Versão portátil esbarra na falta de um modo de carreira

Foram anos de espera desde o anúncio oficial, mas Gran Turismo finalmente aterrissa no PSP, trazendo ao console portátil da Sony muitas das marcas registradas da série, tais como a simulação precisa do comportamento dos carros, além de uma enormidade de carros e pistas.

Diferentemente dos seus antecessores, este Gran Turismo não traz eventos e corridas que devem ser completados progressivamente (o famoso modo de carreira). Ao invés disso, no modo single player você é largado de cara com um veículo e acesso a todas as pistas e eventos, praticamente como se estivesse no modo Arcade.

A partir deste ponto, você escolhe se quer correr por tempo (Time Trials), em eventos de Drift, ou em disputas tradicionais, realizadas com quatro carros na pista.

Todas estas corridas servem apenas a um propósito: encher os seus bolsos de dinheiro para que mais carros possam ser adquiridos e testados pelas pistas. Será que esta foi uma decisão sábia por parte da Polyphony Digital?

Gran Turismo é sim um título com escala impressionante para o portátil, contando com muitas das qualidades que consagraram a série como uma das melhores do gênero, a exemplo dos modelos de direção únicos para cada carro. Infelizmente, as decisões referentes à estrutura do jogo e do modo para um jogador impedem que ele atinja todo o seu potencial.

O jogo é realmente “portátil”, no sentido de que você pode simplesmente ligar o console, escolher algumas pistas ou desafios, completá-los e partir para outra tarefa. E é justamente isso que irá desapontar os fãs da série. Depois de algumas corridas, você ficará perdido, sem ter algo que o estimule a continuar pelos circuitos.

Outra coisa a ser notada é a falta de acabamento com alguns dos aspectos, principalmente gráficos, dando a nítida impressão de que a desenvolvedora “apurou” o trabalho para poder continuar rapidamente com Gran Turismo 5 no PlayStation 3.

Quem é fã da série vai se deliciar por muitas horas pelos tradicionais circuitos, mas quem procura pela experiência completa vai se decepcionar muito, não tendo nenhum estímulo para continuar jogando, a não ser pelos desafios e pela aquisição de novos carros.

Desafios na medida certa

O jogo pode não contar com o sistema de habilitações visto nos títulos passados (o que é sensato, uma vez que não existem pré-requisitos para as corridas), mas ao menos as deliciosas provas permanecem, sob a categoria de desafios.

Corridas violentas por Laguna SecaNela, as antigas regras se aplicam, o que significa que você não poderá sair do traçado e nem bater nas proteções laterais. A grande vantagem é que agora você é recompensado com dinheiro, acelerando consideravelmente a aquisição dos veículos. As divisões seguem de A até I, com cada uma delas tendo seis desafios.

Conteúdo de sobra

Ao todo são mais de 35 circuitos (localidades), sendo que muitos deles possuem variações de traçado, a exemplo de Motegi, que pode ir de circuito oval a um dos mais completos percursos do game, contendo retas perfeitas para ultrapassagens e curvas extremamente bruscas, que exigirão precisão com os freios.

E o melhor de tudo é a presença de pistas de rally, que o introduzem a um esquema de direção bem diferente do visto com as pistas asfaltadas. Vale ressaltar que não existe apenas terra, mas também gelo por lugares como o Ice Ring. Haja braço para manter o carro na pista!Carros e mais carros

A seleção de carros também é farta: são mais de 800 no total, com algumas máquinas aparecendo pela primeira vez pelos territórios da Polyphony Digital.

Diversão com a galera

O modo multiplayer de Gran Turismo é baseado em conexão direta entre PSPs e funciona praticamente como uma caixa de surpresas. Você não tem muito controle sobre a seleção de veículos e nem mesmo dos circuitos, mas o resultado final é bem interessante.

Para tornar as partidas mais justas, o game introduz também uma série de artifícios, tais como largadas com vantagem e até mesmo a seleção de carros mais potentes para os jogadores sem grande experiência com os controles. Estas vantagens são ampliadas a cada corrida passada, até que o jogador atinja uma faixa competitiva satisfatória frente aos seus oponentes.

Expandindo a garagem

Outra possibilidade que envolve a conexão de PSPs por Ad-Hoc é a de troca de veículos entre os jogadores. As transações podem ser de dois tipos: trocas ou cópias. Pela primeira, você fornece um carro em troca de outro, perdendo-o de sua garagem.Ajustes básicos na hora da corrida

Já com o modo de cópia você transfere o carro para outra pessoa, mas o mantém em sua garagem. Vale notar que cada modelo possui características próprias de compartilhamento, portanto não as coisas não se resumem a apenas sair passando os carros para os outros.

Fluidez em alta

Os gráficos de Gran Turismo são realmente belos, contando com iluminação convincente e um campo de visão bem extenso. Estes fatores compensam pelas pequenas falhas (algo que cobriremos mais abaixo, infelizmente na parte de contras) e inserem o jogador na ação das corridas.

Entretanto, o que merece destaque aqui é o desempenho do jogo, que fica cravado na marca de 60 quadros por segundo o tempo todo, garantindo a máxima suavidade para os olhos.

Rumo ao Gran Turismo 5!

Depois de horas gastas com a versão portátil, você não precisará repetir o esforço com Gran Turismo 5. Será necessário apenas ligar o portátil no PlayStation 3, transferir o arquivo de “save” e se deliciar com todos os carros já adquiridos.

Som na caixa

A trilha sonora segue a mesma linha dos outros jogos da série: uma mescla excelente entre rock, música instrumental e eletrônica que o prepara para a emoção das corridas em alguns segundos. Prepare seus fones de ouvido para aproveitar!

Mas para quem não gosta, aí vai uma boa notícia: GT PSP traz suporte para trilhas sonoras personalizadas, o que significa que você poderá carregar seus MP3s favoritos no cartão de memória. Apenas certifique-se de que as faixas escolhidas durem o suficiente para algumas voltas na Costa di Amalfi...

Loadings em segundos

Ao contrário de muitos jogos do PSP, Gran Turismo traz tempos bem curtos de carregamentos, de modo que só alguns segundos o separarão das corridas. Mas e qual a mágica? Em primeiro lugar, os menus não utilizam nada em 3D. Apenas imagens estáticas representam os carros e pistas (uma decisão inteligente).

Cenários belos Quem comprar o jogo da internet o terá direto no cartão de memória, que conta com taxas de leituras muito mais rápidas, e que comprar a versão em UMD poderá instalar os arquivos no cartão, exatamente como o que é feito para os jogos do PlayStation 3. A diferença de desempenho é visível e vale o espaço gasto.

Adeus modo de carreira

Fãs da série que comprarem a versão de PSP esperando pelos tradicionais eventos e troféus sairão muito decepcionados. Como já descrevemos, a experiência de Gran Turismo no PSP é incompleta, já que não há um objetivo definido além dos desafios.

Não há uma real motivação para o jogador passar de pista em pista, fechando-as em primeiro lugar, até mesmo porque dinheiro pode ser ganho de outras formas. E o sistema de elevação de classes (de D até A) não passa de um novo termo para níveis de dificuldade.

Seleção de pistas

Nada de upgrades

O sistema de ajustes nos carros é praticamente idêntico ao encontrado em Gran Turismo 5: Prologue, isto é, você pode acertar fatores como taxa de câmbio, altura da suspensão, peso e outros pequenos detalhes, mas as coisas ficam por aí, pois a compra de peças não está presente.

Novamente, é como se você estivesse experimentando algo pela metade: você compra o carro e o ajusta, mas não tem ferramentas para incrementá-lo.

Ganhando na loteria

Outro ponto que pode frustrar os jogadores é o novo sistema de acesso às vendedoras. Agora só podem ser visualizadas as listas de carros de quatro delas por “dia”, de acordo com o calendário interno do jogo. Isso o impede de gastar livremente seu dinheiro e o força a investir em mais corridas para fazer o tempo passar.

Seleção do modo multiplayerO maior agravante é que a limitação não se aplica somente às marcas: a seleção de carros também é sortida, de modo que o veículo que você procura pode ou não estar no estoque. A sensação é de que a Polyphony quer praticamente obrigá-lo a testar a troca de carros com outros jogadores.

Pistas quase desertas

O jogo é realmente um grande feito, ainda mais quando levamos em consideração as dimensões dele, a quantidade de conteúdo, os fatores de simulação e as capacidades da plataforma para a qual ele foi desenvolvido.

Entretanto, em alguns momentos do jogo se tornam claros os sacrifícios que foram feitos para que esta experiência coubesse no PSP. Em primeiro lugar, só é possível correr contra um máximo de três adversários em cada pista e nada mais. Para quem está acostumado a oito ou dezesseis carros, a impressão é de que está faltando alguma coisa.

Acabamento de segunda

E ao longo das corridas e desafios, algumas falhas gráficas persistem. Uma delas é a presença de pontos brancos que saltam do asfalto sempre que há uma emenda entre desníveis, criando um efeito desconfortável para os olhos.

Em replays ou em tomadas com visão ampla do cenário, é possível ver com tranqüilidade objetos saltando ou aparecendo “do nada”, além de sombras que insistem em sumir e reaparecer em frações de segundos.

Em outros circuitos de rally mais fechados, como o de Costa di Amalfi, as paredes laterais são cortadas pela metade sempre que se aproximam da câmera, deixando as porções laterais da tela repletas de bugs e polígonos estourados. E por fim, o modo de cockpit — embora bem-vindo — não passa de uma camada de preto na tela, sem exibir qualquer detalhe do interior, nem mesmo o volante.

77 psp
Bom