Em outra realidade este game provavelmente ficou tão bom quanto a série

Family Guy é um desenho animado para adultos, criado pelo genial Seth MacFarlane — que também dubla Peter, Brian e Stewie — sobre uma família americana e as desventuras vividas no seu dia a dia atribulado. Conhecida no Brasil como “Uma Família da Pesada”, a animação nasceu no ano de 1999, estrelada no canal de televisão FOX.

A série repercutiu bem em seu começo, mas algum tempo depois acabou sendo cancelada já em sua segunda temporada. No entanto, a aclamação dos fãs foi tão grande que a FOX foi quase obrigada a trazer de volta a série de Peter, Stewie e companhia, no qual o pequeno infante e seu amigo cachorro travam vários discursos ideológicos profundos, questões “shakespearianas” sobre o amor materno e muitas canções politicamente incorretas.

Depois de algumas tentativas pouco felizes de fazer um game com a temática da obra de Seth MacFarlane, eis que a Activision resolveu aceitar o desafio de produzir um game que fizesse jus à franquia que é um estouro de sucesso no mundo inteiro. Assim, no dia 20 de novembro de 2012 foi lançado Family Guy: Back to the Multiverse com versões para as principais plataformas da sétima geração.

Back to the Multiverse é inspirado em um episódio muito famoso da série, no qual o garotinho Stewie e o cão Brian passeiam por dimensões alternativas do multiverso em que vivem, conhecendo como outras realidades de sua existência. Será que o game consegue entregar aos fãs a qualidade que eles merecem (e esperam) de um produto da série? Vamos ver.

Eu sou um entusiasta incorrigível do trabalho de Seth Macfarlane, principalmente quando o assunto envolve Family Guy ou American Dad. No entanto, foi preciso muita concentração para analisar este game com o viés de uma pessoa que nada sabe sobre o desenho ou que nunca se interessou muito pelas histórias de Stewie e Brian. Bem por essa razão que o jogo não pode ser recomendado para quem não seja “louco pela série”.


A jogatina é interessante por muito pouco tempo, até que você comece a notar o quão repetitivo o game se torna. As missões seguem uma ordem mais ou menos lógica apenas para quem entende os absurdos acontecimentos do desenho, o que acaba fazendo com que quem não conhece “não entenda as piadas”.

E são essas “piadas” que sustentam uns 90% de todo o conteúdo interessante do jogo, pois os gráficos não são nenhum exemplo de qualidade. A jogabilidade flui bem, mas não há muitos recursos disponíveis para ajustar mira, velocidade dos tiros e nem nada parecido. Se ao menos o multiplayer fosse online e permitisse a interação entre fãs de todo o mundo, talvez a jogatina durasse mais do que um final de semana ou dois...


Assim, infelizmente, Family Guy: Back to the Multiverse é um jogo extremamente limitado que não tem a intenção de agregar novos jogadores ou público diferenciado à franquia da FOX. A parte técnica do título mostra porque os games de filmes ou desenhos carregam uma fama de “nunca darem certo”.

Desenho de adultos

Family Guy: Back to the Multiverse consegue transpor para o video game a mesma aspereza que existe nos desenhos. Há um show de comentários maldosos, humor ácido e corrosivo, tudo isso permeado por uma história interessante envolvendo Brian e Stewie pelas dimensões mais engraçados do multiverso.


Cada um dos personagens carrega suas características mais marcantes da série, o que deixa a jogatina muito mais divertida e pouquíssimo recomendada para menores de 17 ou 18 anos. O único pormenor é que as piadas são feitas em inglês e a legenda também está na mesma língua. Fora isso, a diversão é garantida.

Brian e Stewie

Os jogadores poderão conduzir os dois personagens mais carismáticos da série de TV, sendo que a troca entre eles pode ser feita a qualquer momento. O pequeno gênio do mal utiliza seus armamentos próprios, variando entre fraldas sujas, armas que disparam lasers e aparelhos de desintegração.

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Já o cão politicamente incorreto fica com o armamento mais realista, como rifles de precisão e pistolas poderosas. Há um equilíbrio de poder e de jogabilidade entre os personagens, respeitando suas características originais. Assim, há momentos em que você deve jogar obrigatoriamente com um ou com o outro, para conseguir concluir as fases.

Sem conhecer, sem graça

O maior defeito de Family Guy: Back to the Multiverse é o direcionamento do game para os fãs do desenho animado. Se você não conhece bastante sobre o enredo da série, fica praticamente impossível entender os trocadilhos e os motes resmungados pelos personagens do game.

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Jogabilidade no máximo razoável

Quem jogou Simpsons: The Game para o PlayStation 2 em meados de 2008 vai ficar estranhamente familiarizado com a jogabilidade de Family Guy: Back to the Multiverse. Não que isso seja automaticamente ruim, mas, se pensarmos na diferença de potencial entre um PlayStation 3 e de deu antecessor, sabemos que o console mais novo tem muito mais a oferecer do que uma jogatina “parecida”.

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Desequilíbrio sonoro

Uma das qualidades de todo o universo de Family Guy certamente são os sons. Desde as vozes dos personagens até as belíssimas canções presentes em muitos episódios, tudo o que tem relação à música é um ponto alto no desenho da FOX. O problema é que o áudio de Back to the Multiverse é muito desequilibrado.

Quando os NPCs estão passando as suas missões, há diálogos paralelos que atrapalham a atenção do ouvinte tanto no que está sendo dito, quanto no próprio áudio da voz do falante. Porém, se você abrir o menu de opções, é possível diminuir os sons de fundo e de efeitos sonoros para deixar mais audíveis as vozes dos personagens. Mesmo sendo “corrigível”, ainda assim qualidade sonora é um dos pontos mais negativos do game.

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Multiplayer infeliz

Uma das maiores qualidades de um game, em termos de tempo durante o qual você continuará jogando mesmo depois de ter terminado a campanha solo, é a modalidade multiplayer. Nesse quesito, Back to the Multiverse apresenta quatro opções diferente, mas todas sem opção de online.

Essa falta de conectividade com a internet praticamente inutiliza o modo de vários jogadores, uma vez que as opções de jogabilidade são muito limitadas. Portanto, depois que você acabar a campanha principal do game, é possível que você jogue-o mais uma ou duas vezes para desbloquear as skins de cada personagem e nada além disso.

50 pc
Fraco

Outras Plataformas

50 ps3
50 xbox-360