Um pokémon com fósseis e picaretas (a ferramenta, é claro)

Hei, amigo! Nem o seu cabelo é totalmente original. Sonic que o diga!Com quase quatro décadas da existência de uma indústria de games, é natural que nem todo mundo consiga reinventar a roda constantemente, a fim de trazer algo realmente inovador; uma experiência nova. Entretanto, alguns títulos realmente forçam a barra ao copiar descaradamente os sucessos de outros jogos, nitidamente pegando rebeira no sucesso de outros — embora alguns realmente consigam acrescentar algo novo a uma experiência prévia, como God of War em relação à fórmula original de Devil May Cry.

Mas o que se pode dizer quando uma empresa plagia a sua própria ideia? Bem, esse é exatamente o caso de Fossil Fighters, título desenvolvido pela RED Entertainment e publicado pela Nintendo, e que bebe exatamente da mesma fonte dos consagrados Monstros de Bolso. Com algumas modificações aqui, remaquiagens ali, o que se tem é um Pokémon cover: colecionar monstros para colocá-los em competições.

É claro que existem diferenças, sobretudo em relação à natureza dos monstros aqui. A propósito, eles não são propriamente monstros, mas dinossauros. Ok, também não são dinossauros: o nome correto é “vivossauros” — já que provavelmente ninguém esperaria que um brontossauro disparasse “jabs” e outros golpes de boxe.

Para ser justo, a concepção por trás da trama é até relativamente original. Você vai desencavar fósseis de dinossauros, vai limpá-los, juntar as partes — pernas, braços, torso e cabeça —, e levar para a máquina maravilhosa de um sujeito chamado Dr. Diggins (nome sugestivo, não?) a fim de revivê-los.

A diferença é que, em vez de colocá-los em um parque temático para esvaziar bolsos de turistas, você vai utilizar essas maravilhas genéticas para brigar em campeonatos. Uma vez nos campeonatos, surge um dos poucos pontos interessantes do game: as possibilidades táticas — tanto no arranjo da sua equipe de vivossauros, quanto nas possibilidades de disposição destes em uma arena bastante estratégica.

O problema é que, além do inegável caráter derivativo da ideia, todo o jogo transpira um desenvolvimento quase amador, sobretudo em relação ao acabamento gráfico. De fato, chega a ser difícil acreditar que se trata de um jogo da própria Nintendo. São “glitches” por toda a parte, movimentações grosseiras por parte dos personagens e, por fim, diálogos que certamente se beneficiariam de uma revisão.

Tudo isso organizado em um ritmo de jogo que oscila constantemente entre a falta de objetivos concretos e o tédio absoluto. Não obstante, alguns momentos ainda conseguem ser genuinamente divertidos. Notadamente, nos momentos em que se deve limpar os fósseis, e também durante as batalhas — que aqui são bem menos constantes do que em Pokémon.

Pense em Fossil Fighters como uma cópia descarada de Pokémon... feita pelos próprios criadores de Pokémon! Embora isso alivie um pouco o lado moral da coisa, fato e que você dificilmente vai encontrar aqui algo que valha a pena abandonar Ash, Pikachu e Cia.

Sim, existem alguns elementos originais e até divertidos — como o minigame para limpar fósseis —, mas todo o resto acaba caindo irremediavelmente em um clima repetitivo e maçante. Aliás, acaba sendo realmente uma pena, principalmente a julgar pelo caráter tático das batalhas. Quem sabe uma releitura genuinamente “first party” (feita pela própria Nintendo)? Quem sabe.

Reviver fósseis é divertido

Após chegar na Ilha Vivossauro, o seu itinerário dentro de Fossil Fighters será, basicamente, o seguinte: rumar para os sítios de escavação, encher a mochila de fósseis, e então partir para o laboratório a fim de limpá-los e, finalmente, revivê-los. Bem, afora a parte de desenterrar fósseis — que realmente se torna cansativa com o tempo —, o minigame que envolve limpar os fósseis para que se transformem em vivossauros pode ser divertido.

Img_originalA coisa toda funciona mais ou menos da seguinte forma. Uma vez no laboratório de Diggins, você vai colocar os seus fósseis a fim de resgatá-los das suas tumbas de pedra. Para tanto, você terá duas ferramentas: um martelo, e uma broca. O martelo é a ferramenta mais forte, aquela necessária para quebrar as primeiras porções de pedra. Mas, uma vez que o fóssil comece a aparecer, o negócio é utilizar a broca, para não danificá-lo.

O problema é que a broca, embora mais sensível, espalha bastante sujeira sobre a superfície da ossada. O que fazer? Naturalmente, você deve sobrar no microfone do DS, a fim de limpar o local — depois que The Legend of Zelda: Phantom Hourglass resolveu utilizar o microfone dessa forma, virou praticamente um mandamento em qualquer jogo de DS.

Só que tanto o martelo quanto a broca podem acabar danificando o fóssil. E, bem, considerando-se que quanto melhor for o seu trabalho com o fóssil, melhor e mais poderoso será o vivossauro, é bom tomar cuidado para não deixar marcas. E isso fica ainda mais interessante com o timer colocado no topo da tela, que concede 99 segundos para a tarefa — não, realmente não tem muita lógica, mas sem dúvida torna as coisas mais interessante. De qualquer forma, os seus trabalhos mal realizados podem ser doados ao museu da ilha.

O robô KL-33N

A despeito do nome clichê do seu ajudante, fato é que o robô KL-33N acaba sendo uma mão na roda. Aparentemente, os desenvolvedores perceberam que, embora divertidas, as tarefas de desenterrar e reviver fósseis podem não apenas acabar cansando, como também afastando o foco do ponto central do jogo: as batalhas entre vivossauros.

Dessa forma, embora o robô inicialmente fique apenas observando o seu personagem de cabelos espetados fazer o trabalho duro, com o tempo ele aprende, e passa então a realizar automaticamente as tarefas mais repetitivas.

Elementos táticos

As táticas você provavelmente não encontraria em PokémonSe existe algo que consegue evitar que Fossil Fighters seja considerado como uma cópia escarrada de Pokémon, esse algo são as estratégias de combate. As batalhas aqui são organizadas em times de até quatro vivossauros, que ficam dispostos em uma arena dividida em hexágonos, cujas funções são bastante específicas.

A posição dianteira, chamada “zona de ataque”, é destinada ao atacante principal do time, normalmente a criatura mais poderosa. De ambos os lados desta, ficam as “zonas de suporte”, de onde é possível atacar, embora com menor eficiência — embora alguns vivossauros tragam a habilidade de ataques de longo alcance, e portanto não sofrem penalidades para ataques de suporte. Por fim, existe ainda a “zona reserva”, espécie de porto seguro para os vivossauros, de onde não é possível nem atacar, e nem tomar dano.

A moeda corrente para os ataques aqui são os Fossil Points (FP). Ataques devastadores consomem mais FPs, enquanto que os moderados deixam um pouco para a próxima rodada. Complementando as possibilidades táticas, vale lembrar que cada vivossauro pode atacar apenas uma vez, e pode-se rodar livremente os vivossauros entre as posições da arena — sem gastos adicionais de FP.

Vivossauros convincentes

Embora, de maneira geral, os gráficos de Fossil Fighters deixem bastante a desejar, as animações dos vivossauros durante as batalhas são até bastante convincentes. Quer dizer, em vez de ter uma imagem parada esboçando golpes, os vivossauros aparecem aqui em animações 3D bastante razoáveis.

Terrivelmente derivativo

Não se pode negar que Fossil Fighters simplesmente bebe da mesma fonte de Pokémon. Quer dizer, cá entre nós, juntar monstros para uma coleção, e botá-los para combater em rinhas? Sequer a parte de reviver fósseis é inteiramente original, emprestando claramente uma mecânica utilizada em Spectrobes. Enfim, no melhor das hipóteses, é uma “mistura original”.

Texturas

As animações realmente não são ruins, mas as texturas...Não, as texturas não são propriamente ruins aqui. Elas são é praticamente inexistentes! Nesse ponto, é de se perguntar: como a Nintendo pode dar o seu aval em um título que transcende um irremediável ar de amadorismo? Para completar, existe uma infinidade de falhar gráficas, e os personagens andam como se os seus pés estivessem colados no chão. Por fim, um nível de qualidade técnica bastante aquém do que normalmente é encontrado em projetos “first party” da Nintendo.

Pague alguém para cavar por você!

Não o processo todo de reviver um fóssil não é de todo ruim, conforme colocado acima. Mas desencavar fósseis, isso sim é terrivelmente maçante. Os seus objetivos aqui são sempre os mesmos: partir para algum sítio de escavação, botar o sonar para funcionar (para apontar a localização dos fósseis mais próximos), a mandar ver com a picareta. E isso dezenas de vezes. A única variação para essa fórmula ocorre quando outro “fossil fighter” resolver que quer a mesma pedra que você encontrou. Nesses casos, quem vencer uma disputa, leva o fóssil.

Poucas batalhas

Um dos fatores interessantes de Pokémon sempre foi a possibilidade de se confrontar outros treinadores ou mesmo Pokémons selvagens a todo o momento. Isso sempre manteve o nível de ação em um patamar interessante. Em Fossil Fighters, salvo pelos raros momentos descritos no tópico anterior, você apenas vai entrar em batalhas no coliseu oficial da ilha, em campeonatos. Nos demais momentos, o jogo foca exaustivamente no aumento da coleção de vivossauros.

Falta de suporte online

Considerando-se a infinidade de vivossauros disponíveis e as possibilidades táticas dos combates, é de se perguntar: por que não implementar um suporte online para tudo isso? Afinal, trocar criaturas sempre foi um dos pontos fortes do gênero, bem como as batalhas online. Mas não. Infelizmente, a única coisa que você vai encontrar aqui é um singelo modo multiplayer local. Nada mais.

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