Análise de Final Fantasy Crystal Chronicles: Echoes of Time

Game deixa a desejar por sua conversão mal feita e por diversos outros problemas.

Final Fantasy talvez seja um dos nomes mais importantes, e impactantes, do universo do entretenimento eletrônico. Desde a época do saudoso Nintendo 8-bits, popular Nintendinho, o game vem conquistando fãs ao redor de todo o mundo, graças a sua incrível capacidade inigualável de contar diversas história sob um ritmo único e completamente cativante.

Não há como negar que, entre os RPGs, Final Fantasy é uma das melhores franquias, se não a melhor, de todos os tempos. A série já rendeu dezenas de jogos, lançados para praticamente todas as plataformas existentes. Talvez um dos exemplos mais notáveis seja Final Fantasy VII, lançado em 1997 para PlayStation. Após grandes anos de sucesso, a Squaresoft, empresa responsável pela distribuição do game, acabou se fundindo com a Enix, formando então a atual SquareEnix.

Final Fantasy já faz parte da vida de muitos jogadores Atualmente, a série, criada por Hironobu Sakaguchi, se tornou uma verdadeira franquia de mídia. Além dos videogames, os personagens de Final Fantasy também deram as caras em adaptações cinematográficas, animes (animações japonesas) e em diversos outros meios. Mas, felizmente, os consoles não ficaram de lado.

Enquanto o tão esperado Final Fantasy XIII não chega ao PlayStation 3 e Xbox 360, os fãs ainda podem se divertir com diversos outros games da franquia. Além disso, os usuários dos consoles da Nintendo podem desfrutar de toda uma nova série baseada na franquia. Trata-se de Final Fantasy Crystal Chronicles, franquia que nasceu em 2004 e ainda gera frutos para os ansiosos jogadores da série.

O mais recente é Final Fantasy Crystal Chronicles: Echoes of Time para Nintendo Wii. Vale ressaltar que o game é baseado em um jogo homônimo lançado para o portátil de duas telas da Big-N, o que pode ser percebido logo nos primeiros momentos do game. Basicamente, é a velha fórmula de CC (Crystal Chronicles), mas com alguns empecilhos que, definitivamente, quebram todo o clima do game e afetam a diversão.

Um conto de fadas previsível


Bem, a trama do game coloca você diretamente na data em que seu protagonista comemora seu 16º aniversário. Os jogadores têm a opção de customizar seu personagem, selecionando o sexo e uma das quatro tribos disponíveis. Depois disso, você é enviado para uma floresta que cerca seu vilarejo em uma espécie de rito de passagem que comprova sua maioridade.

Mas, depois de eliminar alguns inimigos e aprender um pouco sobre o sistema de combate do game, as coisas se tornam complicadas. Uma amiga sua adoece de maneira misteriosa, contagiada pela “doença dos cristais”. A partir daí, sua aventura em busca da cura se inicia.

Cristais misteriosos são o pilar central do game

Realmente, a história de Echoes of Time não é a das melhores, e não espere por muitas reviravoltas durante o game. O jogo não apresenta um rico mundo fantasioso e um conto épico, fatores que, normalmente, acompanham o nome Final Fantasy, e as pausas para esclarecimento da história ocorrem apenas algumas vezes.

Basicamente, o jogo resume-se a explorar cavernas, matar inimigos, e coletar materiais para obter lucros e adquirir itens ainda mais poderosos. Este é um processo que se repetirá durante todo o game, até o seu final. Sim, é um game repetitivo.

Pancadaria constante


Quanto à ação, pode-se dizer que a jogabilidade de Echoes of Time é simples e até divertida. Para atacar, tudo o que se deve fazer é pressionar o botão A, movimentando seu personagem com o analógico do Nunchuk. Há ainda a possibilidade de lançar feitiços. Quando esta ação é realizada, seu personagem permanece estático, enquanto você controla uma espécie de cursor que indica onde a magia cairá.

Não como negar a simplicidade dos combates, mas o processo se torna divertido graças às possibilidades disponibilizadas pelo recurso. Além das constantes mudanças no nível de seu personagem, você também notará que seu personagem adquire diversas novas habilidades e se torna mais poderoso. Para ilustrar, têm-se exemplos como ataques corpo-a-corpo que podem ser carregados e a opção de lançar diversos anéis de feitiço.


Em relação à magia, você conta com seis tipos de magia diferentes à disposição: fogo, nevasca, trovão, cura, elevação e clareza. Depois de um tempo, é possível utilizar dois ou mais anéis ao mesmo tempo, possibilitando combinações entre diferentes tipos de magias para que novos feitiços sejam descobertos.

Durante o game, você terá de enfrentar diversos tipos de inimigos diferentes. Criaturas de portes variados, como pequenas raposas até espécies de robôs gigantescos, além de outras criaturas místicas. Alguns de seus oponentes contam com pontos fracos, então se lembre de observar bem antes de atacar freneticamente.

Problemas sem resolução


Mas, infelizmente, seu maior problema não serão chefes gigantescos ou qualquer tipo de inimigo. Os quebra-cabeças do jogo são o maior ponto fraco de Echoes of Time. Estes minigames envolvem tarefas como empurrar blocos e acionar alavancas. Eles não são realmente difíceis, mas aparecem com freqüência, e tomam boa parte de seu tempo. Como se não bastasse, não existe uma grande variedade de cavernas no jogo, o que o obriga a passar duas vezes pelo mesmo local e resolver novamente os quebra-cabeças chatos.

Junte a galera e inicie sua aventura! Felizmente, o game conta com um inovador sistema para multiplayer, que deixa sua aventura mais divertida, e muito menos monótona. Até quatro pessoas podem jogar através de uma rede local wireless ou via Nintendo Wi-Fi Connection, e mesmo que a história só possa ser avançada no console que hospeda a partida, cada um dos jogadores recebe experiência e dinheiro obtidos durante a sessão.

Obviamente, a comunicação online do game não é das melhores, pois é feita através de um teclado virtual e frases pré-selecionadas que podem atrasar o trajeto do jogador. Ou seja, recomenda-se jogos em rede local para uma experiência significativamente melhor. Além disso, encontramos dificuldades no modo online, ocasionadas pelo lag. Fora o atraso de conexão, é comum encontrar outros jogadores de nível desigual, tornando a aventura desnivelada e, em alguns casos, inviável.

Um emulador de DS?


Há ainda a opção de criar aventureiros controlados pelo computador para facilitar sua jornada. Contudo, isso pode se tornar um problema. Os seus companheiros podem até ser úteis em algumas batalhas, mas também farão com que você tenha de cuidar de suas vidas, o que pode se tornar algo realmente frustrante.

Sou o Senhor Pixel

Entretanto, um dos fatores mais decepcionantes do jogo é o visual. O jogo é simplesmente idêntico a versão para Nintendo DS, e isso não é nada bom. Basicamente, você joga um port direto da versão para o portátil, com direito a duas telas separadas e texturas estouradas em sua tela. É como se você estivesse jogando através de um emulador do DS em sua TV.

Alguns comandos também se tornam menos atraentes na versão para Wii. Selecionar os tipos de mágica é algo realmente simples no DS, tudo o que se tem de fazer é deslizar seu polegar até o comando desejado. No Wii, é necessário clicar utilizando o Wii Remote e o resultado definitivamente não é o mesmo. Fora isso, a portabilidade torna o game ainda mais interessante, fazendo a versão do DS uma escolha melhor.

Infelizmente, a Echoes of Time não é um conto com final feliz. Os quebra-cabeças irritantes do game, que estragam toda a ação, e a pequena variedade de cavernas são apenas alguns dos motivos que denigrem a diversão do título. Mesmo assim, sua aventura com cerca de 15 horas pode deixá-lo satisfeito, além das demais possibilidades oferecidas pelo game. Mas, certamente, opte pela versão para Nintendo DS.
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