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Halo: The Master Chief Collection
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Essa metamorfose ambulante

Guilherme Dias

Já era a hora de fazer uma revisão e mostrar para um novo público sobre o que se trata os jogos “daquele soldadinho de capacete verde”, ao mesmo tempo em que os reincidentes relembram de episódios que, provavelmente, marcaram suas vidas.

A Microsoft e o estúdio 343 Industries optaram pelo caminho certo: colocar os principais episódios da franquia Halo em uma única interface, atualizando aspectos técnicos e artísticos, mas respeitando e mantendo tudo aquilo que fez os fãs amarem esse universo.

Halo: The Master Chief Collection é uma coletânea com os quatro títulos principais da série em uma única mídia. Campanhas, multiplayer e muitos extras — como o Beta do aguardado Halo 5 e a minissérie de TV Halo: Nighfall — integram o pacote que custa o preço de um único jogo. Além de todos os jogos rodarem em Full HD e a 60 quadros por segundo, Halo 2 aproveita a coleção para fazer uma reestreia com gráficos e áudio atualizados.

Porém, mais do que uma coletânea, Halo: The Master Chief Collection representa a oportunidade de revisitar uma antologia. No Brasil, o apelo do soldado John 117 está longe de ser como nos Estados Unidos, já que o primeiro Xbox, que trazia o início da série, não chegou a fazer sucesso por aqui.

E é exatamente por isso que esse é um produto importante para o público brasileiro, pois é a primeira vez que ele tem fácil acesso à franquia como um todo. Nós, do BJ, gastamos um tempo razoável explorando o que The Master Chief Collection tem para oferecer. Nossas impressões sobre o título você confere a seguir.

Uma breve sinopse

O enredo de Halo bebe de várias fontes da ficção científica — “Aliens: O Resgate”, “Ringworld”, “Ender’s Game”, entre outros. A trama narra eventos que se passam no século 26. O primeiro contato com extraterrestres iniciou um massacre que se estende por décadas. O planeta-colônia Harvest foi o primeiro a ser dizimado (Halo Wars). Alguns anos depois, foi a vez de Reach (Halo: Reach). Agora a busca é pela Terra, e é neste ponto da história que você é introduzido no primeiro jogo.

Uma aliança alienígena é guiada por radicais religiosos que acreditam que a vontade dos deuses é a eliminação do homem — e eles estão vencendo. Uma das poucas coisas que impedem seu sucesso é a interferência de Master Chief, o último Spartan II — supersoldados modificados geneticamente e treinados em um programa intenso de sobrevivência.

Chief protege e é auxiliado pela Inteligência Arficial Cortana, que possui dados que a Irmandade quer obter para atingir os humanos, como informações bélicas e a localização da própria Terra. A história tem ainda vários outros desdobramentos, como a trajetória do Arbiter, o alienígena que se rebela e se torna um aliado; uma antiga e avançada civilização que lutou contra um parasita indestrutível a um alto custo; e, claro, os misteriosos e gigantescos anéis que dão nome à série.

Halo: Combat Evolved, um coroa enxuto

Você já deve ter visto o trabalho de remasterização de Halo: Combat Evolved no Xbox 360, em 2011. O game que ganhou a primeira versão “de aniversário” da franquia chega agora ao Xbox One com alta resolução e taxa de 60 quadros por segundo. E quer saber? Ele está mais fantástico do que nunca.

Ao perceber sua física antiquada e aspectos caricatos de games dos início dos anos 2000, fica claro que estamos vendo um jogo com 13 anos de idade. Porém, o que torna Halo um marco na indústria é como seu gameplay permanece fluido e divertido mesmo com o passar dos anos. Combat Evolved continua uma experiência instigante, desde o primeiro momento em que colocamos os pés no Halo Alpha até nossa saída às pressas dele.

Nessa versão remasterizada é possível alternar entre os gráficos recentes e os originais durante o gameplay de forma instantânea. Não há mais aquela tela preta desvanecendo, basta um pressionar de botão e… Voilà.  Apenas aquela questão burocrática das cutscenes não foi mudada — não há transição de gráficos entre as cinematics, é preciso escolher qual visual você quer antes da execução da cena.

Momentos inesquecíveis em Halo 3

Halo 3 teve sua iluminação evidentemente aperfeiçoada. Comece a primeira missão Sierra 117 e isso ficará bem na cara. As cores estão mais vivas, as sombras mais reais e os feixes de luz solar definitivamente não são os mesmo. Não chega a ser uma remasterização total, mas apenas uma leve maquiagem, ocultando as marcas causadas pelos seus 7 anos de idade.

E considerando todo esse tempo sem uma renovada no visual, não é de se espantar que o terceiro capítulo da série seja o — esteticamente — mais “feinho” do pacote. Mesmo assim, Halo 3 continua contendo alguns dos melhores momentos da série: o resgate de Cortana, a briga contra o Scarab montado em um mongoose, a única cooperativa que faz sentido, a perda de personagens queridos… Ah, os fãs terão boas lembranças.

Halo 3 foi também o capítulo da saga que deu um enorme salto no quesito level design, trazendo mapas muito mais interessantes e complexos, além da possibilidade de caminhar com uma arma pesada, vendo Master Chief e o Arbiter na perspectiva de terceira pessoa.

E nunca, jamais, podemos ignorar que Halo 3 explorou — como nenhum jogo da franquia — a possibilidade de realizar missões de vários modos diferentes, principalmente no que diz respeito aos veículos, bem mais numerosos e variados no jogo de 2007.

Ter Halo 3 em uma coletânea que faça uma transição de um game para sua sequência traz a vantagem de evitar a  frustração dos fãs de 10 anos atrás, já que Halo 2 conclui sua campanha de forma inesperada, em um dramático cliffhanger . Desta vez, basta terminar um modo história para começar o outro, sem espera alguma.

Halo 4, praticamente um nativo do One

Já Halo 4 é indiscutivelmente o mais bonito da coleção. O jogo extraiu o máximo do Xbox 360 em 2012 e mal se nota em sua performance no One que estamos falando de um jogo da geração passada, principalmente ao vê-lo em tão boa forma com sua nova resolução e taxa de quadros.

O game marcou o início de uma nova trilogia, deixando de lado a praga Flood e abordando novos horizontes com o passado dos Forerruners — a civilização antiga cultuada pelos alienígenas do Covenant — e o novos inimigos conhecidos como Prometheans.

Em termos de narrativa, Halo 4 traz também mais sobre o passado de Master Chief, o despertar de uma nova geração de soldados Spartans e a Dr. Halsey finalmente desempenhando papel fundamental nos jogos — algo que sempre foi presente nos livros dessa mitologia e que foi feito de forma rápida no prólogo de Combat Evolved, Halo: Reach.

No último lançamento inédito da franquia também tivemos os episódios de multiplayer cooperativo, Spartan Ops. Para aqueles que não jogaram ou não acompanharam até o último capítulo, é importante dizer que sua conclusão parecer ter sido decisiva para os eventos do próximo Halo. Spartan Ops, no entanto, só chega em dezembro, com todos os episódios de uma vez. Não faz muita falta agora, visto que há muito conteúdo a se explorar.

Halo 2: festa de bodas de zinco

Halo 2 é o pivô dessa celebração chamada The Master Chief Collection. O arrasa-quarteirão de 2004 ganhou uma restauração completa nas mãos da 343 Industries. E “completa” quer dizer: gráficos, áudio, cutscenes e design. Em comemoração aos 10 anos de seu lançamento, uma remasterização de respeito atualizou cada mínima parte da estética do game, mantendo suas bases originais.

Os cenários possuem uma iluminação viva, diferente daquela estática da década passada, porém essa nova dinâmica de luz é também é mais escura. Em alguns momentos, você mal enxerga algumas áreas. É uma pena que não haja opções de brilho no menu do jogo. Um simples recurso como esse poderia ajudar a resolver o problema.

A comparação é constante

A nova aparência de Halo 2 parece ter conferido mais dramaticidade às cenas. Basta observar o antes e o depois de momentos em que chegam Phantoms com efeitos de neon ou as explosões de granadas em uma briga contra hunters. Você vai se sentir várias vezes instigado a apertar o botão info, fazendo comparações, sempre que passar por uma nova área.

É preciso deixar claro que o visual exibido nessa versão restaurada funciona em cima da física e das mesmas animações “ultrapassadas” da primeira versão — e isso é ótimo, pois assim é preservada a sensação de estar jogando o game original. Um motor gráfico atua sobre o outro.

Talvez seja também por causa do peso dessa sobreposição que os dois games Anniversary tenham um desempenho de taxa de quadros levemente inferior ao de Halo 3 e Halo 4. Mas fique tranquilo, as quedas são eventuais, não são drásticas e não estragam a experiência.

Trilha musical e efeitos sonoros

A vontade de comparar não acontece apenas para ver os novos gráficos, mas também para conferir a nova trilha e sonoplastia. Nesta remasterização, ocorre a transição de som que não aconteceu em Combat Evolve Anniversary. A música a está mais clara e com mais volume, além de ter ganhado novos arranjos.

O tema principal com a guitarra, por exemplo, foi regravado com mais arpejos e uma distorção mais “suja” nos solos e riffs. Os mais conservadores podem reclamar, mas a diferença é discreta e foi obra das mesmas mãos que gravaram o tema original em 2004: o lendário guitarrista Steve Vai.

Da mesma forma, os efeitos sonoros (folley) foram todos refeitos. A maior diferença fica por conta de armas como a clássica submetralhadora — que finalmente ganhou peso em seu disparo — e da espada de energia dos Elites.

O mais próximo de um filme de Halo que já tivemos

Se você já jogou Halo Wars — game de estratégia da finada Ensemble Studios — ou mesmo Halo 4, já deve ter visto as cinematics ultrarrealistas que surgiam entre as missões. O Blur Studio, talvez o melhor da indústria nesse segmento, é responsável pelas cenas desses jogos e voltou para recriar as cutscenes de Halo 2: Anniversary. O produto final representa seu trabalho mais impressionante até hoje.

Em alguns momentos, é difícil ter certeza se estamos olhando realmente para um filme live-action ou uma animação digital. Com exceção da estranheza causada por um Sargento Johnson que parece jovem demais e uma Miranda Keys que parece velha demais, todas as cinematics são perfeitas. Absolutamente impecáveis.

O maior ajuste, no entanto, foi feito no Gravemind. A enigmática entidade flood era desengonçada e mal definida visualmente quando foi introduzida na história em 2004. Agora ela é a encarnação dos nossos pesadelos: asquerosa, gigantesca e com aspecto muito mais ameaçador.

Multiplayer: mais complicado do que perfeitinho

Halo 2 deu um salto enorme em relação ao seu antecessor. Incluiu um novo personagem jogável, expandiu a história mostrando de perto quem são os alienígenas do Covenant, trouxe um novo arsenal e o recurso que permite usar duas pistolas ao mesmo tempo, ofereceu veículos destrutíveis e, principalmente, possibilitou pela primeira vez nos consoles um sistema de multiplayer online e funcional nos consoles, através de um sistema de organização de partidas.

E é tocando nesse assunto que a situação fica chata para o lado de The Master Chief Collection. Aquilo que deveria ser a celebração do relançamento de um jogo que praticamente inaugurou a jogatina online na Xbox Live acaba sendo seu ponto mais fraco.

O multiplayer da coletânea sofreu por vários dias com o sistema de organização de partidas, ganhando uma correção que parece ter resolvido parte do problema. Até a realização desta análise, o matchmaking ainda estava um pouco instável e só dispunha de parte das 12 playlists prometidas. A desenvolvedora deve solucionar tudo em pouco tempo, mas é meio frustrante ver que mais de uma semana após o lançamento algumas pessoas ainda não consigam jogar online.

Cardápio com opções intermináveis

Porém, quando funciona, o modo multijogador de The Master Chief Collection é bem impressionante. Na verdade, você provavelmente nunca jogou nada com tantas opções em sua vida. São 106 mapas, que podem ser disputados em vários tipos de modalidade diferentes. Eles vieram de Halo 3, Halo 4, Halo 2: Anniversary, Halo 2 (clássico) e até de Combat Evolved.

O primeiro game da franquia só possuía multiplayer local em 2001 e em seu relançamento, 10 anos depois, acabou ganhando o mesmo modo multijogador de Halo: Reach. Logo, é a primeira vez que os fãs têm a chance de jogar partidas PvP de Combat Evolved na Xbox Live.

Além de toda a reunião do que já foi visto, temos o multiplayer de Halo 2 Anniversary — que oferece releituras de 6 mapas já conhecidos do jogo original, mas com várias novidades interessantes no cenário, belos gráficos e a fluidez que tornou Halo um jogo único. Provavelmente o multiplayer mais divertido entre os cinco disponíveis na coletânea.

Paciente [no] terminal

Halo 3 introduziu em 2007 os terminais em áreas escondidas dos mapas, uma espécie de easter-egg que trazia textos revelando complemento da história dos Forerruners e do Flood. Halo CE: Anniversary (2011) e Halo 4 (2012) ampliaram o conceito, mostrando vídeos que traziam narrativas sobre o universo expandido da franquia —  informações encontradas, até então, somente nos livros e curtas da série. Halo 2: Anniversary também ganhou terminais. 

Porém, seus vídeos, junto aos demais, foram hospedados em um aplicativo para Xbox One chamado Halo Channel. A ideia não foi boa. Esse canal, que além desses episódios traz documentários e dezenas de outros vídeos relacionados a Halo, mostrou ser bem instável e pouco prático — algumas vezes oferecendo uma navegação desengonçada, outras simplesmente exibindo vídeos trocados. É outro detalhe que precisa ser polido, dada a importância desses complementos para a  mitologia de Halo.

Versão brasileira: confusão que até Deus duvida

Qualquer crítica feita nesta seção não é direcionada à desenvolvedora, mas aos responsáveis pela distribuição do game no Brasil. Halo 3 começou com o pé direito quando tornou-se um dos primeiros games a ganhar dublagem em português há 7 anos. Entretanto, a versão brasileira tinha várias falhas e poucas delas vem sendo corrigidas à medida que a série vai ganhando novos títulos em nosso idioma.

Nós gostaríamos de fazer uma análise usando os nomes que o game traz quando é dublado ou legendado por aqui — como fizemos com Destiny recentemente —, mas é difícil fazer isso quando os termos sofrem alteração de jogo para jogo, às vezes sendo trazidos e outras vezes sendo mantidos como no original (“Covenant” e “Irmandade”, por exemplo). Por isso, estamos trabalhando com os nomes em inglês.

Como ficou isso?

Enquanto Combat Evolved é totalmente legendado em português, Halo 3 e Halo 4 têm dublagem nacional, a mesma que ganharam em seus respectivos lançamentos. A qualidade é até boa no geral, o problema é a péssima atuação de atores que têm papel-chave na história, como a Dra. Halsey e o próprio Master Chief. E aí fica a pergunta: quem é que coloca bons profissionais para dublar figurantes e coadjuvantes, enquanto põe vozes tão inexpressivas para dublar protagonistas?

Halo 2 só tem legendas nas cutscenes. Essa é uma das poucas partes em que percebemos que faltou um pouco de capricho da 343 Industries. Isso e a falta de opção para trocar de linguagem no menu — para ter acesso à dublagem original é preciso mudar o idioma do console.

Vale a pena?

É, de fato, uma experiência interessante ter todos esses jogos Halo reunidos, prontos para serem jogados em sequência ou de forma aleatória. Fica evidente o quanto a série amadureceu e se modificou, mantendo alguns de seus princípios básicos de jogabilidade — imprevisibilidade, alternativas de ataque, exigência de planejamento tático, amplos cenários com excelente level design, dinâmica de combate, veículos e armas que fogem do lugar comum.

Porém, a transição de um título para outro, provavelmente venha a gerar uma estranheza nos usuários, legitimando o quanto a franquia se mantém em constante metamorfose. Seja nas diferenças gráficas, nos controles, na dublagem (ou na ausência dela) ou em detalhes mínimos, como vibração dos gatilhos do controle, disponível — por algum motivo desconhecido — apenas em Halo 3 e Halo 4.

The Master Chief Collection consegue resgatar com louvor o que a série significa e oferece um enorme fan-service trazendo os games principais — em sua melhor forma — com adição de centenas de recursos, opções e extras. Por isso, aqueles que nunca jogaram nenhum jogo da franquia agora têm a oportunidade de fazê-lo e com vários bônus.

É também muito bom ver o quanto os 60 quadros por segundo ofereceram em termos de resposta, dando um fôlego novo aos títulos. Cada um dos jogos da quadrilogia está nessa coleção em sua versão definitiva, não há perdas ou retrocesso, apenas evolução.

The Master Chief Collection é uma celebração e também um enorme presente aos fãs, principalmente pelo cuidadoso tratamento de atualização dado a cada um dos games. Se o multiplayer estivesse 100% funcional, o produto seria praticamente perfeito — e é principalmente aí que o produto recebe pontos negativos em nossa avalição. Mas de qualquer forma, o conjunto da obra representa um mimo que não estamos acostumados a ganhar de uma desenvolvedora. Que venha Halo 5.

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Excelente
"Exceto pelo tropeço do multiplayer, a coletânea Halo acerta em quase tudo. Obrigatório para fãs da série e a melhor porta de chegada para novatos"

Pontos Positivos

  • Quatro games pelo preço de um e reunidos em uma interface única
  • Excelente remasterização do gameplay de Halo 2
  • Cutscenes do Blur Studio têm visual soberbo
  • Atualização de todos os títulos para 60fps e resolução Full HD
  • Centenas de mapas no modo multiplayer

Pontos Negativos

  • Instabilidade no sistema de organização de partidas multijogador
  • Falta de recursos simples no menu, como ajuste de brilho e seleção de idioma
  • Ausência de legendas durante as missões de Halo 2