Prepare a sua prancheta e junte-se à turma de Joel, Dunga e Felipão

Apesar de se enquadrarem na mesma categoria, Football Manager e o saudoso Elifoot são bem diferentes. O título da Sports Interactive prova a cada ano que é, sem sombra de dúvida, o melhor jogo de gerenciamento futebolístico disponível no mercado.

A concorrência tem se acirrado nos últimos anos com a ascensão de FIFA Manager, porém, mesmo assim, a série FM segue na liderança com alguma vantagem sobre os rivais. Este ano não é diferente, mas será que a nova edição da franquia realmente traz algo inovador?

Segundo os desenvolvedores, são mais de 400 recursos inéditos, mas a impressão que se tem ao jogar Football Manager 2011 é a de que se está rodando o mesmo jogo do ano passado com algumas melhorias — o que no caso de FM não é necessariamente negativo.

Football Manager 2011 é indiscutivelmente o melhor simulador de gestão futebolística do ano, o que não significa dizer que o jogo é perfeito. O título aposta na estrutura que vem funcionando nas últimas edições da série e, apesar de trazer várias melhorias, nenhuma delas realmente salta aos olhos, como seria com uma mudança no estilo e na jogabilidade da franquia.

As melhorias incluem maior interatividade e imersão no complexo mundo da administração desportiva. O destaque fica por conta das interações com os atletas, mídia, dirigentes e membros da comissão técnica, que conferem maior profundidade ao título.

Outro ponto positivo é a introdução da figura dos agentes, que agora passam a administrar todas as negociações de jogadores, exigindo detalhes específicos nos contratos dos atletas que representam.

No campo gráfico o jogo ainda se mostra muito limitado — mesmo porque este não é o foco da série. A interface poderia ser mais acessível, mas não é totalmente estranha aos fãs da linha, e as partidas 3D — apesar de totalmente dispensáveis — recebem algumas melhorias.

A briga entre os gigantes do gênero é acirrada, Championship Manager e FIFA Manager seguem fortes no campeonato, porém o título fica com Football Manager, com alguma vantagem sobre seus concorrentes, provando ser a escolha óbvia para os amantes do gênero.

Ensaio geral

Football Manager 2011 é muito melhor do que a última edição da famosa franquia de simuladores de gestão futebolística. Todavia, nem todas as melhorias são perceptíveis a olho nu.

Img_normalA versão deste ano conta com inúmeros ajustes, correções e aprimoramentos de vários aspectos técnicos como a engine das partidas 3D e a dos processos que regem a dinâmica de negociação de atletas e interações com os jogadores e com a mídia.

Entre os aspectos que receberam mais atenção dos desenvolvedores está o sistema de treinamento, que a cada edição passa por várias reformulações. No lançamento deste ano não é diferente e o sistema ganha novas e significantes adições, como o editor de jogadas — para elaboração de jogadas ensaiadas, algo inédito na franquia.

O sistema de treinos também compreende algumas novidades no próprio gerenciamento dos treinos, que incorpora elementos psicológicos aos jogadores, como a adaptação de um determinado atleta a um esquema tático, ou como este é capaz de “aprender” a jogar dentro de uma formação específica.

Na verdade, este esquema já aparecia nos bastidores da edição passada, porém, em Football Manager 2011 tudo está bem mais detalhado e a serviço do treinador. Basta uma rápida observação no menu de treinos para saber que o motivo do péssimo rendimento dos seus atletas é que ninguém conseguiu se adaptar ao mirabolante esquema 2-3-5 (porque será?).

Além disso, os treinamentos individuais (com assistentes dedicados) também foram modificados e agora você sabe exatamente como utilizar os talentos da sua comissão técnica, já que cada um de seus assistentes deixará claro quais são as suas especialidades — treino físico, com goleiros, arremates, passes, dribles e assim por diante.

Na ponta do lápis... E da língua

O trato com a diretoria sempre foi um elemento essencial para a manutenção do seu cargo e para a negociação de verbas da temporada. Entretanto, as interações com a “cartolagem” do clube sempre foram pouco exploradas e se resumiam a pedidos (quase sempre negados) de mais dinheiro para contratações ou aprimoramento da estrutura física do clube.

Agora, tudo está mais dinâmico e interessante. Os encontros com a diretoria são praticamente obrigatórios e transcorrem na forma de diálogos (como em um RPG), no qual você seleciona uma fala e a inteligência artificial lhe responde de acordo.

O novo esquema confere um “retorno” muito maior em relação às suas ações dentro e fora de campo. Além disso, se você está pedindo por mais verba, a diretoria lhe responderá imediatamente, com direito a justificativa detalhada das razões que levaram os dirigentes a conceder ou a negar o seu pedido.

Outro ponto interessante é que esta via de comunicação tem duas mãos, ou seja, você também pode justificar seus pedidos explicando os seus motivos. A argumentação pode ajudar na hora de conseguir fechar uma parceria com outro clube ou, quem sabe, arrancar aqueles milhões a mais para tirar o Neymar do Santos.

Img_normalO sistema de diálogos também se aplica às interações com a mídia, jogadores e membros da comissão técnica.

Você pode chamar seus comandados para um bate-papo particular por vários motivos diferentes; pedir sugestões de contratação, alertá-lo sobre eventuais quedas de rendimento, motivá-lo para as próximas partidas e até mesmo pedir para que um jogador mais experiente ensine os “atalhos” do campo para um jovem talento.

Mercado da bola

Já se foi o tempo em que os clubes eram os “donos” dos jogadores. O mercado da bola é versátil e os atletas/artistas da bola são bem pagos para brilhar nos gramados. Cientes do seu valor, os jogadores estão sempre atentos para os números e outros detalhes que aparecem em seus contratos e para ajudá-los nessa hora, acabam recorrendo aos serviços dos agentes esportivos.

Em Football Manager 2011 não é diferente e agora, antes de conversar com o jogador você tem que lidar com o seu agente, em um sistema análogo ao das reuniões de negócios. Lembrando que, como todos os “personagens” do jogo, cada agente possui uma personalidade singular — alguns mais maleáveis outros mais intransigentes, fato que pode facilitar ou não as negociações.

Além disso, os agentes são “vendedores” de talentos e estão sempre oferecendo seus produtos para você. Caso você aceite receber o “spam” desportivo, os agentes enviarão relatórios oferecendo seus atletas — normalmente com negociação facilitada.

Img_normalO sistema de negociação com os clubes e com os jogadores é bem simples e consiste basicamente de uma lista na qual você seleciona diferentes opções como valor da oferta de compra, salário, duração do contrato. Você também pode inserir algumas cláusulas adicionais para “adoçar” o negócio como premiações por gols marcados e porcentagem na próxima negociação do atleta.

Olho no lance!

No quesito gráfico foram poucas as mudanças. A engine de jogo, que apresenta as partidas em tempo real e 3D, está melhor — apesar de alguns problemas evidentes — e confere texturas e sons muito mais realistas.

Os estádios de menor expressão são adornados de acordo, inclusive com as cercanias mais modestas, enquanto grandes templos futebolísticos como Anfield Road e Camp Nou são tão imponentes que ocupam grande parte da tela.

No entanto, a grande novidade são as variações de luz (dia e noite) e clima (sol, chuva e neve), bem como as novas animações dos jogadores que estão muito mais realistas do que nas edições anteriores.

Cadê a bola?

Apesar das melhorias, a engine que oferece as visualizações das partidas em 3D ainda é problemática e insipiente. No fundo tem-se a sensação de que se trata de algo totalmente supérfluo, e tal atributo segue tão inútil quando nas edições anteriores.

Salvo pelas novas animações dos jogadores, os gráficos parecem apenas levemente superiores à versão passada e você certamente se entediará em questão de segundos, optando pela versão com tempo acelerado ou até mesmo pelo tradicional “lance a lance” em texto.

Outra questão problemática gira em torno da variação climática. Enquanto o conceito é muito bom, sua implantação acarreta alguns problemas, especialmente quando a engine tenta apresentar partidas na neve — que parecem ser realizadas na Antártida.

Spam

A interface é uma questão problemática na maioria dos títulos do gênero, haja vista a enorme quantidade de informações que devem ser apresentadas ao jogador. Em Football Manager 2011 não é diferente e, infelizmente, os menus seguem um tanto confusos, especialmente para os não iniciados.

Quem já é fã da série não terá muitos problemas, mas quem não está familiarizado com a franquia certamente perderá algum tempo procurando pela infinidade de submenus que se esconde a cada clique do mouse.

Desnecessário

Apesar de interessante, o componente multiplayer é totalmente desnecessário por conta da sua impraticabilidade e, para piorar tudo, ainda encontramos um lag verdadeiramente problemático, capaz de destruir qualquer possibilidade de apreciação do modo online.

85 pc
Ótimo