Um estranho “herdeiro” de Dungeon Keeper

Na verdade, o que mais aproxima os dois títulos é o estilo geral da jogabilidade. No mais, Dungeons tem vários pontos diferentes em relação aos games Dungeon Keeper, uma divertida franquia da extinta Bullfrog (agora parte da Electronic Arts). O pessoal da Kalypso Media tentou inovar, adicionando características únicas à fórmula.

Aqui, você incorpora Deimos, o Senhor do Terror, o Herói do Submundo. Mas o temível personagem está com problemas. Sua namorada, Calypso, resolve traí-lo e Deimos volta à base da “hierarquia” e, consequentemente, aos níveis superiores da dungeon (caverna). E cabe ao gamer guiar o protagonista de volta ao trono maléfico.

É nisso que consiste o modo principal do jogo. No menu, você descobre que há três níveis de dificuldade à disposição: Easy, Normal e Hard. Felizmente, o começo da campanha oferece um tutorial gradativo para que o gamer possa aprender, pouco a pouco, como funciona o esquema básico de controles e o que deve ser feito para Deimos ter sucesso nas etapas à frente.

Portanto, o gerenciamento de criaturas, recursos, diferentes ambientes e construções não são tudo. O núcleo da jogabilidade é controlar o Senhor do Terror pelos corredores sombrios e evitar que os heróis destruam o Dungeon Heart, literalmente o coração dos domínios do jogador.

Pegando o jeito

Na campanha, há várias missões que levam o gamer a fazer outras atividades enquanto aprende os comandos principais. Além disso, diversos Challenges (desafios, metas secundárias) podem ser finalizados durante a aventura. Você é recompensado com um scroll — um “pergaminho”, uma nova habilidade — a cada desafio completado. Uma vez que a vitória é obtida em uma fase, é possível conferir uma tela com todos os Challenges realizados e com estatísticas diversas.

Como uma das principais tarefas é controlar Deimos, existe a possibilidade de configurar uma barra de magias na parte inferior da tela com habilidades diversas. A maior parte delas custa pontos mágicos (Mana) e algumas delas contam com um número limitado de aplicações. É preciso conhecer bem as características e os cooldowns — tempos de espera para reuso — de cada magia para ter sucesso.

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Não só isso: existe a oportunidade de distribuir pontos de atributos (Strength, Agility, Intelligence e Constitution) para ajudar o Dungeon Master. A tela que mostra esses dados também apresenta números referentes à quantidade de dano infligida nos inimigos e outros valores.

Para “fechar o pacote”, há uma árvore de talentos cuja distribuição de pontos é inteiramente personalizada. São três ramificações: Combat, Improvement e Build. Como o nome da cada uma sugere, há a chance de “especializar” o Senhor do Terror e, com isso, ganhar novas habilidades para as batalhas.

À parte da campanha, o modo Custom Game apresenta partidas diversificadas nas quais as condições de vitória, os mapas e os tamanhos são variados. Enquanto certos cenários são Sandbox (você joga “até enjoar”), outros exigem agilidade e fazem você tentar sobreviver durante o maior de tempo possível, como os do tipo Survival.

Abaixo, você verá que é até interessante controlar Deimos e administrar os recursos do game, mas os contratempos atrapalham mais que o tolerável.

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A boa qualidade de som não é o suficiente para salvar este título. Um começo bastante confuso rapidamente ratifica o seguinte: os criadores do game não souberam apresentar as peculiaridades da fórmula. Bugs e problemas relacionados à jogabilidade somente pioram ainda mais o nível de diversão.

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Além disso, Dungeons sofre do que muitos chamam de “síndrome de jogo de pequeno porte”. Logo após o lançamento do título, a Kalypso Media teve que disponibilizar alguns pacotes de atualizações — os famosos patches — para aprimorar a experiência. Isso indica que ocorreram falhas no desenvolvimento e surgiram vários espaços para melhorias.

Por fim, trata-se de um game diferente da aclamada franquia da Bullfrog que não consegue cumprir muito bem o seu papel. Problemas diversos e uma estrutura básica pouco estimulante anulam os raros momentos de diversão.

Uma proposta única

Quando você abre um portal, heróis de dez classes variadas aparecem de tempos em tempos. O ideal é agradá-los com ouro e satisfazer certos desejos antes de exterminá-los. Por quê? Porque isso aumenta a quantidade de Soul Energy adquirida. A SE é o recurso mais importante do jogo. Com grandes quantidades de pontos, é possível “comprar” até mesmo pontos de atributos e pontos a serem distribuídos na árvore de talentos.

Espalhando pentagramas estrategicamente no mapa, surge a possibilidade de criar monstros, colocar armadilhas ou simplesmente aumentar a área de influência para adquirir locais de surgimento de criaturas ou dominar novos locais para construir.

Invocar Goblins, os “peões” do game (qualquer semelhança com os Imps de Dungeon Keeper é mera coincidência), é crucial para começar e acelerar as escavações. Abrir novos caminhos não só libera novas possibilidades de expansão e aniquilação de heróis como gera quantidades cada vez maiores de ouro. Vale a pena reforçar que o famoso fog of war (áreas obscurecidas, ainda não exploradas pelo gamer no mapa) impede a escavação.

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Além de SE e ouro, há os Prestige Points. Colocando objetos decorativos nos túneis e demais ambientes, você gera mais PP, influencia no caminho dos heróis que aparecem (sim, eles param para admirar os caixões) e desbloqueia vários itens no menu de construção. Quer mais que isso?

O desafio? Conciliar tudo

Pois é, depois de muitos minutos o jogador acaba ficando familiarizado com os comandos à disposição. Além de administrar os objetos de Prestige Points, os pentagramas e as áreas a serem escavadas, o jogador precisa lidar com prisões e câmaras de tortura se quiser obter ainda mais Soul Energy dos heróis derrotados em combate.

E se você está se perguntando quais são os “desejos” que os heróis possuem, bem... Enquanto alguns apenas gostam de levar pancadas, outros gostam de estudar em bibliotecas. Há, ainda, aqueles que preferem se equipar com armamentos em lugares especiais. Portanto, cabe a você criar salas de Treasure (com objetos de interação), Library e Equipment (ambas com objetos de interação, itens de eficiência do ambiente e outros relacionados à capacidade da sala).

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É importante lembrar que, em certas fases, aparece um herói bem mais desafiador que os outros. Os famosos Champions podem dizimar a dungeon se o gamer não for precavido (ou não prestar atenção na ampulheta de aviso). Sendo assim, uma estrutura sólida de defesa deve ser criada. Quer mais que isso?

Som envolvente

Você mal começa a jogar e aparece uma espécie de “Goblin bardo” com uma voz muito engraçada. Ao mesmo tempo em que o curioso personagem instrui o gamer no início da campanha, você tem a oportunidade de perceber que as falas são bem feitas e cativantes.

Além dos diálogos e efeitos sonoros, a trilha musical combina bem com a atmosfera de Dungeons. Discrição — quase imperceptível, na verdade — e um aspecto sombrio são as principais características das faixas. Tecnicamente, o som é o quesito mais agradável.

Confuso logo de início

Compreendendo a estrutura básica da jogabilidade (descrita acima), fica fácil entender o motivo pelo qual é tão difícil se divertir durante a maior parte da experiência. São vários minutos gastos apenas para a compreensão dos comandos principais e das primeiras ações que devem ser realizadas para o cumprimento dos objetivos propostos.

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Os controles não ajudam muito. São tantas opções à disposição logo no começo que é até normal ficar um pouco perdido. Se a desenvolvedora tivesse caprichado um pouco mais no tutorial, nas animações e na acessibilidade dos comandos, a jogabilidade ficaria muito mais chamativa.

Repetitivo?

São necessários alguns minutos para cumprir uma meta. Progredindo nas fases, objetivos extremamente semelhantes a essa meta são apresentados ao jogador. E lá se vão mais minutos com uma tarefa que muitos podem considerar enervante. Mesmo usando o mecanismo de Fast Forward (aumentar a velocidade do game), o jogador pode ficar irritado com o “clima de mesmice”.

Na verdade, o jogo não é divertido nem recompensador o suficiente para fazer esse tempo valer a pena. Objetivos simples demandam muito tempo e são facilmente capazes de chatear quem tem pouca paciência com atividades pacatas, quase nada relacionadas às batalhas agitadas entre heróis e Deimos (ou criaturas).

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Apenas na sombra de Dungeon Keeper

Bugs já no começo (em vídeos e sons), gráficos ultrapassados, uma jogabilidade pouco convidativa... Se você estava aguardando ansiosamente para conferir o que poderia ser feito com inovações e mudanças drásticas na fórmula da Bullfrog, é uma pena relatar que este jogo não é satisfatório.

É óbvio que a dinâmica deste título é bem diferente daquilo que ocorre na série lançada durante a década de 90, mas esperava-se que a diversão gerada por Dungeons pudesse se aproximar do alto nível de entretenimento encontrado em Dungeon Keeper.

65 pc
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