Mais um jogo de super-heróis baseado em filmes que não cumpre as exigências mínimas.

É uma pena ver como ocorre a decadência de um herói quando este avança para fora dos quadrinhos: primeiro, são os desenhos animados, que mudam ligeiramente o enredo e começam a degradar toda a história, depois, vem os filmes, e então evidencia-se claramente a queda na qualidade do enredo, com raras exceções para casos como X-men.

Por fim, os jogos de videogame, isso quando não são jogos de videogame baseados em filmes. Aí sim o bicho pega! Se a qualidade cai drasticamente nos filmes, quando os filmes chegam aos videogames, o resultado é tenebroso.

Surfista prateado e homem tocha juntos passeando por aí.

Isso seria suficiente para alertar à qualidade de Fantastic Four: Rise of the Siver Surfer. No entanto, vamos nos aprofundar um pouco mais e explicar alguns dos motivos claros do jogo merecer uma introdução tão catedrática em sua análise.

Imersão? Que nada!

Bem, antes de mais nada é importante explicar que imersão é um termo que costumamos utilizar em nossas análises para definir quanto um jogo é capaz de prender a atenção do jogador.

Quanto mais imersivo, mais o jogador entra na história do título e se deixa levar, jogando por horas a fio sem perceber nada ao seu redor. Quando o jogador chega a esquecer o mundo real, de tão preso que se vê ao videogame, isso é perfeito!

Este quesito, é resultado de uma série de estudos psicológicos que envolvem visual gráfico e trilha sonora bem contextualizados ao jogo, uma boa interpretação por parte dos dubladores dos personagens, o enredo interessante (que é muito importante) e a jogabilidade intuitiva e atraente, que é o principal quesito.

Em Fantastic Four, nenhum destes quesitos é levado em conta. Parece que o jogo foi desenvolvido exclusivamente para gamers de até 12 ou 13 anos — que com certeza irão gostar do título —, o que é uma pena para os fãs mais velhos do quarteto e do surfista prateado.
que coisa bonita! os quatro amigos juntos!
A jogabilidade é extremamente simples, apesar de contar com uma boa quantidade de golpes, mas não é intuitiva o suficiente para fazer o jogador se aprofundar muito no título.

Os quesitos gráficos deixam muito a desejar, já que a limitação do cenário por exemplo, é uma falha inaceitável nos videogames de nova geração, e no caso de um personagem capaz de voar, é ainda menos aceitável.

No cenário do primeiro nível, há um desnível de algumas dezenas de metros, onde é possível ver tudo que se passa abaixo e então, um jogador inteligente simplesmente ativa o poder de vôo tocha humana e tenta conduzi-lo para baixo. Não funciona.

É isso mesmo, ele bate de cara numa parede invisível e fica voando como um passarinho contra o vidro. Estúpido? Mais que isso! Um jogo de nova geração com uma falha desse nível não merece muito respeito.

Abra portas e ative elevadores

As missões do jogo, como se não bastasse, são simplesmente ridículas. Você possui objetivos como: abra aquela porta. Vá até o fim do corredor, ative o painel de controle e volte para usar o elevador.

Emocionante para uma mulher capaz de tornar-se invisível um homem elástico, um gigante de pedra e um garoto-chama voador, não é! Realmente, os desenvolvedores da 7 studios estavam sem muita inspiração.


 
O resultado é um jogo maçante, enjoativo e pouco atraente. Se você é um grande fã do quarteto fantástico e do surfista prateado, e além disso não está procurando nada além de se sentir na pele de seus heróis por um tempo, talvez divirta-se por umas quatro horas com o jogo.

Caso contrário, mais de duas horas já será uma grande conquista para qualquer jogador. O título simplesmente não conta com nada atraente. Qualquer fã do Quarteto Fantástico e do Surfista Prateado dos quadrinhos irá se sentir ultrajado ao jogá-lo.
42 xbox-360
Ruim