Análise de Final Fantasy Tactics A2: Grimoire of the Rift

Mais um garoto perdido no reino de Ivalice

Final Fantasy Tactics é uma franquia muito bem cultuada por gamers devida a sua jogabilidade que mistura toda a fantasia de um RPG da Square Enix com estratégia em turnos, tornando toda a experiência muito interessante. Para quem nunca provou da série FFT e gosta de RPG, FFTA2 é com certeza uma boa indicação.

O título em questão está recheado de aventuras, fruto de um enredo que abrange os jogos em que a Ivalice Alliance aparece: FF12, FF12: Revenant Wings, FFT e Vagrant Story. Esse é o reino encantado em que os personagens têm que matar monstros esquisitos e chefões estilosos. Portanto, há uma montanha de nomes de elementos que fazem parte do enredo os quais tornam a história mais complexa.

 
Lembrando FFTA (para GBA), em FFTA2 a história é sobre um garoto (Luso) do mundo real que é transportado para o mundo mágico de FF. A trama se desenvolve a partir disso, pois agora o garoto está no meio de uma guerra entre reinos, em um lugar onde aventuras é o que não falta com mais de 400 missões a serem aceitas, sendo que a maioria é opcional, poupando o tempo de quem quer fechar “rápido”.

Bela Concept Art... E o jogo? Indo para o que interessa, sem ignorar o poderoso charme que a história de FF exala em direção aos jogadores, a jogabilidade de FFTA2 está enriquecida de aspectos que permitem a um jogador dedicar muito mais de 200 horas de sua vida segurando o Nintendo DS.

Quem já jogou FFT, com certeza vai se adaptar rapidamente com um velho e conhecido mecanismo de jogo, o qual recebeu pequenas melhorias. Em batalhas, a atividade principal, o jogador entra em um mapa estratégico com terreno quadriculado e é apresentado a um sistema complexo, porém fácil de compreender, de estratégia em turnos.

Cada personagem do pequeno esquadrão, que o jogador pode recrutar, treinar, equipar e comandar, possui qualidades próprias e o sistema de profissões permite escolher as especialidades que eles utilizarão em luta como medicina, feitiçaria, artilharia ou combate corpo a corpo. São sete raças, Hume, Moogle, Bangaa, Gria, Nu Mou, Viera e Seeq, e mais de quarenta profissões distribuídas em proporções de quantidade desiguais para as raças.

Não é só experiência que um soldado precisa para ser útil em campo de batalha, as habilidades devem ser aprendidas e isso é desenvolvido com um tipo especial de experiência (AP) que serve como remuneração de missões e lutas. Até mesmo os personagens que não foram selecionados para ir para a guerra acabam ganhando essa AP, poupando algumas horas que o jogador deveria gastar caso ele quisesse desenvolver todos os membros de seu clã.

Outro detalhe em FFTA é que para obter itens o jogador deve coletar materiais antes de conseguir disponibilizar certa arma, armadura ou acessório na loja. É usando equipamentos específicos que um aliado pode desenvolver suas habilidades.

Esse é o mini-game de leilão O sistema de clã não é difícil de entender, ele provê benefícios e malefícios. Quando o Bananao (o nome da maioria dos personagens pode ser editado, Bananao foi nome escolhido pelo redator, já Luso é nome original do protagonista) entra no mundo de FF ele quase imediatamente ingressa em um clã. Seguir regras em batalhas, evitando usar algum tipo de movimento, é necessário para ganhar recompensas extras, conseguir reviver aliados abatidos e receber uma ajudinha do Juiz (personagem que regula o clã).

Uma possibilidade, com relação ao clã, é a aquisição de territórios. Isso significa que o jogador recebe alguns pequenos benefícios quando ele passar por um território dominado por ele, isso após conseguir vencer em um mini-game de leilão.

A intriga recebe algumas modificações de acordo com as ações do jogador. Se, por exemplo, o jogador comprar certos territórios no leilão, um clã adversário pode querer arranjar confusão por causa disso. Ou ainda, se o jogador falhar em uma missão, na próxima tentativa o fornecedor da missão pode comentar sobre o fracasso anterior. E como se não bastasse, até mesmo personagens de FF XII entram na história.

Sim, definitivamente vale a pena. Os motivos para jogar são: muitas horas de diversão, nível de estratégia agradável, RPG interessante (apesar de não fornecer muitas escolhas), é um Final Fantasy, design simpático e, por fim, o clima de fantasia é bem construído, ainda mais com a ajuda da bela trilha sonora.

Listamos muitos pontos negativos nessa análise, contudo os pontos positivos pesam mais na balança. O que não gostamos pode ser facilmente ignorado por culpa da jogabilidade cativante, além de serem aspectos que podem ser “corrigidos” em lançamentos futuros da Square Enix.

FF ao estilo estratégico

Uma dica para os bons estrategistas é colocar a dificuldade no nível difícil quando for jogar FFTA2. Não que o nível mediano de dificuldade não ofereça desafio, mas as coisas ficam mais emocionantes e estratégicas quando o inimigo é mais mortífero. Seja qual for o nível de capacidade do jogador, ele irá encontrar em FFTA2 uma oportunidade de se divertir com o planejamento de táticas.Turnos de personagens inimigos e aliados, uso de itens, distribuição de equipamentos, negociações, vantagens e desvantagens em cada quadrado de terreno e, para generalizar, diversas configurações de personagens, tudo isso e mais um pouco cria um cenário estratégico muito interessante.Alguns ataques exageram...

Riqueza em conteúdo

FFTA2 leva ao jogador uma quantidade grotesca de conteúdo, no bom sentido. A quantidade de itens, habilidades e profissões é bem satisfatória.

Mistério gera curiosidade

FF consegue criar uma atmosfera mágica de mistério quando o jogador não sabe o que esperar. Estamos nos referindo tanto a jogabilidade quanto a história.

Com o progredir da trama, o jogador descobre novos poderes e possibilidades, isso é um belo incentivo para continuar a jogar, pois a motivação de querer possuir recrutas mais fortes é despertada. Já a trama possui algum encanto que consegue cativar a curiosidade, Luso e Adelle ficam juntos no final?

Meu Deus, quando é que esse jogo acaba?!

São muitas e muitas horas de jogo que FFTA2 consegue oferecer, graças a suas batalhas longas e suas 400 missões. Para aqueles que reclamam quando um jogo só conseguiu divertir por 120 horas, FFTA talvez se torne agradável nesse aspecto.

Som agradável

Toda a trilha sonora combina perfeitamente com o clima de Final Fantasy que FFTA2 tenta transmitir. É um belo trabalho que manifesta fantasia e bondade através da música, sendo que os efeitos sonoros concordam com as situações. Uma magia de fogo é executada, um barulho que mistura o indescritível poder mágico e combustão é o que o jogador irá ouvir.

História para chocobo dormir

Tá certo que FF cativa curiosidade quanto às possibilidades do futuro da trama, mas “um menino do mundo real é transportado para o mundo de FF” é apenas o começo de uma série de eventos que não parecem ser muito aceitáveis. Em comparação com o FFT original, para o primeiro Playstation, a história é muito infantil. Não se deixe enganar por uma montanha de nomes e personagens, no fim o enredo não é grande coisa.

Alguém tem um manual aí?

Magos sabem fazer churrasco

Há muitas informações em FFTA2 que o jogador precisa saber, algumas ele só vai descobrir posteriormente na aventura. Seria um bom começo caso o jogo informasse desde cedo as evoluções que cada raça possui.

O jogador não recebe dados sobre todas as armas que podem ser fabricadas e seus atributos, igualmente como é difícil depender de itens secundários que precisam ser coletados. É um tanto frustrante ficar desinformado sobre a capacidade de evolução em um jogo em que há tantos caminhos a serem seguidos. Que seja assim, FFTA2 é divertido demais para nos preocuparmos com isso e eventualmente o jogador irá achar as informações.

Como assim eu não posso atacar de longe? Eu só tenho arqueiros aqui!

Existe um sistema realmente nojento em FFTA2 que diz respeito a imposição de regras para as batalhas. O jogador não pode jogar da maneira que ele gosta, porque um Juiz impõe uma regra que não é aconselhada a ser violada no inicio de qualquer batalha.

Se o jogador quebrar a regra ele perde o benefício do clã, não pode mais reviver os recrutados e perde uma recompensa adicional no fim da luta. Há situações que são especialmente injustas, uma das regras comuns é a de não ser permitido empurrar o inimigo, sendo que todo o ataque tem uma probabilidade de empurrar o adversário, o que pode punir o jogador que teve a sorte de conseguir executar um ataque poderoso.

Não há mais adversários a minha altura!

Quando o jogador evoluir bastante, o que vai demorar, ele ficará bem poderoso a ponto de o jogo não proporcionar mais desafios para ele. Além disso, existem glicthes que podem ser explorados como um de obter turnos ilimitados.

Estou com pressa!

Costuma ser bom quando jogo é longo, contudo isso pode gerar a sensação de haver algo errado quando demora demais para treinar os guerreiros e conseguir o que queria, além de tomar muito tempo... Mas isso é bom, não?

Gráficos medíocres

O conceito artístico pode ser maravilhoso, mas a prática é um pouco decepcionante. Nem sempre é possível imaginar direito a natureza de objetos e criaturas que estão na tela. Também lidamos com um estilo visual que procura agradar as crianças e não “pesar” no DS, então os dois lados da moeda parecem ser negativos. Isso atrapalha na imersão que o jogador terá com o título.

Enfim, não deixe se enganar por apenas esse ponto negativo. Mesmo com gráficos que a primeira vista parece ser de baixa qualidade, devemos analisar melhor a proposta do game, o que no fim gera a conclusão de que os gráficos são de qualidade média, e não baixa, por atender as necessidades básicas de FFT.

87 ds
Ótimo