Qualidade gráfica e um enredo promissor não são o bastante para fazer um bom game.

O “ouro negro”, como é conhecido o petróleo, movimenta grande parte da economia mundial. Muitos acreditam que esse óleo espesso produza apenas combustíveis para veículos automotores, o que já representaria uma grande importância no cenário mundial, porém o fato é que muito mais deriva do petróleo.

Além do famoso gás de cozinha, o GLP, todo tipo de plástico é produzido através de petróleo, logo, olhando ao seu redor, você perceberá que está completamente cercado pelos derivados do “ouro negro”. O computador no qual você acessa esse texto possui inúmeras partes produzidas com petróleo.

Sua alimentação depende do petróleo, já que os alimentos chegam aos mercados em meios de transporte movidos a combustíveis, são usualmente embalados em plástico e comumente preparados utilizando o GLP.

Em Frontlines: Fuel of War, os jogadores dão de encontro com uma crise onde o petróleo está acabando e, para piorar, o comunismo se expande novamente pelo planeta. A bandeira vermelha, que há muito parecia extinta, está de volta às ruas, e uma guerra avassaladora toma conta do planeta.


Infelizmente, um jogo não é composto apenas por uma história de qualidade, e Frontlines comprova que um enredo promissor não conduz um jogo à ascensão sozinho. É preciso técnica, atenção e cuidado por parte dos desenvolvedores, ou toda a experiência pode ir por água abaixo.

Um resultado negro como o petróleo

A combinação de um enredo envolvente com uma dos controles mais pobres que os grandes jogos de PC deste ano contam, agregada a um nível de dificuldade ridiculamente fácil, leva o jogador a ponderar como é possível que uma distribuidora como a THQ — muito famosa por seus títulos de guerra — consiga publicar um jogo com tamanhas falhas.

É difícil escolher quais falhas e erros apontar primeiro em Frontlines, porém, sem dúvida alguma, um dos aspectos mais importantes é a dificuldade: a estupidez da Inteligência artificial dos adversários é tão grande que, jogando na dificuldade média, é possível correr entre eles deixando-os completamente perdidos.

Resultado negro como a fumaça das chaminés. Certamente, outra coisa que chama atenção no título são os veículos. À primeira vista, até parecia que os desenvolvedores haviam acertado em algum aspecto, finalmente, porém quando você deixa que o veículo exploda, o resultado mostra mais um pecado mortal dos desenvolvedores: seu personagem é lançado para fora do veículo e continua vivo, sem sofrer qualquer dano de saúde. É simplesmente absurdo.

A jogabilidade é confusa, com três opções diferentes de troca de armas, além de alguns comandos trocados no teclado que tiram o sentido do jogo. Pouco tempo após começar a jogar, você já terá enjoado de Frontlines: Fuel of War, e o jogo se tornará apenas mais um peso morto em seu PC.

Frontlines traz um sistema de “vidas” limitadas, o que dá ao game uma sensação que lembra o gênero arcade, porém esse aspecto está isolado no game, fazendo com que o jogo perca um pouco o sentido. Mais uma falha grave para a lista da Kaos Studios.

Já o que chama atenção positiva na jogabilidade, são as armas chamadas drones. Drone é um tipo de robô na forma de um veículo. No jogo existem mini-helicópteros, mini-jipes e muito mais. Você pode utilizá-los de diversas formas: um dos drones voadores é capaz de atirar nos adversários, lançando mísseis e depois autodestruindo-se, outro é uma bomba voadora que serve apenas para executar explosões à distância. Já os jipes podem ser levados de um lado para o outro com um explosivo C4 em sua carroceria, pronto para ser detonado.

Gráficos salvam o título

Um belo visual tenta apaziguar os pontos ruins do game. Se há alguma coisa aceitável em Frontlines: Fuel of War, são as texturas e a modelagem gráfica, de primeira qualidade. O jogo foi produzido utilizando a UnrealEngine 3, mesma de Gears of War, Unreal Tournament 3 e muitos outros jogos deste ano e do ano passado, como Bioshock, Mass Effect e outros.

Entretanto, outros aspectos gráficos do jogo rebaixam este que seria o único ponto positivo do game: a movimentação é falsa, tornando o jogo mais artificial e pouco agradável. É terrível presenciar a morte de seu personagem, que, mesmo ao levar um tiro de leve, voa metros na cena que antecede seu retorno ao mapa.

Jogue, mas só se estiver desesperado

O resultado dessa análise já era esperado, a idéia de que o jogo não vale a pena permeia todo o texto, passando às notas, aos prós e contras e até à chamada. Frontlines: Fuel of War é indicado somente para os jogadores mais desesperados por games de tiro futuristas, porém é importante esclarecer que o jogo não possui nada para prender sua atenção.

Se o que você busca são jogos neste estilo, talvez deva dar uma chance para games de maior qualidade, como Quake Wars: Enemy Territory, Unreal Tournament 3 e outros. Atualmente o gênero FPS anda muito bem servido, e jogar Frontlines com tantas opções melhores — e algumas deles com requisitos mínimos inferiores — não é a melhor solução.
46 pc
Ruim