Um passeio pelas entranhas de Dunwall

Lançado em outubro de 2012, Dishonored foi um jogo que surpreendeu a todos ao lutar contra muitos paradigmas da indústria atual. Não só o game era uma experiência unicamente single player como ele representava o início de uma nova franquia no momento final de uma geração, momento no qual produtoras costumam arriscar menos.


Disponibilizado no dia 16 de abril para o PC, Xbox 360 e PlayStation 3, o DLC Knife of Dunwall dá prosseguimento à história de assassinato, traição e intriga política vistas no título-base. Em vez de controlar Corvo Attano, o jogador agora tem a chance de ver os acontecimentos sob o prisma de Daud, assassino responsável por matar a imperatriz do reino que serve como palco para a aventura.

Mantendo todos os elementos que chamaram atenção em Dishonored e mexendo um pouco com a fórmula da série, Knife of Dunwall é um DLC indispensável. Apresentando a trama do jogo-base por um diferente ponto de vista, a Arkane Studios novamente é bem-sucedida em prender a atenção de quem gosta de experiências furtivas.


Infelizmente, a história adicional dá alguns escorregões em seus momentos finais, chegando a soar como um trabalho incompleto — algo que só deve ser corrigido com a chegada de The Brigmore Witches. Além disso, a seleção de habilidades não se mostra tão compreensiva, o que acaba prejudicando a vida de jogadores menos violentos.

Porém, nem mesmo esses problemas conseguem mascarar a grande qualidade do conteúdo presente neste pacote. Caso você tenha gostado do título original, vale a pena dar uma chance à história do assassino Daud em sua busca de redenção.

Uma busca pela redenção

Em poucos minutos de jogo, o DLC estabelece que toda a experiência que temos pela frente terá como objetivo redimir o protagonista pelos seus atos passados. Como bem deixa claro o misterioso The Outsider, Daud passou dos limites ao ter feito o que fez, e será preciso que ele use todos os seus poderes e habilidades para tentar reduzir os estragos que isso causou.


Essa jornada vai levar o personagem às entranhas da cidade de Dunwall, em uma história que vai revelar os bastidores sujos da indústria baleeira que move a cidade. Assim como acontece no jogo-base, a trama é recheada de intrigas políticas, mostrando novamente como a luta pelo poder é capaz de corromper a alma de uma pessoa.

Para realmente aproveitar a aventura, é imprescindível prestar atenção aos diálogos que acontecem entre os inimigos e aos documentos espalhados pelo cenário. Além de esses elementos ajudarem você a compreender melhor as motivações de seus inimigos (mesmo que não concorde com elas), eles ajudam a tornar ainda mais rico o já surpreendente universo do título.

Um assassino diferente

Apesar de Daud compartilhar muitas das habilidades de Corvo, são as pequenas diferenças entre eles que tornam válido experimentar The Knife of Dunwall. Mais habituado com os poderes fornecidos pelo Outsider, o assassino pode paralisar o tempo enquanto escolhe o melhor lugar para se teleportar, além de contar com a habilidade de invocar aliados para ajudá-lo nas batalhas.

Outra mudança está no fato de que o personagem não conta com o coração bizarro que permitia ao protagonista do game-base detectar itens escondidos. Isso é compensado por uma magia especializada na detecção desses elementos, cujo efeito colateral é o escurecimento quase completo da tela — assim, cabe a você gerenciar sua reserva de magia para determinar os momentos em que vale a pena recorrer ao poder.


Outra mudança vista no DLC é o fato de que o personagem principal não conta com uma equipe responsável por lhe fornecer equipamentos. Todas as armas do protagonista são fruto de contrabandistas, que também fornecem conexões capazes de garantir certas facilidades — entre elas, chaves “abandonadas” por acaso em lugar propícios e senhas de acesso para cofres que guardam conteúdos valiosos.

As diferenças nas habilidades de Daud em relação a Corvo e a necessidade de explorar cenários diferentes colaboram na criação de uma aventura com um clima ainda mais tenso. Mesmo quem já domina bem os comandos do jogo vai ter trabalho em lidar com os novos inimigos e desafios, especialmente caso a intenção seja finalizar a aventura sem matar ninguém.

Aventura para se jogar duas vezes

Assim como acontece na história-base de Dishonored, Knife of Dunwall é uma experiência que merece ser visitada ao menos duas vezes. Dependendo da maneira como o jogador se aproxima de seus objetivos, o nível de caos do mundo pode aumentar de forma bastante rápida — algo que resulta em inimigos mais agressivos e em mais armadilhas nos cenários.


Ver como o mundo do game responde às suas ações é bastante gratificante, já que isso se traduz em novas maneiras de explorá-lo. Enquanto aproximações diretas podem se mostrar mais fáceis em um primeiro momento, elas podem gerar consequências que vão fazer você sofrer para progredir mais tarde.

Da mesma forma, quem optar por soluções mais furtivas vai ter bastante dor de cabeça no começo da aventura, devido às poucas habilidades que o herói vai ter nesse momento. Porém, insistir nesse caminho acaba se mostrando mais recompensador em situações futuras, especialmente na hora de explorar locais como esgotos e matadouros.

História pela metade

Mais do que parte de uma saga contada em capítulos, Knife of Dunwall parece uma história que foi terminada rapidamente porque o narrador se cansou dela. Constituído por três capítulos, o DLC termina de maneira abrupta, com uma reviravolta que simplesmente não surpreende.


É difícil não se sentir incomodado com isso, especialmente quando se leva em consideração que a Bethesda pouco mencionou essa característica no material promocional do título. Quando se leva em consideração que o capítulo final da trama, conhecido como The Brigmore Witches, ainda vai demorar alguns meses para chegar, é difícil não sentir que a Arkane Studios poderia ter se esforçado mais nos momentos finais do roteiro.

Habilidades desquilibradas

Outro problema de Knife of Dunwall está em sua seleção de habilidades, que favorecem uma aproximação mais violenta às situações mostradas pelo jogo. Embora isso seja condizente com a personalidade de Daud, a decisão acaba tornando mais difícil do que o necessário a vida de quem opta por um caminho menos sangrento.


A habilidade de possessão de Corvo é a que mais faz falta, já que ela obriga o protagonista do DLC a se envolver de forma mais direta nos confrontos. Apesar de ser possível contornar a falta de opções como essa, fica a sensação de que o time da Arkane desta vez não deu tanta atenção a diferentes tipos de jogadores.

90 pc
Excelente

Outras Plataformas

90 ps3
90 xbox-360