As chamas de um velho dragão demoníaco incendeiam o DS

Fire Emblem é uma franquia clássica de estratégia que com o lançamento de Shadow Dragon estreia seu décimo primeiro título. Essa produção é o segundo remake criado para a versão original do game.

O jogo é classificado como um RPG tático baseado em turnos, contando com uma jogabilidade bem particular. Cada jogador tem seu turno no qual ele pode ordenar para seus recrutas executarem um movimento e uma ação, isso ocorre em um cenário estratégico dividido por seções quadriculares.

Cada personagem do jogo possui suas características próprias, sua configuração de pontos em seus atributos e função da classe. Isso torna o campo de batalhas um local onde o jogador deve planejar constantemente suas jogadas e medir os riscos para executar ataques ou manobras evasivas. Portanto, existem quatro possibilidades de decisões: uma boa decisão, uma decisão regular, uma decisão ruim e uma decisão péssima.

Em Fire Emblem encontramos um sistema do tipo “pedra, papel e tesoura” em relação a espadas, machados e lanças. Basicamente, as opções de ações de um personagem se resumem aos itens que ele carrega, sendo inexistentes opções como habilidades especiais. Esses itens têm limitações numéricas de uso, o que requer um pensamento econômico quando for atacar um inimigo: “Devo usar minha arma poderosa ou a regular?”.

Sempre deixe uns três guardas perto dele

Um desafio que deixa a estratégia mais tensa é o fato de que quando uma unidade morre é hora de dizer adeus para aquele pobre soldado. Nunca mais você irá rever aquele soldado, não há essas frescuras de ressurreições e anjinhos caindo do céu só para reviver seu aliado querido. E o jogador só recebe novos soldados em alguns cenários, portanto nunca se arrisque à toa.

Outro desafio tático é a necessidade de nivelar soldados. Nem todas suas unidades são guerreiros lendários que comem dragões no café da manhã. A realidade é que a maioria são guerreiros novatos que podem ser derrotados até por uma leve brisa fria (não, não tem nada disso em Fire Emblem, foi só uma metáfora).

Uma das tarefas do jogador é garantir que os fracotes ganhem alguns níveis para talvez até evoluir de classe e se tornarem poderosos e úteis. Em vez de aniquilar os inimigos com seu guerreiro mais forte, seria uma boa ideia mandar os novatos ganharem um pouco de experiência. Só não dê tarefas muito difíceis a eles, ou o desenvolvimento deles pode ser brutalmente interrompido.

Shadow Dragon apresenta aos jogadores uma animação inicial esclarecendo todo o enredo sobre um dragão maligno e um jovem príncipe, Marthias. A história se desenvolve a cada batalha e inclusive há fases especiais que servem para recrutar alguns soldados novos quando o seu exército sofreu percas demais entre os capítulos.

Enfim, Marthias é um personagem insubstituível, pois ele é o único capaz de derrotar o tal dragão do capeta. Se compararmos Fire Emblem com um jogo de xadrez, Marthias é o rei. Perder ele em uma batalha ativa o game over.

Com tanta estratégia, também é possível configurar a dificuldade do jogo entre normal e difícil. O modo difícil, acredite, é realmente mais difícil e só é recomendável para quem está acostumado a desafios estratégicos, ainda mais quando esse modo exclui o prólogo do jogo, que funciona como um tutorial no modo normal.

Fire Emblem: Shadow Dragon é um jogo imperdível para que gosta de RPG e estratégia. A qualidade do título está ótima e, além disso, ele é muito divertido. O ponto forte dele é a estratégia, o tornado um game único ao proporcionar um nível conveniente de desafios táticos. Defender Marthias ao mesmo tempo em que você quer aniquilar seus inimigos sem sofrer muitas baixas é uma tarefa desafiadora, sem implicar em nada insuperável.

Jogabilidade estratégica atraente e inteligente

Não se iluda com vantagens númericas Em Fire Emblem a estratégia é extrema, pois um erro significa uma morte e quando isso acontece o personagem não volta nunca mais. Além disso, o Lord Marthias deve ser protegido a todo custo.

Isso é muito diferente de qualquer jogo de RPG ou de estratégia que permitem o uso de táticas suicidas ou simplesmente desvaloriza a preocupação com a vida de suas unidades, motivado ou por conta da possibilidade de reviver e curar seus personagens ou pela facilidade de arranjar recrutas.

Em Shadow Dragon, cada unidade possuirá sua capacidade e função específica, aspectos que devem ser sempre levados em consideração em qualquer jogada executada pelo jogador. Toda situação terá opções de soluções alternativas, mas nada garante que elas funcionem.

História firme e forte

O enredo é simples e fácil de entender. Faz sentido (dentro de um mundo fantasioso) e não possui furos. É interessante e induz ao jogador a querer conhecê-lo. Não estamos falando de nenhum épico aqui, mas Shadow Dragon merece alguns aplausos por sua trama decentemente produzida.

Joguinho desafiador

Como já citado, Fire Emblem oferece desafios razoáveis com sua jogabilidade empolgante. Quem quiser mais emoção pode até mudar a dificuldade para o modo difícil, entretanto irá perder o prólogo. Cada turno representará a necessidade de bolar táticas para superar adversários.

Tutorial funcional

Foi uma ideia boa e criativa a de criar um prólogo-tutorial. Desse modo o jogador aprende a jogar ao mesmo tempo em que ele presencia o inicio da aventura de Marthias. E quem quer ir direto para guerra pode pular o tutorial e ao mesmo tempo enfrentar desafios mais emocionantes no modo Hard.

Dá para assistir sem fazer careta

Não tá feio não esses gráficos pro DS Os gráficos estão bonitos, não são surpreendentes, na verdade seguem um padrão antigo de RPGs clássicos. Já os sons embalam muito bem o clima de aventura do título. Estamos falando de um remake aqui e a obra ficou ótima, sem fugir da proposta do Fire Emblem original. Afinal, Shadow Dragon transmite muito bem o espírito da franquia Fire Emblem e não deveria estar muito diferente disso.

Há segundas chances sem facilitar demais o jogo

Dificilmente o jogador irá sofrer em Shadow Dragon, sendo constantemente humilhado pela superioridade da inteligência artificial por exemplo. O jogador pode muito bem superar todos os desafios sem possuir um titã ao seu lado. E mesmo quando baixas demais são ocasionadas pelos conflitos, o jogador recebe acesso a fases especiais nas quais mais guerreiros são encontrados, dispostos a sacrificar a própria vida em prol de Marthias.

Multiplayer ON

É de se esperar a adoção de um multiplayer em certos jogos, algo que fãs de Fire Emblem provavelmente esperam em um novo lançamento. Shadow Dragon oferece suporte para dois jogadores online ou locais, sendo que há algumas vantagens em jogar online como a possibilidade de melhorar sua tropa e adquirir novos itens.

Desenvolvimento de personagens

Cada um dos seus soldados são peças únicas muito valiosas nos combates, resta ao jogador saber como usá-las e principalmente evoluí-las. É interessante treinar um guerreiro fraco até ele se tornar uma máquina de matar descontrolada, podendo até evoluir a classe após certo nível.

Restrições...

Elas fazem parte da proposta, mas não temos muitos contras aqui e imaginamos que isso realmente possa incomodar alguns jogadores. As restrições impostas em Shadow Dragon limitam as possibilidades que um jogador teria sem elas, contudo elas fazem parte do contexto estratégico em que as ações devem ser medidas cautelosamente para não ser prejudicado.

Você só pode usar esse ataque 20x

Quase não faz sentido reclamar disso, porém é muito chato perder uma unidade forte, sendo que haverá muito trabalho para treinar outro aliado até que ele chegue a um nível semelhante ao do falecido.

Um novo soldado? Droga! Não tenho tempo para treiná-lo!

Grande parte dos recrutas surgirá como muita fraqueza por causa do nível baixo. O jogador necessita treinar cada soldadinho novo caso ele não queira perdê-los posteriormente em uma “batalha de verdade” ou queira simplesmente tornar um inútil em um útil. Então, é um incomodo ter que perder tempo com os novatos.

Trilha sonora poderia ser mais empolgante

Os sons do jogo conseguem atender a proposta de Fire Emblem. Infelizmente, não há nada muito empolgante na trilha sonora que ajude a animar o jogador. E o jogo também não tem dublagens. Mas, como estamos falando de Nintendo DS, isso está perdoado. Não que o game tenha uma trilha sonora ruim, o problema é que é muito repetitiva. Nas cenas de duelos até que a música fica mais eletrizante, mas é sempre a mesma música...

Podemos citar como exemplo de um caso relacionado a esse aspecto o Yushaa 30 (Half Minute Hero) para PSP. Esse game é muito simples e adota gráficos no padrão retro, entretanto a trilha sonora é tão empolgante que torna toda a experiência muito mais divertida. Em resumo, Shadow Dragon não surpreende na parte sonora, como também não decepciona.

A animação não tão animada

Sim, é um remake e esse é outro contra que pode ser desconsiderado por causa da proposta do game. De qualquer jeito, os gráficos poderiam receber uma dose de proteína e receber mais vida caso os desenvolvedores adicionassem mais animações (mais movimentos). As cenas de batalhas também não são das mais emocionantes, um soldado dá um passo e ataca e o outro também ataca sem muito esforço, mesmo para um jogo baseado em turnos isso é um pouco perturbador. E uma polida a mais nos visuais também não mataria ninguém.

87 ds
Ótimo