Análise de Dungeons & Dragons: Chronicles of Mystara

Chame seus amigos, pois um clássico do multiplayer está de volta!

Dungeons & Dragons: Chronicles of Mystara é uma coletânea contendo Tower of Doom e Shadow over Mystara – dois jogos cooperativos inspirados no universo de Dungeons & Dragons, lançados nos fliperamas pela Capcom em 1993 e 1996, respectivamente.

Os dois jogos já haviam sido lançados em uma coleção especial para Sega Saturn, em 1999. No entanto, a coletânea saiu apenas no Japão e trazia algumas limitações em relação às obras originais (como o multiplayer para apenas dois jogadores, em vez de quatro, como nos arcades).

Disponível para PlayStation 3, Xbox 360 e PC desde a última terça-feira (18), Chronicles of Mystara leva os dois títulos para o PC e consoles em um uma edição remasterizada e com algumas novidades, como um multiplayer online (equipado com a tecnologia GGPO, para evitar lag) e as House Rules – regras desbloqueáveis capazes de alterar o jogo. Tudo isso ao mesmo tempo em que apresenta os mesmos jogos que conquistou uma geração nos fliperamas.

Até hoje, Dungeons & Dragons: Shadow over Mystara é lembrado como um dos títulos cooperativos mais interessantes já lançados. Agora que a Capcom decidiu relançá-lo, juntamente com seu predecessor, em uma nova coletânea, fãs da franquia podem relembrar a boa e velha pancadaria medieval ao mesmo tempo em que novos jogadores podem aproveitar para conhecer dois títulos clássicos.

Alguns jogadores podem se sentir incomodados com a dureza de alguns comandos – os quais denunciam a idade destes dois games. Ainda assim, a diversão ainda se faz presente, em especial quando é possível contar com ajuda de outras pessoas para fazer parte de seu grupo de aventureiros.

Por sorte, a Capcom compreendeu bem que o multiplayer é o ponto forte dos títulos presentes em Chronicles of Mystara e trabalhou bem para que esse aspecto não decepcionasse. Tanto online (em que conta com a ajuda da estabilidade do sistema GGPO) quanto localmente, o multiplayer cooperativo de Dungeons & Dragons funciona muito bem, servindo de referência para o seu gênero.

Assim, tanto para quem deseja relembrar os velhos tempos quanto para aqueles que querem apenas um bom título para jogar na companhia de amigos, Dungeons & Dragons: Chronicles of Mystara é uma ótima opção.

Dungeons & Dragons: Chronicles of Mystara foi avaliado utilizando um código da PlayStation Network cedido pela Capcom.

A conversão da experiência D&D

Durante a seleção de modos da coletânea, algumas dicas e curiosidades aparecem no canto da tela periodicamente. Uma delas informa que, durante o desenvolvimento dos títulos originais, a Capcom testou a história do game com jogadores de RPG de mesa para se certificar de que o espírito do jogo seria capturado da maneira correta – objetivo que parece ter sido alcançado pela companhia.

Assim, os jogadores mais experientes de Dungeons & Dragons podem reconhecer vários elementos do universo criado por Gary Gygax e Dave Arneson nos dois títulos da Capcom, desde as diferentes classes de jogador (quatro em Tower of Doom, seis em Shadow over Mystara, cada uma com suas próprias habilidades), a presença de monstros clássicos, como kobolds, gnolls e ursos-coruja, e a caça aos pontos de experiência, dinheiro e itens mágicos.

Ao mesmo tempo, a narrativa também tenta emular uma sessão de RPG, sendo possível tomar decisões como escolher entre um ou outro caminho, ou entre ajudar personagens em perigo ou seguir em frente em sua jornada. Algumas bifurcações do trajeto, inclusive, também podem aparecer dependendo dos personagens escolhidos pelos jogadores – algo que colabora para o fator replay dos jogos.

Conhecendo os clássicos

Pessoalmente, eu tive a oportunidade de jogar nos fliperamas (e perder muitas fichas no processo) apenas Shadow over Mystara – o segundo jogo da série e o mais conhecido. A Capcom parece compreender isso e, logo ao começar a coletânea pela primeira vez, é este jogo (em vez de Tower of Doom) que pode ser acessado mais facilmente.

A escolha parece natural, uma vez que provavelmente os jogadores vão passar muito mais tempo neste título do que com o primeiro da série – mais limitado e com menos recursos do que a sua sequência.

Apesar disso, Tower of Doom não é um jogo ruim – ele é apenas eclipsado por Shadow over Mystara. Assim, ainda é possível aproveitá-lo e conhecer as raízes da série. Especialmente se você tiver a companhia de alguns amigos para participar da pancadaria.

Um multiplayer exemplar

É possível completar sozinho as campanhas dos dois jogos sem maiores problemas. No entanto, boa parte da diversão desaparece dessa forma. Por sorte, a Capcom oferece diversas soluções para isso.

Da mesma maneira que nos fliperamas, é possível jogar com até quatro jogadores simultaneamente (tanto online quanto localmente). Assim, é possível trabalhar em equipe e contar com a ajuda de outros jogadores para cobrir as fraquezas de seu personagem.

Algumas classes (como o Clérigo e a Elfa) apresentam habilidades cooperativas, como magias que aumentam o dano causado pelos heróis ou que recuperam seus pontos de vida. Desse modo, é possível recuperar o espírito do RPG de mesa, em que personagens com habilidades diferentes trabalham em equipe para vencer obstáculos juntos.

Se você preferir jogar online, não é preciso temer a lentidão das partidas. Graças ao GGPO – sistema que atenua o lag, tornando-o praticamente imperceptível na maior parte das vezes – é possível criar ou entrar em partidas com estranhos sem maiores problemas.

Além disso, caso ainda assim você enfrente problemas, é possível limitar a partida para jogadores da sua região ou com um ping abaixo de um determinado valor. Mesmo assim, durante a análise, foi possível completar a campanha dos dois jogos sem precisar recorrer a esse recurso.

Novas maneiras de jogar

Chronicles of Mystara ainda oferece alguns desafios extras para que os jogadores explorem ainda mais o jogo. Da mesma forma como outros títulos da Capcom remasterizados, como Street Fighter III, os jogadores podem cumprir uma série de desafios relacionados à mecânica de jogo, os quais variam desde matar tantos monstros até executar um movimento especial um número determinado de vezes.

Quando completados, esses desafios oferecem pontos que podem ser trocados por recompensas, as quais variam entre imagens conceituais do game, propagandas da época e até novas House Rules (Regras da Casa).

Com elas, é possível alterar o jogo e criar novas partidas mais interessantes para você e seus amigos. Há desde mudanças simples (equipamentos inquebráveis, nenhum baú trancado, dinheiro em dobro) até outras mais criativas, como um modo em que, em vez de pontos de vida, os golpes dos oponentes fazem os jogadores perder dinheiro (uma vez que seu “saldo bancário” chegar a zero, é game over). São mudanças criativas e que tentam manter o jogo interessante por mais tempo.

Mecânicas ultrapassadas

Os dois games de Chronicles of Mystara apresentam a mesma mecânica dos arcades do início dos anos 90. Enquanto na época os jogadores tinham apenas uma alavanca direcional e três botões, os joysticks atuais oferecem mais possibilidades que poderiam ser aproveitadas neste relançamento.

Assim, enquanto é possível atribuir as quatro funções presentes nos jogos (ataque, salto, "habilidade especial" e inventário) aos botões que o jogador preferir, algumas soluções simples ainda estão faltando. Ao acessar o inventário, é possível percorrer os seus itens em apenas um sentido, não sendo permitido adicionar um botão para explorá-lo no sentido oposto, por exemplo.

Essa e outras "falhas" desta coletânea podem até ser consideradas pequenezas (facilmente explicadas até pela inexistência destas funções no jogo original), mas que acaban incomodando qualquer um que tenha ficado mal-acostumado com títulos mais modernos.

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