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Firewatch é uma experiência extremamente emocionante, tocante e curta

Vinicius Munhoz

Firewatch chegou sorrateiro, bem de fininho, e despertou o interesse dos jogadores com um trailer lindíssimo e promessas de uma experiência incrível, cativando e chamando atenção com alguns trechos belíssimos.

O primeiro ponto a ser levantado é, talvez, o mais importante para quem não sabe do que se trata: por mais que pareça, a obra não conta com elemento algum de survival. Não há crafting, não há armamento e equipamentos, não há ação. Essa confusão ocorre por conta da temática e das propagandas do jogo.

Os vídeos de divulgação podem ter dado essa leve impressão ao telespectador, mas Firewatch é um jogo de narrativa linear de algumas poucas horas. Filme interativo talvez não seja a melhor definição, mas é a mais próxima para resumir a experiência. Com isso em mente, como é a sensação de viver um tempinho no mundo de Henry e Dallilah, protagonistas do título? Confira a nossa análise completa.

Uma narrativa tão boa quanto a de um livro

Se você é fã de uma boa história e não se importa de ler algumas linhas de diálogos por um tempo, é seguro dizer que Firewatch vai conquistá-lo nos primeiros cinco minutos de jogatina. Não porque há um grande mistério ou elementos mágicos, mas porque o game traz uma história dramática e carregada emocionalmente, que parece que foi retirada de um conto real.

A narrativa gira em torno de Henry, um homem de 40 e tantos anos, e a história de como ele conheceu a sua esposa, Julia. O título começa no momento em eles se conhecem e explora a longa e feliz vida de casal de ambos, ao mesmo tempo em que ensina ao jogador como as mecânicas de diálogo e decisões funcionam.

Entretanto, Julia contrai uma grave e degenerativa doença e as coisas começam a piorar. Depois de muita tentativa de ajudá-la, incluindo cuidar pessoalmente dela em vez de enviá-la a uma casa de repouso, os pais de sua esposa não aguentam vê-la nessa situação e a levam para viver com eles na Austrália.

Independente das suas escolhas (que servem simplesmente para criar um background aos acontecimentos do decorrer do game), é inegável a qualidade dos diálogos do jogo. Firewatch não se parece com uma narrativa interativa digital, pois muitas vezes o nível é comparável ao de uma excelente obra literária.

A história pode ser outra: Henry, devastado com a situação de sua própria esposa não o reconhecer mais depois de anos de um amor verdadeiro, se esquiva da responsabilidade por não saber lidar com a perda e a mudança de algo tão precioso, se tornando um potencial alcoólatra que tranca a própria mulher em casa com medo de perdê-la.

Um jogo sobre estreitamento de relações e mistérios bizarros

A descrição acima foi só um exemplo do que o jogo nos apresenta durante a narrativa. O grande foco do título é você se relacionar com a sua chefe, Delilah, após Henry ficar sem rumo e decidir aderir ao serviço de alerta de incêndios, também conhecido como Firewatch. Contudo, tudo o que você tem para conversar com a moça é um velho Walkie-Talkie.

Trata-se de uma história introspectiva, e essa é a grande sacada da obra. Você pode até achar que o jogo é sobre o protagonista, Henry, e a sua tarefa de vigiar focos de fogo na floresta, mas não é isso. Firewatch é sobre um drama do dia a dia que poderia acontecer com qualquer um de nós e como seria a nossa postura ao encarar isso.

Dealilah é uma companhia que nos apresenta diálogos que causam uma dualidade muito grande: o que estamos fazendo é certo? A pergunta que paira no ar ao longo dos dias de vigia na floresta é: é errado seguir em frente? É uma questão muito forte e extremamente difícil de pensar, mas que todos nós nos fazemos ao menos uma vez na vida. Por conta disso, nós nos aproximamos dos personagens de uma maneira muito mais intensa do que acontece com qualquer filme.

Por alguns momentos, a narrativa apresenta uma segunda vertente para cativar o jogador: um mistério, que flerta com elementos de terror e coisas bizarras no maior estilo da série “Lost”, para fugir de uma única linha de história e apimentar um pouco as coisas, saindo de uma fórmula que poderia ser um drama meloso demais.

O isolamento é uma ferramenta muito poderosa para mergulhar nas duas sensações. Estar na floresta por conta própria é a situação ideal para criar uma paranoia que explore o lado sombrio do roteiro, assim como também é perfeito para estreitar relações com a única pessoa que conversa com você em um local extremamente afastado da civilização moderna.

Henry conta apenas com um mapa e uma bússola para se localizar. No começo, é um pouco confuso, mas as anotações que você copia no papel de tempos em tempos o ajudam a se localizar melhor. Basicamente, estes equipamentos são os seus melhores amigos para avançar na história, e isso cria uma ótima imersão no ambiente. Mais para o final do jogo, você ganha alguns outros itens, mas vamos manter o segredo para evitar spoilers.

Decisões com pouco impacto

Por conta do subtítulo, você provavelmente deve estar imaginando algo ruim. No fundo, realmente conta como um ponto negativo, mas há outra perspectiva aqui. Vamos destrinchar um pouco a situação. Primeiro ponto: independente do que você responder – ou até mesmo optar por não dizer nada –, não há um final alternativo ou linhas de narrativa que mudam significativamente.

Por esse ponto, devemos partir para o aspecto negativo de Firewatch: trata-se de uma experiência linear de duas horas e meia a três horas e meia – varia da sua velocidade de jogo e do quanto você explora o cenário – na qual exploramos uma determinada área do mapa e temos alguns diálogos. Em outras palavras, há pouco para se fazer e não existe um fator replay para estender esse tempo.

Então fica a pergunta: se não há incentivo para jogar de novo, não há final alternativo nem mudanças significativas, por que há um sistema de decisões? Aqui está a grande sacada da obra: as escolhas não servem para alterar a história, mas sim para mudar a forma como você interpreta a narrativa e se conecta com ela.

Ficou confuso? Vamos esmiuçar um pouco. Firewatch é como um livro: não importa o que você faça, as coisas não vão mudar. Entretanto, é aí que a interatividade lúdica de um video game entra em cena. Responder ou não às perguntas de Dealilah servem para você colocar um pouco da sua personalidade aos acontecimentos do game e pensar por alguns momentos: “O que eu faria?”.

Durante a fase de pré-venda, eu e uns colegas vimos na descrição da Steam a seguinte nota: “Firewatch é um jogo sobre adultos tendo conversas de adultos sobre coisas de adultos”. Certamente, isso gerou algumas risadas. Contudo, depois de terminar o título, é fácil entender o porquê.

São decisões morais e situações muito próximas das de problemas graves que podem acontecer com qualquer um na vida adulta. Não vou dar spoilers sobre o que se desenrola ao longo da trama, mas é realmente visível que um adolescente ou uma pessoa mais nova talvez não se conecte com o jogo por falta de vivência ou maturidade para receber a carga emocional transmitida pelas conversas de Henry e Dealilah.

Um final relativamente morno

Se teve algo que me desapontou um pouco depois de alguns mistérios e um bom tempo estreitando o relacionamento e fazendo amizade com uma pessoa de que só conhecíamos a voz foi ver o final que Firewatch nos apresenta depois de um período de investimento longo na trama.

Sem spoilers aqui, mas falarei de uma forma geral: o fim da história não é ruim, mas ele simplesmente não atende às expectativas. Algumas pontas ficam soltas, enquanto outras ganham um fechamento que talvez não seja satisfatório para a maioria dos jogadores.

Contudo, lembra-se da parte em que disse sobre Firewatch ser um jogo com elementos reais e uma narrativa para adultos? Talvez, as nossas expectativas fantasiosas e fantásticas sejam criadas por conta do histórico dos video games, enquanto a história de Firewatch se prende à realidade. Apesar dos pesares, certamente a história do título nos faz repensar certas coisas.

Experiência audiovisual fantástica

Vamos falar primeiro sobre o aspecto mais fácil de admirar no título: os gráficos. A arte de Firewatch é simplesmente soberba, não só no que diz respeito a modelos 3D de qualidade e bons efeitos visuais, mas também à estética inteira do game. O estilo artístico lembra muito o das animações da Pixar.

Ao longo da aventura, temos um breve relance apenas de algumas partes do corpo de Henry (devemos lembrar que o jogo adota a perspectiva de primeira pessoa) e vemos apenas o ambiente selvagem da floresta sob o risco de incêndio. É genial como os desenvolvedores colocam elementos para nos lembrar de coisas da história nas próprias animações do personagem.

Toda vez que o protagonista faz qualquer movimento com as mãos, seja pegar um objeto ou pular um galho seco, vemos rapidamente a aliança em seu dedo, como se fosse um lembrete sutil de que as decisões e os sentimentos criados por Dealilah devem ser levados em consideração sempre pelo fato de Henry ainda ser casado.

Outro grande destaque visual é a variação de dia e noite, que altera drasticamente o sentimento expressado em cada cena e local da floresta. Firewatch não tem medo de explorar todos os aspectos de um jogo digital para passar sentimentos e mudar o impacto da narrativa. Os pores do sol melancólicos, as tardes vivas de verão ou as noites escuras e sombrias: todos esses elementos trazem uma adição à experiência.

Em termos técnicos, o game é fantástico, mas sofre com alguns problemas, como bugs de sobreposição de itens (os famosos objetos que atravessam paredes) e, principalmente, pop-in de modelos 3D. Conforme andamos na floresta, diversos itens do cenário vão surgindo durante a caminhada. Isso ocorre até mesmo nas configurações mais altas do computador.

O trabalho das vozes de Henry e Dealilah também é soberbo. A atuação dos dubladores fica bem acima da média e certamente cria o melhor elemento da obra: a imersão. Os diálogos são muito bem-feitos e todos são perfeitamente interpretados. Quando as falas não estão em cena, Firewatch coloca o som da natureza ou músicas tocantes, sempre no momento certo.

Vale a pena?

Firewatch é uma narrativa extremamente bem construída, cativante, empolgante e emocionante. Se você estiver sintonizado com o clima do game, certamente vai apreciar a carga emocional da vida de Henry, gerando um dos melhores momentos de histórias de jogo que você já teve. Contudo, é inegável ressaltar que se trata de uma experiência linear, curta e com um baixíssimo fator replay.

Se você é fã de títulos curtos que têm um começo, meio e fim bem definidos e sem enrolação – algo almejado por muitos hoje em dia, já que falta tempo para os jogadores –, Firewatch é um lançamento que você não pode deixar de adquirir. Se a temática chamou sua atenção, mas você tem medo de investir uma grana, talvez seja bom esperar uma promoção.

85 pc
Ótimo
"Apesar de trazer uma história com uma carga emocional muito forte, ótimos gráficos e um trabalho soberbo de dublagem, a experiência é curta demais"

Pontos Positivos

  • História extremamente emocionante e tocante
  • Diálogos muito bem escritos que imergem o jogador
  • Clima de suspense e mistérios ajudam a cativar o jogador
  • Gráficos e animações fantásticas
  • Dublagem muito bem-feita
  • Experiência imersiva que prende os amantes de uma boa narrativa do começo ao fim

Pontos Negativos

  • Decisões com pouco impacto
  • Final morno e com algumas pontas soltas
  • Experiência muito curta, com apenas 3 horas de jogo

Outras Plataformas

85 ps4