Prepare o seu pau de fogo e encare o exército dos mortos.

Em 1981 o diretor Sam Raimi (o mesmo dos filmes do Homem-Aranha) apresentou ao mundo uma de suas obras primas. Evil Dead — conhecido no Brasil como, A morte do demônio. O filme “trash” conquistou uma legião de fãs que elevaram o título ao status de “cult”, gerando assim duas continuações e uma série de subprodutos.

O filme sobre um grupo de jovens que acidentalmente despertam uma força sobrenatural chocou a todos com o seu visual visceral. Suas continuações Evil Dead 2: Dead by Dawn (Uma Noite Alucinante) e Evil Dead III: Army of Darkness (Uma Noite Alucinante 3) expandiram a mitologia e consagram o nome de Raimi e Bruce Campbel entre os fãs do cinema “alternativo”.

Desenvolvido com apoio total dos criadores da marca Evil Dead (Sam Raimi, Robert Tapert e Bruce Campbell), Evil Dead: A Fistful of Boomstick permite que o jogador entre no mundo fantástico no qual Ash (o homem com a mão de moto-serra) batalha incansavelmente contra as forças dos Deadites.

A Fistful of Boomstick mistura os elementos dos filmes, com uma jogabilidade atraente e gráficos condizentes, criando um título singular que pode agradar a vários jogadores (mesmo que não explore todo o potencial do PS2).


Pau de fogo!


Quem já jogou State of Emergency certamente irá reparar nas similaridades da engine. Porém assim que a ação começa você percebe que as semelhanças param por ai. Dilacerando Dedites (nome dos inimigos) com a sua moto-serra (engenhosamente presa a sua mão direita) ou decapitando mortos-vivos com o seu “pau de fogo” (boomstick — apelido carinhoso da escopeta de cano serrado).

A jogabilidade é consistente e não fica atrás de nenhum outro título do PlayStation 2. Aliada a isso o jogo ainda explora de forma inteligente a mitologia criada por Sam Raimi, sem deixar de lado o bom humor próprio da série cinematográfica.

A premissa básica do jogo e dos filmes gira em torno do livro dos mortos (o Necronomicon Ex-Mortis), escrito com sangue e impresso em carne, o livro é capaz de trazer os mortos de volta a vida, abrindo uma passagem para o mundo dos Dedites.


Toma doze na cara zumbi otário! Na pele de Ash, um jovem funcionário de um mercadinho local, você é envolto na trama sobrenatural que pode por um fim a toda a humanidade. Isso porque o livro, quando lido em voz alta desperta uma sorte de espíritos malignos.

Até então o herói relutante só havia enfrentando pequenas levas de Dedites (espíritos conjurados que possuem o corpo dos vivos), já que o livro fora lido somente em áreas poupo povoadas. Entretanto em Fitfull of Boomstick um professor universitário resolve ler o livro em um programa de televisão transmitido para toda a cidade. Em outras palavras, as legiões do inverno agora
perambulam pelas ruas da pacata cidade estadunidense.

Cura para feiúra... tiro de 12 na cara!

Para eliminar o terror dos Dedites você tem a sua disposição um variado e inventivo arsenal. Além da poderosa escopeta de cano serrado, Ash também conta com uma pistola e até mesmo uma pá.

Além disso, você também pode explorar uma série de “upgrades” que são conectados na sua mão decepada. Entre eles estão à boa e velha moto-serra, um lança chamas e uma metralhadora giratória.  

Mas isso não é tudo, quando a munição estiver escassa você também poderá utilizar uma conveniente lista de feitiços (que se encontram espalhados pelo cenário). Esses encantos são ativados através de um simples mini-game no qual você deve executar a sequência correta de botões para ativar o poder. Os poderes variam de power-ups (como aumento momentâneo da sua força) a ataques diretos e em área.

A trama do jogo é dividida em vários capítulos a ação se desenrola na forma de vários mini-objetivos. Na realidade o grande trunfo do jogo é justamente a sua história e os “bordões” de Ash que dão uma cor toda especial a ação.

Trash

Os gráficos de Boomstick não exatamente o melhor aspecto do jogo, porém não ficam muito aquém do que se espera de um título do saudoso PlayStation 2. Os níveis são sinistros e justamente por conta da ambientação a iluminação é escassa e os modelos não apresentam muita definição, mesmo porque contam com poucos polígonos na sua construção.

As texturas são simples, porém funcionais, realmente não são nenhum primor técnico, mas não prejudicam a apreciação do jogo. Um destaque fica para o protagonista, o modelo de Ash recebeu um tratamento especial e é de longe o modelo mais belo do jogo.

Os gráficos são totalmente em 3D e a câmera segue a ação de perto, sem grandes complicações. Além disso, as CGs oferecem uma qualidade bem superior ao resto do título mostrado boa parte do poderio gráfico do PS2.

A trilha sonora é um dos pontos altos já que conta com o trabalho de voz do icônico Bruce Campbell. A estrela da trilogia cinematográfica Evil Dead e parceiro de longa data do diretor Sam Raimi (com aparições na trilogia Homem-Aranha e nas séries Xena, Hercules e Brisco Jr., todas produzidas por Raimi), empresta sua voz para o jogo que traz de volta alguns dos melhores bordões que o cinema já viu.




Recompensador

Certamente esse não é um jogo para todos, mesmo que com vários atributos ele só revela seu real potencial aos fãs da série Evil Dead, que podem acompanhar um novo capítulo da saga de Ash.

Mesmo assim, o título oferece aproximadamente 15 horas de jogo e não fica muito atrás de outros títulos do gênero, portanto sendo uma locação garantida para os fãs de jogos de ação/aventura.

Evil Dead: A Fistful of Boomstick é interessante e repleto de referências aos filmes que conquistaram uma geração. Quem gosta dos filmes não pode deixar de conferir esse jogo.

70 ps2
Bom