Análise de Final Fantasy Crystal Chronicles: Ring of Fates

Ring of Fates trás a magia da série Final Fantasy Crystal Chronicles para o Nintendo DS.

Ao longo da sua história a desenvolvedora japonesa Square Enix, deixou sua marca no mundo dos videogames e em alguns casos extrapolando as margens e invadindo outras mídias. Títulos de qualidade e franquias que definiram gerações de jogos e jogadores fizeram da empresa a principal referência quando o assunto são jogos de RPG.

O estilo tradicional de batalhas em turnos, histórias envolventes e personagens carismáticos gerou alguns dos jogos mais famosos e rentáveis dos videogames. Entre estes, uma série se destaca como a maior e mais popular: Final Fantasy.

Criada em 1987 pelo gênio, Hironobu Sakaguchi, a saga de Final Fantasy, já extrapolou o universo dos videogames ha muito tempo, tendo originado uma vasta galeria de produtos que vão desde bonecos e estatuetas até a réplicas de armas e jóias presentes nos jogos e filmes da série.

A fama não vem por acaso, a Square sabe utilizar o potencial dos consoles no qual trabalha como poucos; seja em uma plataforma complexa ou em um singelo portátil. Este esmero vem de longa data, na realidade desde a origem da franquia, um jogo complexo e repleto de alternativas que o tornavam praticamente impensável para a sua época, visto que o ápice da tecnologia de consoles materializava-se no Famicom.

Se aproveitando da vasta biblioteca de títulos de sua autoria, a Square resolveu presentear os fãs da série Final Fantasy com mais uma edição, desta vez para o Nintendo DS, em uma espécie de retorno as origens já que a franquia encontrou seus melhores anos nas plataformas da Sony, mas foi lançada originalmente em um console da Nintendo.

Desta vez a aventura está mais dinâmica do que nunca, usando um diálogo forte com outros RPGs (em especial Secreto of Mana e seu sistema de ação em equipe) e expandido a sua série paralela — Final Fantasy Crystal Chronicles —, Ring of Fates é uma boa pedida para todos os fãs da série e para aqueles jogadores ávidos por um bom RPG.


Bem temperado

A história de Ring of Fates é interessante, simples e se desenvolve de forma bem fluida e divertida. A trama é na realidade uma espécie de prólogo do primeiro jogo da linha Crystal Chronicles — lançado em 2003 para o Nintendo Game Cube — e se passa milhares anos antes da praga (o gás venenoso, Miasma) contaminar o ambiente do mundo, em um período referido em Final Fantasy Crystal Chronicles como a “Era de Ouro” (Golden Age), idos nos quais todos os povos viviam em harmonia.

A histórica começa em uma pequena vila, na qual dois irmãos gêmeos, um menino e uma menina decidem explorar as ruínas locais (nada como um bom passeio pelo campo). Após enfrentar um monstro gigantesco, os pequenos heróis têm uma visão que revela os segredos dos crystais e a relação destes com os monstros que rondam pelo planeta.

A trama pode não ser tão complexa quanto à de outros jogos da série, mas é muito bem feita, com ótimos apropriados e é contada no melhor estilo Final Fantasy, através de belas animações e com personagens extremamente carismáticos, sendo que a tônica da trama e da jogabilidade é a cooperação entre os personagens (algo que fica evidente desde a primeira cena do jogo).
Os gêmeos Yuri e Chelinka.
Botões a granel

A jogabilidade é muito interessante e bem funcional, apesar de exigir um pouco de elasticidade por parte do jogador. Como de costume você inicia com apenas algumas ferramentas de ataque e um movimento especial, mas conforme você vá desenvolvendo suas habilidades, seus ataques passam a ser mais poderosos, bem como seus especiais (diferentes para cada uma das espécies) além, é claro, de ataques mágicos.

Mas não se preocupe, já que a curva de aprendizado é bastante longa, o que irá permitir ao jogador uma familiarização gradual a cada um dos elementos de jogo na medida em que aparecem.

Na maior parte do tempo você irá controla um personagem de cada vez, enquanto os outros membros da sua equipe são controlados pelo computador (possuidor de uma inteligência artificial pouco desenvolvida).

Já as batalhas acontecem em tempo real, como no recente Crisis Core: Final Fantasy VII. Nestas o botão “A” desfere os golpes primários, enquanto o “X” conjura as magias. O “Y” é utilizado para agarrar inimigos e/ou objetos e arremessá-los, já o botão “B” fica responsável pela execução de saltos. Além destes comandos você ainda terá que administrar os botões laterais “L” e “R”, designados para o controle da equipe e ativar o seu especial, respectivamente.

O andamento do jogo é muito rápida, fato creditado a ausência das batalhas aleatórias e em tempo real, além do fato da própria história, que possui uma trama mais simples e de fácil desenrolar.

Um por todos e todos por um

O ponto forte do jogo é a cooperação entre os heróis, seja na campanha singleplayer ou no excelente multiplayer. Como de costume nos RPG, raças diferentes possuem habilidades específicas, em Ring of Fates estas singularidades são essenciais para o seu avanço. Pede pra sair!

Começando pelo fazer sistema de troca de personagens, apesar de simples na sua concepção, basta tocar na foto do herói desejado na tela inferior do DS, acaba tornando-se um desafio de elasticidade e agilidade, já que você deve tocar a tela com a Stylus sem esquecer-se dos outros comandos designados aos vários botões do portátil.

Este problemas evidencia-se em outros momentos do jogos, já que para selecionar suas magias (que nesta versão são conjuradas através de pequenas orbes de cores diferentes chamadas Magicities) e em um grau ainda maior na execução dos especiais de cada personagem. Isso, porque em plena ação você deve selecionar o personagem, ativar o especial e utilizar Stylus para realizar o movimento espacial (nada prático).

Esferas do poder

O sistema de magias de Ring of Fates é um pouco diferente do que o habitual. Para realizar algum efeito mágico, o jogador precisa segurar o botão “X”, assim você irá ativar uma pequena mira circular pelo cenário, posicionando-a em cima do alvo desejado. Mais uma vez o sistema de cooperação dos personagens se mostra presente, permitindo que mais de um herói conjure um feitiço sobre o mesmo alvo, tornado o encanto ainda mais letal.

Você irá levar algum tempo para dominar o sistema, mas irá perceber que o problema está na interação deste com a tela inferior do DS, já que, para selecionar o tipo de magia você deve selecioná-la com a Stylus, tarefa nada simples quando se tem que executar em meio ao caos de batalha.

Com a turma toda
Mas que Pokemon irritado.
Um dos melhores atributos do jogo é o seu suporte multiplayer, desde o início você pode optar por uma partida entre amigos, nas quais cada um assume o controle de um herói diferente, apresentando um novo ângulo ao conceito de cooperação presente ao longo de todo o jogo.

Infelizmente mesmo este que é um dos pontos fortes do título sofre com alguns problemas, principalmente em relação ao lag (atraso) e quedas de frame-rate (quadros por segundo). Em partidas com quatro jogadores, estes problemas são freqüentes, o que pode ser muito decepcionante.

“Crystalino”

Os gráficos de Final Fantasy Crystal Chronicles: Ring of Fates são muito bons. Mais uma vez a Square Enix mostrou sua capacidade e criatividade na criação de um belíssimo jogo em 3D para o portátil da Nintendo, extraindo o que plataforma tem de melhor a oferecer.

Os personagens e cenários são coloridos e bem desenhados, com um traço simples, limpo e bem construído. Fato que favorece a jogabilidade no que tange a elaboração de táticas e cursos de ação tanto no modo singleplayer quanto no multiplayer.

A animação estão ótimas, aferindo maior dramaticidade ao título e caso você seja mais impaciente ou simplesmente não aprecie estas seqüências não se preocupe, a qualquer momento o vídeo pode ser encerrado e você passa adiante na história diretamente.

Nada como ir acampar! O destaque negativo fica por conta dos ângulos de câmera. Em alguns momentos você terá a sua visão da ação bloqueada por objetos do cenário e como não há nenhuma opção para alterar a posição da câmera você encontrará alguns problemas pelo caminho.

O som se mantém a par com os gráficos, oferecendo belas faixas musicais e um bom trabalho de dublagem. As belas composições da trilha sonora contribuem muito para a construção do clima das cenas.

No final da campanha...

Final Fantasy Crystal Chronicles: Ring of Fates é uma dos bons títulos que chegaram ao Nintendo DS. Por se tratar de mais uma adição da franquia Final Fantasy uma carga extra de responsabilidade é aferida ao jogo, o que acaba prejudicando sua avaliação e recepção final.

Entretanto as inovações na jogabilidade, a qualidade dos gráficos e som fazem deste um dos melhores RPG do portátil da Nintendo, seja você um fã ardoroso da série ou simplesmente um jogador a procura de um “dungeon crawler” (jogo no qual você explora diversas masmorra, enfrentando monstros e coletando itens).
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78 ds
Bom