Muitos modos de jogo, uma confusa fórmula de luta e pouca diversão

O universo de Dragon Ball é extremamente conhecido por milhares de gamers (pelo menos até o momento em que esta análise foi escrita). Os diferentes personagens e as sagas de cada um fazem com que muitas pessoas se sintam cativadas pelos embates e pelos poderes empregados durante as lutas. Sim, é do Kamehameha e de muitos outros golpes que estamos falando.

Enfim, Raging Blast é um jogo destinado às plataformas PlayStation 3 e Xbox 360 que tenta englobar os pilares centrais das histórias de Dragon Ball. A proposta central do game é proporcionar lutas emocionantes com base nos acontecimentos que envolvem os tão famosos lutadores.

Ai, essa doeu! É interessante a aplicação dos golpes conhecidos pelos fãs nos combates de Raging Blast. São combinações de muitos tipos e movimentações variadas que diferenciam o título desenvolvido pela Spike dos demais. A quantidade de combos é tanta que chega a trazer desafios inéditos até mesmo para os jogadores mais experientes no gênero luta.

Infelizmente, isso também atrapalha um pouco no que diz respeito à diversão. A ampla gama de combinações é um peso a ser carregado por quem procura mergulhar fundo no jogo. Usar todos os comandos oferecidos não é algo necessário para atingir a vitória.

A câmera é outro aspecto que definitivamente não colabora com o contexto divertido das Esferas do Dragão. De modo geral, é possível afirmar que pequenos empecilhos impedem que a desenvoltura dos combates — e a diversão, diga-se de passagem — tomem conta.

Amplo é pouco

Por mais que a fórmula de luta não tenha funcionado muito bem, não há como deixar de contestar a profundidade do game na trama de Dragon Ball. São vários modos de jogo que podem ocupar horas e horas dos jogadores mais fanáticos pelas histórias diversificadas.

Comecemos pelo Dragon Battle Collection. Este modo é o mais completo do game e agrupa as seguintes sagas (lembrando que os nomes abaixo estão em inglês e podem ser ligeiramente diferentes dos termos conhecidos pelos brasileiros):

  • Saiyan Saga (o embate de Goku contra Vegeta e os Saiyan Cronies pelo destino da Terra);
  • Frieza Saga (Goku e os Z-Fighters contra o poderoso Frieza pelas Dragon Balls do planeta Namek);
  • Bardock Saga (Bardock, o pai de Goku, luta contra Frieza);
  • Androids Saga (confrontos entre Z-Fighters e Androids);
  • Majin Buu Saga (Z-Fighters brigam contra Majin Buu pelo destino do universo);
  • Legendary Super Saiyan Saga (o lendário Super Saiyan conhecido como Broly combate os Z-Fighters);
  • What-If Stories (lutas variadas com base em modificações da história do tipo "E se...").

Isso é apenas um modo de jogo. Vale lembrar que cada fase — embate — conta com as seguintes opções: Start Battle (iniciar combate), Story Recap (curta recapitulação do enredo referente àquele momento) e Clear Conditions (condições de vitória; ganhar nem sempre é o suficiente). Três modos de dificuldade — Easy, Normal e Hard — oferece uma boa flexibilidade de desafio, mas nada assustador.

Quanto às demais áreas do game, sem grandes surpresas. Desafios com regras variadas são oferecidos através do Super Battle Trial, treinamentos intensos podem ser experimentados no modo Dojo, opções de personalização são apresentadas no Ultimate Customize (bem como nos menus de seleção de personagens, nos quais há a possibilidade de escolher bônus e criar "decks" personalizados de acordo com os "slots" disponíveis por blocos), extras diversificados são conferidos através do Museum...

Super Spirit Ball!
 
De qualquer maneira, os detalhes específicos de Raging Blast são interessantes (como as telas de Loading que exibem um mini game de coleta de cápsulas), mas não salvam o game. O TecMundo Games passou bons momentos com as peculiaridades do jogo, porém esses curtos períodos não salvam a jogabilidade frustrante criada pelo pessoal da Spike. Afinal de contas, este é um título de luta, não é mesmo?
Vale apenas para quem é realmente fanático pelas Esferas do Dragão. Raging Blast realmente aborda muitos acontecimentos interessantes no enredo da série, mas não conta com uma mecânica de jogo muito interessante. Falhas estruturais e a tradicional falta de polimento não acompanham a atmosfera fantástica admirada por muitos.

Uma pena que o game não é Winner no gênero...
Há muito o que explorar no título distribuído pela Namco Bandai, mas há pouca diversão. Tudo é voltado para as lutas nada dinâmicas (embora práticas, na maior parte das ocasiões) e isso não contribui para que os fãs se sintam à vontade com a jogabilidade. Em outras palavras, pode-se dizer que Raging Blast tem muito potencial, mas, na realidade, fracassa devido aos infortúnios encontrados.

Ótima representação dos personagens

Goku, Piccolo, Raditz, Frieza, Majin Buu e diversos outros protagonistas de Dragon Ball são ilustrados com muita expressão. Por mais que alguns efeitos e certas texturas dos cenários não sejam muito impactantes, os movimentos e as retratações dos lutadores são ótimas e são capazes de trazer a nostalgia aos gamers que tiveram a chance de conferir vários episódios da série.Igual aos desenhos

A interessante maneira com que os personagens se movimentam é realçada ainda mais pelo estilo dos golpes e poderes que empregam o Ki. A postura de cada um perante os acontecimentos é bastante fiel ao que ocorre nos desenhos. É uma pena que, em combate, todos os lutadores parecem agir de forma muito semelhante aos demais.

Completo

Mencionada brevemente acima, a variedade de modos de jogo de Raging Blast é impressionante. Não há como contestar a diversificação de opções e desafios que abordam o universo das Esferas do Dragão. Se o jogador tiver vontade de relembrar como foi o desenrolar de um determinado fato na história da série, em pouco tempo esse evento é exibido na tela, mesmo de maneira sucinta.

Na verdade, o que forma um dos destaques do game é a amplitude. São várias sagas, personagens, eventos, lutas, possibilidades... Dragon Ball é o que não falta neste game, mesmo que as lutas deixem bastante a desejar. Infelizmente, quem nunca ouviu falar em Goku pode ficar completamente perdido com os relatos apresentados. Ainda assim, são horas de conteúdos diversificados.

Acessível em um primeiro contato

Os controles de luta não são tão difíceis de serem aprendidos em um primeiro contato. A quantidade de combinações de comandos é interessante e, felizmente, os golpes e movimentos podem ser conhecidos através do modo Dojo. O treinamento é um pouco enrolado (músicas e falas repetitivas), mas cumpre bem o seu papel.

Descobrir o funcionamento da mecânica de batalha pode ser algo frustrante para uns e satisfatório para outros. Não há como dizer que todos os gamers que gostam do gênero luta podem se apaixonar imediatamente pela fórmula de combate, visto que esta apresenta uma série de problemas estruturais, bastante desagradáveis em determinados momentos. Ainda bem que o desempenho do game é extremamente estável.

Alô? Polimento?

A falta de polimento ocorre em praticamente todos os aspectos do game. Sons, gráficos... Mas é na jogabilidade que os principais problemas acontecem. Um bom jogo de luta precisa ser dinâmico, sim, mas não pode contar com problemas na aplicação de golpes e combinações em momentos cruciais do combate. O esquema de batalha de Raging Blast, infelizmente, não é satisfatório.

A fórmula simplesmente não convence. Muitos já sabem que é difícil criar um ótimo game de luta em ambientes abertos com o auxílio de cenários em três dimensões. Mais difícil, ainda, é criar um ótimo game de luta desse tipo com base em uma série internacionalmente famosa. É uma pena que os desenvolvedores da Spike não conseguiram encontrar o equilíbrio entre praticidade e dinamismo.

Enfrentar Frieza não é fácil
 

Câmera horrível

Pois é. É possível encontrar a diversão em um jogo que não mostra claramente o que está acontecendo entre os combatentes? Como obter sucesso em um golpe poderoso — ainda mais se o gamer acerta a sequência de comandos que aparece rapidamente na tela — se a câmera está travada na parede e o oponente não é visualizado?

Infelizmente, igual à versão demonstrativa

O Baixaki Jogos teve a oportunidade de experimentar a versão demonstrativa previamente lançada para Xbox 360, e... A versão completa é exatamente a mesma coisa. Não compre o jogo se você tem a chance de brincar com a demo, pois o esquema de combate é o mesmo. São pequenas modificações (e várias adições) que diferem uma versão da outra.

Isso mostra que os desenvolvedores não conseguiram — ou nem tentaram — consertar os problemas presentes na jogabilidade e nos quesitos técnicos. É triste afirmar que a grande quantidade de conteúdos oferecidos na versão final não compensa a fraca estrutura de combate.

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64 xbox-360