Mistério e conhecimentos místicos da vida após a morte envolvem Folklore.

Nenhum ser humano é capaz de conter sua curiosidade no que diz respeito a aspectos inexplicáveis da vida. Folklore é um game que propaga essa idéia, principalmente no que envolve a vida após a morte. Os mistérios são a maior parte da história do jogo, e podem mexer com o íntimo dos jogadores que forem facilmente influenciáveis.

A Irlanda do mundo moderno é o cenário principal do jogo. Mas um dos focos principais também é o mundo dos mortos, completamente repleto de tradições célticas, muito antigas. Com essa ambientação, o potencial de Folklore torna-se muito grande e promissor, mas infelizmente pouca coisa é explorada de maneira divertida e conquistadora, fazendo com que a experiência com o game não seja totalmente boa para o jogador.


Folklore e suas características

Doolin é uma das regiões onde ocorre a trama do game. A vila irlandesa vira o centro da atenção dos dois personagens principais, Ellen e Keats. Ellen é uma jovem que recebeu uma carta misteriosa, cujo conteúdo dizia-se ser da própria mãe, que não via a filha há 17 anos. Já Keats é um repórter de uma revista intrigante e recebeu uma mensagem de socorro de uma mulher, proveniente exatamente da mesma vila.

Netherworld é a segunda região majoritária do jogo. Nessa terra, as memórias dos mortos pairam no ar assumindo formas curiosas. Com isso, a trama do game, envolvendo os acontecimentos de Doolin e de Netherworld, começa bastante misteriosa. Mas, em certo momento, o gamer pode achar que tudo fica meio óbvio. Não é bem assim.

Ellen precisa encontrar sua mãe.

Esse realmente é um dos pontos fortes do game: o enredo. Infelizmente, os produtores de Folklore não capricharam na maneira com que a história é contada. Os vídeos principais possuem um visual muito bonito, com gráficos extremamente razoáveis, mas que podem iludir facilmente o jogador, pois os gráficos durante o game não são tão bons assim.

Como uma revista, cenas em 2D constituem a maior parte da narração da história do game. São bem ruins, pois não há vozes dos personagens, e na maioria das vezes a música de fundo (que se não agradar o jogador, “já era”) não combina com o que ocorre nos “videozinhos”. São terrivelmente contrastantes com os vídeos reais, pois é facilmente sensível a mudança de qualidade.

Sendo do gênero aventura, o game possui uma jogabilidade concentrada em mover os personagens pelos diferentes lugares e conversar com os NPCs (non-playing characters – protagonistas que não são controlados pelo jogador) a fim de adquirir informações sobre as missões. Há praticamente a inexistência de quebra-cabeças complicados, pois as direções para onde ir e o que fazer são sempre diretas.

Keats precisa batalhar em diferentes lugares para solucionar os mistérios. Um dos fatores que conta a favor do game é a alternância dos personagens no final dos capítulos. A cada final de capítulo, há opção de permanecer com o mesmo protagonista ou trocar para conhecer a história pelos dois lados. Os primeiros cinco capítulos podem ser jogados com a alternância nas duas perspectivas.

Caso algum gamer não compreende essa possibilidade e só entender mais tarde, sentirá uma grande decepção ao ver que tudo é parecido demais dos dois lados, após jogar vários capítulos de uma perspectiva e só depois mudar de ares.

Netherworld: o mundo dos mortos

A ação do game somente ocorre no mundo dos mortos. As mais fantásticas criaturas aparecem nos vastos mundos repletos de ambientes diferentes. Perto desses cenários lotados de cores, vibração e exuberância, o mundo dos vivos não é praticamente nada.

Os folks reagem de várias formas diferentes. Nenhum dos dois personagens possui uma arma de verdade, o que leva o gamer a indagar como ocorre a pancadaria. É simples: sugue a alma das criaturas folk, e use-as a seu favor para combater os outros monstros.

Isso é outro ponto bom no game: usar os folks. As criaturas possuem uma vasta variedade de habilidades e movimentos, portanto o jogador tem a possibilidade de escolher qual a melhor configuração de criaturas para ir à batalha.

O modo como os monstros são exibidos é algo impactante, devido à excentricidade na aparência de alguns bichos. Cada um utiliza seu físico para atacar ou se defender da melhor maneira, seja rolando em direção ao alvo, criando um círculo que bloqueia ao redor ou mesmo servir de espada para Keats ou Ellen em ataques nervosos, com a possibilidade de criação de combos.

Como se não bastasse, os próprios oponentes possuem resistência a alguns tipos de ataque e fraqueza a outros, então a mudança de configuração dos monstros é essencial para que o jogador seja bem-sucedido em seu progresso. Há alguns indícios para ajudar o player nesse aspecto, mas não são muito claros.

Uma vez que o folk alvo seja derrotado, seu id (como se fosse a alma) pode ser sugado para que o jogador utilize de duas maneiras: ou para somente ganhar experiência e em uma certa altura conseguir se transformar em uma forma mais poderosa (exibida nos vídeos dos dois personagens de maneira impressionante), ou utilizar o monstro como equipamento.

Capture a alma de criaturas impressionantes.

Essa captura é realizada com o movimento do controle Sixaxis, por sinal uma ótima sacada dos desenvolvedores. Mexer rapidamente o controle do PlayStation 3 e utilizar o sensor de movimento para capturar as almas dos monstros é essencial, e fica mais difícil quando o gamer decide realizar a captura de criaturas mais fortes e chefes.

Capturar folks, mesmo que já adquiridos anteriormente, é extremamente útil para que o personagem em uso ganhe outros atributos. Além disso, coletar certas pedras e objetos ao executar oponentes colabora para que certas habilidades sejam reveladas ao jogador.

O visual colabora, mas não alivia muito

Mundos enigmáticos repletos de lindas paisagens aguardam o jogador em Folklore. Infelizmente, demoram para serem revelados. É, o tempo do famoso “loading” não é dos melhores, mesmo com a opção Install (que aparece no menu inicial do game) utilizada, e isso pode causar ainda mais irritação no player.

Aparentemente, praticidade não é um dos aspectos interessantes do game. A demora em muitas cenas e carregamento de texturas prejudica o jogo. A tecnologia gráfica utilizada pela Game Republic não se mostrou eficaz e elaborada, pois poderia explorar muito, mas muito mais o potencial que as idéias coloridas e vibrantes dos cenários oferecem.

Cores de todos os tipos aparecem em Folklore.

Missões à parte contribuem para que o gamer avance pelos diferentes ambientes do jogo. Derrotar várias criaturas para que um monstro em especial apareça também explora os recursos visuais de arte do game.

Aproximadamente 20 horas são o tempo necessário para que o jogador finalize a aventura e Ellen e Keats. As missões extras levam os dois protagonistas a lugares inesperados, mas o enredo dos dois infelizmente os leva aos mesmos lugares, praticamente.

As diferenças entre os personagens são pequenas, imperceptíveis para aqueles que querem jogar diretamente e possivelmente encarnarão apenas um protagonista.

Ó áudio do game é bastante envolvente, mas pode se tornar enjoativo caso o player não se identifique em um primeiro contato. Mesmo assim, a capacidade musical dos produtores sonoros se mostrou muito forte e eficaz.

No total, Folklore é um game atolado de mistérios e elementos impressionantes no mundo dos mortos, mas não vale a pena caso o jogador não tenha um mínimo de paciência.
70 ps3
Bom