Evolução nada bem-vinda

Se você acompanha o mundo dos games ou é fã de mechas, a série Front Mission dispensa apresentação. Nascida em 1996 no Super Nintendo, a franquia criada pela Square Enix conta uma história futurista em que os humanos já conquistaram o espaço, mas ainda vivem na Terra. O planeta, porém, é palco de conflitos constantes entre as nações, que utilizam gigantescos robôs de combate para ganhar vantagem umas sobre as outras.

O que mais chamou atenção em Front Mission foram as lutas por turnos, que contrastam fortemente com a ação desenfreada dos títulos comuns com robôs e oferecem uma experiência extremamente satisfatória. Talvez pensando em manter a integridade de sua série, a Square Enix também produz spin-offs da franquia, que seguem caminhos bem diferentes dos títulos originais e já invadiram o mundo dos MMOs, side-scrollers e jogos de estratégia em tempo real.

A escolha é acertada, pois a transformação de Front Mission em um game de ação em terceira pessoa pode deixar um sabor amargo na boca dos fãs da franquia. Pior, Evolved marca a chegada da série às plataformas desta geração e representa-a de maneira medíocre. Apesar de trazer alguns conceitos interessantes à saga, talvez seria melhor se o game tivesse se mantido fiel às origens.

Front Mission Evolved pode ser definido como um game para ser alugado. Apesar de ser divertido e garantir alguma diversão, os problemas gráficos e de controle, somados à baixa duração do modo história, transformam o game em uma experiência frustrante.

Para fãs da saga robótica, vale a pena para ver equipamentos e uma história conhecida vistas de outro ângulo e jogada de maneira diferente. Mas se você espera um bom game de ação, não terá suas expectativas satisfeitas.

Do macro para o micro

A história de Front Mission Evolved se passa em 2171, ano em que grandes estações espaciais, conectadas ao planeta por elevadores orbitais, monitoram todos os movimentos bélicos realizados na Terra. É uma época de grandes tensões, em que as nações espionam umas às outras esperando que uma delas inicie um ataque. Pequenas batalhas territoriais acontecem aqui e ali, e o mundo vive à beira de uma guerra mundial.

Img_normalÉ nesse ensejo que forças desconhecidas atacam e destroem o elevador orbital dos Estados Unidos e iniciam uma guerra do país contra a O.C.U., organização dos países da Oceania. Para o protagonista, Dylan Ramsey, a batalha tem um caráter muito mais pessoal, pois seu pai estava na cidade durante o ataque.

Mesmo sem nenhuma experiência de combate, Dylan parte para o centro da cidade no controle de seu wanzer (assim são chamados os robôs de Front Mission) para resgatar o pai. Sem sucesso, ele acaba se unindo às forças armadas americanas e se envolve em uma trama de conspiração e traição.

Trazer a história de um ponto de vista global para a visão de um novato nas forças armadas é um trunfo interessante, e garante certa empatia entre o jogador e o personagem. Apesar de não ser profundamente elaborada ou original, a trama é um dos pontos que fazem com que se tenha vontade de continuar avançando no game.

Guerra de verdade

A ambientação de Front Mission Evolved merece uma citação à parte. O jogador realmente se sentirá em meio a uma batalha em grande escala, com inimigos atirando de todos os lados e utilizando diversos tipos de armas, de acordo com a necessidade. Enquanto alguns atacarão você com tudo o que possuem, outros tentarão ser estratégicos, atirando com cautela e utilizando armas mais poderosas quando estiverem em perigo.

A estratégia também foi levada em conta na programação da inteligência artificial dos inimigos, que reagem ao seu posicionamento no mapa e às armas utilizadas. Muitas vezes, wanzers inimigos se esconderão atrás de estrutura ao perceber serem alvos de mísseis, enquanto veículos terrestres perseguirão você ao redor dos prédios, tentando afastar o personagem dos pontos seguros e deixá-lo exposto ao fogo.

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O som também auxilia muito na ambientação de combate. A desenvolvedora Double Helix, responsável pelo título, tomou cuidado especial neste aspecto, incluindo desde efeitos grandiosos como explosões até pequenos detalhes como cápsulas caindo no chão. Pelo áudio da TV a profundidade não pode ser tão bem percebida, mas basta utilizar um bom sistema de som ou um fone de ouvido decente para escutar detalhes às vezes imperceptíveis e se sentir no meio dos disparos.

Conflito direto

Img_normalPara variar o gameplay, Front Mission Evolved conta também com algumas fases em que o personagem deixa o cockpit de seu robô e age a pé, invadindo bases inimigas e combatendo soldados. Estes estágios progridem de forma mais lenta que as fases com wanzers, mas não deixam de ter ação, explosões e tiros por todos os lados.

A mudança traz um sopro de vitalidade ao título, pois exigem um avanço mais estratégico que as batalhas de rua com os robôs. Dylan não suporta muitos tiros e, sendo assim, é essencial se esconder atrás de objetos e se expor para atirar apenas no momento certo. Flanquear os inimigos e tentar cercá-los também pode ser uma opção. Uma maior variedade de armas, porém, faz falta nesse quesito.

Serrilhados por todos os lados

Os gráficos são os principais responsáveis por transformar Front Mission Evolved em uma experiência frustrante. Muito abaixo do potencial dos consoles para os quais foi lançado, as imagens geradas pelo game lembram mais os melhores games da era PS2. Este ponto, acima de qualquer outro, deve decepcionar os fãs, já que esta é a estreia da franquia nas plataformas da geração atual.

Bugs de renderização de cenários também são constantes. É possível que, durante a jogatina, o jogador se depare com estruturas do cenário simplesmente desaparecendo, deixando apenas os personagens e inimigos na tela. A única solução para estes bugs é reiniciar a missão, perdendo assim o progresso até o ponto onde se estava.

Nem tudo são trevas, porém, e há pontos positivos que podem ser observados nas CGs. A direção de arte dos vídeos é muito bem feita, e os ângulos de câmera e efeitos de perspectiva são trabalhados de forma muito interessante. O destaque especial vai para uma das primeiras cenas do game, que mostram o ataque das forças inimigas à cidade.



Robô caranguejo

Outro grande defeito de Front Mission Evolved  é a movimentação dos personagens. Apesar do game possuir controles simples, se locomover pelos cenários de maneira eficiente não é uma tarefa fácil. Este problema se torna ainda mais crítico quando se está no meio do fogo cruzado e é preciso fugir rápido para um lugar seguro para não morrer. Aos poucos, os jogadores vão perceber que caminhar de lado e avançar vagarosamente são as melhores estratégias para sobreviver.

Claro, quando se está pilotando um robô, não dá para esperar muita agilidade e velocidade na movimentação. Os desenvolvedores tentaram compensar esse fato com a utilização de um jetpack que leva o wanzer mais rapidamente de um ponto a outro. Ainda assim, é muito complicado se deslocar pelos cenários com precisão.

Nas fases a pé, os problemas são outros. Apesar de livre dos wanzers, os personagens se movem bem lentamente pelos cenários. Muitas vezes, você morre enquanto tentava se refugiar, culpa da baixa velocidade do personagem. Outro ponto a ser citado: Dylan é inexplicavelmente incapaz de atirar enquanto está abaixado. Isso acaba deixando-o exposto aos outros inimigos da área enquanto tenta liquidar um só, e pode estragar qualquer estratégia bem formulada.

Parceiros ineficientes

Já que o assunto é estratégias de ataque sendo destruídas por péssimas mecânicas de jogo, o comportamento dos parceiros de Dylan também merece nota. Muitas vezes, quando se está no meio de uma batalha frenética em que robôs e tanques inimigos atacam por todos os lados, qualquer ajuda é bem-vinda, mas não conte com isso da parte de seus parceiros de batalha.

Img_normalOs aliados de Dylan estão na tela apenas para ocupar espaço e, apesar de dispararem contra os oponentes, causam pouco ou quase nenhum dano a eles. Muitas vezes, é possível observar uma série de mísseis sendo atirados pelos companheiros e atingindo em cheio um wanzer inimigo, sem diminuição alguma na barra de energia deles. Além disso, os rivais ignoram completamente a presença dos parceiros e sempre concentram fogo no personagem principal.

Online sem personalidade

O modo história de Front Mission Evolved é curto, contando apenas com poucos atos. Normalmente, jogos com esta característica investem pesado no modo online. Este não é o caso deste game, que traz modos multiplayer básicos e pouco inspirados. Nem mesmo o sistema de rankings, que exige valores bem altos para o jogador que quiser ser o melhor, deve manter o jogador casual grudado ao sofá.

A batalha é sempre baseada em grupos, e apresentam modos tradicionais como mata-mata e captura de bases. É interessante batalhar contra adversários reais, mas, muitas vezes, devido à alta potência das armas utilizadas, as partidas podem se estender por um longo tempo, e isso pode cansar os participantes. Por esse motivo, desconexões e desistências são constantes.

51 pc
Fraco

Outras Plataformas

51 ps3
51 xbox-360