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Forza Motorsport 5
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Um espetáculo visual interativo [vídeo]

Carlos Eduardo Ferreira

Videoanálise

Há quem diga que “ter amor pelo que se faz” é o segredo do sucesso. Tenho que confessar: a mim isso sempre pareceu um discurso narcisista disfarçado — mas, às vezes, é preciso dar o braço a torcer. Às vezes é notável como algo parece mesmo alcançar a excelência unicamente porque os envolvidos entram de corpo e alma na proposta — embora alguns milhões de dólares disponíveis não devam ser menosprezados, é claro.

Forza Motorsport 5 foi o último empreendimento humano que me fez reconsiderar a máxima popular acima. E o fiz tendo um bom referencial: em 2011, tive o privilégio de avaliar FM 4, certamente um dos melhores jogos de corrida de todos os tempos — a despeito de qualquer distinção dispensável entre “arcade” e “simulação”. Bem, o que dizer? A Turn 10 acertou a mão novamente.

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Embora não seja impecável, é notável como a quinta edição do hoje famoso simulador da Microsoft conseguiu aparar as arestas do título anterior, fazendo acompanhar o novo console por um jogo ainda mais belo, mais funcional e, conforme a proposta, mais realista.

Entretanto, diferentemente da evolução relativamente linear assumida por outros jogos focados em esporte — cuja perseguição por um ideal realista parece bastante natural —, a Turn 10 encontrou aqui um belo espaço para manobra (com o perdão do trocadilho), na forma de diversas atualizações de uma fórmula naturalmente campeã (ok, outro trocadilho).

Dessa forma, enquanto ser cegado pelo sol nas ruas de Praga — formadas por belos paralelepípedos reluzentes, cuja presença pode ser sentida na mão — é uma experiência excepcional, encarar fac-símiles de jogadores reais na forma dos Drivatars torna tudo muito menos previsível (embora nem sempre de uma forma positiva).

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Igualmente, projetar o próprio carro pode servir como uma luva a jogadores com veias artísticas salientes — com o adicional de que suas criações podem acabar entre as mais populares na nuvem, dando certo gostinho de dever bem feito. Vamos aos detalhes.

Forza Motorsport 5 conseguiu um belo feito para um jogo focado na reprodução de um esporte — uma modalidade normalmente ditada por uma busca incansável por realismo. Por um lado, trata-se de um jogo mais belo, cujo feeling ao dirigir cada um dos veículos provavelmente só poderia ser mais autêntico com o próprio carro.

Por outro, as boas sacadas da Turn 10 transformam o game no que pode ser uma forma, um padrão para jogos futuros. O Drivatar, mesmo com suas arestas por aparar, traz uma imprevisibilidade e um senso de competitividade que não podia ser sentido em outros modos campanha, enquanto que a utilização soberba do novo sistema de vibração do controle do Xbox One faz parecer que se está mesmo rodando sobre um daqueles asfaltos famosos.

Ademais, mesmo com a controversa diminuição de pistas e bólidos — tornada ainda mais controversa pela existência de microtransações — torna-se facilmente desculpável quando se percebe o apuro inacreditável com que a Turn 10 reproduziu alguns dos carros mais famosos de hoje e de ontem. Forza Motorsport 5 é um espetáculo visual e uma experiência interativa sem precedentes.

Competidores reais

Se você descer agora até os pontos negativos desta análise, verá que o Drivatar também possui ali uma consideração. O engano de um redator estressado — quem sabe de um “estagiário”? Não mesmo. Ocorre que a nova abordagem de I. A. (inteligência artificial) da Turn 10, por ser inegavelmente pioneira, acaba sendo também bastante controversa.

Mas, sim, trata-se sem dúvida de um dos pontos mais destacados de Forza Motorsport 5. Para quem ainda não ouviu falar, o Drivatar é uma espécie de doppelgänger seu que, à falta das suas próprias mãos no volante, corre da sua maneira particular — freando, acelerando e “atacando” as curvas de uma forma (em teoria) muito semelhante à sua.

 vantagem? Além de alguns bônus de tempos em tempos, os “sósias” de outros corredores também atuarão dessa forma durante o seu modo campanha, substituindo o comportamento um tanto homogêneo da I. A. dos jogos anteriores por algo muito mais competitivo e imprevisível.

E o que é melhor: o jogo “espertamente” classifica os avatares de jogadores mundo afora de acordo com níveis de habilidade, levando para a “I. A.” diversos níveis de dificuldade — de “médio” a “invencível”. E, por fim, os nomes de todos os competidores ainda são ostentados sobre seus devidos carros, dando um ar de autenticidade muito bem-vindo. Não parece ser arriscado apostar em um novo padrão para simuladores futuros.

Vibrações positivas

A sensação de realmente dirigir em Forza Motorsport 5 é algo impressionante. Não que os títulos anteriores da franquia ou da sua concorrência não tenham feito um bom trabalho. Entretanto, juntamente com os belos gráficos (abaixo), há aqui também a atuação do sistema de vibração soberbo do controle do Xbox One.

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Cada curva é sentida nos pneus, cuja fricção e mesmo o sobreaquecimento podem ser sentidos individualmente em cada gatilho. O resultado é um controle muito mais instintivo, muito mais natural e, é claro, muito mais envolvente.

Belo e realista

Difícil saber o potencial gráfico futuro do Xbox One, já que há apenas títulos introdutórios até agora — usualmente “superados”, como mostra a História. Mas Forza Motorsport 5 é bonito. Muito bonito, mesmo.

Repetindo o bom trabalho executado em Forza 4, a Turn 10 conseguiu superar o resultado anterior, presenteando o novo sistema com belíssimas texturas, reflexos realistas e algumas das paisagens mais deslumbrantes de que se tem conhecimento em um video game. Certamente um belo complemento para o feeling que acompanha toda a interação com o jogo.

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Personalização

Forza 5 traz uma bela oportunidade para que você dê vazão àquela sua veia criativa. Entretanto, após criar um carro cor-de-rosa com bolas brancas e uma estampa florida, é bom saber: isso será avaliado pela comunidade online. Caso uma boa quantidade de gente embarque no seu estilo, a skin passará a figurar entre as possibilidades de pintura de determinado veículo.

Por fim, caso a coisa toda comece a se parecer demais com um desfile de carros alegóricos, basta desativar as criações para que os carros voltem a se parecer... Com carros.

Veículos que beiram a perfeição

De fato é difícil engolir aquele papo de que Forza 5 tem (bem) menos carros por conta da complexidade de cada criação — “6 meses” de projeto exaustivo para cada veículo, segundo foi dito. Mas isso não muda o fato de que os carros em FM 5 estão simplesmente deslumbrantes, beirando a perfeição.

Cada veículo aqui tem uma “pegada” única, desde o mais popular até o suprassumo das pistas de corrida. Em nenhum momento você terá a impressão de “carro genérico”. E isso vale também para os visuais: tanto o exterior quanto o interior de cada um dos veículos é mostrado em seus mínimos detalhes — evitando a seleção controvertida de Gran Turismo 5, por exemplo, em que painéis e volantes estavam disponíveis apenas para certos modelos.

E o apuro da Turn 10 em recriar os modelos pode ser conferido em toda a sua grandeza na chamada “Forza Vista” (anteriormente chamada de “Autovista”). Aqui todas as minúcias dos modelos são mostradas, unicamente para apreciação, deixando de lado a adrenalina das pistas para acompanhar ainda um pouco da história do automobilismo e da indústria de carros, de forma geral.

Efeitos sonoros

Os ruídos de motor em FM 5 são mesmo muito impressionantes. Sem querer citar nomes aqui, mas você não ficará com aquela impressão de “motor de serra elétrica” que se pode encontrar em outros títulos.

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Como parte do preciosismo que acompanhou a representação virtual de cada carro no game, todos os motores aqui têm ruídos únicos, com uma assinatura. Adicionalmente, conforme já é de praxe, alternar entre as câmeras ocasionará alterações na forma como os sons do carro são ouvidos.

Destruction Derby

Conforme dito anteriormente, a natureza “vanguardista” do sistema Drivatar é tão controversa quanto deveria ser. Tem-se a impressão aqui de uma nova proposta que facilmente deve se tornar um padrão no futuro... Mas que agora ainda dá seus primeiros passos.

A desvantagem do sistema que forja a I. A. (inteligência artificial) com base em jogadores reais é algo bastante natural, se você parar para pensar. São “jogadores”, afinal, e não pilotos profissionais. E jogadores tendem, por exemplo, a se preocupar muito menos em “carimbar” a traseira do carro virtual da frente — algo que mesmo um motorista mediano evitaria ao máximo.

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Como resultado, pode-se facilmente acabar com a impressão de um Destruction Derby, sobretudo nas curvas, as quais acabam apinhadas de carros se engavetando, girando e levantando poeira em uma bagunça generalizada.

É claro que isso melhora conforme a dificuldade dos Drivatars é (manualmente) alterada. Mas, mesmo assim, você terá a impressão de jogar contra outros jogadores — não contra pilotos, e isso acaba comprometendo um pouco da ideia de uma “simulação”.

“Veículos vendidos separadamente”

Oficialmente, a Turn 10 afirma que Forza 5 contou com menos carros porque cada um dos modelos demandou um tempo excepcionalmente extenso para ser desenvolvido — o que faz sentido, se considerada a profusão de detalhes e a assinatura característica de cada veículo nas pistas.

Entretanto, diante da notícia de que muitos carros virão por meio do (temerário) modelo de microtransações, é impossível não se sentir pelo menos um pouco trapaceado. Além do gasto extra, há ainda a questão de envolver dinheiro real em um mundo virtual. Isso não apenas desmerece o trabalho árduo de quem correu para comprar novos carros quanto ainda parece quebrar um pouco da “magia”, da imersão no jogo.

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Menos pistas

Forza Motorsport 4 tinha 26 pistas, FM 5 tem apenas 14. É um belo decréscimo, sem dúvida. Os criadores falam novamente do tempo necessário para moldar e lapidar cada uma das localidades — enquanto prometem que Nurburgring, por exemplo, deve aparecer como um DLC no ano que vem. De qualquer forma, ficar restrito a praticamente metade dos circuitos é bastante frustrante, e também um pouco cansativo.

Para que tanto drama?

Tenho que confessar que jamais me agradou música em jogos de corrida, sobretudo em simuladores. Convenhamos que não faz lá muito sentido. Mas, a despeito de escolhas pessoais, cá entre nós, as faixas de Forza 5 são de uma dramaticidade que simplesmente não se justifica.

A forma como as músicas assumem um tom épico, passando de um crescendo a um som retumbante e cheio de metais... De alguma forma, parece distante da proposta. O melhor mesmo é desligar a música e curtir as sinfonias dos ruídos de Ferraris, McLarens e BMWs.

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Excelente