Um encontro com Jogos Mortais que quase deu certo

A série Fallout definitivamente já marcou a indústria do entretenimento eletrônico. Mesmo que você não conheça os dois primeiros títulos da franquia, que traziam uma fórmula bem diferente das versões atuais, não há como negar que a Bethesda Game Studios, responsável pelos jogos, conseguiu gerar experiências totalmente únicas.

Com Fallout 3, a série se tornou ainda mais popular, graças à ambiciosa ideia da desenvolvedora, que conseguiu misturar dois gêneros distintos num mesmo recipiente. O resultado é um FPS focado totalmente no RPG, com uma história riquíssima e uma atmosfera singular.

A campanha do título, reforçada pelas missões secundárias, já rendia mais de 20 horas de diversão aos jogadores. Além disso, o fato de se tratar de um título com um mundo aberto rendeu ainda mais tempo ao lado de Wasteland D.C., a destruída metrópole que assume o papel de palco em Fallout 3.

Mesmo assim, não demorou muito para que muitos jogadores sentissem aquela sede por mais conteúdo deste universo. Ciente disso, a Bethesda decidiu trazer várias expansões para o terceiro jogo, aprimorando ainda mais a já extensa aventura.

Ao todo, tivemos cinco expansões diferentes: Operation: Anchorage, The Pitt, Broken Steel, Point Lookout e Mothership Zeta. Felizmente, cada uma delas trouxe bastante conteúdo interessante para o título, sendo muito bem recebidas tanto pelo público, quanto pela crítica especializada.

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Sem dúvidas, a grande sacada da Bethesda para as expansões foi gerar experiências bem diferentes do que poderia ser encontrado dentro do próprio game. Não se tratavam apenas de simples missões adicionais, mas sim de novas pequenas campanhas inteiras, com uma trama completa por trás dos objetivos.

A chegada de Fallout: New Vegas, um spin-off de Fallout 3, fez muitos jogadores se perguntarem se a Bethesda seguiria a mesma estratégia do game predecessor. E, para a felicidade dos fãs, a resposta já está em nossas mãos e se chama Dead Money.

A primeira expansão de New Vegas tinha em suas costas a difícil tarefa de se sair tão bem quanto as disponibilizadas em Fallout 3. Agora, chega a hora de conferir se esta nova viagem aos confins de Mojave Wasteland realmente vale a pena.

Dead Money, assim como os demais DLCs da franquia, consegue trazer uma experiência bem diferente do que foi visto na campanha principal de New Vegas. Até mesmo alguns itens e novos personagens surgem no conteúdo para download, que rende uma jogatina de aproximadamente 5 horas.

Infelizmente, nem tudo saiu como deveria, e a expansão acaba pecando no design de níveis e na própria proposta, que acaba se tornando repetitiva. E, como sempre, a engine do game mostra várias inconveniências, que são notadas claramente durante a experiência de Dead Money.

Como acessar o DLC

Antes de começarmos a destrinchar o game, vale a pena mencionar o modo de funcionamento do DLC. Se você nunca desfrutou de um conteúdo para download de Fallout 3, então provavelmente ficará perdido quando quiser executar sua mais nova aquisição.

Ao contrário da maioria dos jogos, no qual tudo que você tem de fazer é executar a própria expansão para jogá-la — seja na dashboard ou então em uma opção no menu do jogo —, Fallout traz uma metodologia um pouco distinta.

Basicamente, o jogador deve entrar em um de seus jogos salvos ou começar uma nova partida para poder, então, acessar o DLC. No caso de Dead Money, você será notificado com uma mensagem logo quando entrar no game, avisando que a localização e a missão foram adicionadas ao seu PIP-Boy — o conveniente centro de informações exibido digitalmente através de um dispositivo preso a seu braço.

Depois disso, basta ir até o local indicado para acionar o DLC. Isso pode render alguns problemas para quem acabou de começar um novo jogo e deseja conferir o conteúdo recém-comprado, já que é necessário caminhar bastante e enfrentar vários desafios para alcançar a expansão. Então é melhor ir se preparando para Dead Money antes mesmo de iniciar essa nova aventura.

Vale a pena?

Dead Money traz uma atmosfera diferente de New Vegas, se aproximando bastante dos survival horrors e também da série Jogos Mortais. Mesmo assim, o jogo falha em providenciar uma experiência cativante em muitos momentos, pois traz eventos e missões repetitivas. Por US$ 9,99, contudo, fica difícil não recomendar um passeio ao lendário cassino de Sierra Madre.

Jogos mortais

Sem sombra de dúvidas, um dos aspectos mais interessantes da expansão é a sua trama. Afinal, não poderia ser diferente, já que a Bethesda possui a tradição de trazer excelentes narrativas, como vimos em Fallout 3 e no próprio New Vegas. Felizmente, aqui, o nível de qualidade se mantém no mesmo patamar das demais obras — dignas de uma adaptação literária.

Mas qual é o grande conflito de Dead Money? Bem, o próprio título já diz bastante a respeito da narrativa do DLC. Basicamente, durante os tempos em que o caos, a poeira e a radiação ainda não dominavam a cinzenta Mojave Wasteland, executivos planejavam o lançamento de um grandioso cassino: o Sierra Madre.

Seu projeto ambicioso envolvia construções arquitetônicas minuciosamente detalhadas com todas as maravilhas do então predominante Art Déco, além de salões enormes e tudo que um cassino convencional não poderia oferecer na época. Em poucas palavras, era como um Titanic no meio da terra.

Depois de pronto, começam os preparativos para uma inauguração tão ambiciosa quanto o próprio projeto. Celebridades do mundo todo dão seus testemunhos sobre a nova utopia dos jogos de azar, fortalecendo ainda mais a enorme Sierra Madre.

Contudo, ao contrário do que os empreendedores pensavam, nem tudo poderia ser contido por suas próprias mãos. Perto da data inaugural, a grande guerra que devastou todo o ambiente de Fallout 3 se inicia, impedindo eternamente a entrada de Sierra Madre no ramo dos cassinos. O Titanic dos jogos de azar mal viu a luz do dia e já estava afundado.

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Esquecido em meio às ruínas de Mojave Wasteland, Sierra Madre é o ponto principal de Dead Money. Ali, temos uma verdadeira fábrica de dinheiro que jamais funcionou. Pelo menos é isso que muitos achavam.

O fato é que a Sierra Madre está em atividade. Mas com atividades bem diferentes das de um simples cassino. O local agora funciona como o parque de diversões de um homem chamado Father Elijah. E podemos dizer tranquilamente que Elijah compartilha muitas semelhanças com Jigsaw, dos filmes da série Jogos Mortais.

O jogador acaba sendo capturado por uma das armadilhas de Elijah e então se torna um dos brinquedos da temida figura. Para piorar a situação, Elijah coloca um colar explosivo em seu pescoço, que fará seus miolos voarem pelos ares caso você não concorde com uma das ordens de seu novo mestre.

Você não é o primeiro a ser pego por Elijah. Diversos outros aventureiros já seguiram o sinal de rádio para localizar o cassino, mas quase todos falharam em cumprir as propostas de seu dono. Basicamente, seu objetivo é se infiltrar em Sierra Madre para roubar as riquezas que ainda restam no local.

Contudo, essa não será uma tarefa fácil, já que o local está infestado de armadilhas de toda sorte. Você encontrará minas, explosivos, armadilhas para ursos e até mesmo gases tóxicos que podem acabar rapidamente com suas vidas.

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Sendo assim, não sobra nenhuma escolha a não ser seguir as ordens de Elijah e encontrar os outros três sobreviventes para convencê-los a unir as forças e então cumprir a missão.

Além de uma trama bem interessante, Dead Money também se destaca por sua atmosfera. A obscura paleta de cores de Fallout se torna ainda mais intensa nos confins de Sierra Madre. Além disso, o jogador encontra inimigos que parecem ter saído diretamente de um survival horror.

Tudo isso é exaltado pelo desempenho dos personagens, que trazem bastante peculiaridade. Não há como não se lembrar do bipolar Dog, que devora cadáveres e é totalmente submisso até se transformar em God, um sofisticado ser de muita inteligência.

Em suma, é difícil não passar um bom tempo conversando com os personagens e descobrindo tudo o que for possível em relação a Sierra Madre em Dead Money.

Partindo para a briga

Além de uma trama típica de um filme de terror, Dead Money também traz uma jogabilidade pertinente ao gênero, com monstrengos que só podem ser finalizados quando desmembrados — alguém falou em Dead Space?

Felizmente, é aí que um dos elementos do game entra em ação: a cooperação. Você pode simplesmente tentar acabar com os inimigos por conta própria ou então contar com a ajuda de seus companheiros, que certamente facilitam todo o trabalho. Cada um de seus amigos conta com uma maneira distinta de lutar e é interessante explorar cada uma delas — embora você só possa se aventurar com um parceiro de cada vez.

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Conforme mencionamos anteriormente, a pequena vila construída exclusivamente para Sierra Madre é um local extremamente perigoso, cercado por armadilhas. Sendo assim, é melhor se preparar para encarnar uma espécie de membro do esquadrão antibombas. Você passará um bom tempo tendo que desarmar e desativar os perigos que estão espalhados por toda a parte. É melhor ser bem cauteloso, pois aqui não temos nada de “correr e atirar”.

Além disso, você deve se manter atento ao seu próprio colar, já que muitos locais contam com periféricos capazes de acionar a explosão em poucos segundos. Uma boa dica é recuar imediatamente quando começar a ouvir bipes que se aceleram. Sem dúvidas, você se sentirá na pele de uma das vítimas de Jigsaw.

Finalmente, Sierra Madre!

Conseguir acessar o lendário cassino de Sierra Madre é uma das experiências mais recompensadoras de Dead Money. Seus olhos vislumbrarão uma imensa variedade de cores e objetos, trazendo um enorme contraste com a paleta habitual do game. Além disso, aqui você também encontra inimigos holográficos que dão um novo tom ao esquema de jogabilidade da expansão.

Sierra Madre também traz sua própria grana, que são as moedas que seriam utilizadas no cassino. Com elas, o jogador adquire receitas e peças para criar suas próprias armas, incluindo novas belezinhas que só podem ser encontradas na expansão.

Repetindo o processo

Infelizmente, toda a tensão de Dead Money pode acabar indo por água abaixo após alguns minutos em Sierra Madre. Não há como negar que a proposta é bacana, trazendo diversidade para a fórmula. Contudo, o jogador acaba tendo que repetir as mesmas coisas várias vezes seguidas, resultando numa experiência em que tudo o que se tem a fazer é desarmar armadilhas e eliminar alguns inimigos.

Para piorar a situação, o design da vila de Sierra Madre não agrada muito. Você nota apenas corredores, todos bem parecidos e que farão você sentir dentro de um labirinto. Outro problema vem da própria nuvem de gás venenoso, que passa a se tornar um inconveniente por dificultar muito a visão e estar presente em praticamente todos os locais.

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Os inimigos holográficos do cassino, inicialmente, trazem uma boa impressão por se diferenciarem das criaturas encontradas lá fora. Contudo, é necessário usar a discrição para poder enfrentá-los de maneira adequada, e todos sabem que o modo stealth de Fallout não é dos melhores. O resultado é bem frustrante, já que você acaba sendo descoberto quando realmente não espera.

Temos ainda momentos em que Dead Money decide relembrar jogos de plataforma... E o resultado é catastrófico. A engine de Fallout definitivamente não foi feita para comportar a típica fórmula “pula-pula” e isso fica bem claro nestes momentos.

70 pc
Bom