A era do dragão traz muitas tragédias... Mas você pode evitar a maior delas

 O que define algo como épico? A grandeza dos atos e decisões envolvidas na história? Ou a quantidade de pessoas e lugares afetados pelo exercício das habilidades de um herói? Matar lobos pode ser épico?

Qualquer que seja sua definição pessoal para a coisa, Dragon Age se encaixará nela. Não só isso, mas também desvendará uma aventura que surpreende ao mesmo tempo em que nos remete às familiares tramas de fantasia que já conhecemos.

Isto porque o título faz excelente uso de clichês. Traições, mentiras, redenção e dever são características inerentes a qualquer história de fantasia medieval. O problema é que grande parte das pessoas que buscam criar universos em torno disso não sabem como explorar as diferentes facetas do gênero sem cair em clichês baratos ou repetir algo que já foi feito.

No começo, Dragon Age pode se parecer com qualquer outro game do tipo. Você, um zé-ninguém, se envolve acidentalmente — ou assim parece ser — com eventos que demandam muito mais do que suas capacidades. Quando isto atrai organizações e figuras muito mais poderosas, a opção sai de suas mãos e você deve admitir que está predestinado a participar de eventos gloriosos.

Imersão à parte, vale lembrar que Dragon Age: Origins foi bastante aguardado por possuir uma premissa semelhante àquela da franquia Baldur’s Gate. O jogador, embora crie um personagem próprio da forma como preferir, controla um grupo de aventureiros — um mais diferente do outro, cada qual com suas próprias habilidades e passados distintos.

Quando dizemos “controla”, isto é realmente verdade. É possível mexer com apenas um deles de cada vez, mas — bem ao estilo Bioware — pode-se pausar o jogo para enviar comandos e planejar estratégias. Além disso, mesmo quando você não está controlando um personagem, ele estará seguindo diretrizes escolhidas por você, que podem ser tão complexas que parece que alguém está jogando junto.

O título proporciona uma experiência já aclamada no gênero de RPG, ao mesmo tempo em que traz a apresentação e a jogabilidade para a última geração, aproveitando as tecnologias atuais para criar um título único. Envolvente, imersivo, desafiador, estratégico, tático... Todos estes adjetivos descrevem muito bem este jogo.

Certamente vale a pena. Tivemos tempo limitado para analisar o título, mas é extremamente difícil encontrar nele algo que desagrade. O forte é, sem dúvida alguma, o conjunto, que faz com que o game seja extremamente polido, coeso e imersivo.

Em momento algum você sente que está abusando do sistema de diálogos ou de combate, sendo que todas as ações parecem contribuir de alguma maneira para o desenvolvimento da história.

Uma experiência incrível
Se você não gosta de prestar atenção a diálogos, textos encontrados dentro de livros no jogo ou ler, de um modo geral, talvez irá achar Dragon Age: Origins um pouco maçante. Caso contrário, este é um dos melhores RPGs dos últimos tempos, sem dúvida, e deve possuir lugar garantido na prateleira de qualquer fã do gênero.
Apresentação excelente

Não há o que discutir, os visuais de Dragon Age são excelentes. Desde a modelagem de cada um dos personagens até as texturas que compõem os diferentes elementos do cenário, tudo se encaixa perfeitamente. Não são o que existe de mais avançado tecnologicamente, e em alguns momentos apresentam pequenas falhas, mas o conjunto é absolutamente impecável. É possível até mesmo ver os personagens cobertos de sangue após uma batalha especialmente dura!

Após a batalha, ele estará inteiro vermelho

Este tipo de jogo, no qual criar uma ambientação apropriada é essencial, fazer com que o que se vê seja complementado adequadamente pelo que se ouve é uma tarefa difícil — uma que o título desempenha espetacularmente. As vozes parecem realmente ser particulares aos personagens, e a qualidade das conversas é excepcional.

É possível captar o desdém, a alegria, as piadas ou até mesmo o sarcasmo em cada uma das falas — contanto que se fale inglês — não havendo a necessidade de tentar adivinhar pelas opções de diálogo o que o interlocutor quis dizer. Uma boa coisa, já que é necessário prestar bastante atenção no que é dito para não ter um resultado indesejado.

Interface intuitiva

Aqueles que jogam regularmente games de RPG não terão problema nenhum para se familiarizar com a interface e os controles. Tudo é bastante padrão e possui várias alternativas. O que isto significa é que o movimento pode ser controlado tanto no teclado, com WASD e companhia, ou no mouse, clicando nos lugares para onde deseja que o personagem se mova.

Além disso, é bastante fácil determinar com quais objetos se pode interagir — mas, ao mesmo tempo, não se tem aquela sensação de desenhos animados, no qual o objeto que se moverá está em cor diferente. Pequenas faíscas expõe objetos que possuem itens dentro deles e apertar TAB faz com que tudo aquilo que pode interagir com o personagem na tela seja exposto.

Game cinematográfico

Em alguns momentos, o título parece um filme. Não somente pela imensa quantidade de “cutscenes” existentes, mas pelos ângulos de câmera, forma de contar a história e vários outros aspectos. Isto faz com que a história seja coerente e você sinta que faz parte de algo grandioso. Sem falar no auxílio à imersão que este tipo de proposta incorpora ao game.Batalhas dignas de filmeAo invés de parecer um jogo que possui uma história simplesmente para justificar a jogabilidade, em Dragon Age a história possui papel central — e você é constantemente lembrado disso. Muitas vezes, o combate chega a ser secundário, mera forma de resolver alguns problemas que não puderam ser resolvidos de outra maneira.

Assim, não é difícil passar vários minutos assistindo à interação entre vários personagens para entender exatamente as posições de cada um deles — para somente então tomar suas próprias decisões e escolher o que você acha melhor. Decisões estas que possuem impacto relevante no desenrolar da trama, já que podem até mesmo mudar os companheiros a que você terá acesso durante o jogo.

Sistemas próprios

Os sistemas de jogo do título são próprios e balanceados. Leva-se um pouco de tempo para acostumar com os diferentes elementos que compõem o combate, mas nada que frustre o jogador. É fácil perceber que tipo de atributos e itens beneficiam o estilo de jogo de cada um dos personagens, o que é algo essencial para otimizar o desempenho do grupo.

Transparência

A maioria das informações de que o jogador necessita estão claramente expostas. Um bom exemplo é a árvore de habilidades, que mostra o que é possível obter até o fim, permitindo que o jogador planeje seu personagem e não acabe chegando a um ponto em que tem de pegar algo que não gostaria apenas porque não possui outra opção.

Figuras importantes

O sistema de buffs e debuffs é outra coisa que deve ser aclamada, pois aparece claramente na tela e não há qualquer sensação de não saber o que lhe aflige em determinado momento. É possível acompanhar o status de todos os personagens de forma adequada e não ter de se preocupar em perder alguma informação crucial no meio de uma batalha quente.

Só faltou a possibilidade de realmente ver a consequência prática de cada ponto de atributo na hora dos combates, já que não há qualquer indicação de quanto cada um deles modifica os ataques e magias.

Diferentes inícios

Dependendo da raça e classe escolhidos pelo jogador, o início do jogo será diferente, de forma a envolver seu personagem nos eventos que estão acontecendo no mundo e explicar um pouco da história anterior do universo, coisa essencial para o entendimento dos acontecimentos futuros. Assim, a aventura adquire uma perspectiva mais pessoal e menos genérica.

Detalhes
As cidades parecem reais e não são exageradas Finalmente, o jogo foca nos detalhes que tornam a experiência muito mais rica. Um dos membros de sua equipe finalizando um chefe com um ataque cinematográfico em uma cutscene, viradas na trama que pegam qualquer um desprevenido, comentários por parte dos membros do grupo que você não está controlando que enriquecem os diálogos... Tudo parece pensado para envolver o jogador.

Limitações

O game coloca algumas limitações que não conseguimos compreender. Um pequeno lago não pode ser transposto porque existe uma barreira invisível na beirada. Morros não podem ser utilizados como ponto de tiro porque é impossível subir neles. Não há razão para isso acontecer, e tudo parece muito aleatório. Em alguns momentos pode-se entrar na água, em outros não. Também não é possível pular no jogo, o que não conseguimos entender.
94 pc
Excelente