Análise de Etrian Odyssey IV: Legends of the Titan

Uma homenagem às raízes dos RPGs japoneses

Primeiro capítulo da série Etrian Odyssey a chegar ao Nintendo 3DS, Legends of the Titan mantém muito dos elementos que ajudam a franquia a se consagrar entre os fãs dos RPGs orientais. Porém, graças ao poder oferecido pelo portátil, o game ganhou diversas melhorias em sua parte gráfica e, principalmente, em sua trilha sonora.

Toda a aventura é embasada em uma premissa bastante simples: existe no mundo uma árvore mágica conhecida como Yggdrasil, cuja conquista é o sonho de qualquer aventureiro. Porém, graças às propriedades mágicas do mundo, ninguém conseguiu chegar até lá — o que não vai impedir você de tentar fazer isso.


Partindo disso, cabe ao jogador montar um grupo constituído por cinco guerreiros com profissões diferentes (divididos em duas fileiras de combate) para explorar o mundo de Etrian Odyssey IV. No meio do caminho, aguardam por você tesouros, monstros e outros aventureiros que vão ajudá-lo a chegar a seu objetivo.

Decidir se vale a pena adicionar Etrian Odyssey IV: Legends of the Titan à sua biblioteca do Nintendo 3DS é algo que depende de sua experiência como jogador de RPGs japoneses. Caso você esteja habituado à origem do gênero e goste de games em que a exploração e o combate são os principais elementos, não há como se decepcionar com o título.

Img_normalNo entanto, se para você o gênero é sinônimo de gráficos arrebatadores, histórias complexas e personagens bem desenvolvidos, esse não é o jogo para você. A aposta em uma fórmula mais tradicional faz com que o game apele para um público bastante específico que sabe exatamente o tipo de aventura que lhe agrada.

Caso você decida adquirir o título, recomendamos buscar sua versão limitada, que acompanha um pequeno livreto com artes conceituais e um CD com algumas de suas composições. Apesar de isso obrigar o jogador a apostar na compra da versão física do jogo, a qualidade das músicas presentes no disco compensa em muito o trabalho extra em que isso pode resultar.

RPG de raiz

Enquanto muitas séries de RPG apostam em mudanças de jogabilidade e reduções no nível de dificuldade para atrair jogadores (Final Fantasy XIII, estou falando com você), Etrian Odyssey IV: Legends of the Titan sabe muito bem quem é seu público. O game não tem nenhum medo de incorporar convenções “antiquadas”, priorizando muito mais os combates e a exploração do que histórias mirabolantes e cenas não interativas complexas.

Além de não apresentar um protagonista bem definido (seu grupo é formado por personagens cujas personalidades e aparências você mesmo define), o jogo sequer mostra seu grupo na tela. Todos os labirintos são explorados em uma visão em primeira pessoa, sem que os inimigos comuns apareçam na tela.

Img_normalO jogo também segue a convenção japonesa de batalhas em turno, nas quais o jogador define as ações de seus personagens antes que a ação aconteça. Apesar de parecer simples, esse sistema apresenta uma dose notável de planejamento, principalmente em batalhas contra chefes — ao contrário de outros games do gênero, mudanças de estado (como envenenamentos ou paralisias) realmente funcionam de forma eficiente.

O game segue tão a fundo os princípios mais tradicionais do gênero que sequer conta com um mapa automático. Felizmente, ele disponibiliza a tela inferior do portátil para que você possa desenhar os caminhos pelos quais passa, incluindo a possibilidade de fazer anotações ou adicionar ícones que indicam a presença de armadilhas ou itens escondidos.

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A principal diferença incorporada pelo jogo é a presença de adversários conhecidos como FOEs, que surgem na forma de criaturas gigantes que rondam o mapa. Esses inimigos representam alguns dos maiores desafios do game, e, ao menos no começo da aventura, é recomendado evitá-los a todo custo.

Aventura desafiante

Outro ponto no qual Etrian Odyssey IV se destaca em relação a outros RPGs modernos é em sua dificuldade. Mesmo quem optar pela dificuldade casual vai enfrentar alguns problemas na hora de progredir no título, que não dá folga para aventureiros descuidados ou pessoas não habituadas ao gênero.

Mais do que servir como uma forma de barrar o progresso do jogador, a dificuldade acentuada do título serve como um estímulo para você avançar na exploração dos labirintos. Afinal, nada mais gratificante do que, após um treinamento intenso, finalmente conseguir derrotar aquele chefe que estava massacrando facilmente sua equipe até alguns minutos atrás.

Trilha sonora excepcional

Quem já ouviu falar de Yuzo Koshiro e possui familiaridade com seu trabalho já sabe o que esperar da qualidade sonora de Etrian Odyssey IV: Legends of the Titan. Responsável pela trilha sonora dos capítulos anteriores da série (e aquela vista em jogos como Streets of Rage, ActRaiser e Shenmue), o compositor entrega aqui um de seus melhores trabalhos.

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Ao abandonar as músicas em MIDI e incorporar orquestrações, o game supera facilmente qualquer um de seus predecessores no quesito sonoro. As músicas incluídas no jogo combinam muito bem com cada um de seus ambientes, ocupando um lugar agradável na memória mesmo depois de você fechar o Nintendo 3DS.

Para realmente aproveitar o trabalho de Koshiro, recomendamos que você use um fone de ouvido de qualidade para jogar, já que o hardware do portátil tende a dar prioridade a sons agudos. Caso possível, procure adquirir a versão limitada do game, que acompanha um CD com versões preliminares de algumas das músicas mais marcantes da aventura.

Aposta grande demais no saudosismo

A grande qualidade de Etrian Odyssey IV: Legends of the Titan também acaba sendo seu principal defeito. Ao apostar no uso da mesma fórmula presente em RPGs antigos, o game se mostra capaz de alienar uma fatia grande do público, acostumada a títulos com dificuldade mais amena e recursos de jogabilidade com uma complexidade maior.Img_normalPorém, o ponto que mais deve desagradar quem está acostumado com jogos mais modernos é a falta quase completa de uma história. Apesar de o game apresentar diversos personagens recorrentes e uma ou outra reviravolta, em geral é possível ignorar tudo o que é falado sem qualquer prejuízo para a compreensão do que está acontecendo.

Assim, quem acredita que RPGs são veículos ideais para o desenvolvimento de personagens complexos com arcos bem fechados vai se decepcionar com o quarto capítulo da série. Da mesma forma, não espere encontrar aqui mecânicas que se mostram capazes de revolucionar o gênero.

Evolução gráfica discreta

Embora Etrian Odyssey IV possa ser considerado facilmente o capítulo mais bonito de toda a série, infelizmente isso não quer dizer muito em um panorama mais geral. Comparado a outros RPGs para o Nintendo 3DS (como Tales of the Abyss e Fire Emblem: Awakening), fica claro que o jogo não utiliza muito bem o potencial do hardware do portátil.

Img_normalAlém de apresentar modelos de personagens pouco detalhados e praticamente sem texturas, o jogo conta com uma variedade de modelos bastante discretas. Quanto mais você joga, mais fica evidente os tropeços que a apresentação do jogo dá: depois de horas explorando um labirinto, é difícil não perceber que suas paredes são formadas meramente por imagens estáticas de baixa qualidade interligadas.

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