E quem disse que só porque o motivo é religioso a porrada não pode comer solta?

Em El Shaddai: Ascension of the Metatron, o jogador assume o papel de Enoch (ou algum dos outros 71 nomes diferentes pelo qual ele é chamado), um homem escolhido pelos céus para reaver sete anjos decaídos que vêm corrompendo a humanidade. Para isso, contará com a ajuda de seu guardião Lucifell (ele mesmo, antes de mudar de lado) e mais quatro arcanjos.

Logo no início do game já se pode ver que a história é uma releitura de uma passagem bíblica, com o nome bem parecido. Ora Sidescroller, ora plataforma e às vezes um Hack´n´Slash, Enoch vai visitar sete andares da torre que desafia o poder divino.

O título da Ignition Entertainment tem uma campanha para um único jogador de mais ou menos 12 horas. Depois que os gamers finalizarem o jogo pela primeira vez, opções de novas roupagens, vídeos e novos itens são desbloqueados.

El Shaddai: Ascension of the Metatron é um jogo para receber dois títulos: belo e inovador. Com uma proposta para lá de estranha e mote perigoso (religioso), não resta dúvidas de que é uma experiência que tanto jogadores de PlayStation 3 quanto de Xbox 360 precisam ter. O título merece sim uma boa chance.

Regozijo visual

O primeiro grande ponto a se notar em El Shaddai: Ascension of the Metatron é o visual. Os gráficos? Não exatamente. Tecnicamente, o estilo cell shade não impressiona tanto assim. O vislumbre fica por conta da direção de arte muito bem trabalhada.

O game apresenta cenários com profundidade enorme, contornados por uma infinidade de cores. E tem muito mais. As texturas variam dependendo da fase em que se está. No submundo, a paisagem é construída por ume espécie de fumaça densa, formada por rabiscos.

Artisticamente é um dos games mais impressionantes dos últimos tempos. A profundidade dos cenários nas três dimensões é fabulosa. Enoch geralmente anda sobre plataformas ou caminhos estreitos, enquanto ao seu redor imensidões são projetadas, surgindo adereços conforme o percurso evolui.

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Destaque especial para as animações. Elas geralmente ocorrem no fundo, em forma de sombras ou pinturas ou alguma outra forma de surpreender o jogador, enquanto um “loading” aparece no canto direito da tela. Nesses momentos o jogador deve avançar no caminho, por vezes tendo que combater inimigos. Esse quesito é realmente inovador no mundo dos games.

Mudanças de estilo

El Shaddai é um jogo de ação propriamente dito. Por inúmeras (e trabalhosas) vezes, Enoch precisa subir em pontes móveis, pular em pêndulos gigantes para conseguir alcançar superfícies mais altas.

Não raramente, superfícies planas arredondadas se tornam campo de batalhas. É exatamente nesse momento que o game se transforma em um Hack´n Slash, sendo que Enoch vai usar cada uma das três armas existentes para obliterar os adversários.

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Não só estilos de gênero são variáveis. Os cenários oscilam em cores berrantes e exageradas, como os animes japoneses, outras vezes fazendo referências aos grandes ambientes com estátuas enormes de God of War. Sem esquecer as passagens pelos coloridos e doces mundos que remetem muito aos percursos de Super Mario World.

Trilha complementar

A trilha sonora não é um espetáculo a parte, como o visual do game, mas com certeza ela contribui de maneira impecável para a construção da jogabilidade. Como característica de filmes sérios e austeros, as músicas do game são complementares ao caráter religioso da obra, empenhando um “que” cinematográfico. Em outras palavras, caso a TV esteja sem som, o game fica grandemente incompleto.

Entre razões e emoções

Cada passo no ambiente de El Shaddai: Ascension of the Metatron é guiado pela sensação de estar participando de uma trama real. Talvez pelo caráter religioso do game, talvez pela profundidade dos eventos envolvidos.

“Itens para que vos quero”?

Um dos notáveis problemas do game é a falta de objetividade e resultados notáveis com a coleta de itens. Os objetos brilhantes estão lá, por todo o cenário, mas para que pegá-los? O jogo promete uma evolução automática, personalizando as habilidades de Enoch baseado na forma com que cada um joga.

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Porém essas mudanças não são facilmente notáveis. Por exemplo, existem apenas três armas no game: um arco (similar a um sabre de luz), um escudo (que se divide em dois e serve como grandes punhos) e uma circunferência que permite atirar projéteis. Em nenhum momento você pode aumentar o alcance dos tiros ou a força da porrada.

Ou mesmo a vida do personagem. Mesmo ficando claro que a proposta do game é tornar “tudo simples”, inclusive sem a presença de interface com o jogador (barras de vida, especial ou quaisquer outras simplesmente não existem), falta retorno mais visível.

Vários inimigos diferentes = 4

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Mesmo com toda variação de jogabilidade e cenários, o game peca feio na variação. As sete missões pelos 11 capítulos do game se resumem em seguir pela fase pulando de plataforma em plataforma, até atingir uma superfície plana de formato redondo.

Esse local será palco para uma luta contra alguns inimigos, que aparecem em duplas, até que a morte dos algozes permita continuar avançando. Algum tempo depois, Enoch vai se defrontar com um subchefe e posteriormente com o demônio a ser capturado. Este, em geral, possui duas formas.

Com exceção do capítulo sete, no qual o jogador pilota uma super moto, pode-se repetir a fórmula em cada um dos 11 capítulos. Também falta balanceamento na dificuldade das batalhas. Muitas vezes vencer simples inimigos é mais trabalhoso e difícil do que os grandes chefes.

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80 ps3
Ótimo

Outras Plataformas

80 xbox-360