Se tortura fosse esporte... Estaria em Deca Sports 2.

Como é que pode... Enquanto favoritos dos fãs, como Duke Nukem Forever, evaporam e acabam por deixar suas franquias na mão, um jogo como Deca Sports ganha uma sequência que não resolve em nada os problemas do primeiro. Com vocês, um candidato ao pior jogo do ano — e talvez não só do ano, nem mesmo apenas do Wii.

Deca Sports 2 consegue juntar modalidades já impopulares e deixá-las completamente monótonas. Não só isso, mas também o faz com controles que, além de extremamente simplórios, não possuem precisão alguma — o que frustra ainda mais o jogador quando tenta realizar jogadas simples em partidas de grupo.

Apresentando as equipes...

O pior de tudo é que a premissa da franquia tem um quê de nostalgia... Alguns se lembrarão daqueles títulos de modalidades olímpicas para video games de 16 bits, que traziam natação, corrida e muito mais. Não eram obras-primas do entretenimento interativo, mas ao menos eram tentativas genuínas de criar algo decente. O que, em certos momentos, duvidamos ser o objetivo da desenvolvedora de Deca Sports.

Esta variedade é certamente a aposta principal do game, mas não há qualquer tipo de padrão ou lógica na escolha delas, o que nos faz pensar que é apenas uma tentativa barata de expor ao público a maior quantidade possível de modalidades esportivas frequentemente esquecidas pela indústria de jogos eletrônicos.


Aprovado

Do que nós gostamos


Variedade

Nado sincronizado nos video games? Gostando ou não da forma como o jogo é feito, não se pode negar que existem vários esportes representados, que jamais conseguiriam se aguentar de pé por conta própria, em um game específico. Alguns exemplos são bocha e nado sincronizado. Ao menos você pode alternar entre vários estilos de jogabilidade nas diferentes modalidades.

Com dez jogos em um, é inevitável que um deles acabe sendo razoavelmente divertido, o que é o caso com a Queimada. O game é o único que você não sente vontade de deletar do disco após jogar uma vez, o que é uma conquista e tanto considerando os outros!

Personalização razoável

As equipes que competem nas diferentes modalidades podem ser montadas a partir do zero e personalizadas, o que é algo interessante. Os personagens seguem no estilo dos Miis, mas ao menos é possível dar um tom mais pessoal ao jogo através deste tipo de possibilidades, algo que nunca é demais.

Rir de si mesmo é sempre bom

O jogo como um todo é tão ruim, e os desafios de lutar contra o controle tão incômodos, que ao jogar com até três outros amigos a coisa pode chegar a ser engraçada. Não que justifique a aquisição do game, mas é uma daquelas cenas tão ridículas que não há como não rir da própria desgraça e da má qualidade geral do jogo.


Reprovado

O que espantou o Baixaki Jogos... No mau sentido


Trilha sonora

A primeira coisa a ser notada, antes mesmo de entrar nas partidas — mas especialmente quando dentro delas — é a trilha sonora do jogo. É algo deplorável, execrável, ignóbil. Poucas vezes algo me irritou tanto quanto as “músicas” deste título, que se repetem indefinidamente como um disco riscado contendo faixas de 8 bits de má qualidade.

Yes, a música acabou!

Elas sozinhas são o suficiente para deixá-lo maluco já no tutorial, muitas vezes distraindo tanto que é necessário ler umas três vezes o que está escrito para entender os comandos daquela modalidade. Chato é apelido.

Controles simples? Não, simplórios

Tudo bem querer criar um game em que os controles são tão simples que até crianças pequenas possam jogar. O problema é quando estes controles não são simples, mas simplórios. A precisão é ridícula e o resultado na tela não condiz em nada com o movimento realizado pelo jogador através do Remote e do Nunchuk. Sem contar no intervalo de tempo entre a ação real e a exposição na tela.

Se tem algo que acredito deve ser impecável em video games é a jogabilidade. Uma boa interação entre o jogador e o título é o que fará a pessoa continuar a jogar por várias horas, dias, meses e até mesmo anos. Da mesma forma, uma jogabilidade patética fará você ter vontade de imitar vídeos do YouTube e acertar sua televisão com um Remote arremessado.

Modalidades desconhecidas tornam-se monótonas

Controles nada empolgantes... Quem é que em algum momento pensou: “nossa, como seria bom se existisse um jogo de video games focado em nado sincronizado”? Talvez as pessoas envolvidas com o esporte na vida real, mas mesmo assim eu duvido. A transposição destas modalidades menos populares para um jogo eletrônico foi feita de forma precária, e o resultado é realmente tosco — e nada divertido.

Dardos, por exemplo. O “esporte” deve ser jogado com o Remote em uma posição desconfortável, apertando botões de forma esquisita e com uma movimentação que em nada se parece com a vida real. Tudo isto afasta o jogador ainda mais da experiência e faz com que você nunca mais tenha vontade de sequer jogar dados em um bar outra vez.

Falta de realismo? Não, de dedicação

Outra coisa importante nos games baseados em esportes reais é que eles tenham um mínimo de relação com a realidade. Não é necessário que a simulem perfeitamente, ou mesmo tentem — os games arcade provam que absurdos também podem ser divertidos — mas é preciso que o básico da experiência seja condizente com a realidade.

Ou seja, em um jogo de corrida de motos, espero que elas se comportem como um veículo: ao acelerar você sinta que a velocidade está aumentando, que elas percam estabilidade se o jogador não souber controlá-las e assim por diante. Mas aqui não existe nada disso. A modalidade de corrida de motos, por exemplo, consiste de segurar o botão do acelerador e mexer levemente o Remote para os lados.

Jogabilidade horrenda

O resto é sorte. A moto desliza sem motivo aparente — coisa que a câmera piora, movendo-se aleatoriamente — a pista parece mexer-se sobre seus pés... Tudo é extremamente esquisito e às vezes parece que é uma roleta russa que determina o vencedor.

Economizaram até no cafezinho do escritório da desenvolvedora

Tecnologia gráfica? Pobre. Som? Pobre. Jogabilidade? Pobre. Que tipo de investimento foi feito no game, então? Considerando que existe patrocínio, já que existem logos da Adidas nas quadras, por exemplo, é de se esperar que algo no jogo seja bom. Por isso, decidimos tentar o novo modo online para ver se este se salvava.

Que nada. Não conseguimos sequer jogar uma partida pela internet. Esperamos meia hora — dez minutos em cada modalidade disponível para este modo de jogo: queimada, tênis e hóquei — e nada. Decididos a ver se tínhamos má sorte, fomos aos rankings que existem, para ver o quanto as pessoas realmente jogam o game pela web.

Impossível jogá-lo online

Nossa surpresa foi muito maior do que esperávamos. Estávamos em 13º lugar no ranking de queimada, 3º no de tênis e 2º no de hóquei, sem jogar nenhuma vez. Considerando todos os pontos de todos os jogadores, pudemos concluir que não houve nem mesmo um total de vinte partidas jogadas no mundo todo. Absurdo...


Avaliação Final

Vale a pena?


Não mesmo. Evite comprar este jogo a qualquer custo, existem várias outras opções muito melhores para quem quer se divertir com os amigos na sala de estar. Este game nos faz pensar se a razão do enorme número de vendas do primeiro Deca Sports não foi uma confusão com o Wii Sports por parte de muitas pessoas. Porque não conseguimos encontrar outra justificativa razoável.

Se você insiste em ver como foram adaptadas para os games modalidades exóticas como nado sincronizado, bocha ou dardos, então alugue o jogo por sua conta e risco. Mas não é um investimento que eu recomendaria, já que você acabará jogando queimada por alguns minutos antes de se cansar e devolver o jogo poucas horas depois de pegá-lo. Sim, Deca Sports 2 é muito ruim — quero minhas horas passadas jogando o título de volta!

40 wii
Ruim