Cortando frutas e a criatividade

Se há cinco anos era praticamente impossível imaginar que os celulares poderiam se transformar em uma plataforma independente de jogos, hoje, mais do que simplesmente terem seus próprios games, os dispositivos móveis também exportam conteúdo para os demais consoles.

Fruit Ninja Kinect é o mais novo jogo a sair dos smartphones e a chegar ao Xbox 360. Anunciado na última E3, a adaptação não apenas repete a fórmula de sucesso no iOS e Android, como permite o uso do Kinect para que você possa fatiar suas frutas com mais facilidade. Se a touchscreen parecia ser o suficiente para isso, usar os braços para cortar realmente faz com que o jogador se sinta como um ninja.

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Por mais que Fruit Ninja Kinect traga uma das melhores respostas do sensor de movimento até agora, seu custo-benefício deixa muito a desejar pela falta de novidades na versão para Xbox 360. Ainda que ele seja divertido e renda boas risadas entre os amigos, sua diversão é extremamente passageira e perde a graça após algumas horas cortando frutas.

Como dito anteriormente, faltou um pouco de cuidado da Halfbrick Studios na hora de fazer a adaptação. Não basta simplesmente trazer um jogo casual para um console de mesa como se fossem a mesma coisa, pois cada plataforma possui uma proposta e um público diferente.

Feira da fruta

Desde os celulares, Fruit Ninja sempre foi um game que priorizou a precisão dos jogadores, exigindo que eles cortassem a maior quantidade de frutas de uma só vez para ganhar mais pontos. Desse modo, é natural que muita gente tenha ficado preocupada com o desempenho do Kinect nesse aspecto. No entanto, a versão para Xbox 360 não só tem uma resposta muito boa aos movimentos como deixa a brincadeira ainda mais divertida.

Usar seus braços — e até mesmo suas pernas, caso você seja extremamente habilidoso — para fatiar morangos e laranjas é muito mais intuitivo do que a ponta de seus dedos. A adição de uma sombra ao fundo da tela auxilia bastante nesse ponto, pois ela é o que indica a posição do jogador, dando uma noção incrível de espaço. É a partir dela que você sabe e prepara a amplitude de seu golpe, algo que é facilmente determinado por conta da precisão do sensor de movimento.

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Assim como nos celulares, Fruit Ninja Kinect permite que você use as duas mãos para “atacar” as frutas. O interessante é que, independente da utilização de um ou dois membros, a resposta do periférico é satisfatória e quase não há erros por problemas de captação.

Clã dos cortadores de frutas

Embora, na prática, Fruit Ninja Kinect não traga nenhum modo inédito, isso não significa que ele não possua alguns momentos extremamente divertidos. Os clássicos Arcade e Challange são ótimas formas de passar o tempo sozinho, mas o grande destaque está no chamado Party Mode, que permite que você e mais um amigo se transformem no terror da quitanda.

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As duas modalidades multiplayer são bem interessantes e vale a pena conferi-las. Tanto o cooperativo quanto o Battle possuem regras e características próprias, resumindo bem a proposta casual do título. Além disso, a resposta do Kinect continua chamando a atenção, principalmente ao identificar os dois jogadores sem qualquer tipo de atraso. Ainda que a limitação espacial seja um problema — é praticamente impossível evitar bater o braço no rosto de seu colega durante um corte horizontal, por exemplo —, esses modos são o grande atrativo do game e são recomendados para festas e reuniões familiares.

Ainda é um jogo de celular

Por mais que traga uma jogabilidade diferenciada, Fruit Ninja Kinect não nega sua origem nos celulares. Trata-se do mesmo jogo, substituindo dedos na tela por cortes imaginários no ar. Para quem não possui um smartphone ou tablet, isso pode até não ser um problema, mas certamente irá incomodar quem já navalhou frutas outras vezes.

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Não que isso faça com que o jogo seja ruim, mas é impossível evitar a sensação de que faltou algo muito importante: uma identidade. Nos celulares, Fruit Ninja cumpre muito bem seu papel como game casual, daqueles que você usa para se distrair na fila do banco ou durante uma viagem. No entanto, essa experiência não consegue ser reaproveitada na versão para Xbox 360, pois o console possui outra proposta. Além disso, não adicionar nada de novo também causa uma enorme frustração, pois se trata do mesmo título, sem nenhuma adição significativa.

Na prática, isso significa que a adaptação realmente consegue divertir nas primeiras horas, mas logo se transforma naquele jogo esquecido em seu HD que você só acessa quando quer mostrar para seus parentes o quão fantástico é seu Kinect. Não há nada que motive o jogador a voltar mais vezes e nem mesmo as dezenas de itens desbloqueáveis servem como um incentivo real. Um único modo competitivo online ou dar mais valor aos desafios são soluções simples para isso.

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Corte no bolso

Para não ser injusto com Fruit Ninja Kinect, há uma grande diferença entre a versão disponível na LIVE e aquela presente nos aparelhos com iOS e Android: o preço. Enquanto o game custa somente US$ 0,99 — cerca de R$ 1,60 no câmbio atual — nos celulares, o custo no Xbox 360 é de 800 MSP, algo próximo dos R$ 20. Uma diferença considerável para dois jogos que, na prática, são os mesmos.

70 xbox-360
Bom