O triunfal retorno de Donkey Kong

Quando Sony e Microsoft anunciaram seus controles sensíveis a movimento, logo surgiu a dúvida do que seria do Wii. Com o grande diferencial do console sendo aprimorado pelos concorrentes, era de se imaginar que a Nintendo responderia à altura para novamente colocar seu sistema no centro das atenções.

Durante a E3 deste ano, a Big N surpreendeu todos ao reviver grandes clássicos de gerações passadas. Um novo jogo de Kirby e Metroid, além do remake de GoldenEye 007 são exemplos de que a empresa apostou em antigos sucessos para conquistar os jogadores mais nostálgicos. No entanto, quem realmente fez os saudosistas se empolgarem foi o retorno do macaco mais famoso dos games.

Quando a música-tema de Donkey Kong Country tocou no palco do evento, muitos fãs se arrepiaram. Depois de 14 anos desde o lançamento do terceiro jogo da franquia, ainda no SNES, o personagem voltava a um console principal com um game que tinha tudo para honrar suas origens.

Img_normalDesde que a Rare (estúdio responsável pelos jogos de Super Nintendo) foi vendida para a Microsoft em 2002, a série não recebeu um título do porte do personagem. Por mais que Donkey Konga e Jungle Beat fossem divertidos, não conseguiram repetir o sucesso dos Countries originais.

É por isso que o “Returns” do título é tão significativo. Desde as primeiras imagens exibidas na E3, era possível ver que todos os elementos clássicos estavam presentes, desde a música até os elementos de jogabilidade.

Para a alegria de todos, Donkey Kong Country Returns é exatamente tudo aquilo que queríamos reviver. Para a geração que cresceu arremessando barris, a nova aventura do gorila é um espetáculo de nostalgia que consegue reproduzir toda a diversão da década de 90.

A Retro Studios, também responsável pela série Metroid Prime, soube aproveitar bem a joia que tinha em mãos. Ao adicionar novos recursos para melhor se adaptar ao Wii, mas sem fugir das raízes do original, a desenvolvedora conseguiu criar um game capaz de agradar quem desconhece o personagem e até velhos conhecidos do primata. Para estes, a diversão já começa no instante em que você coloca o disco no console e ouve os primeiros acordes da melodia florestal: é a certeza de que DK teve um retorno triunfal.

A Retro Studios parece ter adotado uma política mais conservadora na hora de desenvolver Donkey Kong Returns. Após as críticas que Metroid: Other M teve por conta das drásticas alterações realizadas, pode ter sido uma decisão acertada por parte do estúdio em manter os principais elementos do universo de Country sem grandes modificações.

Claro que isso faz com que o game fique muito mais parecido com seus antecessores do que como uma versão completamente nova. Entretanto, é preciso lembrar que essa é exatamente a grande proposta do game: recriar o ambiente clássico com apenas alguns ajustes às novas gerações. Nesse ponto, o título é fantástico.

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Donkey Kong Country Returns está para o gorila assim como New Super Mario Bros. Wii está para o encanador. Ambos os títulos são resgates da jogabilidade tradicional, com apenas algumas inovações significativas. Porém, a essência continua igualmente intacta e divertida.

Além disso, a nova aventura de Donkey é um convite a todos os fãs de longa data do personagem a revisitarem suas memórias da época do Super Nintendo. São vários elementos que fizeram história e estão de volta com as mesmas características e aparência.

No fim das contas, a Retro Studios parece ter encontrado a fórmula que transformou DK em um dos ícones da Big N. Com a clássica jogabilidade e uma dificuldade na medida, a desenvolvedora conseguiu presentear os jogadores com uma bela dose de saudosismo e provar que ainda é possível criar ótimos títulos com os mesmos elementos de três gerações atrás.

Um cacho de recordações

Se você já é fã de Donkey Kong, prepare o fôlego: todos os elementos que tornaram a série em um clássico das gerações passadas estão presentes. Não como um simples detalhe ou passagem somente para agradar aos fãs, mas como um game que realmente conseguiu ser fiel às origens.

Basta ver a animação inicial, quando DK vê seu estoque de bananas sendo roubado por animais hipnotizados. Ainda que haja uma diferença significativa no enredo, a essência continua a mesma. Além disso, a presença de Diddy Kong apenas corrobora esse ar nostálgico da aventura.

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O grande destaque de Country Returns, no entanto, é a jogabilidade. O título mantém-se fiel aos jogos do SNES, com um sistema de plataforma em mundos bastante variados. Os barris, letras e Banana Coins espalhados pelas fases estão novamente presentes e trazem um desafio a mais para quem é louco por coletar todos os objetos.

Alguns personagens também dão as caras, como o velho Cranky Kong, que volta a ajudar o jogador com dicas, além de oferecer vários itens para ajudar na aventura. Outros animais, como o rinoceronte Rambi e o papagaio Squawks são outros que retornam para ajudar o gorila.

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O visual das fases está semelhante aos títulos anteriores. É impossível não reconhecer os locais, seja na tela de seleção de níveis ou na visita à árvore de Donkey. O mesmo acontece com a trilha sonora, que desde os primeiros momentos mostra-se como um artifício a mais para conquistar os fãs de longa data.

Essas repetições, no entanto, estão longe de ser um reaproveitamento de material. Como dito anteriormente, são elementos colocados em cena exatamente para tornar a experiência o mais próximo possível do original. Nada está ali apenas para alegrar os jogadores antigos, mas por realmente fazerem parte do universo de Donkey Kong Country. Assim, se estamos revisitando a ilha, nada mais justo do que reencontrar velhos conhecidos.

Novas macaquices

Apesar de tentar recriar o espírito de seus antecessores, Donkey Kong Country Returns possui novidades significativas. Além do visual melhorado, o personagem agora possui novas habilidades que vão ajudá-lo a vencer obstáculos e encontrar itens escondidos.

Se a cambalhota era a única arma para atacar inimigos, agora Donkey consegue utilizar a força bruta para socar o chão e deixar os adversários atordoados. Basta sacudir o controle para que o gorila execute o movimento. Já abaixado, ele utiliza seu fôlego para assoprar flores e outros objetos.

Esses dois comandos são fundamentais na jogabilidade, principalmente para encontrar objetos ocultos. Eles são suas principais ferramentas para interagir com o cenário, seja para destruir uma plataforma ou apagar velas que habilitam algum tipo de segredo. As novas macaquices também são necessárias para derrotar a maioria dos chefes.

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Há também um sistema diferenciado de controles, que pode ser adaptado ao estilo que o jogador preferir. O básico utiliza o Wiimote na horizontal, como um joystick clássico. Apesar de pouco anatômico, é o intuitivo e simples de utilizar.

Entretanto, o Nunchuck conectado faz com que o game automaticamente faça a troca e você assuma o comando do personagem com os dois controladores. O diferencial dessa forma é que ela é muito mais divertida, já que é preciso movimentar as duas mãos para realizar as pancadas no chão de Donkey Kong.

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Da mesma forma que já acontecia na franquia Super Mario Bros, agora é possível utilizar itens antes de entrar em cada fase. A mecânica é exatamente a mesma e traz desde vidas extras e até um indicador de itens escondidos como algumas das opções disponíveis.

Dificuldade na medida

Uma das principais críticas aos games atuais está na falta de desafios. Para atrair um público mais abrangente e menos hardcore, as desenvolvedoras deixaram os jogos muito mais fáceis. Sendo assim, basta um pouco de tempo para terminar qualquer título.

Porém, ainda na época do Super Nintendo, as aventuras do gorila sempre estiveram um nível acima da média quando o assunto era dificuldade. Quem nunca tentou obter os lendários 105% em Donkey Kong Country? Além disso, era preciso muita paciência e determinação para conseguir seguir em frente em estágios mais avançados.

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Em Returns isso está novamente presente. Apesar de deixar o personagem um pouco mais resistente a ataques inimigos, ainda é necessária muita habilidade para alcançar determinados pontos.

O maior exemplo disso são os barris explosivos que arremessam o macaco entre as plataformas. Em vários momentos é preciso passar de um para outro em um instante exato, caso contrário será jogado para a morte certa. Ainda que pareça simples na teoria, é bastante complicado na prática.

Exigir precisão é algo bastante recorrente e não somente no arremesso de macaco. A necessidade do timing correto está presente em várias outras fases, como nas que Donkey precisa controlar um carro dentro de uma mina. Ir para o próximo nível sem morrer é uma missão para poucos.

Trabalho em equipe

O modo multiplayer não é novidade em Donkey Kong Country Returns. Desde o primeiro jogo já era possível chamar um amigo para se divertir coletivamente. Porém, o sistema era um tanto quanto limitado, já que o segundo jogador assumia somente o personagem secundário quando o protagonista concedia a permissão.

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A grande inovação está no método cooperativo, em que ambos os players jogam simultaneamente. O funcionamento é bastante parecido com o de New Super Mario Bros. Wii, em que os dois primatas podem se ajudar durante a fase, seja para alcançar uma plataforma elevada ou para ultrapassar algum obstáculo mais complicado.

No entanto, esse sistema traz alguns problemas, como será abordado posteriormente. Apenas para adiantar, no modo single player, Diddy Kong serve apenas como uma vida extra a Donkey, já que sua presença é meramente ilustrativa. Em outras palavras, a colaboração é o grande enfoque do game, o que pode causar estranhamento em quem preferir jogar sozinho.

Onde eu já vi isso antes?

Ainda que Donkey Kong Country Returns possua vários mundos a serem explorados, é impossível não perceber uma clara repetição durante as fases. Mesmo que cada estágio possua alguns desafios diferenciados, o visual de todas elas é muito semelhante. Sabe aquela sensação de que você está jogando o mesmo nível diversas vezes? É o que acontece em muitos momentos em Returns.

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Apesar de a repetição ser um risco que todos os games sidescroll correm, é preciso encontrar uma forma de fugir do lugar comum. Jogos protagonizados pelo Mario, por exemplo, apostam em diferentes estilos de fase, enquanto os antigos Donkey Kongs ofereciam ambientes diversificados, como embaixo da água ou em navios.

Já no novo título isso não é tão frequente assim. O primeiro mundo vai trazer, em sua maioria, ambientes florestais, da mesma forma com que o segundo o leva a uma praia e o terceiro, às ruínas. A única diferenciação está no design e posicionamento dos objetos, mas o restante é extremamente parecido.

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É claro que existem exceções. Há situações muito divertidas e variadas, como a da praia ao pôr do sol, a mais bonita e criativa de todo o game. As partes em que é preciso se esconder atrás de rochas para escapar de tsunamis também são interessantes e lembram os momentos em o Batman precisava fugir dos olhos do Espantalho em Arkham Asylum. O problema é que cenas assim são bastante raras.

Voa, Diddy Kong, voa!

O modo multiplayer de Donkey Kong Country Returns é um dos grandes destaques do game. Chamar um amigo para assumir o papel de Diddy Kong e trabalhar em conjunto é realmente divertido e traz novas experiências e possibilidades às fases. No entanto, quem for jogar sozinho pode se decepcionar.

Os títulos anteriores da série permitiam que o jogador alternasse de personagem no meio da partida. Como cada macaco possuía uma habilidade específica, a mudança de jogabilidade dava aos níveis uma maior variedade. Porém, isso não existe em Returns.

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Ainda que Diddy esteja disponível no single player, sua presença é meramente ilustrativa. Ao libertá-lo do barril, ele fica pendurado nas costas do gorila durante o estágio inteiro, sem que você possa arremessá-lo ou controlá-lo. Sua única função é dar energia extra a Donkey e servir como uma espécie de jetpack para estender seus pulos.

Inimigos sem carisma

Donkey Kong Country Returns traz uma nova espécie de inimigos: os Tikis, uma mistura de totens tribais com instrumentos musicais. Saídos do vulcão existente no centro da ilha, eles roubam todas as bananas do gorila e hipnotizam os demais animais para transformá-los em escravos.

O problema é que, além das atitudes nada originais (quantas vezes já roubaram o estoque de DK até hoje?), os novos adversários não são nada carismáticos. Lembra-se dos crocodilos dos jogos anteriores? Pois os Tikis estão longe de repetirem a perversidade de King K. Rool e de seus Kremlings.

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Isso é bastante perceptível ao chegar aos chefes, que são criaturas controladas pelos totens. Isso faz parecer que as “terríveis” esculturas agem apenas em segundo plano e não dão a sensação de que são realmente vilões.

Além disso, eles pouco aparecem durante as fases. Basta você avançar pelos estágios para perceber que existe uma quantidade muito pequena de instrumentos espalhados pelo cenário e que a maioria dos obstáculos são animais comuns.

Para piorar a situação, a variedade de inimigos em geral é bem baixa, o que torna a aventura ainda mais repetitiva. Como cada mundo possui um bicho característico, eles são usados à exaustão. É o caso dos dois únicos tipos de caranguejo de todos os níveis litorâneos. É claro que existem algumas exceções, como as criaturas que surgem repentinamente nas ruínas, mas são raras.

92 wii
Excelente