Expansão traz atmosfera espetacular, mas dura pouco

Heavy Rain é mesmo um game espetacular. Desde seu anúncio, a indústria dos games entrou em estado de ansiedade, permanecendo até o dia do lançamento do título. E, quando a obra da Quantic Dream chegou ao PlayStation 3, certamente fomos recompensados. Uma aventura completamente intrigante, que mistura drama com momentos intensos e desesperadores. Para muitos, um filme interativo de primeira. Para outros, uma excelente experiência. Mas, ambos compartilham um pensamento: Heavy Rain é incrível.

É claro que muitos jogadores, mesmo após experimentar praticamente todas as inúmeras possibilidades do game, acabaram com um “gostinho de quero mais”. Dificilmente teremos uma sequência para o game, pelo menos é o que indica a própria desenvolvedora. Contudo, felizmente, a companhia prometeu lançar diversos episódios extras para o game, que devem tornar a história ainda mais marcante.

O TecMundo Games conferiu o mais recente DLC do game. Intitulado Heavy Rain Chronicles: The Taxidermist, este episódio, que inaugura a sessão extra do game, traz aproximadamente 30 minutos de jogatina pela modesta quantia de US$ 4,99 — também disponível gratuitamente com o uso de um cupom da edição especial. Mas, como estamos falando de Heavy Rain, você terá a chance de multiplicar a longevidade do título, graças aos cinco finais do episódio e às várias possibilidades.

The Taxidermist traz uma experiência extremamente atmosférica, que deixará qualquer jogador com o coração pulando pela boca. A estrela da vez é Madison Paige, a bela jornalista que também aparece na versão completa do game. Paige busca pistas para um assassino que vem assombrando as redondezas há um bom tempo: o Origami Killer. A personagem motorizada encontrou uma casa suspeita, na qual o morador cobre as janelas do andar superior com jornais. A partir daí, a coisa só esquenta — mesmo debaixo de muita chuva.

É importante ressaltar que a trama não possui nenhuma ligação com a história principal que suporta Heavy Rain. Independentemente do que acontecer na expansão, nada se alterará na campanha original. Além disso, não há qualquer preenchimento nos furos do roteiro ou novas informações sobre determinados personagens. Ou seja, um DLC isolado — que havia sido planejado como a versão demonstrativa do game.

No momento em que Paige chega ao local, o jogador assume controle da protagonista. Basicamente, se você já jogou Heavy Rain então não deverá ter problemas com isso. Contudo, os novatos também não devem se preocupar. Com o botão R2, o personagem anda e o analógico esquerdo é utilizado para movimentar a bela Paige. O manípulo direito serve para executar algumas ações, que também podem requerer o uso dos outros botões da face.

Estas ações aparecem como mini games de contexto na tela, obrigando o jogador a realizar várias ações diferentes. Dependendo do formato exibido na tela, você terá de pressionar e manter segurado o botão, apertar rapidamente ou até sacudir o controle. Uma boa dica é conferir o tutorial do próprio game para se familiarizar com o esquema — caso contrário você pode ser dar realmente mal.

Controles à parte, The Taxidermist comporta-se de maneira semelhante ao jogo original. Você deve explorar o local, procurando pistas e objetos para que a história se desenvolva. Muitas das ações realizadas podem influenciar posteriormente no game — se você deixar uma gaveta aberta, alguém pode perceber, não é mesmo?

Todo cuidado é poucoEste primeiro capítulo traz novamente toda a atmosfera de Heavy Rain e adiciona um pouco mais de intensidade. Felizmente, isto não é tudo. Além das escolhas, Taxidermist ainda traz uma novidade na apresentação: a tela dividida. Ao contrário do que muitos possam imaginar, não se trata de um modo multiplayer ou coisa assim. Este formato serve para enfatizar alguns momentos, o que contribui ainda mais para o desespero do jogador — o que é realmente legal.

Em suma, Taxidermist é uma experiência que deve agradar todos os fãs do jogo, mesmo sem contribuir para a trama do modo principal. Além disso, passar mais tempo ao lado de Madison Paige não pode ser algo ruim, principalmente quando muitas surpresas o esperam. Pelo preço, Taxidermist é uma boa pedida — e você não precisa apertar nenhum botão envolvendo decisões rápidas para saber disso.

Se você é um fã ou simplesmente gostou de Heavy Rain, então provavelmente irá adorar jogar um pouco mais ao lado de Madison Paige, uma das personagens do game. Assim como a versão original, esta expansão traz todo o clima tenso do game e ainda oferece cinco finais diferentes. Uma nova trama que, mesmo curta, serve para saciar aquele “gostinho de quero mais”.

Aprendendo com os mestres

Antes de qualquer coisa, um lembrete: esta análise pode conter spoilers (revelações sobre o enredo) de Heavy Rain: The Taxidermist.

Heavy Rain não é exatamente um survival horror, mas a ambientação de Taxidermist pode ser facilmente comparada a jogos do gênero — principalmente com o lendário Silent Hill. Como assim? Vamos por partes, como diria o taxidermista. Bem, logo de cara, temos uma chuva pesada — com o perdão do trocadilho — o que dificulta a visão e torna as coisas ainda mais desconfortáveis. O mesmo ocorre em Silent Hill e sua neblina, não é mesmo? Ainda tem mais.

O que você espera de um cara que tem cabeças em sua parede?Outro elemento que relembrou bastante a saga da Konami surge logo quando Madison entra na casa suspeita. Sim, a casa de um taxidermista contém o que deveria conter: animais empalhados e espalhados por todos os cantos. No mesmo instante, você já fica apreensivo, principalmente ao observar algumas criaturas bizarras que ocupam o recinto. Um pouco mais de exploração — podridão por toda a parte e roupas queimadas — e pronto: ponto para a Quantic Dream. A relação com Silent Hill? A bizarrice é claro.

Esta parte envolve apenas o primeiro andar da casa. É amigo, achou que as coisas já estavam horríveis? Ao subir as escadas, mais animais empalhados, quartos esquisitos e muitas ferramentas supostamente utilizadas pelo morador. Mas, somente nas últimas portas é que o medo realmente se revela — e a insanidade de White, o taxidermista, também.

Sem dúvidas, esta exploração “porta-a-porta”, o chão rangendo e outros detalhes, como os animais empalhados, contribuem para a atmosfera pesada do game, que pode ser comparada facilmente com os títulos de survival horror. Esperamos que o próximo Silent Hill se lembre bem disto.

Mantendo a classe

O esquema de jogabilidade de Taxidermist é exatamente o mesmo da versão original. Sendo assim, você pode se preparar para vários comandos brotando em sua tela. E, conforme a versão original, errar nem sempre ocasiona o fim do jogo, pois muitas ações apenas alteram o rumo das coisas — afinal, este é um dos pilares que sustenta Heavy Rain.

Mas, é somente quando as coisas realmente começam a acontecer que a parte mais intensa de Taxidermist se revela. Nas perseguições, é normal seu coração acelerar e o pessoal da sala gritar “Vai Gabriel, corre! Acerta ele! Cuidado!” — pelo menos em nossa sessão de testes foi assim. E o que você vai fazer? Matar, correr ou se esconder? São estes momentos que, definitivamente, valem a compra da expansão.

Ao final, o jogador ainda é recompensado com várias conclusões diferentes. Ou seja, depois de terminar o game uma vez, você terá quatro — ou mais — motivos para voltar, explorar o ambiente e tentar cumprir um dos finais diferentes. Vale ressaltar que, ao completar a expansão, surge uma lista com o nome das demais possibilidades para que o jogador tenha ideia do que deve ser feito. Nesta mesma tela, o jogador pode escolher se deseja começar do início, meio ou fim, facilitando e encorajando você a revisitar o DLC para conferir os outros finais.

Tudo acompanhado por uma trilha sonora tão impactante quanto à versão original e visuais que podem confundir o jogo com um filme — com exceção de alguns momentos, os quais serão mencionados em breve. Em suma, é mais Heavy Rain, com uma nova e pequena trama, mas sobre a mesma estrutura que levou o game às alturas.

Corra, Madison, Corra!

Pouco tempo e outros probleminhas

Tudo bem, The Taxidermist possui vários finais que merecem ser conferidos. Mas, não há como negar: após jogar o game uma vez — no máximo duas —, as surpresas são bem menores. Mesmo explorando locais diferentes, você sabe como as coisas acontecerão. Isto denigre um pouco a experiência, mas nada muito relevante.

Além disso, existe um problema com os gráficos do game, principalmente quando o jogador encontra a pista fatal do suspeito — não revelaremos para não estragar sua experiência. Neste momento, percebe-se facilmente que a desenvolvedora não caprichou nas “provas”, principalmente se compararmos com os personagens principais. A modelagem é estranha e eles não são naturais — esta última frase pode ser ambígua.

Madison comunicando que chegou e já está voltandoNovamente, os controles também apresentam seus problemas. Controlar com o R2 pode ser algo complicado, principalmente quando as câmeras não ajudam muito. Muitas vezes, você simplesmente não conseguirá ir à direção que deseja e acabará gritando com a pobre Madison.

Outro problema está relacionado ao áudio, mas deverá afetar somente os fãs que realmente amaram o game — como nós. A dublagem de Madison não é feita pela mesma atriz que ocupou o papel na versão original, o que causa certa estranheza aos gamers. Além disso, o suspeito é dublado pelo mesmo ator responsável por Scott Shelby. Existem alguns pequenos probleminhas nas animações também, que não demonstram muita naturalidade em alguns momentos. Por último, faltou suporte aos troféus.

86 ps3
Ótimo