Análise de Half-Minute Hero: Super Mega Neo Climax

Muitas repetições por minuto

Quando surgiu pela primeira vez no PSP, a série Half-Minute Hero apresentou uma proposta diferente no RPG. Aqui, não há longas explorações nem grande conversas com personagens, muito menos uma trama elaborada. O único objetivo é salvar o mundo, de forma muito rápida. Mais precisamente, em menos de 30 segundos.

Agora, a franquia faz sua primeira aparição nos consoles de mesa com Half-Minute Hero: Super Mega Neo Climax. Novamente pelas mãos da Marvelous, o game chega exclusivamente para o Xbox 360 e apresenta uma nova aventura baseada nos mesmos conceitos que o tornaram um sucesso.

As fases curtas e jogabilidade ultra rápida de Half-Minute Hero: Super Mega Neo Climax são perfeitas para um console portátil, mas parecem deslocadas no Xbox 360. A repetição extrema das situações não incentiva ninguém a passar horas jogando e mesmo a adição de um modo multiplayer cooperativo faz pouco para tornar o game mais atrativo.

O título da Marvelous é muito bom, mas exige uma abordagem diferenciada de seus usuários. Caso escolha jogar o game, esqueça as longas madrugadas de video game e faça como nosso protagonista: seja rápido e preciso, encerrando as atividades antes que elas se transformem em um pesadelo.

Algo de novo no front

Uma das grandes críticas dos jogadores que não são fãs de RPG se relaciona à morosidade do gênero. Normalmente, os jogos levam dezenas de horas para serem completados, e a maioria desse tempo é gasto na evolução de personagens. Nada disso existe em Half-Minute Hero: Super Mega Neo Climax.

As 62 aventuras que compõem o game exigem que todas as ações necessárias para se chegar ao final de um RPG sejam feitas em 30 segundos (ou um pouco mais, já que é possível estender o tempo). Isso inclui evoluir o personagem, buscar itens importantes e enfrentar inimigos.

A curta duração dos estágios torna Half-Minute Hero um jogo extremamente desafiador, pois exige também muito raciocínio rápido. Não fique nervoso se morrer diversas vezes na tentativa de completar um objetivo, você não é o único.

Uma homenagem aos clássicos

O game conta com dois estilos gráficos. O primeiro, já conhecido dos jogos para PSP, é uma homenagem clara à era 8 bits e jogos como Final Fantasy ou Dragon Warrior IV. Esqueça os gráficos maravilhosos e fieis à realidade, tudo aqui é nostálgico e cheio de pixels.


O segundo, que vem como uma novidade para a série, se chama Neo Cartoon. Com influência clara em jogos como The Legend of Zelda: Wind Waker, a Marvelous apresenta gráficos em cel shading e cenários muito bonitos e coloridos.

Piadas sutis

Half-Minute Hero: Super Mega Neo Climax não se contenta apenas em trazer algo de novo aos RPGs. O game também alfineta sutilmente alguns dos principais clichês do gênero, como a calma dos personagens principais ou as escolhas entre sim e não que podem ser feitas pelo jogador — e não importam em nada para a trama. Assim, o caráter inovador do título é ainda mais fortalecido.

30 segundos que parecem muito maiores


Para criar algo novo, a Marvelous abriu mão de diversas características do gênero RPG. Porém, ela também abriu mão da criatividade. Todas as batalhas e enigmas dos games se resolvem exatamente da mesma forma. Basicamente, é uma questão de levar o item A ao ponto B, e seguir de lá ao castelo do chefe de fase para acabar com ele, enfrentando diversos inimigos no caminho.

A ideia, que pode parecer interessante quando se lê o início dessa análise, pode se tornar um martírio quando o jogo é realmente experimentado. Os 30 segundos de cada fase tornam a repetição ainda mais constante e faz com que o grande desafio seja permanecer na frente da TV por mais do que 30 segundos.

O sujo falando do mal lavado

Half-Minute Hero: Super Mega Neo Climax tira muito sarro dos principais clichês do gênero. Ao mesmo tempo, o game contém uma série de coisas que são utilizadas como motivo na hora que algum jogador vai explicar a alguém porque não gosta de RPGs.


Não são raros os momentos em que o usuário perde tempo entrando em uma vila para buscar um item, apenas para perceber que ali só há NPCs que não acrescentarão nada de útil à história. Em outros, o jogador se verá perdido em meio a diversas batalhas aleatórias contra inimigos comuns enquanto vê o tempo para acabar com o chefe final se esvair.

Em um título no qual cada segundo pode representar a diferença entre a vida e a morte, tais problemas se transformam em grandes empecilhos. Dessa forma, todo o potencial inovador de Half-Minute Hero cai por terra.

Controles

Aqui, o problema está mais no próprio joystick do Xbox 360 do que no game. Baseado no antigo estilo de grades, nas quais o jogador pode se movimentar apenas em quatro direções, Half-Minute Hero tem controles bem objetivos.

Ainda assim, porém, é possível se surpreender ao ver o personagem seguindo para a direção errada devido à imprecisão do direcional do Xbox 360, ou não respondendo à utilização da alavanca analógica do aparelho. Com isso, lá se vão segundos importantíssimos, que podem definir a destruição ou não de todo o planeta.

78 xbox-360
Bom