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Por que corremos? Forza Motorsport 6 é a melhor resposta

Igor Napol

Por que corremos? É com esta pergunta que Forza Motorsport 6 faz com que o jogador seja absorvido para uma experiência única em termos de automobilismo. Mesmo se esforçando para cativar os mais casuais, fica claro que quem vai mesmo tirar proveito de tudo que o game tem para oferecer são os mais aficionados pelo assunto.

Esse é um jogo em que o entretenimento não é o bastante: ele foi desenvolvido para falar com a alma daqueles que amam o esporte automotor – e faz isso de forma extraordinária.

O sexto Forza Motorsport apresenta a costumeira evolução em relação aos antecessores – de forma substancial em alguns aspectos e mais módica em outros –, mas preserva tudo o que a série tem de positivo, tornando-se um dos melhores jogos de corrida da atualidade, se não o melhor.

A caminho da experiência definitiva do automobilismo

Desde o lançamento de Forza Motorsport 5 já se passaram quase dois anos, e parece que a Turn 10 soube usar esse tempo muito bem para tratar os assuntos mais importantes de acordo com os fãs da série: a falta de pistas e a quantidade de carros disponíveis na versão inicial do game, sem a necessidade de DLC.

Forza Motorsport 6 traz 26 localidades diferentes e mais de 460 veículos logo de cara, e o novo modo carreira permite que o acesso a tudo isso seja feito de forma mais rápida do que nos títulos anteriores, mas isso não significa que as mais de 70 horas de gameplay sejam aceleradas demais. Esse é um balanço delicado para instigar o progresso no jogo sem tornar impeditivo o acesso a tudo o que o game tem para oferecer.

Sua história automobilística

Para quem jogou a demo, liberada no dia 1º de setembro, o início do jogo não será uma surpresa: você será colocado diretamente em uma corrida no novo circuito do Rio de Janeiro a bordo do carro da capa, o Ford GT 2017. Ela serve para explicar um pouco das mecânicas do game, com todas as assistências ligadas, e também para demonstrar o belíssimo visual do jogo.

Depois disso é que a estrutura do novo modo carreira é apresentada: são cinco volumes com diversas séries dentro de cada um deles. O desenrolar de tudo é pautado em “histórias do automobilismo”, e as introduções de cada volume servem para explicar a criação e o vínculo do ser humano com os veículos, desde o primeiro carro até as sonhadas competições no papel de um piloto profissional – seja homem ou mulher, já que agora é possível escolher o gênero do seu representante virtual.

Além do contexto de progressão de carreira, o modo também serve para fazer uso das diversas categorias presentes no game. Entre carros de rua e carros de competição, é possível encontrar veículos de campeonatos de turismo, muscle cars, esportivos, monopostos – novos e antigos, como a IndyCar 2015 ou a Fórmula 1 das décadas de 60 e 70 –, os conhecidíssimos protótipos de Le Mans ou ainda carros que deixaram sua marca no automobilismo – cada um tem seu espaço durante a evolução da história.

Caso a carreira em si não seja o suficiente para suprir a demanda por horas e mais horas de pilotagem, Forza Motorsport 6 conta ainda com os “eventos de exibição”, que são desbloqueados à medida que o jogador avança.

Nestas corridas especiais, você poderá passar por diversas situações específicas, que vão desde corridas de endurance, autocross, eventos históricos – como as 500 Milhas de Indianápolis, também disponível durante a demo – ou ainda desafios variados, como os que envolvem o personagem Stig da série televisiva Top Gear.

Novas funcionalidades: Rodada de Prêmio e Modificações

É durante o início de toda essa experiência que também são apresentadas ao jogador algumas funcionalidades novas. A primeira delas são as modificações, que são cartões que podem ser comprados em pacotes antes das corridas.

Eles são divididos em três categorias:

  • Modificações de Equipe: estes cartões aperfeiçoam o desempenho do veículo, dando mais aderência ou potência ou reduzindo o peso, além de dar bônus em pistas específicas – eles podem ser utilizados mais de uma vez;
  • Modificações de Ousadia: com elas, situações “adversas” são impostas em troca de recompensas melhores de XP e créditos. Algumas destas condições determinam que você deve correr com uma câmera específica, com menos potência ou sem algum tipo de assistência – elas podem ser utilizadas uma única vez;
  • Modificações de Ganho: com estes cartões, o jogador é recompensado com créditos ou XP por desempenhar certas ações, como efetuar ultrapassagens ou pegar vácuo, proporcionar posições melhores no grid ou dar aumento de performance – podem ser utilizados uma única vez.

Como era de se esperar, não é possível utilizar os cartões nos modos multiplayer ou rivais, nos quais é esperado que a competição seja mais nivelada pela habilidade dos participantes, e não pelo desempenho dos veículos.

Além das modificações, toda vez que o jogador sobe de nível ele é contemplado com uma “Rodada de Prêmio”. O esquema é extremamente parecido com o que acontece em Forza Horizon 2 e é possível ganhar carros e premiações em dinheiro – os principais, inclusive, localizados no centro, são extremamente generosos, o que contribui para a sensação de que os créditos não devem ser um impeditivo no progresso do jogo.

A Rodada de Prêmio pode ser bem generosa

As duas novidades dão uma cara mais “descontraída” para o andamento do modo carreira e servem tanto para ajudar na performance quanto para incrementar o desafio.

A beleza e a sinfonia de Forza (com exceção da música)

Forza Motorsport 6 apresentou melhora – mesmo que de forma mais contida – em pontos nos quais a série sempre se destacou: o visual e o som.

Visualmente o jogo continua incrível, e é possível perceber que houve evolução principalmente em itens de iluminação e algumas texturas de reflexo. O que parece ter influência direta nisso é a introdução das corridas noturnas e também a chuva – tudo rodando em 1080p e a 60 FPS, com 24 carros no grid e sem demonstrar qualquer intenção de ter uma queda de frames.

Os veículos apresentam o nível espetacular de detalhes que era esperado para o título, especialmente no modo Forza Vista, em que é possível admirar cada um deles de forma minuciosa – uma ode às obras de arte sobre rodas. Todos contam com a customização extensa que é também uma marca da franquia: desde as pinturas criadas pela comunidade do game até a troca de motores e transmissão dos veículos.

Um pacote com carros icônicos da saga Velozes e Furiosos está disponível

O som dos motores manteve a ótima qualidade vista no jogo anterior e tornou única a experiência de pilotar na câmera onboard um Mazda MX-5 preparado para as pistas. O indício sonoro dos pneus no limite da aderência, o som do motor e as pequenas explosões nas reduções de marchas são uma verdadeira sinfonia para qualquer gearhead, e a agitação vinda das arquibancadas quando você aponta na reta dos boxes é algo que contribui muito com a imersão do game.

Por outro lado, a parte musical de Forza Motorsport 6 é fraca. É perfeitamente compreensível que o apelo do jogo seja completamente diferente do da linha Horizon – que conta com uma trilha sonora sensacional –, mas as músicas épicas e com pegada clássica parecem sair completamente de sintonia em determinados momentos. Durante a análise, inclusive, a retirada da música durante as corridas tornou a experiência ainda mais densa.

As pistas também são um espetáculo visual à parte e não ficam aquém dos veículos. Todas são extremamente detalhadas e têm aspectos que fazem com que sejam mais do que apenas o cenário das corridas: as folhas caindo sobre a pista em Lime Rock Park ou a fumaça das churrasqueiras que beiram o sinuoso traçado de Nordschleife são ótimos exemplos.

Algumas delas também apresentam as variações que foram os grandes destaques do game, com a possibilidade de corridas durante a noite ou durante a chuva. E o “ou” é proposital: não é possível correr com as duas condições simultaneamente e elas também não acontecem de forma dinâmica.

Apesar de ser um ponto de discussão, as variações foram muito bem implementadas: as corridas noturnas são autênticas e desafiadoras. Correr no Circuit de la Sarthe durante a noite é ter a oportunidade de sentir o que grandes pilotos que disputam das 24 horas de Le Mans sentem ao cruzar a reta Mulsanne a mais de 300 km/h no puro breu.

A chuva e as poças 3D

Extremamente desafiadora, mas igualmente divertida: esta é a experiência na chuva

A condição chuvosa para algumas pistas merece um destaque especial, pois, além do belíssimo efeito visual – no páreo com rivais como Driveclub e Project CARS –, um dos grandes diferenciais que Forza Motorsport 6 trouxe foram as poças 3D e o impacto da chuva na física do game. Lidar com a aderência na pista molhada é desafiador e exige muito cuidado na condução, dando abertura para uma nova abordagem para o game.

Os desenvolvedores fizeram um trabalho extenso de pesquisa nos circuitos para verificar onde e de que forma ocorre o acúmulo de água na pista, trazendo tudo da forma mais fiel possível para dentro do jogo. No entanto, as poças não são geradas de forma procedural: elas não aumentam nem diminuem de acordo com a intensidade da chuva ou com o andamento da corrida.

De qualquer forma, mesmo sendo um aspecto que aumenta a dificuldade da pilotagem, elas são um dos itens que mais chama atenção entre as novidades do jogo. Devido ao comportamento dinâmico, o jogador precisa ter cautela na forma como “ataca” os pontos onde a água se acumula: acelerar, frear ou simplesmente deixar o carro rolar pelas poças, além do ângulo e da posição, podem ter os mais diversos resultados – alguns deles bem catastróficos.

Beleza não é nada sem controle

Nada disso seria útil se não fosse suportado por uma engine de física bem trabalhada. Apesar de muitas pessoas enquadrarem Forza na categoria de semissimulador ou simcade – mais sério que um arcade, mas mais permissivo que um simulador –, a física do game é abrangente: ela pode ser extremamente desafiadora sem as assistências, mas também pode tornar tudo mais fácil se elas estiverem ligadas.

Como é costume na franquia, existe um incentivo em forma de bônus para cada auxílio que é desligado e para cada nível de dificuldade dos drivatars que é aumentado. Inclusive, se o jogador se sai muito bem constantemente, o game logo sugere que aumentar o nível dos adversários pode deixar as coisas mais interessantes – e dar mais dinheiro.

A inteligência artificial continua com um bom desempenho e deixa a experiência mais orgânica: eles disputam posições, adotam linhas defensivas e de ataque e podem cometer erros que qualquer pessoa poderia cometer, como atrasar demais uma freada ou exagerar na aceleração em uma saída de curva. Tudo contribui para tornar as coisas mais críveis.

Multiplayer mais robusto

Além dos lobbies convencionais, Forza Motorsport 6 agora conta com o sistema de Ligas, outra novidade muito bem-vinda para os fãs mais ávidos do game. Nele, os jogadores poderão participar de competições que ficarão disponíveis durante uma semana.

Na conclusão de cada período, será dada uma pontuação de acordo com a performance do “piloto virtual”, baseada na posição final em cada evento e também em aspectos como a quantidade de batidas. Os pontos servirão para enquadrar o jogador em uma divisão em que ele passará a competir com players que apresentam um comportamento similar: seja agressivo demais e você jogará com outros que também gostam de um pouco mais de contato dentro da pista.

Essa é uma forma de nivelar a competição de acordo com a habilidade de cada um, tornando a experiência mais apropriada e desafiadora e incentivando a melhora de cada jogador, mas sem se tornar impeditiva para o iniciantes ou desagradável para os mais experientes.

O impacto da ausência de clima e tempo dinâmicos

A ausência de clima e tempo dinâmicos não seria tão impactante se já não existisse em Forza Horizon 2 – e se Project CARS, o atual concorrente imediato, já não tivesse apresentado a funcionalidade como o principal diferencial em relação a Forza Motorsport 6.

Além disso, existe a incoerência de o título entrar como um dos patrocinadores das 24 Horas de Le Mans e você não poder replicar a corrida dentro do game – o que é possível tanto no Gran Turismo quanto no jogo da Slightly Mad, graças à progressão de tempo.

Não poder replicar uma corrida de endurance como de verdade é uma das derrapadas de Forza Motorsport 6

Imersão grandiosa, mas que pode melhorar

Outro item que deixa Forza Motorsport 6 em desvantagem é que a experiência é mais completa nos outros títulos citados. Tanto Project CARS quanto Assetto Corsa contam com o chamado “fim de semana de competição”, que consiste em sessões de treino, classificação e então a corrida propriamente dita – função inexistente no último título da franquia da Turn 10.

Isso faz com que o single player, mesmo com toda a progressão e história que realmente cativam os entusiastas, passe a ser, depois de um tempo, um exercício de ultrapassagem. Não poder tirar o seu carro dos boxes, fazer uma volta de aquecimento – aproveitando a excelente física do jogo com relação a temperatura e calibragem dos pneus – e então abrir uma volta rápida dá a sensação de que o game oferece uma imersão incompleta.

Não existe também a opção de escolher entre uma largada assistida, em que você simplesmente acelera e espera o contador, e a manual, que exige a atenção do piloto – outro aspecto presente nos rivais mais próximos de Forza e que faz muita falta para quem gosta de situações que poderiam fazer o jogo se aproximar ainda mais da simulação.

Uma pole position segura... Mas por quanto tempo?

Forza Motorsport 6 é um jogo obrigatório para qualquer fã de automobilismo, oferecendo uma experiência que foi concebida para exaltar a cultura gearhead – além de ser um convite e tanto para que os jogadores casuais conheçam e se aproximem mais deste mundo.

É importante apontar, no entanto, que a Turn 10 parece ter aceitado estar em uma posição confortável, já que o principal rival da série, Gran Turismo, ainda precisa ser anunciado para a nova geração. Com isso, a chegada de Project CARS e o anúncio de Assetto Corsa para os consoles em 2016 acabam evidenciando os pontos em que o último título da franquia ainda patina.

Não são itens que ofuscam a grandiosidade do jogo, mas eles podem torná-lo ainda melhor. É o caminho para fazer Forza Motorsport 6 passar de um dos melhores jogos de corrida da atualidade para a experiência definitiva em termos de automobilismo nos consoles.

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Excelente
"Não há dúvidas de que Forza Motorsport 6 é um dos melhores jogos de corrida disponíveis hoje, senão o melhor – mas ainda existe espaço para melhorar"

Pontos Positivos

  • A experiência automotiva belíssima tanto na parte gráfica quanto sonora
  • Física desafiadora, mas extremamente convidativa com o uso de assistências
  • Aumento substancial no número de pistas e carros em relação ao FM5
  • Modo carreira mais "descontraído" e modo multiplayer mais robusto
  • As corridas noturnas e na chuva, com as poças 3D, são um espetáculo a parte

Pontos Negativos

  • Ausência de clima e tempo dinâmicos impacta a experiência
  • Imersão incompleta quando comparado a títulos como Project CARS e Assetto Corsa
  • A maior parte da trilha sonora parece ser extremamente desnecessária