Uma nova forma de dirigir [vídeo]

Videoanálise


A evolução da série TOCA chegou pela primeira vez aos consoles em 2008. No título, o jogador gerenciava sua própria equipe de velocidade e deveria dosar o trabalho para outros times ao mesmo tempo em que cria a própria carreira no mundo em que a velocidade das quatro rodas é o que realmente importa.

Agora, exatamente cinco anos após seu antecessor, GRID 2 chega de uma maneira um pouco diferente, sem se encaixar em um nicho específico. Apesar de ter ares mais leves e divertidos, a Codemasters preferiu não optar pela jogabilidade descompromissada dos clássicos games de corrida arcade. Ao mesmo tempo, porém, não abraça completamente o mundo dos simuladores, estabelecendo um meio termo que, para muitos, é bastante agradável.

Foi assim que surgiu o TrueFeel, um sistema de controle diferenciado que faz esse meio termo entre o realismo e a leveza. A ideia aqui é agradar a todos os nichos, em um game que conta com os pés no mundo real e utiliza as redes sociais, algo prático e ao alcance de todos, para medir a progressão e a popularidade dos jogadores.

As corridas em circuitos que parecem de verdade, com fãs e observadores reais, é o principal destaque de GRID 2, por mais que essa sensação seja apenas virtual. O título traz grande aproximação e identificação com o jogador, tornando-se competitivo, divertido e bastante variado.

Caso você seja fanático por Need for Speed ou Gran Turismo, os dois extremos da balança, e esteja em busca de algo novo, é melhor rever suas expectativas. O título desenvolvido pela Codemasters é extremamente competente e divertido, mas exige dedicação e atenção. Prepare-se para reaprender a dirigir, escolha seu possante e acelere.

O UFC dos carros

Não estranhe o subtítulo acima, pois essa é a melhor definição para o modo campanha de GRID 2. A ideia aqui é megalomaníaca: criar uma liga de velocidade que reúna os mais diversos tipos de carros, pilotos e estilos de pilotagem, que competirão ao redor do mundo em pistas de rua e circuitos para definir quem é o melhor do planeta.

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A Codemasters aproveitou essa ideia para investir em diferentes tipos de competição e elementos de extremo realismo. O sucesso nas corridas garante fãs pra você, que surgem a partir de vídeos no YouTube e curtidas nas redes sociais. Quanto mais seguidores, mais prestígio. Com isso, aumenta o número de desafiantes e a quantidade de corridas disponíveis.

Assim, surgem também os mais variados tipos de provas, que privilegiam diversos estilos e possuem os mais variados objetivos. Além das corridas normais, nas quais o objetivo é chegar em primeiro, existem ideias mais inusitadas. Em uma, o objetivo é ultrapassar o maior número possível de carros para acumular pontos. Em outra, você disputa contra um competidor por vez, e não com todos simultaneamente.

Patrocinadores também podem exigir ações especiais, assim como alguns torneios requerem situações bem específicas. Fique por um determinado tempo em primeiro lugar para que uma marca famosa fale sobre seu vídeo e garanta um bom número de fãs ou termine com larga vantagem para ganhar uma vaga em um campeonato que só aceita os melhores entre os melhores.

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O game varia entre circuitos de rua e corridas em autódromos reais, reproduzidos de maneira fiel. A repetição de provas em uma mesma categoria pode acabar irritando um pouco, mas as competições são curtas e variadas. Mesmo que você dirija diversas vezes pelos mesmos lugares, estará fazendo algo diferente a cada rodada.

Rasgando a lataria

Outro grande destaque de GRID 2 é o sistema de danos físicos, que podem ser configurados totalmente pelo jogador entre duas categorias. Na primeira, apenas o carro é destruído, sem que isso afete a pilotagem. Já na segunda, as colisões afetam o comportamento dos veículos pelas pistas, criando um desafio a mais.

A Codemasters parece ter aprendido uma lição com seus outros jogos de velocidade e, aqui, aplicou um sistema de destruição total aos veículos. Caso você tenha o braço duro, pode terminar a prova com um carro sem porta, capô e lataria. Andar em uma máquina destruída, apesar de parecer divertido, vai exigir mais habilidade do que nunca. Destrui-los completamente é possível, mas bastante difícil.

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Os espectadores reagem às batidas e, a todo momento, é possível ouvir interjeições de surpresa ou gritos de espanto no caso de uma colisão mais forte. Caso você já esteja com um número considerável de fãs, acontece o oposto, com o público gritando para incentivar o piloto a continuar mesmo a bordo de um carro que mais parece ter sido mastigado por um dinossauro.

Um parceiro na pista

Outra crítica antiga aos jogos de corrida da Codemasters parece ter sido resolvida em GRID 2. Os copilotos, que antes se limitavam a comunicações básicas e constatação de obviedades, agora realmente oferecem ajuda e dão conselhos durante as provas. Por isso, nada mais de ser informado que “você está em primeiro” após ter, conscientemente, ultrapassado o líder da corrida.

Seu companheiro de competição, inclusive, é capaz de aprender com seus erros e sugerir correções. Muitas vezes, quando você estiver se aproximando de uma curva particularmente complicada, se surpreenderá com uma dica de quando pressionar o freio e com que intensidade, de forma a efetuar a manobra de maneira mais suave.

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Seu parceiro controlado pela inteligência artificial é seu melhor amigo quando ao volante, e, aqui, a ajuda dele é realmente útil. Ainda ficou faltando uma telemetria mais apurada, mas fica a esperança de que a Codemasters aplique esse tipo de sistema também em seus jogos de corrida mais técnicos.

Pequeno consolo

A pergunta que todos vocês querem fazer é: tem tuning? A resposta, infelizmente, ainda é não. Mas GRID 2 apresenta opções bastante avançadas de personalização de veículos, de forma que você poderá mexer em tudo, desde a combinação de cores até detalhes como posições de decalques de patrocinadores, rodas e estilos visuais.

É possível, por exemplo, criar uma identidade visual uniforme para sua frota, aplicando o mesmo estilo em todos os carros. Ou, então, personalizar cada um deles individualmente. Nada depende de dinheiro ou pontos obtidos no jogo: você está livre para fazer o que quiser, na hora em que quiser e quantas vezes quiser. Dá para perder muitos minutos na garagem.

Nem lá nem cá

O sistema TrueFeel foi alardeado pela Codemasters como uma das grandes novidades de GRID 2, fazendo a ponte entre os adeptos de uma direção mais técnica ao mesmo tempo em que dá espaço para quem gosta de se divertir ao volante. Nessa empreitada, porém, a empresa acabou caindo em uma armadilha fácil para quem quer agradar a todos e acabou não sendo profunda com ninguém.

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Se você está acostumado a fazer os drifts rápidos, fáceis e irreais de Need for Speed, por exemplo, verá seu veículo explodindo na parede diversas vezes durante o game. Da mesma maneira, escorar-se nos adversário para tentar impedir uma ultrapassagem apenas fará com que seu carro perca velocidade consideravelmente, além de vários pedaços.

Entretanto, se você adotar um tipo de pilotagem técnica semelhante à dos games da série F1, por exemplo, se verá perdendo posições enquanto adversários muito mais ousados passam por você sem cerimônia. Seguir a linha mais adequada de pilotagem é uma boa tática, mas nem sempre é eficaz.

O que se exige aqui é um estilo único de se jogar, o que não é necessariamente ruim. O problema é a frustração para um público que, hoje, é claramente dividido em dois nichos distintos. Nenhum deles encontrará em GRID 2 a experiência esperada logo de cara e, então, podem acabar abandonando o título. O que é uma pena.

Se acerta aí, cameraman!

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Ao investir em seu sistema de colisões e danos nos carros, a Codemasters adotou uma prática pouco usual. No momento das batidas, a câmera sai da tradicional visão de trás do carro para adotar uma perspectiva lateral, de forma a melhor exibir os danos na lataria e as eventuais peças que acabam voando do veículo.

O problema disso é que, em curvas muito fechadas, momentos de ultrapassagens ou tráfego intenso de competidores, a mudança também dificulta muito as manobras corretivas. Por mais que o objetivo de mostrar o metal retorcido com precisão seja nobre, a dificuldade de evitar danos piores pode acabar custando a corrida. E não há lataria destruída que faça isso ser legal.

87 pc
Ótimo

Outras Plataformas

87 ps3
87 xbox-360