Ali, Bumba Ye! Fight Night Round 4 esmurra a concorrência.

O pugilismo pode não ser o esporte mais popular — muitos sequer o consideram um esporte por conta o alto grau de violência inerente ao desporto —, no entanto uma fiel legião de seguidores e praticantes da chamada “nobre arte” provam que o boxe também pode ser uma manifestação física das capacidades humanas.

Esses fieis seguidores lotam arenas para acompanhar lutas, além de movimentar um lucrativo sistema de pay-per-view para a transmissão desses embates. Mas os fãs não param por ai já que o boxe também marca presença nos video games.

Possuidores de uma antiga linhagem, os títulos de boxe vem acompanhando a evolução dos consoles desde a sua estreia no saudoso Atari. Com o passar do tempo os lutadores passaram de amontoados de pixel sem identidade (exceto pela coloração branca e preta) a verdadeiros simuladores.

Nessa cadeia evolutiva, o PlayStation original abrigou um dos títulos que se tornaria o divisor de águas do gênero. Knockout Kings quebrou o molde, distanciando-se do estilo caricato e arcade de jogo como os excelentes Punch Out! (do NES) e Ready 2 Rumble, oferecendo uma jogabilidade voltada para a simulação e lutadores e marcas reais.

Em tempo a linha Knock Out Kings passou por transformações sendo que a Electronic Arts — detentora da franquia — resolveu dar mais um passo rumo ao realismo nos jogos, rebatizando a série de apresentando um novo nível de simulação, surgia assim série Fight Night e desde então estabeleceu um novo padrão para jogos de boxe, apontando a longevidade do gênero.

Depois de uma estréia de luxo nos consoles de sétima geração com Fight Night Round 3, a nobre arte retorna aos ringues para mais um combate de alto nível, em um embate que promete muita agilidade, técnica e nocautes.


Tapas e sopapos

A franquia Fight Night está melhor do que nunca. Do suor dos atletas, ao sistema de comandos ágil e intuitivo, tudo está mais realista e envolvente. Se Fight Night Round 3 já havia deslumbrado os fãs da série e do esporte, o novo round eleva ainda mais o nível da franquia.

Quem já teve a oportunidade de experimentar algum título da linha não terá muitos problemas para se adaptar ao novo sistema de comandos (agora totalmente atrelados aos manetes analógicos — no entanto a EA já confirmou que uma atualização futura disponibilizará a opção de configuração dos botões para desferir os golpes).

Além do novo sistema de golpes a forma com que a força dos socos é aferida também foi modificada. Deixando de lado o esquema que variava de acordo com movimentação dos manches, o jogo agora mede a força do golpe conforme ele é “encaixado” no seu oponente — assim quanto mais limpo (mais certeiro) maior será à força do impacto e consequentemente o dano causado.


Brasil na casa galera! Isso certamente acrescenta muito ao realismo, já que você passa a estudar mais o adversário ao invés de simplesmente disparar murros a esmo. Além disso, o posicionamento dos lutadores continuará influenciando a força dos golpes, portanto se você estiver muito próximo do adversário (consequentemente não conseguirá uma extensão completa do braço) seu golpe não irá causar tanto impacto quanto se estivesse em uma distância mais exata.

Para desferir os golpes permanece a mesma dinâmica, movimento o analógico da direita em diferentes posições disparam socos distintos. Sendo que você também dispõe de um golpe diferencial capaz de tirar o fôlego do oponente do seu oponente, porém estes são mais lentos, expondo do seu lutador a um contragolpe enquanto desempenha o movimento.

Estudando o adversário

Outra novidade dessa edição é o novo sistema de esquivas e bloqueios, que substituem a antiga dinâmica de “parry” (aparar golpes). Mais uma alteração que incrementou a jogabilidade tornando-a mais parelha com as lutas reais, em que evitar os golpes é muito mais importante do que desviá-los com as mãos.

Dessa forma ao bloquear um soco ou esquivar-se de um golpe acaba rendendo um movimento “extra” de contra-ataque. Para tanto o jogador deve levantar a guarda no momento exato em que o seu adversário for acertá-lo. Quando executado de maneira certa você além de evitar o ataque de seu oponente ainda conta com alguns segundos para desferir um soco que causará mais dano do que o normal.

Esta adição é um passo na direção certa, afinal de contas você se obriga a observar o pugilista adversário, prestando atenção as suas combinações favoritas e preparando o momento certo para atacar. Ao invés de simplesmente partir para cima desferindo murros contra o seu oponente, o jogador deve saber a melhor hora para se defender, esquivar e atacar.  

Me corta, Mick... me corta!

A dinâmica de corner — momento entre os rounds no qual o lutador recupera o fôlego e recebe instruções do treinador — está presente, porém foi totalmente remodelada. Se antes a franquia se valia de um interessante mini-game para tratar os ferimentos, agora todo o tratamento é realizado através de escolhas táticas.
Rastera do Sub-Zero não vale!

Conforme você pontua durante a luta, o jogador será premiado com uma determinada quantia de ponto para tratar o seu pugilista no intervalo. Assim, você deve escolher qual tipo de tratamento será utilizado por meio do gasto desses pontos, sendo que você pode gastá-los para recuperar sua energia (health), vigor (stamina) e cortes (damage).

Infelizmente a idea, que até parece boa, não fica tão interessante durante o jogo, perdendo muito da graça oferecida pelo mini-game. Você irá distribuir seus pontos de acordo com as necessidades, sendo que o jogo ainda oferece um modo automático no qual ele irá gastar os pontos por conta própria de acordo com as necessidades mais urgentes do seu lutador.

Mas se o corner perdeu em emoção as lutas estão mais empolgantes do que nunca. O sistema para que jogador tente controlar o equilíbrio dos lutadores prestes a serem nocauteados é muito inteligente.  

Além disso, uma vez que o lutador vá ao chão você encontra uma nova versão do tradicional mini-game para se levantar. Desta vez, muito mais difícil do que os anteriores. Primeiro você deve alinhar o manche esquerdo com um medidor presente na tela e uma vez centralizado você deverá levantar seu pugilista com o manche direito, sem perder a direção do manche esquerdo.

Sangue, suor e lágrimas

Os gráficos estão tão impressionantes quanto o que foi anunciado previamente. O jogo segue o mesmo caminho glorioso e desbravador de seus predecessores. Músculos, luzes, texturas, tudo é apresentado com uma riqueza de detalhes impressionante.
Vai cheirar o meu

A engine de efeitos físicos dá um show a parte, os jogadores poderão conferir em câmera lenta aqueles golpes fulminantes que levam os lutadores a lona. O movimento das luvas e deformação do rosto do oponente tudo em ricos detalhes (que por sinal podem ser gravados através de uma ferramenta de edição de vídeos do próprio jogo).

Outro ponto alto é o áudio que ao invés de utilizar o tradicional comentarista da linha, traz pela primeira vez o time da ESPN Friday Night Fights. O trabalho de voz é excelente e acompanha a luta em detalhes. Além de narrar os principais eventos os comentarista também revelam para que lado a luta está pendendo.

Deixe o seu legado

São mais de 40 pugilistas profissionais presentes no elenco de Round 4 e como se isso já não fosse o suficiente o jogo ainda conta com uma robusta ferramenta de edição de personagens.

O modo Legacy acompanha a carreira de um lutador do seu início com 19 anos até a sua aposentadoria. Você até pode optar por utilizar um dos grandes nomes já presentes no elenco do jogo, mas a grande diversão está mesmo na criação de um novo pugilista — com direito a roso idêntico ao seu.

Isso mesmo, além de poder escolher dentre diversas opções de edição como cor das luvas, do protetor bocal, do estilo de movimentação e assim por diante, você também pode inserir uma foto sua e utilizá-la como base para o rosto do seu lutador (e depois de completo o jogador ainda por compartilhar sua criação com outros usuários).


De volta ao modo Legacy, o objetivo é deixar uma trilha de sucesso ao longo da sua carreira, garantindo assim um lugar no Hall da Fama, ou entre outros grupos seletos de grandes lutadores. Para tanto você deverá lutar muito (literalmente) para se manter entre os melhores do mundo.

Em Legacy você deve gerenciar a sua carreira, agendando as lutas, se preparando (através de muito treino) e finalmente subindo ao ringue e colocando suas habilidades a prova. Por falar em treinos, essa é a única forma de incrementar os seus atributos e habilidades entre os embates.


Não me pega! Porém além do curto período de tempo os mini games de treinamento não conferem muito pontos e enquanto alguns são divertidos outros beiram a frustração, de tão difíceis (o que por sua vez diminui ainda mais os pontos ganhos pelo lutador). O que justifica a presença de uma opção de treino automático, no qual o computador simula a seção e confere 50 % dos pontos disponíveis automaticamente.

Soa o gongo

Fight Night Round 4 é sem sombra de dúvida o melhor simulador de boxe disponível no mercado. Acessível, porém incrivelmente detalhado para os fãs do esporte, o jogo traz toda a agitação e emoção dos ringues para dentro dos video games.

A série que traz inovações a cada nova edição consegui produzir mais um título consistente, que não pode faltar na prateleira de nenhum fã. Além do extenso modo Legacy, do robusto editor de lutadores e dos gráficos de alta qualidade, o jogo também conta com funcionalidades multiplayer (local e online) que garantem ainda mais longevidade ao jogo.

91 ps3
Excelente

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91 xbox-360