Um capítulo a ser esquecido na enorme saga de Kenshiro

Varrido pela guerra nuclear, o planeta Terra parece não ter mais quase nenhuma chance de prosperar. No entanto, alguns poucos humanos conseguiram sobreviver aos ataques e passaram a viver em grupos fechados, numa sociedade em que voltou a prevalecer a antiga lei da natureza, a qual dita a sobrevivência dos mais fortes.

É nesse contexto que surge Kenshiro, um guerreiro tido como sucessor do estilo de luta Hokuto Shinken. Junto com os personagens Bat e Lin, Kenshiro age em favor dos mais fracos, protegendo inúmeras vilas dos ataques de baderneiros — e posteriormente se envolvendo em grandes guerras imperiais.

O alvo perfeito

Em vista do estilo da história, nota-se que Fist of the North Star (Hokuto no Ken) serve perfeitamente ao time da Koei, que vem há muitos anos trabalhando na linha “Musou” de jogos. O primeiro alvo das adaptações para o mundo de Dynasty Warriors foi Gundam, que obteve sucesso limitado, dentro do Japão.

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Agora é a vez de Kenshiro entrar nas brigas virtuais, tendo que aniquilar as intermináveis ondas de oponentes. A pergunta que fica no ar é: terá a Koei conseguido fazer justiça ao trabalho dos criadores da história e das ilustrações?

Não há dúvidas de que o time da Koei teve um excelente material de apoio, recheado de combates violentos e de uma narrativa intrigante que cativou milhares de fãs ao redor do globo. No entanto, o que se vê é um trabalho rápido de adaptação, que desperdiçou o potencial da obra original.

Fist of the North Star: Ken’s Rage sofre em praticamente todos os aspectos da análise, da jogabilidade à trilha sonora, falhando em cativar a atenção dos jogadores e restringindo a ação a alguns corredores repletos de inimigos — que se repetem incontáveis vezes, acabando com a paciência de qualquer um.

Antes de comprar Fist of the North Star: Kens’s Rage, pense a respeito da seguinte pergunta: você gosta dos jogos da linha Dynasty Warriors ou é fã da obra original de Buronson? Se a resposta for negativa, saiba que o jogo desenvolvido pela Koei não foi feito para você...

Um belo exagero

Os personagens podem ser reconhecidos de imediato e as dublagens não são as piores que já vimos. Felizmente, é nas passagens animadas que se faz mais presente a influência da cultura nipônica e também dos mangás, uma vez que surgem na tela cortes mirabolantes de câmera, gritos exagerados e muita violência.

É o caso dos golpes especiais do protagonista — desbloqueados na medida em que a campanha se desenvolve — capazes de revelar todo o poder do estilo Hokuto Shinken, por meio de socos e chutes alternados, desferidos em uma velocidade que não pode ser facilmente percebida pelos olhos dos jogadores.

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Todos os pontos de vista

Além da campanha principal — que envolve cinco personagens —, Fist of the North Star: Ken’s Rage traz o Dream Mode (ou Illusion Mode, dependendo da versão). Trata-se de um cenário de possibilidades, que aborda as perspectivas de outros personagens envolvidos nos conflitos e nas guerras.

Ao todo, existem oito heróis selecionáveis — cada qual com suas respectivas habilidades, ainda que o sistema de luta seja o mesmo. Confira a relação abaixo:

  • Kenshiro;
  • Jagi;
  • Mamiya;
  • Raoh;
  • Rei;
  • Shin;
  • Thouzer; e
  • Toki.

Pequenas evoluções

Aqueles que se dedicarem à realização dos objetivos complementares de cada estágio receberão pontos extras. Tais pontos podem ser traduzidos diretamente em mais poder para Kenshiro, graças ao sistema de evolução de habilidades — compradas entre as missões, e dispostas em estruturas sequenciais de aprendizado.

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Como exemplos, podemos citar: mais resistência aos golpes, aumentos de energia vital, menor consumo de energia espiritual com a ativação das habilidades especiais e também maior impacto para socos e chutes.

Resumindo...

Fist of the North Star: Ken’s Rage se resume em uma palavra: matar. O jogo inteiro consiste em séries de corredores ou pequenas áreas ligeiramente mais abertas, contendo centenas ou até mesmo milhares de inimigos, tudo para que você os trucide de diversas maneiras, utilizando alguns dos combos disponibilizados desde o início do game.

O problema é que isso, cedo ou tarde, enjoa. Depois de umas duas horas, você começará a se perguntar se não há nada de novo para fazer ou descobrir no game. Como já mencionamos, os personagens auxiliares podem distraí-lo por mais alguns instantes, mas a fórmula continua a mesma.

Estilo limitado

O sistema de combate corrobora com o problema citado acima, por ser extremamente restrito e apresentar poucas variações de golpes. Limitado a cerca de cinco combinações mais eficazes, você passa a esperar desesperadamente pela destrava das novas habilidades especiais.

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Contudo, as grandes técnicas marciais (dotadas de suas próprias animações) quebram o ritmo das partidas, assim como os agarrões, que exigem uns três segundos de inicialização — tempo mais que suficiente para o inimigo fugir, reagir e até mesmo derrubá-lo, quebrando todo o seu esforço.

Dada a natureza do game (focada estritamente nas lutas), um sistema mais complexo, maleável e variado de golpes faria milagres pela jogabilidade.

Sujeira na tela

É uma tristeza percebermos que os visuais do jogo não refletem a qualidade dos desenhos de Tetsuo Hara. Nas telas, Kenshiro aparece ao lado de uma série de inconsistências, as quais são ampliadas pela ambientação pós-apocalíptica da história. Os cenários desertos são cobertos por texturas borradas e de baixa resolução, sem a devida filtragem anisotrópica — ou seja: dependendo do ângulo da câmera, as superfícies de objetos e da própria paisagem perderão toda a definição.

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Em movimento, a imagem é comprometida pela aplicação indevida do desfoque de lente e pelos péssimos efeitos de explosões ou de chamas. Adicione ainda à imagem quebras ridículas de paredes do cenário, pop-in de objetos e muito serrilhado. O resultado não é nada animador, havendo muitos jogos bem superiores no mercado.

Ao serem derrotados, os oponentes passarão por transformações corpóreas grotescas, com direito a partes de seus corpos inchando, balançando para os lados e depois explodindo, formando uma verdadeira sopa de sangue na tela (que mais parece uma gelatina mal preparada).

A explicação para as deformações está no estilo utilizado pelo protagonista, que atinge pontos de energia dos corpos dos oponentes. Infelizmente, o efeito é de péssima qualidade.

Pecando na apresentação

Aqueles que forem fãs da linha Dynasty Warriors de jogos provavelmente sairão satisfeitos com Fist of the North Star: Ken’s Rage. Entretanto, os que acompanharam os quadrinhos ou aqueles que esperam por um jogo com um bom desenvolvimento da narrativa ficarão desapontados.

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Dizemos isso porque o game não faz justiça ao material original, uma vez que as explicações dos eventos são raras e desconexas dentro das partidas, deixando os leigos ainda mais perdidos e provocando raiva naqueles que conhecem cada um dos eventos, devido à enorme omissão de importantes acontecimentos e personagens. Em alguns casos, capítulos inteiros foram ceifados da história.

Ritmo lento

As telas de carregamento de Fist of the North Star: Ken’s Rage são moderadamente lentas, estando presentes em todas as mudanças de tipos de campanhas, estágios e animações.

Contudo, o que mais atrapalha os jogadores é processo de instalação, que pode chegar a tomar mais de 25 minutos do seu tempo. Fica o aviso: se for jogar pela primeira vez, já arranje outra coisa para fazer... Quem sabe tomar um café e preparar um “sanduba”, não é mesmo?

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