Muito mais que um “mero herdeiro de DotA”

É realmente difícil transformar um “mod” — modificação — em um game completo. Ainda mais quam o assunto é um “mod” muito famoso. DotA (Defense of the Ancients) é um dos modos de jogo não-oficiais mais prestigiados pelos fãs de Warcraft 3, e o pessoal da S2 Games resolveu desenvolver um título baseado explicitamente no tão conhecido “mod”. Surge, então, Heroes of Newerth.

A proposta deste jogo é a mesma de DotA: o jogador controla um herói e deve evitar que os inimigos destruam uma estrutura principal na base. No mapa principal, são três os caminhos primários — as tão conhecidas “lanes” — de uma base à outra, sendo que cada um dos caminhos é protegido por torres. Enquanto o pessoal da Legion defende a Tree of Life, a facção Hellbourne protege a estrutura descrita como Sacrificial Shrine.

Levas de combatentes controlados pela inteligência artificial do jogo — os famosos “creeps” — são liberadas de tempos em tempos e entram em combate automaticamente com as unidades inimigas, sejam heróis, torres ou outras unidades. O resultado? Combates espetaculares, recheados com diversas magias e habilidades destrutivas.

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Existe um sistema de nivelamento (1 a 25) baseado em pontos de experiência adquiridos na matança. O ouro também é extremamente importante na jogabilidade, pois leva o jogador a criar objetos através de receitas indicadas nos vendedores de itens. Tudo é muito bem organizado: componentes à esquerda e “recipes” à direita. Há, também, divisão por categorias e o jogo até mesmo lista alguns itens recomendados para o herói controlado.

Compreender os princípios básicos da jogabilidade é obrigatório e faz com que o gamer assimile a seguinte ideia: não morrer é quase tão importante quanto matar. Pois é, a energia vital e os pontos mágicos devem ser administrados com muita sabedoria para que o personagem controlado não pereça facilmente em combate e as diferentes habilidades possam ser aplicadas nos momentos oportunos.

Familiar é apelido

HoN carrega o legado de vários protagonistas de DotA. Em alguns casos, mudam apenas os nomes do herói e das habilidades. Exemplos de relações similares? O Tormented Soul de DotA (Leshrac) é conhecido como Torturer, enquanto a Death Prophet (Krobelus) se transformou em Defiler e o Stone Giant (Tiny) virou Pebbles. O grande monstro escondido no mato, Roshan, agora é conhecido como Kongor.

Com isso, não é preciso dizer que tudo ganhou mudanças drásticas, não é mesmo? Dois dos aspectos que mais se destacam — veja abaixo — são o estilo visual e o sistema prático de atalhos (“hotkeys”) para comandos diversos. Resumindo: HoN é um legítimo herdeiro de DotA na forma de um jogo de grande porte muito, muito mais amplo que um simples “mod”.

Trata-se de um jogo excelente para quem gosta de combates diretos, práticos e muito dinâmicos. Para os apreciadores de DoTA, é uma bênção. A mesma fórmula, dezenas de heróis “herdados”, uma estrutura muito mais completa e recursos técnicos simplesmente deslumbrantes? É um pacote e tanto.

É uma alegria constatar que os desenvolvedores cuidaram para que a fluidez permanecesse constante durante os combates frenéticos de Heroes of Newerth. E, como o próprio pessoal da S2 Games afirmou que o jogo “nunca será terminado”, muitas novidades ainda estão por vir.

O preço — US$ 30, aproximadamente R$ 54,12 na taxa de câmbio atual — é aceitável. Levando em consideração a qualidade com que tudo foi criado até o momento, a relação custo/benefício é ótima para o bolso daqueles que pretendem adquirir um bom game de estratégia que foca o controle de apenas uma unidade... Se você não incorporar um herói de Newerth que possui seres subordinados, é claro.

Robusto, completo

Depois de uma partida, você pode visualizar todas as estatísticas referentes àquela partida e, com isso, saber se o seu desempenho foi bom ou não. Mais? Bem, enquanto o seu herói está morto, você não é impedido de adicionar, se tiver, pontos adicionais em habilidades ou atributos. Além disso, o sistema de “matchmaking” (encontro automático de jogadores para a criação de partidas) é inteligente e veloz, se o jogador escolher mais de um servidor de procura.

Esses, na verdade, são exemplos fracos de quanto HoN é robusto. A estrutura por trás da simples fórmula de jogo é extremamente sólida. É visível o esforço dos desenvolvedores em propiciar a melhor experiência possível aos gamers.

Tutorial consistente

Para quem compreende o idioma inglês, melhor ainda. O tutorial é fundamental para aqueles que nunca ouviram falar em DotA ou Heroes of Newerth. É uma pequena área separada do jogo dedicada apenas a isso: educar o gamer no que diz respeito à fórmula-base da jogabilidade.

A narração dos passos a serem seguidos é feita com bastante clareza. É óbvio que nem todas as dicas são transmitidas pelo tutorial, já que a maioria das “manhas” (bem como o conhecimento sobre heróis, itens e estratégias de jogo) deve ser adquirida através da participação em diversas partidas. Mas, felizmente, o tutorial treina muito bem o jogador com instruções diretas e coerentes.

Diversificação em tudo

Isso vale para heróis, itens, modos de jogo... E até mesmo mapas. Pois é, HoN possui um cenário com apenas duas “lanes”. E ainda mais heróis e outras novidades deverão ser liberadas pelos desenvolvedores com o passar do tempo. Variedade, seja em estratégias de combate ou em manipulação de itens, é o que não falta neste game.

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E por que este é um aspecto tão importante? Uma jogabilidade constante, em boa parte dos casos, faz com que muitas pessoas fiquem fartas daquela fórmula facilmente. Aqui, o jogador é livre para definir uma série de quesitos, tais como modos de jogo, heróis a serem escolhidos, filtros de participantes de acordo com pontuação... Flexibilidade é o que não falta.

Interface mais que amigável

E melhor: que conta com uma boa resposta. O jogador pode personalizar os comandos básicos, os atalhos e consegue fazer muitas ações com poucos cliques. E, se você é bastante dependente do mouse e tem mais familiaridade com esse periférico, sem problemas. Todos os ícones contam com descrições sucintas e, bem, o tutorial pode auxiliar em último caso.

O sistema pode não parecer muito intuitivo para quem está muito acostumado com a interface de DotA, mas algumas partidas resolvem esse “problema”. Em poucas horas, o gamer percebe que o sistema de comandos é excelente e facilita a utilização de habilidades diversas. Animações de peso acompanham as magias, mas isso é assunto para o tópico abaixo.

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Satisfatório também em recursos técnicos

Artisticamente, não há o que comentar. Os desenhos das criaturas, dos heróis e até mesmo dos cenários foram muito bem feitos. O melhor é que os gráficos acompanham esse belo trabalho de arte e exibem texturas de qualidade, animações cativantes (muito mais do que aquilo que ocorre em DotA) e efeitos muito interessantes. Se o gamer possuir um computador potente, é capaz de contemplar visuais bastante agradáveis.

No que diz respeito à ambientação sonora, o jogo também esbanja qualidade. Da trilha sonora a sons simples como a narração dos heróis escolhidos pelos jogadores, tudo é impactante. Quando muita ação está acontecendo na tela, é possível perceber o bom trabalho dos desenvolvedores na reprodução da pancadaria, tanto em sons quanto em visuais.

Somente online

No momento em que foi escrita esta análise, os desenvolvedores de HoN não disponibilizaram nenhuma área do jogo dedicada à criação de partidas em rede local (LAN — Local Area Network). Assim, os gamers que não possuem uma boa conexão com a internet — ou sequer uma conexão — não podem se divertir com a excitante jogabilidade.

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Isso é um tanto frustrante, pois partidas locais ocorrem de maneira muito mais fluida que embates online, visto que a latência (tempo de resposta da conexão) diminui drasticamente. Além disso, amigos que preferem jogar próximos uns aos outros não têm a chance de embarcar em combates diretos através da rede. Felizmente, o pessoal da S2 Games afirmou que é possível que surja um modo LAN no futuro.

Limitado a servidores remotos

Ponto ruim ou bom? Um pouco dos dois. Embora o fato de limitar a hospedagem de partidas apenas a servidores disponibilizados pelos desenvolvedores possa gerar um equilíbrio no que diz respeito ao “ping” (latência) dos jogadores em uma partida, pode-se dizer que os brasileiros ficam um tanto prejudicados neste quesito.

Atualmente, a melhor opção para os gamers do Brasil é hospedar ou embarcar em jogos hospedados em servidores norte-americanos e europeus. Por mais que o atraso no tempo da conexão seja praticamente imperceptível na maior parte das ocasiões, os games poderiam ser ainda mais fluidos.

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Em eterno desenvolvimento

Outra “faca de dois gumes”. Um jogo ousado e direto como este deve ficar em constante atualização devido aos problemas relacionados à interface e balanço de heróis. Isso é ótimo, pois os desenvolvedores podem sempre disponibilizar novidades e melhorias de forma frequente. Aqui, o feedback dos gamers é essencial para o sucesso do jogo. Espera-se que o pessoal da S2 Games tenha como base o empenho dos criadores de DotA e forneça “patches” regulares com o tempo.

Por outro lado, os jogadores casuais podem ficar em segundo plano com essas mudanças constantes, não acompanhando as atualizações. É interessante constatar, ainda, que muitos já estão reclamando fortemente, por exemplo, da falta de balanceamento entre as especificações de certos heróis. Há quem sugira mudanças específicas nos atributos de alguns personagens ou nas características de certas magias. Zephyr, assim que saiu o game, foi um dos heróis mais contestados nesse sentido.

Fãs assíduos de DotA também podem levantar o fato de que, mesmo que os desenvolvedores lancem pacotes de atualizações frequentemente, será complicado focar apenas nos heróis, sendo que há toda uma estrutura a ser considerada. E são apenas os heróis que importam para a maioria dos jogadores de DotA e HoN.

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Ótimo