Novo vigor para um clássico incontestável do NES

A maior parte dos jogadores que encarou a primeira versão de DuckTales à época do seu lançamento provavelmente tinha tenra idade. Isso tornava impensável uma sinopse do tipo: “Um velho pão-duro sai em aventuras para somar mais dinheiro ao seu já imenso montante, a fim de se tornar o ‘pato mais rico do mundo’ — levando consigo familiares e empregados, com os quais jamais divide os espólios”. Ok, é melhor deixar para lá.

De um ponto de vista menos “filosófico”, entretanto, o que se tem em DuckTales Remastered é uma excelente oportunidade de conferir uma releitura devidamente revigorada de um título que é, de forma quase unânime, considerado um dos melhores já lançados para o saudoso Nintendinho (NES). Isso no hoje longínquo ano de 1989.

Img_normal

Afinal, em uma era que ainda era marcada por naves, carros e sujeitos armados que se limitava a ir “em frente” enquanto atiravam em tudo o que se movia, DuckTales “se atreveu” a aparecer com um side-scroller com história épica e andamento não linear. É claro, não seria de se admirar, já que o game original foi projetado por grande parte das cabeças responsáveis pela franquia Mega Man.

Ao fim e ao cabo, DuckTales se tornou o título mais vendido tanto para o NES quanto, posteriormente, para o Game Boy — que acabou ganhando um excelente porte em 1990. Bem, mas o que dizer do resgate promovido agora pela produtora e capitaneado pela WayForward?

Avaliar o relançamento de um clássico é sempre uma tarefa tão prazerosa quanto ingrata. Por um lado, há a maravilha de se ver diante de um colosso de outros tempos, o qual vem agora com visuais renovados e perfumarias variadas. Por outro lado, há sempre a questão: qual é a colocação de um game desses nos dias de hoje? Ainda pode ser divertido? E os gráficos, são “bons”, “ruins” ou é melhor não se arriscar em uma heresia em potencial?

Img_normal

Ok, sem temores fanáticos aqui. DuckTales consegue, de fato, ser um belo jogo, ainda incrivelmente divertido — desde que games em plataforma façam o seu estilo, é claro. Apesar disso, também não escapa de algumas derrapadas. Enfim, vejamos isso tudo mais de perto.

DuckTales é um clássico incontestável. Trata-se de um dos melhores games produzidos para o Nintendinho e mesmo para a geração 8 bits como um todo. E a versão Remastered trazida pela WayForward certamente faz um bom trabalho ao trazer essa verdadeira pérola para uma era que bem poderia ter mais títulos em plataforma de grande porte.

Além da aventura clássica — com toda a sua glória não linear —, Remastered traz ainda novas animações e adição de voz, o que confere vida e atualidade ao clássico da Capcom. Por fim, as conquistas ajudam a transformar o retorno de um game com mais de 20 anos mais natural. Com certeza vale a pena.

O melhor da plataforma 80’s

Não é preciso mais do que alguns minutos jogando para entender por que DuckTales foi considerado um dos melhores títulos do NES — e mesmo da geração 8 bits, sem qualquer exagero. Trata-se aqui, com certeza, do sumo do que constituía os melhores games em plataforma dos anos 80 — uma época em que headshots e multiplayer ainda não eram quesito necessário para a formação de um blockbuster.

E em Remastered a jogabilidade continua tão fluida quanto no game original. Tio Patinhas executa saltos consistentes, evitando as tradicionais frustrações por conta de comandos que não respondem como deveriam. E há também inúmeros elementos que constituem um bom game em plataforma clássico, tais como passagens escondidas, itens especiais e chefões — incluindo, como bônus, o bom humor tradicional da série animada.

Uma aposta não linear

Este, na verdade, é um mérito do jogo original para o NES. Embora hoje seja perfeitamente normal encontrar — mesmo em jogos com propostas clássicas — mundos de jogo não lineares, à época, o mais comum era jogar o aventureiro em linha reta, açoitá-lo com chefes em dificuldade crescente e, ao final, presenteá-lo com o que quer que fosse.

Img_normal

Em DuckTales, entretanto, você pode começar por qualquer uma das cinco fases disponíveis. E, ainda melhor, isso faz muito sentido quando se olha para a história: tio patinhas encontrou códigos que levam a um grande tesouro, embora, para isso, precise coletar relíquias espalhadas por todos os cantos da Terra (e também na Lua!). É fácil perceber que uma abordagem linear simplesmente não faria sentido.

Gráficos remodelados

Conforme já seria de se imaginar, Remastered melhora substancialmente os gráficos do game original do NES. Mas o mérito da WayForwad não está só nisso. Na verdade, o game ganhou também diversas animações adicionais — dando mais vida aos entreatos da história. Além disso, cada cenário apresenta agora fundos dinâmicos (cheios de elementos móveis), com uma bela sensação tridimensional.

O bom resultado é fruto de pinceladas à mão de artistas dos estúdios da Disney — de maneira que nada veio “de fora”, tratando-se apenas profissionais veteranos. A opção de levar traços “reais” para dentro do jogo é, sem dúvida, um dos motivos para os belos efeitos de luz e sombras de DuckTales Remastered.

Bela dublagem

Eis outra boa adição aqui. Naturalmente, o título lançado para o Nintendinho não tinha qualquer fala — uma limitação clássica da geração 8 bits, com raras exceções. Em Remastered, entretanto, você poderá ouvir os dubladores clássicos da animação para TV (em inglês). E nisso se inclui a voz do Tio Patinhas desde os anos 80: o dublador Alan Young, de 93 anos, e ainda na ativa.

Fonte da imagem: Divulgação/Walt Disney Company

São belas atuações que, juntamente com cenas adicionais (acima), conferem uma dinâmica inédita ao título da Capcom.

Cuidado com términos inesperados

Infelizmente, Remastered traz na bagagem uma “relíquia” particularmente enervante dos anos 80. Trata-se do que se poderia chamar de “mal súbito” dos games da época — aquele travamento que sempre vem em boa hora... Sim, é verdade que aqui há a adição dos salvamentos. Mas, mesmo assim, é frustrante ver que ainda hoje um clássico do NES ainda é capaz de travar um console de video game.

Os saltos, às vezes, complicam

Sim, a ação em plataforma de DuckTales Remastered certamente é boa. Entretanto, há alguns “pormenores” que podem frustrar um pouco, sobretudo no caso de jogadores pouco acostumados com o legado mais típico da geração 8 bits.

Img_normal

Tio Patinhas elimina todos aqui com saltos de bengala sobre a cabeça. Entretanto, caso caia próximo a uma beirada, a bengala simplesmente não é ativada, o que pode ocasionar algumas mortes bem estúpidas. Ademais, mesmo em um pulo normal, é necessário ter um timing bastante preciso para não acabar aterrissando com o traseiro sobre o inimigo — o que o fará perder energia.

Compre com o menor preço:
80 pc
Ótimo

Outras Plataformas

80 ps3