pontos positivos pois ele não possui nada de especial, sendo bastante básico. Mas o fato de ser exclusivamente local é algo realmente decepcionante.

É até compreensível, no sentido de que as habilidades do segundo jogador são severamente limitadas e não há desenvolvimento de personagem, mas ainda assim seria divertido — e esse é todo o foco deste game — poder participar de aventuras com outras pessoas, pela internet.

Pouco duradouro

Enquanto é incontestável que o título é divertido, ele perde um pouco de seu charme quando o jogador tenta detoná-lo em uma sentada só. Como o cerne da jogabilidade é o combate, este pode se tornar um pouco repetitivo quando se joga muito de uma só vez — o que não acontece quando se divide as sessões de jogo em vários momentos.

Segundo nossas estimativas, usuários veteranos conseguem fechar tudo em um período de 12 a 16 horas, dependendo do empenho e da realização de missões paralelas — o que é, sem dúvida, essencial para aproveitar tudo o que o game oferece.

85 ps3
Ótimo

Outras Plataformas

85 xbox-360