Os Comandos em Ação não tiram este game do buraco.

Electronic Arts é um nome de peso. Double Helix, entretanto, não é uma companhia tão expressiva assim, mas vá lá: desenvolvedora de Silent Hill: Homecoming. Infelizmente, a parceria entre as duas empresas não gerou bons frutos neste jogo.

Se você quer manter suas lembranças dos bonecos de Comandos em Ação a salvo de qualquer coisa ruim, não jogue este game. Infelizmente, a adaptação do filme G.I. Joe: The Rise of Cobra para os video games é entediante e não honra o sentimento nostálgico que muitas pessoas possuem em relação aos famosos combatentes.

Com poucos minutos de jogo, é possível perceber uma série de falhas, problemas e bugs presentes em todos os aspectos: jogabilidade, enredo e recursos técnicos. Jogar The Rise of Cobra é muito fácil, mas é difícil gostar da experiência como um todo, visto que é praticamente possível passar de fase segurando o controle com apenas uma mão.


  • A ameaça Cobra

Varrendo as instalações da entidade conhecida como M.A.R.S., o jogador tem a chance de conhecer mais sobre o universo de Comandos em Ação. Entretanto, se o gamer não assiste ao filme antes de conhecer o video game, fica bastante complicado de compreender plenamente o contexto geral do enredo.

O que importa é que os Joes devem combater os inimigos com armas alucinantes e veículos destruidores. É claro que nada é incrível assim. Os personagens, contando com um trabalho de vozes nada convincente, fazem com que os jogadores tenham vontade de pular cada fala com o propósito de embarcar diretamente na ação.

Se você pensa que escapar dos vídeos animados e das pequenas cenas de introdução é um alívio, está muito enganado. O combate de The Rise of Cobra é, no mínimo, deplorável. Escolhendo um dos poucos Joes disponíveis, o jogador consegue perceber que nunca foi tão fácil andar, atirar e explodir tudo à volta.

Nada, nada atraente A jogabilidade do game não poderia ser mais arcade. Apresentando comandos bastante tradicionais e um esquema de movimentação intrigantemente ruim, o jogo tem uma atmosfera clichê. O sistema de cobertura é simples, mas fraco. Não há uma boa quantidade de itens bônus a serem coletados, mas os poucos que existem demandam um tempo considerável na hora de destruir objetos diversos pelos cenários.

E, como a câmera é horrível e o visual de G.I. Joe não impressiona nem um pouquinho, não há motivo para gastar várias horas na busca de itens que, para falar a verdade, não valem a pena. O game tenta compensar os jogadores com alguns bônus e uma série de combatentes desbloqueáveis (a preço de Battle Points adquiridos arduamente), mas a diversão não aparece.

Há quem diga que The Rise of Cobra seja praticamente um Contra — sim, aquele Contra — com muito menos diversão. Ficou claro que o pessoal da Double Helix quis agradar um público mais infantil que o esperado com a jogabilidade arcade e a falta de polimento nos recursos técnicos.

  • Maçante mesmo no modo cooperativo

Uma das peculiaridades do título é a possibilidade de jogar todas as missões com outro gamer no mesmo console. Nenhuma grande mudança: segurar o dedo no gatilho a todo o momento (pois é, munição infinita) e destruir tudo e todos. Ao final de cada etapa, um gráfico mostra o quanto cada Joe participou na aquisição de pontos, gerados a partir da matança, da destruição e coleta de certos objetos e, obviamente, do cumprimento dos objetivos propostos.

Se não houver mais de um jogador, o parceiro do gamer é controlado pela inteligência artificial (IA) do jogo. O segundo combatente é invencível, mas não causa muito estrago. Falando em IA, a decepção é grande: os inimigos são previsíveis, repetitivos e praticamente refletem o resto do game.

Mira? Que mira? Mirar é uma ação quase automática, mas nada prática. Se o jogador deseja alterar o alvo enquanto dispara freneticamente, deve duelar furiosamente com o pino analógico da direita. Caso realmente haja problemas em enfrentar os oponentes, há duas alternativas: utilizar um ataque especial (cada Joe possui um diferente) ou ativar o modo especial de combate por um curto período de tempo, no qual a Accelerator Suit entra em cena.

Quando os Joes ativam o modo especial, rapidamente empregam as vestes especiais de batalha para causar o caos. As armas ficam muito potentes e rápidas, os Joes podem se movimentar rapidamente e uma música absurdamente alta é reproduzida. O Baixaki Jogos adverte: se você gosta de volumes elevados, cuidado ao ativar o modo especial de combate.

No mais, nenhum grande atrativo. Em certos lugares, os combatentes encontram uma máquina de Teleport, que oferece a chance de trocar de Joe. Heavy Duty é um dos primeiros personagens que os gamers desbloqueiam após poucos minutos de jogo.

Além disso, os outros "diferenciais" não são o suficiente para agradar os jogadores ligeiramente mais críticos (ou mais maduros). Por exemplo: combate veicular. Além de, por padrão, controlar os veículos oferecidos ser algo nada prazeroso, não há grandes diferenças práticas em relação ao combate a pé, a não ser a maior resistência.

Ativar certos objetos para que painéis possam ser ativados é algo a ser feito várias vezes durante as missões. G.I. Joe conta com mini games, como a possibilidade de controlar um satélite temporariamente para repelir hordas de inimigos.

Comandos em Ação Repetitiva e Nauseante

Com isso, pode-se dizer que o patamar de desafio do jogo está longe de ser satisfatório. Por mais que o gamer resolva encarar o nível de dificuldade mais elevado, basta ter paciência, utilizar frequentemente o sistema de cobertura e não soltar o dedo do gatilho a nenhum momento, sempre controlando a energia do protagonista comandado.

  • Tecnicamente? Uma vergonha

The Rise of Cobra é, infelizmente, um daqueles títulos que explora muito pouco o potencial de processamento do PlayStation 3 e do Xbox 360. Você realmente quer saber mais sobre as características técnicas deste game? Então prossiga para os próximos parágrafos e... Boa sorte.

É bizarro constatar que os desenvolvedores criaram menus pesados (e pouco bonitos) e deixaram de caprichar no polimento do jogo em si. Bordas serrilhadas formam o menor dos males. As texturas e divisão de terrenos dentro de um cenário apresentam problemas inacreditáveis, levando em conta que estamos falando do PS3 e do X360.

Sobram efeitos simples, dignos de consoles como PlayStation 2 ou Nintendo Wii. A baixa resolução das animações e das modelagens é algo que causa arrepios... No mau sentido, é claro. Entrando em sintonia com o abominável sistema de câmera, o visual é uma ofensa para os olhos dos gamers que gostam de contemplar ambientes aceitáveis, pelo menos.

Esta imagem é bonita, em comparação com o game

E a ambientação sonora não salva nada do fiasco. O trabalho de vozes é pouco convincente, as músicas não são tão boas e há uma clara discrepância entre os volumes dos sons em geral. As vozes, por padrão, são mais baixas que o resto dos sons, mas a trilha sonora que irrompe quando o jogador ativa o modo especial de combate conta com um volume absurdo. O que falar disso? Falta de polimento.

G.I Joe: The Rise of Cobra, portanto, não causou impacto nos video games. Um conjunto quase hilariante de bugs e dificuldades é praticamente um desaforo para os verdadeiros fãs de Comandos em Ação que também gostam de jogos virtuais, mas pode até cativar gamers de, digamos, 12 anos de idade.


44 ps3
Ruim

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44 xbox-360