No dia mais claro, na noite mais densa

Já se tornou um sentimento comum: basta alguma empresa anunciar um game baseado em filme para que esperemos o pior. Afinal, como não se sentir assim em um mundo com adaptações tão sofríveis quanto Iron Man e Transformers? Porém, mesmo com as críticas quase sempre negativas, os estúdios insistem em apostar nesses jogos que pegam carona com o cinema — e, após tantas tentativas, finalmente conseguem acertar.

Green Lantern: Rise of the Manhunters se inspira na recente adaptação cinematográfica do herói Lanterna Verde. No entanto, o longa-metragem foi tão mal recebido pelo público que é surpreendente o quanto sua versão para consoles consegue ser divertida e contrariar todas as expectativas negativas que são comuns ao gênero.

Img_normal
Além disso, o Guardião Esmeralda nunca fez parta da trindade dos quadrinhos, encabeçada por Batman, Superman e Mulher-Maravilha. Sendo assim, o que esperar de um jogo cujo personagem principal não é tão conhecido e que surge de um filme ruim? Por incrível que pareça, trata-se do raro caso em que o game é melhor que a obra que o inspirou.

Tendo em vista que a grande maioria dos jogos inspirados em filme traz experiências desastrosas, Green Lantern: Rise of the Manhunters se destaca por conseguir ser, no mínimo, divertido. É claro que não se trata de algo memorável ou único, mas o título é capaz de entreter por várias horas fãs do personagem e quem saiu do cinema achando que o Guardião Esmeralda tinha muito mais potencial do que o que foi apresentado nas telonas.

O poder do anel

O que mais se destaca em Green Lantern: Rise of the Manhunters é sua jogabilidade. Ela não traz nada de original, bebendo da fonte de sucesso de outros Hack‘n’Slashes famosos. Contudo, essa fórmula funciona perfeitamente com os poderes do anel, fazendo com que os combates sejam naturais e empolgantes.Img_normal

Para quem não conhece a mitologia do herói, as habilidades do Lanterna Verde vêm de um anel intergaláctico que reflete a força de vontade de seu usuário, permitindo que ele crie qualquer coisa que imaginar. No game, isso se torna ainda mais claro, pois é possível formar desde espadas a uma armadura que o deixa ainda mais resistente e mortal.

A variação desses ataques é o grande segredo de Rise of the Manhunters. Como há muitos poderes a serem utilizados, a jogabilidade alterna constantemente e as lutas não soam repetitivas, mesmo com a linearidade dos cenários e a pouca diversidade de inimigos.

Img_normal
A evolução dos poderes do Lanterna Verde também instiga o jogador a continuar avançando na história. Além de novos objetos a serem criados, você pode aumentar a força do anel e adquirir outras melhorias, o que torna a progressão recompensatória e divertida.

“O mal sucumbirá ante a minha presença”

Como dito anteriormente, Green Lantern: Rise of the Manhunters consegue ser superior ao filme que o originou. Não apenas por ser divertido, mas por ter uma história muito mais relevante e lógica ao universo do herói. Se nos cinemas é possível ver os primeiros voos de Hal Jordan como Lanterna Verde, o jogo já o mostra com certa experiência e confiante de suas habilidades.

Além disso, o roteiro se inspira muito mais nas histórias em quadrinhos do que no próprio longa-metragem — e talvez essa seja uma das razões pela qual o game se destaca. Ainda que os personagens sejam recriações da produção cinematográfica, a trama dos consoles mostra acontecimentos diferentes e muito mais interessantes.

Img_normal
Como o próprio título sugere, Rise of the Manhunters apresenta o retorno dos Manhunters — ou Caçadores Cósmicos, como ficaram eternizados nos gibis nacionais — após terem sido substituídos pelos Guardiões do Universo, que preferiram a Tropa dos Lanternas Verdes para policiar as galáxias. Com esse desejo de vingança, o jogo nos leva a vários locais conhecidos pelos fãs de HQs, como os planetas Oa, Biot e Zamaron, além de apresentar o poder dos Anéis Violeta.

Se o filme não agradou ao público por conta de seu enredo fraco e pouco fiel às histórias originais, o game vai na contramão disso e consegue satisfazer até mesmo quem já é fã do herói. É claro que há deslizes em alguns momentos e não se trata de algo épico, mas consegue entreter por algumas horas — e tudo em português.

Ainda é uma adaptação de filme

Apesar de Green Lantern: Rise of the Manhunters contrariar a maldição dos jogos inspirados em filmes, isso não significa que ele está livre das falhas comuns a essas adaptações. Desse modo, ainda temos gráficos pobres e com pouquíssimo polimento visual, além de outras falhas bastante incômodas.

A animação é o principal problema. Logo no início, há uma tentativa de recriar o ator Ryan Reynolds do modo com que ele é apresentado nas telonas, mas o resultado é sofrível e pouco convincente. Nas cenas gerais, a modelagem dos personagens também deixa a desejar, principalmente pela falta de naturalidade nas expressões faciais. Já para o lado dos Caçadores Cósmicos, o problema fica pela falta de variedade, fazendo com que você enfrente os mesmos robôs em todas as dez fases.

O curioso é que o efeito 3D consegue “maquiar” esses deslizes, pois o excesso de serrilhados e polígonos deixa de ser algo grotesco quando as três dimensões entram em cena. É claro que eles ainda estão lá, mas não incomodam tanto quanto no 2D.

Os planetas visitados pelo Lanterna Verde trazem detalhes interessantes, mas nada excepcional e que falham por serem extremamente lineares. Não há nada de exploração, pouquíssimos puzzles e tudo o que você pode fazer é andar — voar não é permitido, por mais contraditório que isso seja — em linha reta e derrotar monstros. Há alguns níveis de voo para “variar” essa fórmula, mas elas são tão fáceis e simples que é impossível não se entediar.

Img_normal

Na parte técnica, há quedas na taxa de quadros por segundo tão absurdas que o game literalmente congela por alguns segundos, principalmente nos momentos de mais ação. Além disso, para ocultar essas falhas, o estúdio Double Helix adicionou pequenas animações e cenas em câmera lenta no final dos combates e sempre que Hal Jordan deve ir de uma área a outra. Na primeira vez, o recurso impressiona pelo efeito dramático, mas se torna cansativo logo em seguida.

70 ps3
Bom

Outras Plataformas

70 xbox-360