Mesmo com conteúdos extras, Strikeforce ainda é “mais do mesmo”

Mesmo com tantos jogos já lançados, a franquia Dynasty Warriors, desenvolvida pela Omega Force, continua a vender muito no Japão, o que é um incentivo mais do que suficiente para que versões paralelas à narrativa principal sejam criadas. Para quem nunca teve contato com nenhum dos games, o principal objetivo é aniquilar as forças inimigas e os chefes, ganhando mais poder e ataques devastadores com o passar do tempo.

No ano passado tivemos Strikeforce no PSP, que não atingiu as expectativas em virtude da plataforma. Para tentar contornar o problema, a Koei o trouxe recentemente para os consoles de mesa da Sony e da Microsoft, em conjunto com uma série de modificações que prometem entreter melhor os fãs da série.

A fórmula de Dynasty Warriors — ao menos no que diz respeito aos combates — foi mantida praticamente intacta, residindo os principais diferenciais deste episódio no sistema de aprimoramento das habilidades dos personagens e na presença das cidades, que atuam como centros para a ação dos jogadores em meio às missões.

O confronto ainda gira em torno dos três grandes reinos da China antiga (que serviu como tema principal de Dynasty Warriors 6), com a diferença de que agora o clã dos turbantes amarelos se rebelou contra o império.

Em vista da ameaça iminente e da possibilidade de ascensão no comando do país, três grandes facções e seus respectivos guerreiros entram na luta para restabelecer a ordem e a paz. Mas qual será o resultado de toda essa reviravolta?

Dynasty Warriors: Strikeforce para os consoles de mesa é um passo na direção certa para a franquia, trazendo muitas melhorias em termos de jogabilidade (caso das transformações) e de entretenimento — como as modificações no personagem, na estratégia e nas cidades, por exemplo — mas não há como negar que a Koei ainda tem muito trabalho pela frente caso haja o interesse em tornar a série um sucesso fora do Japão.

A fórmula é rasa (tanto no combate quanto nas missões), exigindo que o jogador repita praticamente as mesmas ações por inúmeras vezes. O jeito é tentar aprimorar as habilidades do lutador ou se divertir com o modo cooperativo online (quando ele funciona), que acaba sendo mais divertido que lutar ao lado do computador, ainda mais naquelas missões exageradamente difíceis.

No fim das contas, Dynasty Warriors Strikeforce tem seu apelo, mas a um público muito restrito que não liga para as falhas gritantes e para a estagnação da franquia, que já não carrega o mesmo fôlego diante da concorrência pesada no gênero de aventura e ação.

Escolhas para todos os gostos

Ao dar início à sua partida, você pode optar por soldados filiados às bandeiras de Shu, Wei e Wu, sendo que existem mais de dez opções em cada um deles (sim, mais de trinta personagens podem ser escolhidos, sem contar os que serão liberados adiante).

Mais interessante ainda é que os guerreiros têm gráficos de afinidades com habilidades e armas, o que afeta ligeiramente o estilo de combate a ser adotado. Cada um deles também possui sua transformação (algo que será abordado no próximo tópico desta análise), bastando pressionar um botão para ver a arte conceitual ao fundo — que por sinal, merece muitos elogios.

Como cada um dos personagens possui habilidades maiores com respectivos tipos de armas — dentre espadas, lanças, porretes, arcos e até mesmo lâminas duplas — a desenvolvedora optou por inserir o sistema de equipamento reserva, que pode ser ativado a qualquer instante no combate, permitindo golpes e estratégias diferenciadas de acordo com a situação.

Transformações brutais

Depois de progredir com os controles, você passará a notar uma barra que fica logo abaixo do mostrador de energia. É a barra de fúria, que vai sendo preenchida na medida em que você liga uma série de ataques, sem ser quebrado pelos inimigos. Uma vez completada a barra, basta pressionar o botão específico para liberar sua transformação (a mesma mostrada na arte do menu de seleção de personagens).

Este despertar (Awakening) é similar ao apresentado por Dynasty Warriors 5, transformando completamente o visual do seu herói. Mas além da aparência, o despertar confere muito mais poder a você. Em primeiro lugar entra a velocidade aumentada e os ataques mais ágeis. Em seguida vem a disponibilidade de saltos duplos (sem a necessidade de equipamentos adicionais) e de avanços (ou “dashes”) consecutivos, permitindo que você cubra grandes distâncias ou atinja pontos altos em questão de segundos.

Para acabar de vez com a raça do adversário há o último recurso, que é o ataque devastador. Ele manda os oponentes pelos ares, mas faz com que a transformação seja anulada em seguida. Acredite: esta penalização muitas vezes é compensada pelo efeito do golpe.

Desenvolvendo suas habilidades

Em meio às missões o seu personagem volta para as vilas e cidades (a cada capítulo você toma abrigo em uma região diferente). É aqui que entram os elementos de desenvolvimento, similares aos encontrados nos RPGs tradicionais.

Além da experiência, você pode realizar compras de itens, forjar armas (ou melhorar as já existentes) nos ferreiros, mudar de personagem e uma série de outras tarefas.

Mas as possibilidades que mais merecem destaque são aquelas referentes ao desenvolvimento das suas habilidades. Por meio do uso de materiais (assim como para o ferreiro) você pode desenvolver esferas que lhe conferem habilidades especiais quando equipadas, além de energias específicas que adicionam dano ao seu equipamento. Em resumo, é uma forma de você se preparar para as pedreiras que encontrará pela frente.

O poder das cidades e dos companheiros

Outro elemento de desenvolvimento que entra em cena é o das cartas. Por meio delas — uma vez equipadas — é que você garante acesso a itens mais potentes, além de níveis complementares das lojas disponibilizadas. É importante equipá-las cedo para não apanhar adiante.

É pelas cidades também que você ajusta a sua estratégia de combate e dos companheiros (liberados com o tempo). Levando-os para o combate você faz com que eles se tornem mais fortes, algo obrigatório em vista da dificuldade das missões que virão a seguir.

Entretanto, temos que mencionar que você terá muito mais a ganhar, principalmente em termos de diversão, com a modalidade online, já que os companheiros que você encontrará na rede serão muitas vezes mais fortes que os aliados “mecanizados”. São permitidas conexões com até outros três jogadores para o modo cooperativo.

Gráficos da geração passada

Dynasty Warriors: Strikeforce é uma versão aprimorada do game lançado originalmente no PSP. De tal maneira, é claro que os gráficos não seriam os mais refinados da plataforma. Entretanto, mesmo com isso em mente, é inegável que a apresentação visual fica muito aquém do esperado para o PlayStation 3 e para o Xbox 360.

Em primeiro lugar, a iluminação é de baixa qualidade, com sombras de baixa resolução espalhadas pelo cenário. O problema da resolução também afeta as texturas, que parecem ir caminhando pelo horizonte quando você se desloca pelas cidades (o fenômeno é conhecido como Texture Shimmering).

Serrilhados não faltam: eles aparecem nas lâminas de grama, nas bordas dos personagens, nos prédios da cidade e até mesmo em alguns dos efeitos de ataque, podendo realmente distraí-lo de acordo com a cena.

Além disso, ainda temos espadas e armas que atravessam as vestes dos personagens, movimentação deslizante pelos cenários (os protagonistas literalmente deslizam ao se deslocarem para as laterais) e o famoso efeito pop-in, de objetos que somem e ressurgem na tela conforme você se desloca ou vira a câmera. Em algumas cenas é possível ver árvores inteiras — ou até mesmo o sombreado dos prédios — sumirem, para reaparecer segundos depois.

Movimentos truncados

A jogabilidade da série Dynasty Warriors se resume a saltos, “dashes” e pancadas, sem qualquer variação que faça diferença. Como o principal objetivo do jogo é eliminar as infinitas ondas de oponentes que chegam à sua direção, um sistema mais refinado de combate deveria entrar em cena. Infelizmente, o que se vê é só a necessidade de pressionar um botão até praticamente quebrá-lo...

Vale notar que o sistema de mira automática (Lock on) não se comporta como esperado, ou seja, você passará bom tempo brigando para mudar de alvo e escolhendo alguém que realmente importa no combate. O problema é que com essa distração você fica aberto e pode acabar morrendo... Frustrado com a câmera que não virou como você queria!

Muita repetição

Não é só em termos de jogabilidade que o jogo se repete. As missões apontam, invariavelmente, para a destruição dos oponentes. Em raros casos você é agraciado com a coleta de um item, ou com invasões em tempo recorde que exigem que as forças inimigas sejam, na realidade, dribladas.

Depois de atravessar alguns capítulos e de matar mais de quinze mil soldados (para ter que fazer tudo de novo na missão seguinte), você começará a se perguntar se vale mesmo a pena prosseguir pela narrativa, tendo como principal atrativo as modificações de equipamentos e de habilidades.

Apresentação entediante

As passagens animadas consistem, em sua grande maioria, em fotografias com sobreposição de texto e ligeiras explicações acerca dos conflitos que assolam os territórios do game. É óbvio que todos os envolvidos têm seus motivos para entrar na luta (seja pela pura demonstração de força ou pela conquista territorial), mas a Koei não fez um bom trabalho em contar os detalhes.

As vozes americanas parecem não carregar nenhuma emoção, se apresentando desconexas do que se passa na tela. Por fim, não há praticamente nenhum aspecto de exploração (já que os cenários se resumem a labirintos cercados por paredes invisíveis).

63 ps3
Regular

Outras Plataformas

63 xbox-360