A essência da franquia em uma fórmula simples e divertida

De modo geral, The 4 Heroes of Light é um JRPG — Role-Playing Game japonês — um tanto tradicional, recheado com magia, fantasia, batalhas por turnos e encontros com personagens variados. Mas as peculiaridades do título da Square Enix são mostradas logo no início da saga: você define o nome dos quatro heróis principais, cujas descrições são apresentadas como uma forma de introdução à aventura.

Img_normalNo entanto, há a possibilidade de usar os nomes definidos pelo próprio jogo: Brandt, Jusqua, Yunita e Aire. Tudo começa na cidade de Horne, na qual é apresentada a primeira grande missão do gamer: salvar a filha do rei, Aire (ou qualquer que seja o nome dado pelo jogador).

Vale lembrar que você só controla um herói em certos momentos, enquanto os outros ficam espalhados pelo local. Isso ocorre nas cidades e em outros ambientes. É claro que, nas batalhas, é possível executar ações com todos os membros da equipe.

O grupo fica separado por boa parte da história, mas isso apenas alimenta o desejo de aprofundar-se no enredo. O movimento dos combatentes é realizado com os botões direcionais ou com a stylus na tela inferior. Mais além, o mapa é desbloqueado e tudo fica ainda mais claro.

É importante ressaltar que descansar em uma cama ou passar a noite em uma casa de pouso recupera a energia vital e os Action Points (AP: cinco pontos gastos em magias e carregados com os turnos das batalhas) de todos os combatentes do grupo. Uma das casas das cidades possui um personagem que leva o gamer para a área multiplayer do jogo, mostrando que explorar os diferentes ambientes realmente vale a pena e faz parte da experiência.

O multiplayer permite o ingresso de até quatro aventureiros — modo local sem fio — em missões opcionais. Completando os objetivos propostos, os jogadores são remunerados com Battle Points, pontos a serem gastos em novos equipamentos.

Há um ciclo dinâmico de dia e noite, e isso faz parte da jogabilidade. Você deve ficar atento aos movimentos e aos diálogos dos personagens para saber quando agir. Falando nisso, é fundamental conversar com os demais protagonistas da trama. Assim, o jogador pode ser auxiliado até mesmo com dinheiro.

Quanto ao combate, as disputas são apresentadas por turnos. As três principais ações são atacar, efetuar o Boost — carregar a barra de AP — e usar itens (como poções que regeneram a energia vital). Cada personagem recebe um ponto de ataque no início da batalha. Existe a chance de realizar — e receber — ataques críticos.

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Supondo que Xubiruba seja um dos heróis, “Xubiruba is psyched up!” é uma frase comum em meio aos embates. Depois de passar um bom tempo com o game, fica fácil perceber que empregar diferentes tipos de investidas mágicas — fogo, vento, água... — é essencial para o progresso. É oferecida uma lista de comandos com seis espaços para as habilidades adquiridas pelo caminho. Por fim, o gamer pode ligar o Auto Mode, que bloqueia o uso manual de itens.

A recompensa pelo sucesso nas batalhas surge na forma de itens e pedras preciosas (Gems). Os itens, como espadas e outros armamentos, podem ser distribuídos pelo grupo. As Gems não ocupam espaços no inventário e podem ser vendidas em troca de ouro ou usadas para melhorar objetos como as “coroas” (Crowns). O inventário conta com apenas 15 espaços, mas há uma casa na qual o jogador pode depositar itens — 99 slots — para resgatá-los depois.

O sistema de nivelamento não permite que o jogador distribua os pontos de atributos (Strength, Intellect e Spirit) adquiridos ao longo da saga. Mas é possível visualizá-los na tela do personagem selecionado, bem como contemplar a energia vital, a quantidade de AP, os atributos de combate (ataque, defesa e defesa mágica) e os itens equipados.

O jogo sugere que existem, contando com a opção padrão (Freelancer: não usar nada na cabeça), 28 “coroas” a serem coletadas. As Crowns, na realidade, nada mais são do que chapéus de diferentes estilos e possuem propriedades únicas que auxiliam o gamer durante a saga. Ou seja: é uma substituição do tão conhecido sistema de Jobs.

Deve-se reforçar que, se todo mundo do grupo morre, o gamer volta ao último jogo salvo, mas não ao lugar onde salvou o progresso. Esse processo é feito através dos Adventurers, personagens presentes até mesmo em cavernas escuras (muitas vezes, logo antes de embates com chefes).

Você mal iniciou a aventura e já visualizou os créditos no começo do game? Não se assuste, sua longa jornada está apenas começando.

Robusto e completo, este Final Fantasy não deixa a desejar. O pessoal da Square Enix foi ousado ao aplicar uma abordagem, digamos, “diferente” em uma fórmula de sucesso no mundo dos video games. Ainda bem que o conjunto final foi convincente.

O interessante é perceber que certas peculiaridades — assim como o potencial único do Nintendo DS — relembram a proposta básica da série e ao mesmo tempo transportam o jogador para uma experiência chamativa e envolvente. A diversificação, presente em quesitos como o conjunto de Crowns e o sistema de combate, valoriza ainda mais a experiência.

Os poucos defeitos de peso presentes em The 4 Heroes of Light não são o suficiente para repudiar os fãs da franquia e evitar que iniciantes em FF sintam-se atraídos pelo game. É uma aventura e tanto para um console de bolso.

Direto ao ponto, mas completo

Talvez uma das melhores facetas do jogo. Diálogos sucintos e simples — mesmo fazendo parte de uma trama pouco expressiva — entram em sintonia com a praticidade das diferentes ações efetuadas (isso vale também para os mini games). Você não perde tempo com cenas que não combinam com o contexto. A interface amigável e intuitiva deixa tudo ainda mais fácil, incluindo a interessante personalização das Crowns e dos personagens (equipamentos).

Há vários objetos sugestivos que poderiam admitir interação, mas o jogador tem a possibilidade de interagir com praticamente qualquer ser vivo na tela (cachorros, ovelhas), com estantes de livros e com vários outros itens na tela.

A variedade de monstros, ataques e itens é satisfatória. Portas trancadas, baús inacessíveis, “viradas” na trama, dragões, outros personagens para controlar... São vários os aspectos sugestivos que apenas enaltecem a vontade do jogador em conhecer mais sobre “os quatro heróis da luz”. A introdução acima comprova a robustez do game, não?

Img_normalDificuldade balanceada

Tanto os combates quanto o sistema de nivelamento mostram o quão balanceado é o nível de desafio do jogo. É primordial estar atento ao uso de itens e habilidades antes e durante os combates. Chefes, por exemplo, exigem que o jogador faça o melhor na utilização de objetos e na execução de ataques conjuntos com dano extra.

Portanto, a estratégia a ser empregada nos combates compensa a falta de uma divisão explícita de modos de dificuldade. Você deve, ainda, prestar atenção às vulnerabilidades dos inimigos, explicadas pelos personagens e por outros meios. Reforçando: magia faz parte da jogabilidade e deve ser usada sem medo.

Trilha sonora agradável

Mesmo com o “baixo” poder de processamento sonoro do DS, as músicas de The 4 Heroes of Light são muito cativantes. Temas tradicionais da franquia Final Fantasy são reproduzidos com clareza e descontração e variam de acordo com o ambiente explorado no momento.

É claro que as trilhas costumam entrar em loops infinitos, mas isso não é ruim, levando em consideração que a qualidade das faixas é elevada e quem realmente gosta das músicas da série não vê problema em escutá-las repetidamente.

Belos gráficos

Misturando 3D com 2D e usando o artifício da fog — uma espécie de névoa que bloqueia objetos ao longe — como forma de conciliar desempenho e qualidade, os desenvolvedores da Matrix Software obtiveram um resultado admirável. O portátil da Nintendo não possui um avançado hardware de gráficos (em comparação com o PlayStation Portable, por exemplo), mas exibiu bons visuais com este jogo.

Um bom estilo artístico abriu alas para o surgimento de cenários limpos, bem detalhados... Felizmente, os ambientes e objetos tridimensionais não são ilustrados de uma maneira muito forçada. Na realidade, tanto os personagens e monstros quanto os efeitos visuais denotam um equilíbrio entre simplicidade e beleza.

Problemas estruturais

O jogo peca no seguinte sentido: não há menus em forma de lista (um ponto relativamente inofensivo, mas...), nem uma área apenas para refrescar a memória do gamer sobre as missões em andamento. Não existem tutoriais práticos, somente dicas ao longo do caminho. Para quem não entende inglês, fica mais difícil compreender os princípios básicos da jogabilidade.

Img_normalNão é possível mudar o alvo dos combatentes, e isso pode facilmente acarretar na morte dos heróis. Aliás, se todos os integrantes do grupo perecerem em um combate, você é “convidado” a fazer todo o percurso novamente, não importando se o progresso foi salvo logo antes da batalha em questão ou não. É chato reaparecer na cidade e ter que percorrer todo o caminho até o destino desejado. O ideal seria fazer uso de um “Quick Save”.

Enjoativo em certos aspectos

O charme da trama é incontestável, mas a linearidade dos eventos também (as próprias instâncias — dungeons — poderiam ser mais complexas). É oferecida uma “ilusão de escolha”, mas o gamer não pode definir o futuro da equipe. Pessoas mais exigentes podem achar que o charme dos personagens não é o suficiente para compensar a trama relativamente genérica.

Às vezes, é um tanto enervante levar os personagens a exterminarem vários inimigos para ficarem mais fortes e resistentes em prol da superação de desafios mais complicados. Essa área repetitiva do game é praticamente inevitável. Ainda bem que existe uma habilidade chamada Runaway: uma chance de fazer com que a equipe de combatentes fuja da batalha.

83 ds
Ótimo