O sol volta a brilhar, mas com menos intensidade

Quando a série Golden Sun estreou no saudoso Game Boy Avance, nos idos de 2001, foi muito bem recebida por uma legião de jogadores ávidos por bons títulos de RPG. Os visuais estilizados e a jogabilidade inteligente — com quebra-cabeças desafiadores — conquistaram uma legião de fãs.

Agora, mais de sete anos depois da sua última edição, a série retorna aos video games, desta vez no Nintendo DS. Sob os cuidados do estúdio Camelot, Dark Dawn retoma o legado de Golden Sun, refinando os principais elementos dos jogos originais e polindo tudo em um belo RPG para o portátil da Nintendo.

Apesar da grande reformulação visual, o estilo segue familiar, bem como a jogabilidade — que foca-se ainda mais na resolução de quebra-cabeças para superação de obstáculos do cenário. Em suma, Dark Sun é mais um clássico do GBA muito bem adaptado ao Nintendo DS.

Golden Sun: Dark Dawn é mais um bom RPG para o Nintendo DS, no entanto, não é o melhor. O título possui mecânicas interessantes e elementos que complementam com muita qualidade o legado da franquia.

A jogabilidade é familiar a todos que já se aventuraram em um JRPG (RPG japonês). O diferencial fica por conta do foco na resolução de quebra-cabeças ambientais e dos Djinnis.

Os gráficos são bem trabalhados e a jogabilidade é acessível para todos os jogadores. Infelizmente, a acessibilidade também foi incorporada na dificuldade do jogo, muito mais fácil do que seus antecessores.

A trama é atraente, apesar de permeada de clichês do gênero. Todavia, os longos diálogos e a ausência de dublagens deixa a passagem da história lenta e um tanto enfadonha.

No final Golden Sun: Dark Dawn se destaca mais pelo carisma do que por qualquer proeza técnica. Fãs da franquia vão apreciar o retorno da série, mesmo que o título não chame a devida atenção dos demais.

“No meio do caminho tinha uma pedra”

Não seria um jogo da série Golden Sun se não houvesse puzzles ambientais. Um dos elementos mais presentes e interessantes da franquia era a superação de obstáculos do cenário por meio da resolução de quebra-cabeças que utilizam elementos do próprio ambiente.

Em Dark Dawn, esta característica está ainda mais evidente e compõe a maior parte da jogabilidade. Para resolver, ou contornar, os problemas, você deverá utilizar sua mente e seus poderes (a psynergy). Com a manipulação da psynergy, você poderá mover objetos, fazer plantas crescerem, disparar bolas e fogo e muito mais.

Os enigmas são muito criativos, apesar de não serem tão desafiadores quanto os dos títulos anteriores. Na maioria das vezes a resolução reside na utilização do poder mais recente, facilitando assim a vida dos jogadores menos experientes.

Img_normalA jogabilidade é extremamente acessível e o jogador pode optar por controlar tudo por meio da tela sensível ao toque ou pelo modo mais tradicional, com os botões e direcional. Ambos são eficientes e bem adaptados.

Filho de peixe…

Golden Sun: Dark Dawn tem uma trama elaborada que rege toda a ação do jogo. Dark Dawn se desenrola 30 anos depois dos títulos do Game Boy e traz novos protagonistas e alguns velhos conhecidos dos fãs.

Você assume o papel do filho de Issac — protagonista dos jogos anteriores — que salvou o mundo de Weyard ao recuperar o poder do Golden Sun. Nos longos anos que se passaram, muita coisa mudou. Novos continentes emergiram e novas espécies apareceram em Weyard, porém, uma nova ameaça pode acabar com toda a paz.

Vórtices surgem pelo mundo sugando toda a psynergy da área e das pessoas capazes de manipular tal energia. Esta ameaça pode destruir todo o planeta ao abalar a harmonia das forças mágicas atuantes em Weyard.

Para salvar o mundo, você e uma nova trupe de heróis devem descobrir o que está por trás do surgimento desses vórtices de psynergy. A história não é exatamente nova e os diálogos se estendem um pouco além do esperado, mas as animações são belas e os fãs certamente se deleitarão com algumas participações especiais.

O Gênio da lâmpada

O sistema de combate de Dark Dawn é muito similar ao das edições anteriores de Golden Sun. É o esquema clássico dos jogos de RPG japonês com batalhas em turnos. As ações de cada luta são distribuídas entre os participantes que escolhem se atacam, defendem ou utilizam um item.

Os ataques se dividem entre golpes diretos, magias e a conjuração de criaturas, o que nos leva aos Djinnis. As criaturas são velhas conhecidas dos fãs de Golden Sun e desta vez estão ainda mais interessantes.

Cada Djinn possui uma habilidade especial que pode ser combinada com um ataque do jogador. Na prática, eles são como feitiços que conferem algum dano ou efeito diferenciado aos ataques. Porém, os Djinn também são à base do sistema de classes do jogo.

Img_normalO tipo de Djinn que está designado ao seu personagem basicamente define a classe e tipo de feitiços que você poderá utilizar. O melhor de tudo é que você pode combinar os tipos de Djinn como você quiser, oferecendo uma espécie personalização de classes.

Os Djinnis também são capazes realizar conjurações — grandes magias capazes de infringir muito dano aos oponentes. Dentro do menu de ataque você seleciona a opção de summon e — caso você possua a quantidade exigida de Djinnis — uma criatura gigantesca será convocada para participar da batalha.

Visual repaginado

De todas as mudanças em relação à série original a mais radical fica por conta do novo visual. Os tons pastel e os gráficos 2D dão lugar a um estilo 3D levemente estilizados com o filtro cel-shade.

Além de oferecer cenários mais detalhados, os novos gráficos também contam com efeitos de rotação e transição das telas que deixam a jogabilidade mais suave e integrada. A mesma qualidade se aplica aos encontros com os monstros e chefes de cada masmorra.

Alguns jogadores mais saudosistas podem sentir falta do estilo 2D. No entanto, os belos visuais e o desempenho competente do motor gráfico são suficientes para “converter” até os mais puristas.

Outro elemento clássico que recebeu uma versão atualizada foi a bela trilha sonora de Golden Sun. A maioria dos temas tradicionais está de volta, mas com algumas boas adições que não destoam nem um pouco do clima da série.

A equipe foi capaz de trazer as melhores músicas do original ao mesmo tempo em que criou remixagens muito atraentes. A mistura de novo e velho proporciona uma trilha sonora cativante e sólida.

Moleza

A escolha por uma jogabilidade mais acessível também trouxe alguns efeitos colaterais. A jogabilidade continua envolvente e interessante, porém, os desafios não são tão desafiadores quanto os dos títulos anteriores.

Img_normalA maioria dos quebra-cabeças é resolvida utilizando o poder mais recente. A cada masmorra o jogador aprende uma nova utilidade da sua psynergy — que, por sua vez, é utilizada na resolução de quase todos os enigmas do estágio em questão.

Outro ponto que diminuiu consideravelmente a dificuldade do jogo foi a redução dos encontros aleatórios. Confirmando a ideia de que o título foi concebido para uma audiência mais jovem e menos experiente em jogos de RPG japoneses.

Fala logo

Apesar de envolvente a trama não é muito original e as longas sequências de diálogo podem se tornar extremamente chatas, ponto ainda mais evidente em um video game portátil. Além disso, o jogo não conta com dublagens, portanto todos os diálogos aparecem apenas na forma de texto, deixando a experiência muito mais cansativa.

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78 ds
Bom