Uma combinação ousada e um resultado mediano

Muitas pessoas afirmam que no mundo dos MMOs o que conta é seu tempo disponível, e não a habilidade. É claro que, por um lado isto até faz sentido. Afinal, os jogadores destes games devem permanecer horas a fio em frente ao PC para combater o maior número de inimigos possível. Só assim, novos níveis e oportunidades surgirão. Basicamente, quem passa mais tempo jogando acaba sendo o melhor jogador, não é mesmo?

Bem, em alguns casos sim, mas existem exceções. Uma das mais recentes é Global Agenda, um MMO da Hi-Rez Studios. Seria este um FPS com multiplayer em massa? Provavelmente, é isto que muitos imaginam, mas a verdade não é esta. O game coloca o jogador na pele de espiões do século 22, período em que diversas facções lutam contra outras enquanto se opõem a um governo totalitário que deseja dominar o mundo. Simples assim.

Parece bacana, não é mesmo? E ainda tem mais. O grande diferencial do título é a jogabilidade. Em vez de simplesmente clicar e esperar, o jogador desfrutar de uma perspectiva em terceira pessoa, bastante semelhante aos jogos da atual geração, e deve mirar e mandar bala em seus oponentes. Não é exatamente um FPS, mas exige bastante habilidade.

Fora isso, diversos elementos do gênero estão presentes. Ou seja, criação de personagens, seleção de classes, quests e mais quests, upgrades, PVP e PVE, clãs e muitas horas ajustando detalhes em menus. Essa combinação certamente chama a atenção. Contudo, será quem, na prática, ela realmente funciona?

Global Agenda é um game bacana, mas não passa disso. É como alguns dizem por aí: aquele que tenta agradar a todos acaba não agradando ninguém. Como um jogo de tiro em terceira pessoa, o título se prende muito aos menus e às missões repetitivas. Como um MMORPG, Global Agenda peca por não trazer ambientes abertos e por oferecer um sistema de níveis e aprimoramentos nada atraente.

Global Agenda tem uma proposta interessante, mas sua execução impede-o de ser um grande MMO. Infelizmente, diversas limitações e a falta de balanceamento entre os combates e o nivelamento impedem que o game decole. Mesmo assim, é possível passar algumas horas jogando o título, principalmente se você busca um MMO diferente. Só não espere por uma verdadeira revolução.

Diferente

Como você pode perceber, um dos principais elementos que suporta Global Agenda é sua jogabilidade. Depois de criar uma conta no site oficial do game, você perceberá que este MMORPG oferece quatro classes ao jogador: Robotics, Medic, Recon e Assault. Cada uma delas possui suas próprias características, e você terá de ver qual é a mais apropriada para seu estilo. Até aí, tudo bem, várias classes são comuns em um jogo de multiplayer em massa. Falaremos mais disto daqui a pouco.

Outra semelhança em relação aos multiplayers em massa convencionais está na criação dos personagens. Você poderá escolher o sexo de seu personagem e ainda ajustar vários atributos. Primeiramente, você selecionar uma face pré-modelada, algo que deve facilitar seu trabalho. Depois disto, basta explorar cada menu da customização para criar seu personagem da maneira desejada. É um sistema bacana, daqueles que oferece várias opções, mas dificilmente gera um resultado que queremos.

“Ok, mas e as diferenças, Baixaki Jogos?”, você se pergunta. Muita calma nesta hora. Após gerar seu próprio boneco, o jogador parte para uma espécie de tutorial. O bacana é que, neste momento, parece que estamos jogando um game de ação em terceira pessoa, como Dark Sector ou Dark Void. Basicamente, Global Agenda mostra como seu personagem foi resgatado e qual foi o caminho percorrido até chegar a Dome City, o local principal do jogo.

O centro da cidade

Após várias cutscenes, você começa a correr para a saída enquanto aprende os movimentos básicos do game. Quem já jogou qualquer jogo de tiro em terceira pessoa não terá problemas com os controles do jogo. Você utiliza a combinação W, A, S e D para se movimentar e, com o mouse, controla a visão e a mira do guerreiro.

Durante o tutorial o jogador adquire seus equipamentos básicos para o game, como o rifle, uma arma branca e o jetpack — sim, você conta com sua própria mochila voadora. Tudo isto é introduzido em contexto, o que deixa o game menos aleatório. Depois de quase quarenta minutos, aprendendo a utilizar cada um dos recursos de seu personagem, o jogador finalmente chega a Dome City, o hub do game.

Felizmente, é possível pular todo o tutorial se você desejar, algo muito bom para quem não está com muita paciência e quer logo partir para a briga ou para aqueles que já passaram por aqui alguma vez.

Uma vez em Dome City é possível notar o lado MMO do game. O jogador tem ao seu dispor um centro com vários locais extremamente úteis, como lojas, setores de treinamento, locais para distribuir seus pontos, leilões e muito mais. Se você se perder, basta procurar um Global Mission Screen, uma espécie de computador que oferece as direções através de trajetos criados em tempo real no game.

Depois de explorar o ambiente, basta partir para as missões. Global Agenda oferece várias salas diferentes, sendo algumas delas desbloqueadas apenas quando o jogador atinge certo nível. Dentro das salas, você encontrará vários outros gamers que se unirão para cumprir as missões oferecidas pelo título. É aí que entra a importância das classes.

A escolha certa

Conforme mencionamos anteriormente, Global Agenda oferece quatro classes diferentes. Agora, vamos conferir mais detalhes sobre cada uma delas, incluindo habilidades e as vantagens e algumas desvantagens.

Primeiramente, temos a Robotics, talvez a classe mais balanceada do título. Está também é a classe que se encaixa perfeitamente ao contexto do game, não sendo tão genérica quanto às demais. Quem optar por este tipo de personagem terá ao seu dispor uma série de apetrechos como campos de força, robôs e metralhadoras fixas. Todos estes itens ainda podem ser aprimorados com os pontos obtidos em game, deixando seu personagem ainda mais poderoso. E, um detalhe: você pode resetar seus pontos caso não esteja contente, graças a uma loja no hub do game.

Não gostou? Tente 
novamente

Fora esta, o game também apresenta a Medic. Como você pode imaginar, esta classe é útil para curar os inimigos, mas também é feroz em combates próximos, graças à sua injeção de toxinas. Os jogadores que optarem por esta classe terão de ficar nas linhas de trás durante o combate, fornecendo suprimentos e evitando a morte dos companheiros.

Já o Recon é a classe mais “ninja” do game. Basicamente, o jogador terá habilidades que deixam o personagem quase invisível, e ainda poderá desfrutar de super velocidade e ataques à longa distância. Esta classe é recomendada para aqueles que desejam pegar os oponentes desprevenidos.

Por último, mas não menos importante, temos a classe Assault. Está é indicada para aqueles que gostam de força bruta. Logo no início, estes tipos de soldado contam com metralhadoras giratórias extremamente poderosas. Fora isso, eles também possuem granadas e imunidade temporária.

É treta!Como é possível perceber, as classes do game são bem equilibradas. Além de contar com o jetpack, a arma branca e o rifle, estas classes também possuem slots para demais habilidades especiais e exclusivas de cada classe. Maximizar cada uma das habilidades é um grande desafio e certamente recompensador para os fãs do gênero.

As batalhas são relativamente simples. As habilidades selecionadas pelo jogador aparecem na parte inferior da tela, cada uma convenientemente mapeada nos números do teclado. Sendo assim, basta escolher o que deseja fazer e utilizar o mouse para mirar, de modo semelhante aos jogos em terceira pessoa desta geração.

Em suma, o combate é bacana, com uma grande variedade concebida graças ao número de armas e recursos diferentes de cada personagem. Além disso, o trabalho em equipe é fundamental. É necessário se comunicar e saber bem o papel de sua classe para obter sucesso em Global Agenda. Uma equipe sem um médico, por exemplo, dificilmente conseguirá completar os objetivos.

Modos e possibilidades

Além dos modos contra os computadores, no qual o jogador embarca em missões ao lado de uma equipe, Global Agenda também oferece diversas outras maneiras de jogar. Primeiramente, há a sala de treinamento virtual, na qual dois times compostos por jogadores se enfrentam. Nestes conflitos, não há recompensa de experiência ou créditos — utilizados para compra de itens na cidade. Mesmo assim, é uma experiência bacana e que prepara o jogador para o próximo modo: PVP.

Nesta modalidade as coisas são mais quentes. Ao contrário do treinamento, aqui temos recompensas de pontos e experiências, o que torna as batalhas muito mais intensas e disputadas. Fora este moda, há o Conquest, no qual o objetivo é conquistar, gradativamente, os hexágonos que delimitam o mapa do local. Uma ótima maneira para provar que seu time é o melhor do pedaço.

Repetitivo

Fazer as missões contra os oponentes controlados pelo computador pode até parecer algo extremamente bacana, principalmente por estas serem cooperativas. Entretanto, após algumas jogadas você perceberá que está simplesmente repetindo o processo, passando pelas mesmas fases e matando os mesmos inimigos.

O pior de tudo é que você é obrigado a fazer isso, pois a recompensa em experiência e créditos para cada fase é baixa. Ou seja, se você quer prosseguir, então terá de lutar várias vezes no mesmo local. Nos PVPs, players contra players, a diferença de nível pode ser brutal, exigindo que o jogador treine por horas até poder participar adequadamente das brigas.

Conheço esse local como a
 palma da minha mão

Algumas limitações

Durante sua jornada, você perceberá em alguns momentos que faltou capricho em Global Agenda. Primeiramente, não há qualquer interação com o ambiente. Ou seja, nada de destruir cadeiras, deixar suas marcas em pedras ou explodir barris. A interação é praticamente nula. Isso denigre a experiência do jogo, deixando-o ainda mais linear.

Fora isso, a constante rotina de ir para o Dome, fazer as missões, voltar para o Dome e fazer as missões também é cansativa. Você acaba se sentindo preso ao jogo, ao contrário de muitos MMOs, que prezam pela liberdade e a exploração de ambientes. A variedade de objetivos é praticamente zero também e a linearidade dos mapas chega a irritar.

Nada mais que isso

Além disso, alguns ajustes teriam deixado os combates ainda mais interessantes. A impossibilidade de utilizar o jetpack e uma arma ao mesmo tempo, por exemplo, é algo que deixa o combate quase simplório. Em suma, não há qualquer diferencial gritante durante os combates: o jogador apenas atira, usa suas habilidades e avança. Não espere por qualquer função revolucionária.

Tudo isto ainda é denegrido significativamente pela necessidade de passar horas e horas nos menus do game antes e após as batalhas. O sistema de níveis poderia ser um pouco mais generoso. Isso contribuiria bastante para o game.

Faltou polimento

Pelas imagens, Global Agenda parecia ser um belo jogo. Entretanto, na prática, o game exibe bastante serrilhado e texturas que não parecem desta geração. Tudo bem, estamos falando de um MMO, mas mesmo assim muito poderia ser melhorado. A arte do game também é decepcionando, sendo igual a outros quinhentos jogos futurísticos.

O som também deixa a desejar, principalmente nos momentos mais intensos. Morrer é algo totalmente frustrante, em todos os sentidos, chegando a causar a impressão de que alguma coisa está errada no jogo. Em suma, a combinação “gráficos e áudio” não é nada atraente.

72 pc
Bom