Mesmo com alguns problemas, Fable III fará você se sentir como um rei

O mundo de Fable é um mundo de promessas. Antes mesmo do lançamento do primeiro jogo da série, em 2004, Peter Molyneux, responsável pelo game, já fazia várias previsões positivas para o futuro da franquia. Fable foi divulgado de maneira exaustiva pelo próprio Molyneux, que chegou a comentar que esse seria “o melhor jogo de todos os tempos”. Contudo, quando o game chegou às lojas, muito do que foi dito pelo líder da Lionhead Studios, a desenvolvedora do título, acabou indo por água abaixo.

Não, não estamos dizendo que o primeiro Fable é um jogo ruim ou mediano. O título realmente marcou a indústria dos games, mas não da forma especulada por Molyneux. Fable foi um sucesso de vendas, tanto no PC quanto no Xbox, e também nas críticas, ganhando uma legião de fãs ao redor do mundo.

Afinal, não poderia ser diferente, já que, mesmo com alguns escorregões, a Lionhead Studios conseguiu criar uma fórmula inovadora em um RPG de ação situado num mundo aberto, fornecendo inúmeras possibilidades ao jogador. Como se não bastasse, o game era extremamente caprichado, com uma direção de arte fenomenal e uma trilha sonora de ninguém menos que Danny Elfman — compositor do tema de "Os Simpsons" e de diversos filmes do diretor Tim Burton.

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Não seria surpreendente se uma sequência fosse anunciada. E foi isso que aconteceu. A Microsoft garantiu que seu console de sétima geração, o Xbox 360, receberia um novo jogo da série. Depois de mais promessas, Fable II chega à caixa em 2008, e, mesmo não sendo perfeito, torna-se um dos grandes games exclusivos da plataforma.

Os maiores problemas do segundo Fable eram técnicos, como bugs, arquivos corruptos e até mesmo desaparecimento de esposas — algo que impedia o jogador de terminar a quest final. A Lionhead Studios correu atrás e tentou corrigir os problemas que assolaram os jogadores, lançando conteúdos extras para download sem cobrar nada — tudo para acalmar os ânimos.

O sucesso do segundo game, considerado por muitos uma obra superior a original, levou a Lionhead Studios a trabalhar em mais um jogo da série. Finalmente, Fable III é anunciado durante a Gamescom de 2009, com Peter Molyneux, mais uma vez, esquentando o ânimo do público com promessas e, é claro, muito hype.

Agora, chega o momento da verdade. Será que Fable III é apenas fogo de palha? Ou a revolução finalmente chegou? As respostas você confere aqui, na análise do TecMundo Games. “Que comece a nossa história”.

Fable III é um jogo muito divertido. Mesmo com alguns problemas técnicos, o título consegue cativar os gamers com sua história dinâmica, uma direção de arte espetacular e sua acessibilidade. Os fãs de Fable II podem conferir uma versão aprimorada, enquanto os novatos da franquia certamente se surpreenderão com o universo concebido por Peter Molyneux.

A apresentação

Não há como negar que um dos elementos que mais chama a atenção em toda a franquia Fable é a apresentação. Desde o primeiro jogo, Molyneux conseguiu criar uma experiência totalmente envolvente, tanto na jogabilidade quanto nas cenas de corte e, obviamente, na trama. Em Fable III, felizmente, as coisas não são diferentes.

Você nem precisa ter o jogo em seu Xbox 360 para saber do que estamos falando. Basta observar o maravilhoso vídeo de introdução para ter uma ideia do que o universo de Fable é capaz. Toda a ambientação é simplesmente maravilhosa, concebida por cenários marcantes e personagens cheios de carisma.

Novamente, temos uma equipe formada por atores de excelente qualidade, gerando diálogos e falas que se destacam como as melhores do universo do entretenimento eletrônico. Vale mencionar também que o humor continua firme e forte, preenchido por sarcasmo e pitadas de humor negro.

Tudo isso contribui para que você realmente se sinta dentro do game. São os pequenos detalhes, como os cartazes publicitários que aparecem nas telas de carregamento, que tornam Fable III ainda mais interessante, criando uma experiência descontraída e totalmente agradável.

Mas, qual é toda a história por trás do game? Bem, podemos admitir que não se trata de nenhum roteiro inovador. A trama é simples, podendo ser considerada até mesmo clichê. Meio século após os eventos do segundo jogo, a Era Industrial chega a Albion, a cidade encantada de Fable.

Junto com as maravilhas tecnológicas também surge a opressão, a falta de esperança e a fome. Tudo fica ainda pior graças a um tirano impiedoso, que, na realidade, é o filho do herói de Fable II, que senta-se no trono de Albion. Com ele, os problemas ficam ainda piores, pois a ambição domina a mente do rei. A cidade precisa de um novo herói, e é aí que você entra.

Logo no início do game, você tem a chance de escolher seu sexo. É possível ser um príncipe ou uma princesa e, independentemente da escolha, seu personagem sempre será o irmão do rei. Seu objetivo é bem simples: acabar com os tempos de terror em Albion. Para isso, contudo, será necessário unir uma legião de seguidores.

Como é possível perceber, temos aqui um típico conto de fadas. Mas, felizmente, Fable III consegue disfarçar seus clichês com a possibilidade de traçar seu próprio caminho, algo já conhecido pelos fãs da série. No terceiro jogo, contudo, as escolhas estão ainda mais impactantes.

Um exemplo que justifica isso acontece logo nos primeiros minutos do game. Após alguns problemas no reino, o jogador é obrigado a escolher se deseja sacrificar sua grande amiga ou um grupo de cidadãos. Sua escolha influencia nos momentos posteriores, e você certamente vai pensar bem antes de decidir qualquer coisa, provando que a fórmula de Fable III é um sucesso. Essa interação com o jogador ultrapassa os limites do controle e consegue criar uma experiência mais humana e personalizada. Mais uma vez, ponto para a Lionhead Studios.

Tipicamente Fable

Ok, então nós temos o bom e velho sistema de escolhas e uma história repleta de humor. Mas, e quanto à jogabilidade? Para a felicidade dos fãs, Fable III traz um esquema de jogo bem semelhante ao seu antecessor. Você participa de quests de toda sorte, enfrenta inimigos (desde Hobbes até os Balverines), coleta itens e tesouros, explora o mundo e encontra muitas pseudopersonalidades.

Em suma, a fórmula continua muito divertida. Fable III é ainda mais acessível que seu antecessor, o que significa que você dificilmente terá problemas durante os combates, por exemplo. Falando nisso, o jogo oferece três tipos de ataques diferentes: mágico, melee e à distância.

A magia é recebida logo no inicio do game, quando o personagem é presenteado com uma luva que permite ao seu portador lançar bolas de fogo — sim, é quase um hadoken. Êpa, mas, luvas? Quem jogou Fable II provavelmente não deve se lembrar de nenhum tipo de luva quando lançava suas magias.

Acontece que, em Fable III, a Lionhead Studios decidiu seguir um caminho diferente — tudo para deixar a experiência ainda mais simples, acredite. Aqui, cada tipo de magia só pode ser acionado com sua luva específica. Quer usar fogo? Então equipe a luva correspondente. O mesmo acontece com a eletricidade, a tempestade de gelo e o vórtex.

“Então, eu só posso usar um tipo de magia por vez?”, você se pergunta, desesperado. Calma, pois Peter Molyneux e sua turma sabem que os humanos possuem duas mãos. Sendo assim, o jogo permite que seu personagem equipe duas luvas diferentes, trazendo vários tipos de combinações mágicas distintas.

O jogador pode lançar seus ataques diretamente contra os oponentes, movendo o analógico, ou então usar a magia para atingir vários inimigos que se encontram na circunferência que surge na tela. Também é possível carregar o golpe para um resultado ainda mais devastador. É interessante conferir as combinações possíveis e o poder das magias, que, sem dúvidas, caem como uma luva — com o perdão do trocadilho — para a pancadaria de Fable III.

O outro ataque, corporal, é executado com o botão X, e continua intuitivo como sempre. O jogador pode escolher entre uma espada e um martelo de combate no início, mas as armas são aprimoradas conforme o gamer as utiliza. Basicamente, elas evoluem, ganhando mais força e um novo visual, tornando-se excelentes para quando as coisas apertam.

Por último, mas não menos importantes, temos as armas de fogo — os ataques à distância. Assim como em Fable II, o jogador pode utilizar rifles e pistolas para aniquilar seus oponentes de modo semelhante às magias — mas sem a possibilidade de atacar vários inimigos em uma circunferência.

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Seja qual for seu ataque predileto, você pode ter certeza que utilizará, e muito, cada um deles. É realmente bacana combinar todas as possibilidades de aniquilação durante os combates, pois o resultado é um verdadeiro show de acrobacias e brutalidade. Novamente, o combate é bem simples e você dificilmente morrerá durante os conflitos. Mas isso não o torna chato.

Ainda mais acessível

Não há como negar que Fable III traz muitos elementos de seu predecessor. À primeira vista, é quase que o mesmo jogo com uma história diferente. Entretanto, temos vários detalhes que mostram o duro trabalho da Lionhead Studios para aperfeiçoar a franquia.

Primeiramente, Fable III está muito mais acessível do que os dois jogos anteirores — algo que nem sempre é bem-vindo para quem é fã de longa data do game (confira nos contras). Foram-se embora os menus cheios de textos e opções ramificadas. Em seu lugar, temos uma sala interativa, que serve como inventário, menu de opções, armário e muito mais. Em suma, o menu de pausa de Fable II se transformou em algo virtualmente palpável.

Ao pressionar Start, o jogador é transportado para uma sala que se liga a várias saídas, cada uma representando um menu de opções. No salão principal, há  o acesso ao mapa, em que é possível conferir a lista de quests, se transportar para qualquer lugar já visitado e muito mais. Tudo através de uma interface que exibe o mapa como uma maquete, deixando a navegação ainda mais intuitiva.

Além dessa sala, também é possível acessar o salão das conquistas, das armas e magias, das vestimentas e o das opções para o modo multiplayer. Ao entrar em qualquer um desses, você visualizará os itens e as opções. Para interagir com elas, basta se aproximar e acioná-las com um simples toque no botão.

Para trocar de roupa, por exemplo, tudo que você tem de fazer é se aproximar da peça e pressionar X. O mesmo vale para as armas, que aparecem em displays para facilitar a visualização. Como se não bastasse, aqui você também confere mais informações sobre os itens, como poder e valor.

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No início, você pode até estranhar, mas depois que você se acostuma com esse menu, nós garantimos que tudo será mais fácil. Jasper, seu fiel mordomo, também está sempre à disposição para tirar todas as suas dúvidas.

Este não é o único elemento que diferencia Fable III dos demais RPGs. Aqui, você não encontra a famosa barra de energia, o que ajuda o jogador a manter-se concentrado no game e não nos números. Outros elementos típicos do gênero que não aparecem aqui incluem a famosa árvore de habilidades e o sistema de nivelamento.

Mas, então como ganho novas armas? Basta visitar a Road to Rule. Esse local sagrado, habitado por Theresa, de Fable II, é onde você vai desbloquear novas habilidades, expressões e muito mais. Aqui o jogador encontra vários baús, cada um com um valor atribuído. Para abri-los, é necessário utilizar as Guild Seals, que são como pontos de experiência e podem ser obtidos fazendo praticamente qualquer coisa no game — desde lutar até conversar com alguns cidadãos.

Entretanto, é melhor pensar bem qual das habilidades serão desbloqueadas, pois é necessário muito trabalho e tempo de jogo para abrir todas elas. Adquirir novos seguidores também é um excelente negócio para ganhar muitas Guild Seals. No final deste caminho, você finalmente será o rei.

Grandes poderes trazem grandes responsabilidades

Fable III trouxe vários aprimoramentos à excelente fórmula do segundo jogo, mas isso é tudo? Não. Quando você acha que já viu de tudo, a Lionhead Studios surpreende. Nos contos de fadas comuns, as histórias se acabam quando o herói finalmente vira rei. Entretanto, aqui as coisas são diferentes.

Depois de reunir vários seguidores e fazer muitas promessas, chega a hora de administrar o reino. E é aí que entram as verdadeiras decisões do jogo, que assumem grandes consequências. Eis uma porção do game que é realmente única, jamais vista na franquia e muito bem-vinda.

São estes momentos decisivos que geram as partes mais tensas do game. Novamente, em combate, Fable III não é nem um pouco difícil e é bem provável que você nem chegue a morrer durante toda sua jornada. Contudo, quando você deve escolher entre construir algo ou ficar com o dinheiro, as coisas se complicam. É aqui que você realmente vai descobrir se seu personagem — ou você — é uma pessoa de má ou boa índole.

Liberdade

E se eu quiser simplesmente ignorar a campanha e fazer minha própria história em Fable III? Sem problemas, vá explorar Albion. O jogo traz muitas quests secundárias, muitas delas desbloqueadas apenas quando o jogador adquire um certo nível de amizade com os cidadãos. Essas quests variam desde simples objetivos que envolvem procurar e pegar um determinado item até missões mais distintas e hilariantes. Basta escolher sua favorita.

Não quer fazer as missões? Beleza, você pode construir sua família, assassinar os pobres cidadãos, fazer “bicos” em trabalhos esquisitos, comprar lojas ou simplesmente personalizar o visual de seu personagem com cabelos, roupas, tatuagens e muito mais. Fable III traz muitas possibilidades além da missão principal, mas nunca se desprende do jogador, fazendo com que todas as suas ações sejam refletidas na atmosfera de Albion.

Tudo pode ficar ainda mais interessante se você decidir desfrutar do game ao lado de um amigo — ou até mesmo um desconhecido. Isso porque o modo multiplayer do título foi aprimorado, trazendo mais opções para os dois jogadores e aumentando o leque de possibilidades nas interações — vocês podem até se casar! O modo cooperativo local também retorna, mas continua limitado.

Quase lá

Para muitos, Fable III não traz tantas inovações como aconteceu no salto do primeiro para o segundo jogo. Para outros, o game simplificou demais a fórmula de Fable II, trocando os menus por elementos mais acessíveis. De fato, não há como negar que o jogo está cada vez mais simples, o que pode se tornar uma preocupação. Os novos menus interativos são muito mais acessíveis, mas não tão práticos para quem já tem a experiência em navegar nas opções. É o casual invadindo o mundo dos jogadores hardcore.

Novamente, a franquia sofre com os problemas técnicos. Bugs ainda assombram os jogadores de Albion, e alguns podem até causar momentos frustrantes, como quando o jogo trava. Além disso, os gráficos, mesmo artisticamente impressionantes, mostram-se datados, com modelagens cruas e carentes de texturas de qualidade. O mesmo vale para as animações, que estão cada vez mais estranhas.

A campanha principal poderia ser um pouco mais longa, principalmente nos momentos em que você é rei — a grande inovação do game. O sistema de magias, mesmo aprimorado, continua imperfeito, principalmente pelo fato de não poder trocar suas magias de maneira instantânea, algo que pode ser desculpado com as luvas do jogo e o abuso do recurso.

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