A melhor brincadeira de primeiro de abril de todas

Quando Far Cry 3: Blood Dragon recebeu o seu primeiro trailer (carregado com a energia e o espírito dos anos 80) no dia 1º de abril, muitos acreditaram que o vídeo era apenas a forma que a Ubisoft encontrou para entrar no Dia da Mentira. No entanto, alguns sinais, como a classificação do jogo pelo Ministério da Justiça e a descoberta de suas conquistas nos registros da Xbox LIVE, logo levantaram a suspeita de que a brincadeira era mais séria do que parecia.

Lançado como um jogo standalone (que não precisa do jogo original) um mês após o seu anúncio, Blood Dragon é situado no ano de 2007, em um mundo diferente daquele que conhecemos. No caso, a Guerra Fria ainda está vigente – embora tenha se “aquecido” em alguns momentos, levando ao bombardeio nuclear de regiões como o Canadá e a Austrália.

Nesse mundo pós-apocalíptico, o cyber-comando Rex Power Colt – metade homem, metade máquina – é enviado em uma missão para descobrir quem está invadindo o “setor preto” – uma região-chave para o conflito. O problema, contudo, é muito maior do que parece, uma  vez que o Coronel Sloan(antigo comandante de Rex) e sua Força Ômega são os verdadeiros responsáveis pelo ataque. Em meio a esses eventos, o cyber-comando surge como a última esperança para acabar com os planos de Sloan.

Quando a aparente brincadeira de primeiro de abril foi confirmada como um jogo de verdade, muita gente vibrou graças ao estilo inusitado de Far Cry 3: Blood Dragon. A única pergunta que restava, no entanto, era se o jogo iria honrar toda essa expectativa.

Graças à execução de um ótimo trabalho por parte da Ubisoft Montreal, pode-se dizer que essa dúvida não existe mais. Com uma aventura principal de cerca de cinco horas (que podem ser estendidas caso o jogador deseje tomar todas as fortalezas ou se distrair explorando a ilha – algumas das atividades mais legais do game), o jogo é uma homenagem bem legal ao espírito dos anos 80.

Ao mesmo tempo, a liberdade que Blood Dragon tem para tirar sarro de clichês da época, dos video games e de si mesmo torna a experiência ainda mais interessante. Assim, tanto aqueles que se divertiram com Far Cry 3 como aqueles que não conheceram a definição de insanidade de Vaas podem encontrar um grande jogo em Blood Dragon.

Far Cry 3: Blood Dragon foi avaliado utilizando um código da Xbox LIVE cedido pela Ubisoft.

Direto do túnel do tempo

Desenvolvido como uma homenagem ao estilo dos anos 80, Blood Dragon é tão bem-sucedido nesse aspecto que parece ter sido retirado diretamente da década perdida. Elementos como seus personagens estereotipados, a trilha sonora composta pelo grupo Power Glove e seu patriotismo barato, assim como o visual luminoso, só reforçam esse sentimento.

Img_normalAo mesmo tempo, o game não poupa esforços para referenciar sucessos da época, como Robocop e Alien. Além disso, as cenas de transição em 8 bits são capazes de emocionar aqueles que cresceram na época dos primeiros consoles da SEGA e da Nintendo.

O mais interessante, no entanto, é que o jogo não se sustenta unicamente nessas referências, podendo ser apreciado também por quem não vivenciou a época, assim como por quem não faz ideia do que são coisas como o Esquadrão Classe A, por exemplo.

 Abraçando a galhofa com vontade

Apesar de ser considerado irreal por muita gente, Far Cry 3 ainda contava com uma trama sombria e séria, focada na transformação de Jason Brody em um guerreiro durante a sua busca por seus amigos. Blood Dragon, por sua vez, não se leva a sério em nenhum momento – algo que, para a sua proposta, torna tudo melhor.

Img_normalPartindo de seus tutoriais, que começam pedindo para o jogador apertar A (ou X, no PlayStation 3) para “demonstrar a sua capacidade de leitura” enquanto Rex aguarda aflito para que o jogo o deixe começar a “matar, matar, matar”, Blood Dragon não para mais.

Assim, diálogos escrachados e piadas (muitas delas obscenas demais para serem reproduzidas aqui) são reproduzidos constantemente durante a aventura, em que tudo é alvo do humor de Rex. Desde trocadilhos envolvendo nomes das armas até comentários maldosos mesmo sobre outros jogos da Ubisoft (há diálogos envolvendo “garotas tatuadas bizarras”, assim como o hábito de “recolher peninhas”), nada é perdoado.

Ao mesmo tempo, Blood Dragon completa-se como uma paródia de um seriado dos anos 80 que poderia muita bem ter marcado a infância de alguém da época sem que ninguém estranhasse. Cenas como a que Rex nega uma injeção de “sangue de dragão” porque jurou a Lady Liberdade que nunca usaria drogas, por exemplo, tiram sarro da cafonice típica da época. O legal é que o jogo faz tudo isso sem nunca explicitar a piada, tornando a experiência ainda mais interessante.

A ilha dos dragões de sangue

A ilha de Blood Dragon é bem menor que as duas presentes no Far Cry 3 original – algo que não espanta, devido ao tamanho reduzido da nova aventura. Ainda assim, o jogador pode se preparar porque há muito a fazer no novo destino.

Para começar, há pouco mais de uma dezena de fortalezas que podem (e devem) ser conquistadas da mesma forma como os postos de guarda do game principal. Da mesma forma que estes, as fortalezas também se tornam um porto seguro para o jogador, além de liberar missões secundárias que desbloqueiam melhorias para as suas armas (que variam desde mudanças tradicionais, como silenciadores e mira aprimorada, até elementos futuristas, como munição laser).

No entanto, a maior mudança entre Blood Dragon e o jogo em que é baseado está na adição das criaturas que emprestam seu nome ao seu subtítulo. Os dragões de sangue nada mais são do que dinossauros capazes de atirar potentes raios laser.

Enquanto o jogo equipa Rex com armamentos poderosos para destruir as criaturas, há momentos de tensão em que é necessário enfrentar um ou mais espécimes em ambientes fechados que podem se mostrar bastante difíceis.

No entanto, as criaturas (que são um dos elementos centrais da trama do game) podem também se mostrar fortes aliadas. Apesar de não apresentar uma visão apurada, o olfato dos dragões é capaz de farejar o cheiro dos corações cibernéticos coletados de seus inimigos à distância. Assim, posicionando as especiarias da maneira certa, é possível fazer com que os lagartões acabem com os seus oponentes e até mesmo tomem fortalezas inteiras sem precisar de sua ajuda.

Aparando as pontas do sistema

Por se tratar de uma aventura mais curta (a campanha principal de Far Cry 3: Blood Dragon pode ser terminada em cerca de cinco horas), a Ubisoft teve de tornar os sistemas do jogo mais dinâmicos para os jogadores.

Assim, Rex Power Colt já começa com uma série de habilidades desbloqueadas logo de cara, como o nocaute em cadeia – que permite a eliminação de vários inimigos de uma vez só. Ao mesmo tempo, em vez de oferecer uma árvore de habilidades como no jogo original, Blood Dragon torna a evolução do personagem linear ao oferecer recompensas fixas para cada um dos 30 níveis que podem ser conquistados.

Img_normalAo mesmo tempo, esqueça a busca de peles de animais (até porque muitos deles nem isso mais têm após os ataques nucleares) para aumentar a capacidade do seu inventário – uma mudança muito bem-vinda.

Além disso, o fato de Rex ser um androide oferece a ele algumas habilidades sobre-humanas que vão ajudá-lo muito durante a aventura. Desse modo, não tenha medo de cair de grandes alturas ou de se afogar ao mergulhar por muito tempo (apenas cuidado com os cyber-tubarões).

Dá para acender a luz?

Apesar de o novo visual de Blood Dragon fazer parte de sua identidade, em alguns momentos os ambientes escuros demais atrapalham a jogabilidade. Mesmo sendo possível alterar as configurações de brilho, perder-se em meio à escuridão acaba se tornando um evento mais frequente do que deveria.

Resgatar um cientista... De novo?

Blood Dragon não se cansa de fazer piada com alguns clichês dos video games. Além de o seu próprio tutorial rir da maneira como os jogos atuais quase levam o jogador pela mão durante a aventura, o game apresenta o sistema de viagem rápida como um meio de viajar de uma parte a outra e “cortar a parte chata”.

No entanto, não há sistema que melhore um pouco as últimas missões secundárias. Nelas, Rex deve caçar animais lendários com alguma arma específica (o que, da mesma forma que no game original, continua divertido) ou resgatar cientistas mantidos como reféns pelas forças inimigas.

O problema destas últimas, no entanto, é que elas são praticamente iguais, mudando apenas de localidade. Como terminá-las é um pré-requisito para conquistar as melhorias mais legais do seu armamento, os jogadores acabam presos à realização de uma tarefa maçante.

90 pc
Excelente

Outras Plataformas

90 ps3
90 xbox-360