Goku está de volta, mas seu poder de luta não chega a 9000

Dragon Ball é com toda a certeza uma das franquias de anime mais conhecidas de todos os tempos. O mangá e anime criado por Akira Toriyama na década de 1980 arrebanhou uma fervorosa legião de fãs que consume àvidamente os produtos ligados a série até hoje.

Entre as muitas derivações midiáticas de Dragon Ball estão as suas inúmeras adaptações para os video games, datando de antes do saudoso Super Nintendo até os consoles contemporâneos, Goku e os outros Guerreiros Z já duelaram em mais de 70 títulos diferentes. A maioria das produções aproveita justamente o aspecto mais conhecido da franquia, os combates de alto impacto.

Entre os maiores destaques desses mais de 70 lançamentos estão às inúmeras edições de Budokai Tenkaichi, para o PlayStation 2. A bem sucedida linha de jogos de luta cativou os jogadores e, com o tempo, despontou nas plataformas de sétima geração.

Agora, Ultimate Tenkaichi — o sucesso da linha Budokai — promove o retorno de Goku e sua turma aos video games, mas será que os sayajins ainda possuem um poder de luta elevado?

Dragon Ball Z: Ultimate Tenkaichi é paradoxal. Sem sombra de dúvida é uma dos títulos da franquia Tenkaichi com a melhor apresentação — com gráficos de qualidade, direção de arte inspirada e ação análoga à do anime — no entanto é a edição que apresenta a pior jogabilidade da série, ou pelo menos a mais superficial da linha.

Quando o assunto são jogos de luta a jogabilidade é essencial para manter o jogador entretido. Variações de golpes e combinações de ataques definem toda a dinâmica de combate, infelizmente, Ultimate Tenkaichi aposta em um esquema simplificado, o que torna a ação repetitiva e nada desafiadora.

Os verdadeiros fãs de Dragon Ball Z podem tirar algum proveito de Ultimate Tenkaichi, no entanto, os jogadores mais hardcore devem evitar o título. A produção é uma excelente adaptação do anime/mangá homônimo, porém, como jogo de luta fica muito aquém das expectativas — basta lembrar o alto nível da linha Budokai Tenkaichi que estremeceu o PlayStation 2.

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Dragon Ball Z: Ultimate Tenkaichi foi gentilmente cedido pela EDGAMES.

Anime digital

O grande trunfo de Ultimate Tenkaichi é a forma como a Spike conseguiu recriar o clima da animação dentro do jogo. A direção de arte — na qual se inserem os visuais refinados, o trabalho de dublagem e a trilha sonora — é afiadíssima, trazendo para os consoles uma experiência muito própria à do anime.

As cores vibrantes e a ação desenfreada características da série despontam em alta velocidade e a todo volume no que podemos considerar o mais belo jogo da franquia Dragon Ball. Os fãs vão se deleitar com os gráficos que reproduzem o mesmo estilo revigorado da animação Dragon Ball Z Kai — versão remasterizada e reeditada e Dragon Ball Z.

Os personagens são bem detalhados e com o tempo você poderá perceber efeitos de dano nas roupas e até mesmo mudanças nas suas expressões faciais. Além disso, os cenários também recebem o mesmo trato cuidadoso, apresentando ambientes detalhados e coloridos.

Poder de luta

Todos os fãs de Dragon Ball já devem ter visto e revisto mais de uma vez todas as sagas da franquia. A trama criada por Akira Toriyama já está devidamente registrada na mente dos fãs. Misturando magia, ciência e alienígenas superporosos, a aventura de Goku e seus amigos cativou uma legião de seguidores — quem não ajudou Goku a criar a “genki dama” que atire o primeiro “kamehameha”.

Assim, é difícil pensar em novas formas de se contar a mesma história — e, de fato, Ultimate Tenkaichi apresenta alguns problemas na narrativa —, mesmo assim o título consegue abranger os principais eventos das séries Dragon Ball Z e Dragon Ball GT.

Além de reviver momentos clássicos do anime, você também poderá fazer parte dessa história. Não importa se você já sabe o final da história, a experiência parece renovada a cada embate, a cada vitória e derrota.

Guerreiro Z

Uma das funcionalidades mais aguardadas pelos fãs de Dragon Ball era a introdução de um sistema de edição de personagem realmente amplo; que permitisse a criação do seu próprio guerreiro Z. Ciente disso, a Spike (desenvolvedora do jogo) aproveita a deixa e apresenta o “editor de Sayajins”.

Apesar de não possuir a robustez que os jogadores esperavam, o esquema é passo na direção certa. Você possui uma série de opções de personalização já desbloqueadas e outras que devem ser liberadas ao longo da sua campanha no Hero Mode.

Dentro do Hero Mode você segue uma história diferenciada que acompanha as principais sagas do universo Z e GT, porém, sob a perspectiva peculiar do seu personagem — recém-criado. Participar da eterna luta pela paz e buscar as icônicas Esferas do Dragão fica ainda mais interessante na pele de um herói feito por você.

Só isso?

O estilo alucinante e exagerado de Dragon Ball Z é uma das marcas registradas da série. Lutadores tão velozes quanto à luz e projéteis de energia do tamanho de planetoides são elementos comuns nas tramas da franquia.

Apesar de o jogo recriar o clima absurdo típico das aventuras de Goku, a jogabilidade não consegue acompanhar esse dinamismo todo. A estética excessiva é amenizada por uma jogabilidade insossa e nada desafiadora.

Img_normalQuem teve o prazer de jogar a linha Budokai Tenkaichi penou para dominar as sequências de golpes e as técnicas especiais de seus personagens favoritos, algo desnecessário em Ultimate Tenkachi, haja vista que tudo se resume a um pressionar frenético de botões. Ou seja, toda a sua experiência adquirida ao longo dos jogos anteriores é simplesmente desconsiderada.

Mas o ponto mais baixo de toda a estrutura de combate é o esquema de “inversão”. Agora, para quebrar o combo do oponente, ou desviar daquele “kamehameha” gigante você depende única e exclusivamente da sorte. Não há nenhuma técnica envolvida no sistema, em um determinado momento você e seu oponente deverão pressionar um botão qualquer, se os dois lutadores apertarem o mesmo botão a vitória é da defesa, se forem diferentes o agressor termina a sua combinação.

Conta o conto

Se as animações que entregam os momentos mais empolgantes da trama são envolventes e visualmente impressionantes a narrativa como um todo deixa muito a desejar. Como já dissemos anteriormente, apontando como um dos pontos positivos do jogo, o material original é vasto e de alta qualidade, mas parece que a Spike não soube aproveitá-lo adequadamente.

Todo o ritmo do jogo é acelerado, repleto de cor, som e movimento, no entanto, por algum motivo inexplicável a empresa preferiu apresentar partes da história em texto. Para piorar tudo, a caixa que revela a trama rola o documento lentamente, quebrando todo o ritmo do jogo.

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