Será que a Bungie conseguiu alcançar o ápice da série?

A franquia Halo é, sem sombra de dúvidas, a série mais importante para a Microsoft quando o assunto é video game. O motivo? O título simplesmente levantou a moral do console da companhia, o saudoso Xbox. Com vendas estelares, a MS notou que tinha em mãos não apenas um jogo, mas uma das obras mais importantes da história do entretenimento eletrônico.

Com isso, a exploração da propriedade intelectual era inevitável. Halo ganhou uma sequência, quadrinhos, figuras de ação e muitos outros elementos relacionados a Master Chief, personagem principal do game, e sua companhia. Com o lançamento do Xbox 360, fãs do mundo todo aguardavam ansiosamente pela chegada de um novo Halo. E, quando isso aconteceu, a situação não poderia ser diferente: Halo 3 quebrou recordes de vendas e foi um sucesso na crítica.

Img_normalA franquia estava consolidada. Tiroteios intensos em planetas desconhecidos, alienígenas tentando acabar com a raça humana e um multiplayer simplesmente excepcional. Essa é a fórmula de sucesso que fez com que Halo conquistasse o mundo todo.

Após quase dez anos desde o lançamento do primeiro título, a Bungie, responsável pela franquia, decide arrematar a franquia no Xbox 360 com um último jogo. Halo: Reach é o nome da fera que, como sempre, causou muita especulação na comunidade gamer. Sendo a última aposta da desenvolvedora, o alvoroço foi ainda maior, e Reach se tornou a grande promessa do Xbox 360 para 2010.

Finalmente, o TecMundo Games foi conferir de perto a aventura final que, curiosamente, dispensa a maior estrela da série: Master Chief. E o que pudemos concluir? Halo Reach é sim um prato cheio para os fãs, trazendo muitas melhorias à fórmula já consolidada. Quem não simpatiza com a série, entretanto, não deve inserir Reach em seu Xbox 360 esperando por mudanças radicais. É como dizem por aí: em time que está ganhando não se mexe.

Antes de qualquer coisa, vale ressaltar que Reach retrata os momentos que precedem o primeiro game da série. Mais precisamente, os jogadores conferem a história do Noble Team e suas ações no planeta Reach. No jogo, seu personagem, conhecido apenas como 06, acaba de ingressar no esquadrão e tem como primeira missão investigar uma área rural. Chegando lá, descobre-se que a fonte dos problemas são os Covenant, raça alienígena que não gosta nem um pouco dos humanos. A partir daí, inicia-se uma guerra que muitos fãs já conhecem — e até sabem como vai acabar.

Em suma, a campanha de Reach conta com mais ênfase na narrativa, tornando-a mais atraente que as demais. Fora isso, a estrutura de jogo continua essencialmente a mesma, com as mesmas armas e os mesmos inimigos. Mas é claro que a campanha não é a única fonte de diversão neste game. O multiplayer retorna mais poderoso do que nunca, com aprimoramentos que rendem ainda mais adrenalina aos jogadores.

Reach não arrisca reinventar a roda, trazendo em sua fórmula clássica alguns aprimoramentos bacanas. Mesmo assim, a Bungie caprichou no título, e se você é fã da franquia, não deve deixar de conferir o jogo por nada neste mundo. Mais modos de game, uma campanha inédita e mais profunda e mais novidades. Em suma, mais Halo, o que é realmente bom.

Halo Reach é um excelente game para quem é fã da série — algo não muito raro. A Bungie simplesmente ajustou tudo o que deveria na clássica fórmula e acabou criando um pacote de qualidade, cheio de aprimoramentos e opções para quem realmente gosta da história deste universo. Não há nada inovador para o gênero, mas Reach alcança com sucesso seus objetivos.
 

Excelente apresentação

Para a felicidade dos brasileiros, Halo Reach é completamente dublado em nosso idioma. Tudo bem, a primeira vista, o jogo pode até soar estranho, já que muitos dos atores serão reconhecidos de filmes exibidos na TV aberta. Mesmo assim, não há como negar que o trabalho dos artistas é fenomenal e de nível extremamente profissional. Além disso, facilita bastante a compreensão da história para aqueles que não possuem domínio da língua inglesa.

Além das dublagens, Reach também possui vários outros elementos que contribuem positivamente para a apresentação. Não é um nenhum exagero dizer que este Halo é o mais “humano” de todos. Nesta edição, temos personagens mais profundos e que acabam estabelecendo uma ligação mais íntima com o jogador — algo comprovado no momento em que seus companheiros tiram seus capacetes, exibindo suas caras ao jogador.

Já seu personagem, 06, continua mantendo a identidade clássica de um protagonista da série Halo. Você nunca vê seu rosto e o soldado fala pouco. Mesmo assim, o fato de fazer parte de um time aumenta a sensação de realmente estar inserido em um grupo social. Seus companheiros possuem personalidades únicas que o acompanham durante cada investida do esquadrão, algo que auxilia esta que pode ser considerada uma das melhores campanhas da série.

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No início da jogatina, as coisas caminham devagar. Contudo, após alguns instantes as missões se desencadeiam em ataques sucessivos e intensos às tropas inimigas, criando uma experiência frenética e de grande escala. As coisas se tornam mais interessantes com as torções dramáticas na trama, que é fortemente ditada pela impactante trilha sonora do game.

Falando nisso, o som de Reach é realmente surpreendente. Mais uma vez, temos um trabalho excelente em mãos, com músicas completamente épicas regidas por uma orquestra de extrema competência. Se você se espantou com Halo 3, então é melhor preparar muito bem seus ouvidos para Reach. Sem dúvidas, o jogo perderia muito de seu impacto se as trilhas não fossem tão boas.

E quanto aos gráficos? Podemos adiantar que Reach traz várias melhorias em relação a Halo 3 e Halo: ODST. Talvez os elementos mais notáveis sejam os novos efeitos relacionados à iluminação e às partículas. É realmente interessante notar como a iluminação interage com os personagens e o próprio ambiente. Além disso, temos explosões e rastros de fumaça mais convincentes, assim como sensação de profundidade e movimento aprimorada.

Tudo isso contribui de maneira positiva para Reach, que, sem dúvidas, traz a melhor apresentação da série. Um trabalho espetacular dos dubladores tupiniquins, munido com uma trilha marcante, gráficos renovados e uma direção cinematográfica marcam Halo Reach como um belo exemplo para qualquer futuro game.

Mais pancadaria

É claro que todos os jogadores de Halo buscam combates convincentes e um bom ritmo. Felizmente, Reach consegue dar conta do recado. Pela parte da campanha, temos boas horas de jogo — cerca de 12 — e uma grande variedade de armas e veículos. As coisas se tornam ainda melhores quando você se junta a um amigo, algo que pode gerar momentos planejados ou completamente inesperados.

Chamar um colega se tornou muito mais fácil. Antes das batalhas, o jogador vai conferir um menu novo e muito mais intuitivo, permitindo que qualquer modo ou opção seja acessado de maneira mais simples. Agora você não tem mais desculpas para dar àquele seu amigo chato que vive implorando por uma jogatina.

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Caso não encontre nenhum de seus colegas com Halo Reach, você pode optar pelo matchmaking online, o qual organiza um jogo com gamers do mundo todo. Sim, é possível desfrutar de toda campanha com um multiplayer online. Se os quatro níveis de dificuldade não forem suficientes para seu esquadrão, então tente usar as Caveiras, que adicionam mais desafios ao jogo e, consequentemente, o tornam muito mais difícil.

Como se não bastasse a campanha com suas várias horas de jogo e uma longevidade quase infinita, devido ao multiplayer, Reach também oferece o modo Tiroteio (Firefight). Aqui, o objetivo é eliminar ondas e ondas de inimigos que surgem no mapa e vão se tornando mais “duronas” conforme você faz a matança. Desta vez, o modo conta com suporte para uma experiência online via matchmaking, mas também pode ser desfrutado offline.

O bacana é que os fãs podem personalizar a modalidade de várias maneiras distintas. Quer que as cabeças dos Covenants se transformem em confetes quando explodirem? Tudo bem. Que tal fazer com que alguns jogadores joguem como Elites e ataquem os Spartans? Vá em frente. As possibilidades são imensas e você ainda pode baixar variantes customizadas procurando por palavras-chave específicas.

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No modo competitivo, também temos bastante personalização. A modalidade Jogo Personalizado permite que o jogador altere várias condições de qualquer tipo de jogo selecionado. As possibilidades são vastas, permitindo que o jogador crie partidas acessíveis ou extremamente absurdas.

O matchmaking para as partidas competitivas continua bom como sempre, trazendo jogos rápidos e em servidores sem atraso na conexão. Detalhe para os novos filtros de busca, que permitem ao jogador escolher se deseja entrar em salas com amigos “durões”, fãs do trabalho em equipe e outras opções.

Reach oferece uma bela variedade de modos de jogo distintos, incluindo algumas novidades em relação aos demais títulos da série. Os gamers hardcore podem optar pelas partidas ranqueadas, que funcionam como uma liga competitiva, ideal para quem quer realmente levar o jogo para frente. Outra opção é a Invasão. Aqui, temos um local com Spartans enfrentando Elites em que o objetivo é capturar uma série de posições específicas.

Novas opções para sua matança

Sem dúvidas, uma das grandes novidades de Reach são as Armor Abilities. Com elas, você pode desfrutar de habilidades especiais no momento em que desejar, limitando-se apenas ao intervalo necessário para que elas sejam recarregadas novamente após o uso. Na campanha, elas quase são esquecidas, mas no multiplayer competitivo, elas são extremamente úteis.

Existem várias habilidades distintas, como Jetpack e o Travamento de Arma, na qual o personagem permanece imóvel enquanto é protegido por um campo de força. Além dessas duas, também temos o Holograma, que gera um clone do jogador, confundindo seus oponentes, e a Camuflagem Ativa — uma espécie de invisibilidade que tem maior efeito quando o personagem está imóvel. Por último, Reach oferece Correr e uma habilidade exclusiva dos Elites que permite um movimento evasivo.

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Tudo isso adiciona mais estratégia ao modo multiplayer, alterando bastante a fórmula já conhecida pelos veteranos. As adições são bem-vindas, pois trazem novos ares ao modo e também tornam a jogabilidade mais profunda e não tão simplória. Você pode escolhê-las no início de cada rodada ou quando morre e aguarda seu ressurgimento.

Quer amedrontar ainda mais seus oponentes? Então utilize os créditos que podem ser obtidos em praticamente qualquer modo do jogo, seja na campanha ou no multiplayer. Com essa moeda, você pode adquirir novas armaduras para seu personagem. Mesmo sendo  elementos meramente estéticos, é bacana poder alterar bruscamente o visual de seu guerreiro. Aproveite para adquirir itens exclusivos para determinadas patentes, mostrando pela sua aparência o que você já conquistou.

Fechando o pacote

Para fechar, Halo Reach oferece o modo Teatro, que permite o jogador visualizar suas últimas partidas no modo multiplayer e até mesmo capturar imagens ou vídeos de qualquer momento interessante — ou não. Compartilhá-los é uma tarefa simples e divertida.

Temos também o modo Forge, um espetacular sistema de edição que permite ao jogador editar níveis de diversas maneiras. Ao todo, temos nove mapas na Fornalha, e você pode soltar sua imaginação editando objetos e alterando as estruturas como desejar. Felizmente, o sistema de edição está muito mais intuitivo e você pode até convidar alguns amigos como ajudantes.

Mais do mesmo?

Halo Reach contém muitos elementos de seus predecessores. Conforme mencionamos, a  jogabilidade continua basicamente a mesma, munida apenas com algumas novidades. Mesmo assim, você continua atirando em tudo que se move, eliminando os mesmos inimigos e usando praticamente as mesmas armas. Sim, não há nenhuma mudança realmente brusca na jogabilidade que possa conquistar quem não era muito fã dos jogos anteriores.

Além disso, a engine utilizada pelo game é a mesma dos demais jogos, trazendo algumas melhorias. Os gráficos estão melhores se compararmos com Halo: ODST ou então Halo 3, mas, novamente, nada que nos surpreenda.

Existem outras limitações que acabam segurando o voo de Reach, como a impossibilidade de trazer vários companheiros para o modo Teatro e a ausência de um modo multiplayer sem interrupção. Ocasionalmente, é possível notar uma queda brusca na taxa de quadros por segundo,

Em suma, Halo Reach traz vários aprimoramentos desejados pelos fãs, mas não se destaca o suficiente como um novo jogo para conquistar um novo público. Querendo ou não, é o melhor Halo da série, mas não é nada inovador.

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90 xbox-360
Excelente