Apenas uma expansão gigantesca ou muito mais do que isso?

Os RPGs ocidentais estão cada vez mais impactantes. Há cerca de uma década, o mundo só queria saber de títulos como Final Fantasy, Dragon Quest e outros exemplos de origem nipônica. Felizmente, o cenário mudou drasticamente, trazendo muito mais variedade ao público gamer. Sim, os JRPGs, como são conhecidos, continuam bombando, mas agora temos muitas outras opções interessantes.

Uma delas é a série Fallout, que, em 2008, ganhou grande atenção na mídia com Fallout 3. Aclamado pela crítica e pelos jogadores, o terceiro jogo da série trazia um universo riquíssimo, no qual o jogador encarnava um dos sobreviventes de um ataque nuclear que devastou todo o mundo.

O título trouxe muitas mecânicas inovadoras e, mesmo sendo na perspectiva de primeira pessoa, manteve alguns elementos clássicos do gênero. Uma combinação quase perfeita, se não fossem alguns probleminhas técnicos que acabaram denegrindo a experiência. Mesmo assim, não há como negar: Fallout 3 é um jogão.

Img_normalOs fãs puderam desfrutar de mais de 100 horas de jogo graças a uma campanha robusta e dezenas de missões secundárias. Como se não bastasse, a Bethesda, responsável pelo game, resolveu lançar várias expansões para manter os jogadores animados.

A maior surpresa, contudo, chegou com o anúncio de um novo jogo da série. Antes mesmo de lançar todas as expansões para Fallout 3, a companhia revelava Fallout: New Vegas, um game completamente novo e que seria vendido assim como qualquer outro. À primeira vista, a notícia não animou muito, principalmente pelo fato de Fallout 3 ainda ser recente — recebendo expansões. Será que teríamos apenas mais uma expansão disfarçada de jogo?

O TecMundo Games resolveu tirar a prova com a análise do game. Podemos afirmar que sim, Fallout: New Vegas tem muito em comum com o terceiro jogo da série. Entretanto, isso não é necessariamente algo ruim, já que estamos falando de um dos jogos mais aclamados pela crítica.

Em suma, Fallout: New Vegas é um presentão para os fãs e para quem nunca teve a oportunidade de conferir o terceiro jogo. Boa parte dos elementos que consagraram o jogo nesta geração continua intacta, mas ainda temos algumas melhorias e novidades. Infelizmente, alguns problemas também pegaram carona e a engine, a mesma do game anterior, começa a mostrar sua idade. Mesmo assim, nada que acabe com um dos títulos mais expressivos dos últimos anos.

Fallout: New Vegas é um excelente game para quem é fã da franquia e também para quem nunca teve a oportunidade de desfrutar do fenomenal Fallout 3. As semelhanças com o terceiro jogo da série estão por toda parte, mas temos várias novidades interessantes que aprimoram a fórmula já consagrada pela crítica e pelos jogadores. Ideal para quem ficou com aquele “gostinho de quero mais” quando completou Fallout 3.

Viva New Vegas!

Sem dúvidas, um dos fatores mais marcantes de Fallout: New Vegas, assim como do terceiro jogo da série, é a apresentação. A trama do título pode até ser relativamente simples, mas a maneira como ela é apresentada é simplesmente fenomenal, assim como o nível de profundidade. Não é exagero dizer que o jogador ficará preso à tela com tantos diálogos curiosos e personalidades distintas no universo de New Vegas.

Essencialmente, a trama traz a história de uma espécie de emissário — você — que é surpreendido por pessoas desconhecidas e acaba com um tiro na cabeça. Mas, antes de nos aprofundarmos nisso, vamos aos detalhes do universo de New Vegas. No jogo, os Estados Unidos foram praticamente eliminados do mapa graças a uma guerra nuclear. Mesmo assim, muitos sobreviveram e a sede pelo poder continua intacta.

Detalhe para a cidade de Vegas, que sobreviveu aos ataques quase sem nenhum arranhão. Além disso, um grupo de pessoas conservadoras resolveu se unir para tentar colocar ordem na Califórnia. Seu nome? New California Republic, ou NCR. Essa galera sobrevive graças à Hoover Dam, uma represa que fornece acesso à eletricidade e água limpa — algo extremamente raro para esses tempos.

Mas é claro que onde há poder, existem problemas. E em Fallout: New Vegas as coisas não são diferentes. A New California Republic é ameaçada pela Legion, um grupo liderado por um ditador que gosta de ser chamado de Caesar. O cara usa a metodologia romana para conquistar outras civilizações, absorvendo tribos e escravizando parte de sua população.

O resultado de tudo isso é um conflito intenso pelo poder. A briga entre as duas facções é um dos elementos estruturais de Fallout: New Vegas, e um dos grandes motivos para que o jogador desfrute do game até o fim, quando os problemas finalmente forem resolvidos.

Mas, voltemos ao seu personagem, um emissário sem nome e sem passado. Aparentemente, você é apenas um cara ou uma moça comum, que tem como objetivo entregar um pacote a uma pessoa de New Vegas. Entretanto, as complicações surgem, e você acaba mortalmente ferido. Misteriosamente, seu personagem continua vivo e é resgatado por um robô metido a caubói. Depois disso, tudo o que você deseja é a vingança e a verdade.

Novamente, vale ressaltar que a trama não é das mais complexas — ou vai dizer que você nunca viu um filme em que o personagem busca vingança? Mesmo assim, Fallout: New Vegas conta sua história de maneira espetacular, graças a um roteiro bacana e uma equipe de atores — responsáveis pelas vozes dos personagens — que cumpre muito bem seu trabalho. Você é realmente sugado para dentro do game.  

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Ainda melhor

Além da trama bacana, New Vegas também traz algumas novidades interessantes para a fórmula do jogo. Vale lembrar que, agora, estamos no deserto de Mojave, e não em Washington D.C., como em Fallout 3. Mesmo assim, o ambiente é semelhante: pouca vida e muitas rochas no horizonte. Pois é, essas são algumas das consequências de um desastre nuclear.

Entretanto, uma das diferenças aqui é a vegetação. Em New Vegas o jogador pode colher frutas, sementes e ervas para criar misturas que geram itens como pós de cura e até mesmo os valiosos Stimpacks. Quem já jogou The Elders Scrolls IV: Oblivion, também da Bethesda, provavelmente se lembra de um sistema semelhante.

Mas, além da flora, também temos uma fauna distinta em New Vegas. O jogo traz vários inimigos e até “humanos” diferentes. Enquanto você perambula, é possível matar pessoas amigáveis e se tornar amigo dos bandidos e vice-versa. Entretanto, os monstros sempre serão seus inimigos.

Aqui, temos criaturas de toda sorte, como os Cazadores, uma espécie de inseto voador gigante que pode deixá-lo envenenado se você não for cuidadoso. Fora esse, há também um louva-deus gigantesco, que normalmente ataca em grupos e é bem chato. Entretanto, um dos monstrengos mais bizarros é o Nightstalkers: uma mistura de cobra com coiote que certamente fará você correr para trás enquanto dispara contra o bichano.

Outra novidade de New Vegas são as maneiras de conseguir uma graninha extra. Em vez de ser obrigado a matar vendedores ou então se desfazer de vários itens para conseguir um pouco de dinheiro, o jogo traz algumas alternativas interessantes. Em Vegas, você pode ganhar algumas tampinhas — a moeda do game — em máquinas de caça-níquel, jogando Vinte e Um e muito mais. Você dificilmente será obrigado a jogar esses mini games, mas eles são divertidos e quebram um pouco da jogabilidade convencional do título.

A Bethesda também inseriu a possibilidade de usar a mira de sua arma para aprimorar a precisão dos tiros. Em vez de atirar somente com o retículo que indica, virtualmente, o ponto que será atingido pelo tiro, New Vegas permite que o jogador utilize a mira da própria arma, deixando as coisas mais realistas e como todo fã de FPS gosta.

Por fim, temos o modo Hardcore, que aparece pela primeira vez na série. Aqui, somente quem é veterano no game vai se dar bem. O motivo? Como o próprio nome sugere, as coisas são muito mais “casca grossa” quando essa opção está habilitada. Nesse modo, sobreviver se torna muito mais difícil, pois é necessário alimentar, hidratar e descansar seu personagem constantemente. Além disso, o peso de praticamente tudo — incluindo munição — passa a ser contado em seu inventário, diferente de como acontece no modo “normal”, no qual munições e outros objetos não possuem peso algum. Com isso, é necessário muito mais estratégia na hora de carregar seus equipamentos, pois quando você leva mais itens do que pode aguentar seu personagem não consegue se movimentar.

Outras novidades incluem pequenos detalhes na utilização de itens de vida — agora sua saúde se recupera lentamente, em vez de instantaneamente, como ocorria em Fallout 3. Há também novas rádios e, o mais importante, armas. O jogador encontrará dinamites, rifles e pistolas ainda mais devastadores em New Vegas, algo que certamente vale a pena conferir com calma.

Mantendo a classe

Fora as novidades supracitadas, New Vegas se comporta como Fallout 3. Não é um absurdo dizer que o jogo parece uma expansão gigantesca — com mais de 100 horas de jogo — do terceiro game, pois as semelhanças estão por toda parte e, provavelmente, sua mãe nem perceberá a diferença quando você estiver jogando.

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Novamente, temos o sistema de Karma, no qual suas ações podem influenciar diretamente no modo em que seu personagem é visto pela sociedade. Coisas boas atraem pessoas boas, enquanto atitudes ruins levam você para o lado dos bandidos. O bacana de New Vegas é que o jogador pode ajudar apenas um grupo e se tornar um ídolo deles. Isso, contudo deixará os oponentes deste grupo com ódio em seus corações, e não é uma boa ideia visitá-los.

New Vegas traz um ambiente gigantesco e você não deve se sentir estranho se a solidão bater . Felizmente, existem muitas companhias no game, as quais podem se juntar a você a ajudá-lo em sua quest. É possível ser amigo de dois personagens ao mesmo tempo: um robô e um animal — incluindo pessoas ou “quase” humanos. Cada uma das companhias oferece uma bonificação especial e suas matanças rendem pontos de experiência ao jogador.

O sistema conhecido como V.A.T.S. continua firme e forte no game. Para quem não sabe, o Vault-Tec Assisted Targeting System permite que o jogador pause a ação e simplesmente mire em qualquer parte do corpo do oponente. O uso do recurso não é ilimitado, já que é necessário gastar pontos da barra de AP, a qual é preenchida automaticamente com o passar do tempo ou com o uso de determinados itens. Mesmo assim, o V.A.T.S. continua sendo um show de sangue e destruição. O sistema de habilidades também continua praticamente igual ao de Fallout 3.

Os problemas continuam

Infelizmente, a maioria dos problemas encontrados em New Vegas já estava presente em Fallout 3. Primeiramente, temos bugs e mais bugs. A engine continua trazendo problemas bizarros como travamentos e eventos totalmente insanos — basta conferir o vídeo abaixo para ter noção do que estamos falando. Os problemas se estendem às animações, à taxa de quadros por segundo e aos loadings constantes que podem chegar a até dois minutos nos consoles.

Outra inconveniência é a impossibilidade de continuar jogando o game depois de completá-lo. Se você é fã da série, então provavelmente se lembra de que este problema também estava presente em Fallout 3, mas foi corrigido posteriormente com uma atualização lançada pela Bethesda. Agora, por que ele reaparece em New Vegas, sendo que os fãs reclamaram exaustivamente disso no último jogo?

A inteligência artificial continua impressionante — no sentido ruim, é claro. Muitas vezes, você encontrará caminhos simples, em que tudo o que se deve fazer é saltar sobre um pequeno muro. Mesmo assim, seus companheiros não terão a mesma ideia, e provavelmente darão a volta no mundo para chegar até onde você está. Por último, quem esperava por grandes novidades, também se sentirá decepcionado. Temos sim algumas mudanças, mas nada muito gritante.

85 pc
Ótimo

Outras Plataformas

85 ps3
85 xbox-360