Goku reencontra suas origens no Nintendo DS

Criado por Akira Toriyama, nos idos de 1986, e publicados em 42 volumes da tradicional revista japonesa Weekly Shonen Jump, o mangá Dragon Ball se transformou em uma febre mundial, cujos sintomas ainda se manifestam mais de duas décadas após o seu lançamento.

Com o sucesso nas páginas do mangá vieram as adaptações para a televisão, com uma das mais extensas e rentáveis franquias de animes de todos os tempos. Livremente inspirado na lenda chinesa Viagem ao Oeste, Dragon Ball mostrou as aventuras do pequeno Son Goku, um garoto com cauda de macaco que percorre o mundo em busca das míticas Esferas do Dragão.

O começo simples deu lugar a uma epopeia cósmica recheada de elementos fantásticos e monstros alienígenas. A franquia Dragon Ball ganhou proporções tão gigantescas que a própria Toei Animation — estúdio responsável pelos animes — resolveu reescrever toda a história, cortando mais de 191 episódios e reduzindo toda a trama para míseros cem capítulos, devidamente remasterizados.

Na mesma linha a Game Republic resolveu retomar as origens da série nos video games. Apostando no estilo aventura e na fama do Nintendo DS, a desenvolvedora japonesa voltou para os primórdios de Dragon Ball, recontando o início da série.

Dragon Ball: Origins, lançado em 2008, conseguiu trazer com muita propriedade os dois primeiros arcos de história da série: Imperador Pilaf e o Torneio de Artes Marciais. Agora, Dragon Ball: Origins 2 dá sequência à trama mostrando a saga Red Ribbon.

Dragon Ball: Origins 2 é essencial para a biblioteca de jogos de qualquer fã da franquia. As limitações do título são superadas pela qualidade do material original — leia-se: os personagens e a história de Akira Toriyama.

Além disso, mesmo quem não tem muita afinidade com a linha Dragon Ball ainda pode se divertir com um belo jogo de aventura. A jogabilidade é interessante e os gráficos de boa qualidade. Dragon Ball: Origins 2 não é um jogo perfeito, mas não decepciona.

Forças Red Ribbon

Como seu predecessor, Dragon Ball: Origins 2 utiliza com muita sabedoria o material original, acompanhando, com muita habilidade, o terceiro arco de histórias da saga estrelada por Goku e Cia.

O título começa do ponto em que o primeiro parou e aproveita toda ambientação e carisma dos personagens de Akira Toriyama. Se você é um fã do anime ou do mangá, certamente vai se deleitar relembrando de momentos clássicos como o encontro de Goku com Arale, ou os duelos contra o Ninja Púrpura, Tao Pai Pai e o Generais da Red Ribbon.

Animado

Os gráficos e as cenas de corte são de alta qualidade — para os padrões do Nintendo DS —, bem como o trabalho de dublagem, que apesar de mínimo, mantém a qualidade geral do título, evocando toda a personalidade dos heróis do anime/mangá.Img_original

Do seu jeito por extenso 

Apesar de o direcional e os botões de face serem mais eficientes o título também permite a utilização da stylus para controlar todas as ações de jogo. Mesmo sem oferecer a mesma precisão é sempre bom saber que você pode escolher a forma como quer jogar.

Com que roupa

Outro elemento interessante é a variedade de personagens jogáveis. Goku segue como o protagonista, porém em algumas sequências você poderá comandar outros personagens clássicos como Kuririn, Bulma, Yancha e até mesmo a pequena Arale (de Dr. Slump, que faz uma ponta em alguns episódios de Dragon Ball).

Dragon Ball Zelda

A jogabilidade é remanescente dos primórdios da série Zelda, ou seja, um jogo de aventura com alguns elementos de RPG. A maioria dos níveis é composta por grandes cenários recheados de inimigos, tesouros e alguns quebra-cabeças.

Apesar de nenhuma das “masmorras” ser particularmente difícil, todas possuem uma sorte de itens escondidos que vão desafiar o jogador, que deverá dominar todos os movimentos de Goku para conseguir superar as provações.

A campanha principal pode se estender por umas 12 horas, porém a variedade de ambientes, os inúmero objetos, itens e bônus desbloqueáveis — além das belas animações — ajudam a manter o frescor da ação.

Tenkaichi Budokai

Apesar do variado repertório de golpes e movimentos especiais, o sistema de combate é um dos pontos fracos do jogo. Isso porque a maioria dos inimigos não exige muito empenho, bastando apenas um apertar incessante dos botões de ataque.

Além disso, o número extenso de oponentes presentes em determinados cenários torna tudo ainda mais enfadonho. Os únicos momentos verdadeiramente desafiadores são os encontros com os chefes de cada fase, todavia se você morrer durante o embate terá que refazer todo o nível — algo realmente detestável.Img_original

Quadro a quadro

Apesar de belos os gráficos apresentam alguns problemas, especialmente quando a tela apresenta muito elementos. A queda de fps (quadros por segundo) é significativa e mesmo que não afete diretamente a jogabilidade é algo que certamente deprecia o produto.

“In stylus”

A possibilidade de escolha entre os botões de face e o uso exclusivo da stylus é algo positivo, no entanto a precisão da canetinha fica muito aquém do esperado. Além de exigir uma memória de elefante — você deverá decorar uma série de movimentos para executar os diferentes golpes de Goku — os comandos não respondem apropriadamente.

75 ds
Bom