Análise de Dragon Quest V: Hand of the Heavenly Bride

Depois de quase duas décadas, Dragon Quest V dá as caras no ocidente.

Depois de passar um bom tempo jogando RPGs com inclinações mais modernas, é realmente revigorante gastar algumas boas horas com aquele estilo clássico que simplesmente construiu o RPG nos video games. Melhor ainda é quando esse clássico cobre, finalmente, um hiato considerável no ocidente.

Dragon Quest V: Hand of the Heavenly Bride, lançado em 1992 para o finado Super Famicon (o Super Nintendo japonês), ganha agora pela primeira vez um aporte ocidental. Um aporte que vem na forma de um belo e revigorado título para o portátil da Nintendo.

O refinamento ficou a cargo da desenvolvedora Arte Piazza, e envolve traduções atuais e uma grande melhoria gráfica — que, contudo, não altera o clima original do jogo, repleto de cores vivas e brilhantes. Não obstante, poderá contar com vários motivos para reaproveitar o seu dinheiro gasto com o título, já que diversas possibilidades extras ainda foram incluídas.

Matar o cara mau e salvar o reino? Não exatamente

Uma trama muito mais intimista Embora não fuja das histórias clássicas dos RPGs, por assim dizer, clássicos, Dragon Quest V lança mão de uma trama muito mais atraente do que aquelas que normalmente envolvem “matar-o-monstro-e-salvar-o-mundo”. A coisa aqui é muito mais intimista, na medida que o seu herói, inicialmente um menino sob a proteção de um pai amoroso e dedicado, parte para desbravar o mundo e elucidar alguns sonhos misteriosos.

Como uma adição à história original, a versão para DS traz ainda uma nova personagem. Trata-se de uma das moças casadoiras que o seu heróico protagonista poderá escolher para casar — e que inclui ainda várias animações exclusivas.

Além disso, caso o desenvolvimento do jogo fique meio travado, sempre será possível lançar mão das conversas com membros da equipe — o que acabou ficando de fora do remake ocidental de Dragon Quest IV. Exatamente, aqui eles não apenas andarão lacônicos em fila indiana. Também será possível trocar idéias sobre o que fazer, obter avisos importantes ou mesmo gastar algum tempo com um papo-furado.

Desbravando o mundo, encarando abominações

Atravessar campos abertos, masmorras e pequenas cidades de DQ V é uma tarefa menos ingrata do que em muito RPGs antigos (Phantasy Star do Master System, para citar um). O mapa do local visitado será sempre mostrado na tela superior do DS, enquanto que os dados relativos ao seu personagem e à sua equipe estarão disposto embaixo. Isso certamente facilita bastante a exploração.

Perambular ficou muito mais conveniente Além disso, você sempre poderá acessar um mapa especializado, que detalha todo o ambiente visitado. No caso dos vilarejos, por exemplo, é possível saber de antemão a localização dos pontos para salvamento de jogo (no caso, as igrejas), bem como o tipo de item que se pode achar com os mercadores locais — assim, você nunca precisará perder tempo procurando por um item específico em cada canto de cada cidade.

As batalhas de DQ V mantém o mesmo estilo clássico. Ou seja, sim, serão todas elas em turnos. Entretanto, várias melhorias dão as caras agora, o que acaba conferindo certo frescor a uma fórmula já consideravelmente datada. Durante um embate, os dados relativos aos personagens são exibidos na tela superior, enquanto que os inimigos e um belo campo de batalha em 3D ficam confinados à tela inferior do DS.

Uma vez em batalha, você terá pleno controle tático da sua equipe, e poderá delegar comandos individualmente ou mesmo orientar todo o grupo a agir de determinada forma: curar aliados, conservar magias ou mesmo atacar com força total.

Outro boa adição da versão para DS é a nova e renovada biblioteca de monstros disponíveis. Basicamente, aqui você não vai encontrar apenas meia dúzias de bolas coloridas com braços e outros animais impossíveis de se catalogar. Graças ao novo sistema de seleção de inimigos, os monstros aparecerão para batalhas de acordo com o continente, região e mesmo a hora do dia.  Além disso, eles agora trazem novas animações e utilizam constantemente golpes especiais.

Domesticando os monstros

Monstrengos renovados à parte, certamente um dos adereços mais constantemente relembrados pelos fãs da série é a possibilidade de se domesticar os inimigos vencidos. São mais de 50 monstros diferentes que podem ser recrutados após serem vencidos em batalha — embora isso aconteça de forma um tanto aleatória, e vários inimigos simplesmente se recusará terminantemente a se juntar ao seu grupo.

Além disso, uma vez que um monstro tenha sido incluído ao seu pelotão, ele também poderá utilizar equipamentos e mesmo lançar uma grande variedade de magias, assim como acontece com as suas contrapartes humanas. Quando o seu time finalmente ocupar todos os oito “slots” disponíveis para personagens, ainda será possível enviar os monstros sobressalentes para uma espécie de creche (que acomoda mais de 70 criaturas).


Outro retorno memorável da série é a tradicional carroça para transporte de membros temporariamente ociosos. O adereço garante que mesmo os personagens que não estejam participando ativamente da batalha ganhem pontos de experiência, simplesmente por estarem dentro da carroça (não tente encontrar lógica aqui). Isso é particularmente interessante no gerenciamento dos seus monstros, que sempre começam nos níveis mais baixos.

Mas, além de proteger os seus monstros de... outros monstros, a carroça também permite que se troque de personagens durante uma batalha. Algo bastante conveniente para substituir aliados derrubados em campo.

Muito mais de 40 horas Dragon Quest V: Hand of the Heavenly Bride traz aproximadamente 40 horas de jogo através dos objetivos primários, durante o quais você poderá comprovar o belo trabalho gráfico executado pela desenvolvedora Arte Piazza (que pode ser comprovado através de uma conveniente câmera giratória), bem como ótimo tratamento dado ás melodias originais de Koichi Sugiyama.

Mas não se preocupe. Quando a trama principal chegar ao fim, o jogo ainda trará diversos adereços dignos de se gastar algumas horas. Quer dizer, ainda será possível sair à caça de “mini-medals” (que garante itens exclusivos), bem como aumentar o seu exército de monstros ou jogar diversos minigames através dos cassionos. Além disso, através do suporte online do DS, ainda será possível compartilhar enfeites e adereços com outros jogadores.

Por fim, um grande título que finalmente dá as caras no ocidente. Perfeito para quem gosta das fórmulas mais tradicionais de RGP. Perfeito para quem gostaria de relembrar a época de ouro do gênero — sem desmerecer os ótimos títulos atuais, é claro.

85 ds
Ótimo